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  • História
  • Prancha XVI · seção 04 de 21

    Ramadã, Karagöz e o calendário do café

    Litografia em que, num café turco, um grupo de fumantes interrompe o cachimbo e se inclina para um mensageiro de pé que traz notícias, as xícaras permanecendo na bandeja.
    Notícias trazidas por um mensageiro num café turcoJoseph Nash, segundo David Wilkie; Wellcome Collection, Londres · CC BY 4.0

    O café é uma questão de horas. Stamboul, fora do Ramadã, está deserta à noite, e é logo depois do crepúsculo que os cafés estão no seu melhor. Durante todo o mês do Ramadã, os cafés puramente turcos fecham de dia e ficam abertos a noite inteira; é só nesse mês que se pode ver, em alguns dos maiores, o Karagöz, o teatro de sombras turco.

    Ukers 1922, cap. XXXV, citando Dwight (1915)

    Os cafés cristãos seguem o calendário da Igreja, como os cafés turcos seguem o do Ramadã. O café não tem horário próprio: toma o da religião de seus clientes.

    Cada bairro celebra seu santo padroeiro com um panayiri, isto é, uma festa padroeira de três dias. A rua é embandeirada, as mesas saem para a calçada, e a sala transborda assim para fora.

    Um detalhe escandaliza o observador: homens e mulheres dançam ali juntos, ao som da lanterna, o realejo próprio de Constantinopla. No resto do ano, o café de Constantinopla reúne apenas homens.

    Ukers 1922, cap. XXXV, citando Dwight (1915)
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