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  • História
  • Tema IV

    História do café

    a planta, as pessoas e o mundo do café, em nove capítulos

    A história, em 9 tempos

    Cada era cabe em poucas linhas; “saiba mais” abre o relato completo, com os marcos da história geral na margem. Os marcos datados, esses, estão mais abaixo.

    01As lendas do café e a data de seus textos

    Este capítulo não pergunta se os grandes relatos de origem do café são verdadeiros; pergunta de quando datam os textos que os transmitem e o que a distância entre a data do texto e a data dos fatos deixa ver.

    Saiba maisRecolher2.137 palavras

    A história do café circula com um acervo de relatos que quase todo mundo conhece e que quase ninguém data. O pastor de cabras e seus animais agitados, o santo exilado que ferve bagas, as sete sementes trazidas da Arábia na barba, a muda regada durante a travessia por um oficial que se priva de água, as sementes obtidas da esposa de um governador, o papa que prova a bebida dos infiéis e a acha boa.

    Esses relatos são belos, são ensinados, estão pintados em sacas e em letreiros. Existe, porém, a respeito deles uma pergunta modesta e verificável, que não é a da sua verdade: em que livro, em que ano, esse relato aparece pela primeira vez por escrito? A resposta é um fato de arquivo, que se pode estabelecer e citar, ao passo que a verdade de uma cena de mil anos atrás não se deixa estabelecer de modo algum.

    Um relato tardio não é, por isso, um relato falso: acontece de uma tradição oral antiga esperar séculos antes de ser impressa. Mas, quando se conhece a data do texto, sabe-se ao menos em que época o relato foi útil, e a quem.

    O mais antigo texto corrido sobre a origem do café não é europeu nem lendário. Abd al-Qadir ibn Muhammad al-Ansari al-Jaziri al-Hanbali conclui, no ano 996 da Hégira, o calendário muçulmano que começa em 622, ou seja, em 1587 da nossa era, um tratado intitulado Umdat al-safwa fi hill al-qahwa, que se costuma traduzir aproximadamente por “aquilo em que se apoiam as pessoas puras a respeito da licitude do café”. O manuscrito está conservado na Biblioteca Nacional da França sob a cota Arabe 4590.

    Compõe-se de sete capítulos: a etimologia da palavra, as virtudes do grão e, sobretudo, a querela religiosa de Meca em 1511 e a refutação dos que queriam proibir a bebida; termina com uma coletânea de versos árabes compostos durante essa querela. Uma nota latina na guarda do volume resume: livro em sete capítulos, publicado no ano 996 da Hégira, quando cento e vinte anos haviam passado desde que o uso dessa bebida se fixara na Arábia Feliz.

    Ora, esse texto não conta nem cabras nem milagre. Atribui a adoção do café a um mufti de Áden, isto é, um jurista encarregado de dizer o direito, Jamal al-Din al-Dhabhani, morto por volta de 1470, que teria difundido o uso por volta de 1454. Cento e trinta anos separam o fato narrado do texto que o narra, e o próprio al-Jaziri remete a um autor anterior, Shihab al-Din, de quem não se conhece nenhum exemplar. A mais antiga testemunha conservada se apoia, portanto, numa testemunha perdida.

    Esse manuscrito chega à Europa na bagagem de Nointel, embaixador de Luís XIV junto à Porta Otomana. Antoine Galland, o orientalista que mais tarde daria às Mil e uma noites sua forma francesa, analisa-o e o traduz em parte sob o título De l'origine et du progrès du café, em 1699. Mais de um século depois, Sylvestre de Sacy edita seus dois primeiros capítulos na Chrestomathie arabe, coletânea de trechos escolhidos destinada aos alunos da École des langues orientales, publicada em 1806 e reeditada em 1826.

    A conta é instrutiva: entre o uso atestado por volta de 1454 e o tratado de 1587, cento e trinta anos; entre o tratado e sua primeira leitura francesa, mais cento e doze.

    O pastor de cabras, por sua vez, entra no impresso em 1671. O livro é de Antonio Fausto Naironi, maronita, professor de línguas caldeia e siríaca no colégio de Roma: De saluberrima potione cahue, seu cafe nuncupata discursus, impresso em Roma por Michele Ercole e dedicado a um cardeal. É o primeiro tratado impresso consagrado ao café somente. Nele se encontra um guardador de rebanho na Arábia Feliz, animais que se agitam depois de comer certos frutos, um religioso das redondezas que extrai deles uma decocção para manter acordados os seus irmãos.

    Não se encontra ali nenhum nome. O pastor de cabras só se chama Kaldi em retomadas posteriores, e não consegui fixar com certeza a data em que esse nome se prende ao personagem: aponta-se ora para versões inglesas do século XIX, ora para a difusão em massa que Ukers lhe dá em 1922, e eu mesmo não verifiquei nenhuma dessas ocorrências mais antigas.

    O que é certo e verificável é que o nome está ausente do texto de 1671. Os fatos narrados são comumente situados por volta do século IX; o texto, esse, tem oito séculos a menos.

    Galland, em 1699, não se priva de dizê-lo. Censura Naironi por ter acolhido como história os relatos de Omar e do pastor de cabras abissínio, e acrescenta uma observação que esclarece a cena melhor do que qualquer refutação: o abade e seus monges, escreve ele em substância, são o mufti Gemaleddin e Muhammad al-Hadrami, e os monges são dervixes, isto é, membros de uma confraria sufi que velam recitando.

    O relato iemenita foi traduzido em convento. Entende-se sem dificuldade a utilidade dessa tradução: em 1671, em Roma, numa obra dedicada a um príncipe da Igreja, uma bebida vinda do mundo muçulmano ganha muito por ter sido revelada a religiosos. Não é uma falsificação, é um trabalho de aclimatação, o mesmo que muitas plantas e muitas palavras sofreram.

    O xeique Omar segue o mesmo caminho, em sentido inverso. A tradição o situa no ano 656 da Hégira, ou seja, 1258, exilado na montanha de Ousab por um desvio de conduta, reduzido a ferver as bagas que encontra, depois chamado de volta em triunfo a Moca, onde se constrói um convento para ele. A base escrita é o manuscrito de 1587, portanto três séculos e meio depois dos supostos fatos, e o relato só chega ao público francês com Galland em 1699 e Jean de La Roque em 1716.

    Nesse meio-tempo, carregou-se: numa versão que Ukers relata, o mestre morto reaparece sob um véu e crescido dez côvados, uma água jorra do chão, um pássaro de plumagem maravilhosa conduz o exilado até a árvore. O próprio Ukers não faz mistério: na cronologia que encerra seu livro, a data de 1258 traz uma chamada de nota que remete a uma só palavra, “lendário”, e uma segunda que indica que a data é aproximada.

    O principal vetor do relato o assinala, portanto, como relato. O que a lenda de Omar traz é nítido: liga o café a uma linhagem de santos, a de Chadhili, padroeiro de Moca, e dá a uma bebida contestada pelos juristas um protetor que os juristas não podem recusar.

    Existe um caso em que a datação é completa, e ele serve de modelo para todos os outros. Viena, 1683: a cidade sitiada, o exército otomano que se retira, as sacas de grãos verdes abandonadas, Kolschitzky, que as recebe como recompensa e abre a Garrafa Azul. Esse relato aparece pela primeira vez em 1783, sob a pena de Gottfried Uhlich, exatamente um século depois do cerco, e o historiador Karl Teply o estabeleceu em 1980.

    O arquivo da cidade diz outra coisa: o privilégio de servir café em Viena é concedido em 17 de janeiro de 1685 ao comerciante armênio Johannes Diodato. O relato de Uhlich, no entanto, venceu, tem sua estátua e sua rua. É o caso de escola, porque nele se vê para que serve um centenário: em 1783, Viena conta a si mesma o seu cerco, e a fundação do café vienense encontra ali um herói em vez de um privilégio comercial.

    A tradição indiana de Baba Budan, peregrino que voltou de Meca com sete sementes férteis escondidas consigo, plantadas nas encostas de Chikmagalur, resiste a esse exercício. Ukers, em 1922, a considera verossímil, embora hesite quanto à data, “desde 1600” segundo uns, 1695 segundo uma autoridade que ele julga melhor, e sua cronologia assinala a entrada com dois sinais ao mesmo tempo, data aproximada e relato lendário.

    Não encontrei a primeira escrita do relato das sete sementes e, portanto, não a dou. O que está atestado é mais banal e mais sólido: havia café nos montes de Mysore bem antes de os ingleses ali empreenderem plantações em 1840, a serra leva o nome de Baba Budan, e o santuário existe. O número sete, número de bênção, e o esconderijo na barba pertencem à vida posterior do relato, aquela em que uma história se precisa ao envelhecer.

    Gabriel de Clieu oferece o caso contrário, aquele em que se possui um autor. O relato da muda levada sob uma caixa de vidro e regada durante a travessia com a sua própria ração de água vem de uma carta do próprio interessado, publicada em L'Année littéraire em 1774. É um testemunho de primeira mão, e foi escrito cerca de cinquenta anos depois da travessia, no mesmo ano da morte de seu autor, que tinha então quase oitenta e oito anos.

    Ukers aponta as oscilações: uns datam a chegada de 1720, outros de 1723; Jardin supõe duas viagens, uma delas fracassada, para conciliar as duas datas; hesita-se entre uma muda e três, dizendo de Clieu que foi uma. A frase sobre a água partilhada é de seu punho, e fez carreira: poema em L'Année littéraire no mesmo ano, versos de Esmenard, serviço de porcelana encomendado em sua honra, jardim botânico de Fort-de-France inaugurado em 1918 e dedicado ao seu nome.

    Pode-se ler esse sucesso sem desprezo e sem ingenuidade: ele coloca uma fortuna colonial sob o signo de uma dedicação privada, um homem e uma planta, ali onde houve frotas, monopólios e trabalho forçado.

    Francisco de Melo Palheta coloca a mesma questão com menos documentos. O que está atestado administrativamente cabe em poucas palavras: em 1727, um oficial da coroa portuguesa é enviado a Caiena por uma questão de fronteira e volta com sementes e mudas. O buquê oferecido pela esposa do governador, onde estariam escondidas as sementes que a Guiana Francesa proibia exportar, pertence a outra camada do relato, e não pude datar a sua primeira redação.

    Dois indícios negativos merecem ser anotados, em vez de um veredicto: Ukers, em 1922, não registra esse episódio em sua cronologia, onde a entrada brasileira daqueles anos menciona apenas o fracasso da plantação do Pará em 1723; e a versão galante circula sobretudo na literatura do século XX, onde Pendergrast a retoma em 1999. A cena faz a maior economia cafeeira do mundo começar por um presente, isto é, por um favor concedido, e não por uma missão de Estado e pelo que a plantação exigiu depois em homens.

    Resta o papa. Nenhum ato pontifício conhecido trata do café, nem para proibi-lo nem para abençoá-lo. Ukers relata a história dos padres que pedem a Clemente VIII que proscreva a bebida de Satanás, e do papa que a prova e propõe batizá-la, introduzindo-a por uma fórmula prudente, “segundo uma lenda muito citada”, e sem nomear fonte. O detalhe que importa está noutro lugar: ele não faz constar esse episódio em sua cronologia, ao passo que ali faz constar Rhazes, Avicena e Omar com a marca “lendário”. Não encontrei a primeira versão impressa dessa cena e, portanto, não proponho nenhuma.

    O que se data em torno dela, em compensação, data-se bem: em 1585, Gianfrancesco Morosini informa ao Senado de Veneza que os turcos bebem uma água negra feita de uma semente chamada cavee; em 1615, Pietro Della Valle escreve de Constantinopla que trará dela. A anedota do batismo resolve numa cena a questão que esses anos realmente colocavam, a de saber se uma bebida do islã podia tornar-se cristã. A dedicatória do livro de Naironi a um cardeal, em 1671, responde à mesma questão por outro meio.

    Postos de ponta a ponta, esses intervalos desenham uma inclinação. O mais antigo testemunho escrito é árabe, sóbrio, administrativo: um mufti de Áden, uma data, uma querela de direito. As cenas pitorescas, o pastor de cabras, o pássaro maravilhoso, o papa divertido, o buquê da governadora, são mais tardias e, em sua maioria, europeias. Isso não as desqualifica, situa-as. Ukers, que mais do que ninguém as fez circular, tivera o cuidado de pôr ao pé de sua cronologia duas notas de três palavras, uma para as datas aproximadas, outra para os fatos lendários; o uso que se fez de seu livro muitas vezes apagou essas notas.

    A proposta deste capítulo é recolocá-las: guardar os relatos, que têm sua beleza e sua utilidade, e pôr ao lado de cada um a data de seu texto mais antigo.

    Abd al-Qadir ibn Muhammad al-Ansari al-Jaziri al-Hanbali, Umdat al-safwa fi hill al-qahwa, 996 da Hégira (1587), Bibliothèque nationale de France, manuscrito Arabe 4590; descrição do manuscrito, dos sete capítulos e da nota latina de guarda em Ukers, All About Coffee (1922), seção sobre o manuscrito árabe. Atribuição da adoção do café a Jamal al-Din al-Dhabhani, mufti de Áden morto por volta de 1470, por volta de 1454: al-Jaziri, retomado pela literatura acadêmica; Ukers escreve Moca onde os estudos recentes escrevem Áden. Remissão de al-Jaziri a Shihab al-Din, obra perdida: Ukers, mesma seção, segundo La Roque. Antoine Galland, De l'origine et du progrès du café, 1699, tradução parcial do manuscrito; crítica de Naironi e identificação do abade e dos monges com o mufti Gemaleddin, com Muhammad al-Hadrami e com os dervixes: Galland, citado por Ukers, capítulo III. Antoine Isaac Silvestre de Sacy, Chrestomathie arabe, Paris, 1ª edição 1806, 2ª edição 1826, que traz os dois primeiros capítulos de al-Jaziri. Antonio Fausto Naironi, De saluberrima potione cahue, seu cafe nuncupata discursus, Roma, typis Michaelis Herculis, 1671, dedicado a um cardeal: página de rosto do exemplar digitalizado (Internet Archive, bub_gb_XqtX_0BdDbwC); primeiro tratado impresso consagrado ao café somente segundo Ukers 1922, capítulos III e bibliográfico. Ausência do nome Kaldi no texto de 1671: página de rosto e texto de Naironi, bem como o verbete Kaldi da Wikipédia em inglês, que faz do nome um acréscimo posterior; a data exata em que o nome passou a ser ligado ao personagem não pôde ser estabelecida aqui. Jean de La Roque, Voyage de l'Arabie heureuse, Paris, André Cailleau, 1716, contendo um Mémoire concernant l'arbre et le fruit du café e um Traité historique de l'origine et du progrès du café (título completo no Catalogue collectif de France, verbete CCFr ark:/06871/0011738666); a cronologia de Ukers data essa obra de 1715. Cronologia de Ukers 1922 e suas duas chamadas de nota, [L] Approximate Date e [M] Legendary, aplicadas notadamente a Rhazes por volta de 900, Avicena por volta de 1000, Omar em 1258 e Baba Budan por volta de 1600. Versões do relato de Omar, entre elas a do espectro velado e do pássaro: Ukers 1922, capítulo III. Viena: privilégio de servir café concedido em 17 de janeiro de 1685 ao comerciante armênio Johannes Diodato (arquivos da cidade de Viena); invenção do relato de Kolschitzky por Gottfried Uhlich em 1783, estabelecida por Karl Teply em 1980. Baba Budan: Ukers 1922, capítulo sobre a propagação, que hesita entre 1600 e 1695 e marca a entrada como lendária; início das plantações inglesas na Índia em 1840, mesmo capítulo. A primeira escrita do relato das sete sementes não foi encontrada. Gabriel de Clieu: carta de de Clieu publicada em L'Année littéraire em 1774, citada e discutida por Ukers 1922, capítulo II, que aponta as divergências de data (1720 ou 1723), a hipótese das duas viagens proposta por Jardin e a hesitação entre uma muda e três; notícia necrológica do Mercure de France, dezembro de 1774; jardim botânico de Fort-de-France inaugurado em 1918. Francisco de Melo Palheta: missão de 1727 a Caiena por um desacordo de fronteira, tradição brasileira do buquê relatada notadamente por Pendergrast, Uncommon Grounds (1999), capítulo 1; a cronologia de Ukers 1922 menciona para esses anos apenas o fracasso da plantação do Pará em 1723; a primeira redação da versão galante não foi encontrada. Clemente VIII: Ukers 1922, p. 26, que dá o episódio como “lenda muito citada” sem fonte e não o inclui em sua cronologia; nenhum documento pontifício conhecido; a primeira versão impressa não foi encontrada. Marcos datados do mesmo momento: relatório de Gianfrancesco Morosini ao Senado de Veneza, 1585, e carta de Pietro Della Valle de Constantinopla, 1615, ambos citados por Ukers 1922, capítulo sobre a Itália. Texto integral de Ukers consultado na edição do Project Gutenberg, ebook 28500.
    610000 a.C. a 1500

    02Antes de 1500, as origens e o que delas se sabe

    Uma espécie nascida de um acidente, um uso nascido de uma vigília religiosa, e uma história escrita tão tarde que suas datas mais antigas são seus relatos mais recentes.

    Cafeeiros de Kaffa, fotografia publicada em 1922. Um documento tardio, não uma prova dos relatos de origem.
    Cafeeiros de Kaffa, fotografia publicada em 1922. Um documento tardio, não uma prova dos relatos de origem. Crédito e licença
    Saiba maisRecolher1.524 palavras

    -300000Aparecimento do Homo sapiens na África-3300Primeiras escritas na Mesopotâmia622Hégira, início do calendário muçulmano1347A peste negra atinge a Europa1453Tomada de Constantinopla pelos otomanos1492Cristóvão Colombo chega à América

    Dois marcos desse período não falam de homens, e são os únicos que repousam sobre uma medição e não sobre um relato. Entre 610.000 e 350.000 anos atrás, nos planaltos da África Oriental, dois cafeeiros selvagens se cruzam: Coffea canephora, a espécie que hoje se chama canephora, e Coffea eugenioides, que não se bebe. O descendente guarda os conjuntos de cromossomos de seus dois pais em vez de reter apenas um, duplicação que o torna fértil ali onde um híbrido comum permaneceria estéril, e dele nasce uma terceira espécie, Coffea arabica. Foi o que estabeleceu a equipe de Salojärvi em 2024 ao comparar os genomas das três espécies. Duas consequências decorrem disso.

    A primeira é que o arábica é jovem: sua hibridação é apenas um pouco mais antiga que a nossa própria espécie. A segunda é que ele nasceu de um único encontro, talvez de um único casal de plantas. Uma espécie que começa assim contém, no início, apenas a diversidade de seus dois pais. Eis o primeiro dos dois gargalos cujos efeitos este site acompanha. O segundo, o do Iêmen, está no fim deste capítulo: não criou nada, estreitou.

    Quando a ferrugem for identificada no Ceilão em 1869 e der em vinte anos a volta ao oceano Índico, não é apenas uma doença que viaja, é uma planta quase sem variantes que paga uma conta aberta há meio milhão de anos. O catálogo da World Coffee Research constata ainda em 2025 que 97,55% das cultivares brasileiras descendem do Typica e do Bourbon.

    O segundo marco medido é mais delicado, e é preciso dizer o que ele não é. Há cerca de 30.500 anos, os modelos de genética de populações fazem divergir os arábicas selvagens da Etiópia e a população que fundará mais tarde as cultivares. Esses modelos, SMC++ e fastsimcoal2, leem os genomas de hoje e calculam retroativamente os tamanhos de população que explicariam o que se observa.

    Eles não datam, portanto, nenhum gesto humano: ninguém cultivava coisa alguma há 30.500 anos. Datam o momento em que dois grupos de plantas deixaram de trocar seus genes. Tomar essa data por uma domesticação equivale a confundir uma separação natural com uma decisão.

    Entre esse número e o século XV, a cronologia tem um buraco, e esse buraco é o verdadeiro assunto do capítulo. Nenhum dos marcos que seguem repousa sobre uma escavação, um grão carbonizado ou um recipiente datado: todos repousam sobre textos, e todos esses textos foram escritos séculos depois dos fatos que relatam. Uma bebida não deixa nada: não se conserva uma infusão, não se petrifica uma vigília.

    O que chamamos de origem do café é, portanto, literalmente, memória posta por escrito tarde, por pessoas que tinham uma razão para escrevê-la.

    Essa razão, pode-se nomeá-la. O primeiro relato tido por autêntico é o do xeique Abd al-Qadir, redigido em 1587, conservado em manuscrito árabe na Biblioteca Nacional de Paris e traduzido por Antoine Galland em 1699. 1587 é setenta e seis anos depois do julgamento de Meca, em pleno século de querela: o café é ali atacado como uma novidade, e uma novidade se defende por uma ascendência.

    Escrever a origem do café, no século XVI, é advogar. Desse manuscrito saem Galland, La Roque em 1716, Ukers em 1922, e depois as páginas que se leem aqui: todo o nosso conhecimento das origens passa por um texto, duas traduções e dois compiladores.

    As duas datas mais antigas da linha do tempo leem-se sob essa luz. Por volta de 900, Rhazes, o grande médico de Bagdá, teria sido o primeiro a mencionar o café sob o nome de bunchum; por volta de 1000, Avicena teria explicado suas virtudes, sob o mesmo nome. Ukers marca essas duas datas como lendárias, e tem razão: uma palavra não prova uma planta. Nada garante que o bunchum dos manuscritos designe o grão que bebemos.

    É preciso acrescentar que essas duas atribuições são convenientes. Rhazes e Avicena são as duas mais altas autoridades médicas do islã; dá-los como primeiras testemunhas é dotar o café de um certificado médico, precisamente o que será discutido diante dos juízes de Meca em 1511. Essas datas lendárias não são erros inocentes. São argumentos.

    Por volta de 1258 vem a lenda mais consistente, a do xeique Omar, discípulo de Chadhili e santo padroeiro de Moca. Exilado em Ousab por um desvio de conduta, sobrevive fervendo bagas; os doentes de Moca vêm consultá-lo, curam-se com a decocção e o chamam de volta em triunfo. Esse relato tem a seu favor estar na crônica árabe que Galland traduziu, isto é, na fonte mais próxima que temos, e La Roque lhe dava preferência em 1732.

    Tem também uma forma reconhecível: a descoberta nasce ali da necessidade e não do acaso. Ukers a classifica mesmo assim entre as lendas, e a prudência fica por aí: é a mais antiga história que os bebedores de café contaram sobre si mesmos, o que não a torna verdadeira.

    Resta Kaldi, por volta de 850, o pastor de cabras da Abissínia cujas cabras dançam e cujo bode, em geral tão digno, saltita. É a lenda que todo mundo conhece, e a mais jovem de todas. É tardia, é de origem francesa, e La Roque já a desmontava em 1732 contrapondo-lhe a história do mufti de Áden, esse jurista religioso de quem os sufis iemenitas recebiam o seu uso.

    Um detalhe basta para datá-la por dentro: o monge, nessa versão, joga primeiro as bagas no fogo, e é o cheiro do grão torrado que o converte. A torra já está, portanto, ali, num relato que pretende contar o instante em que se ignorava tudo do café. A cronologia dos fatos é aqui o inverso da dos textos: quanto mais antiga a data apresentada, mais recente o relato. A cabra, essa, ficou nos pacotes.

    O primeiro fato sólido da história humana do café ocorre, portanto, tarde, e não ocorre na Etiópia. Nos séculos XV e XVI, o Iêmen põe em cultura material vindo da Etiópia, provavelmente por Zeila e Áden. Por que ali, e não no país onde a planta cresce sozinha? Porque era preciso mais que cafeeiros: terraços, água conduzida, um porto e um Estado capaz de tributar.

    O Iêmen tinha os quatro. Bani Matar, Haraz, Yafe' são encostas preparadas, cultivadas em sequeiro e irrigadas, longe das florestas úmidas. Esse acaso ecológico, apontado por McCook, teve uma consequência mundial: a ferrugem do cafeeiro vive nessas florestas, e a cultura iemenita se instalou fora do seu alcance. Durante três séculos, o mundo bebeu um café que a sua principal doença não havia seguido, o que fará os plantadores do século XIX acreditarem que ela não existia.

    Na mesma época, entre 1450 e 1500, as confrarias sufis, essas fraternidades místicas do islã cujos ofícios se realizam à noite, adotam a decocção para manter a vigília. Temos aí as duas metades do negócio: um país que sabe produzir e um uso que dá uma razão para beber. O preço dessa passagem ainda se lê nas plantas. Quase todo o arábica cultivado fora da Etiópia descende do pequeno número de pés que passaram pelo Iêmen: Montagnon e colegas só encontram ali, em 2022, três grupos genéticos, SL34, Typica-Bourbon e New-Yemen, e mostram de passagem que um nome local como Udaini não designa uma linhagem, e sim uma reputação. Um nome de terroir não é um genótipo, e isso é verdade desde o início.

    Depois o café deixa as mesquitas e toma a estrada dos peregrinos. De 1470 a 1500, o uso chega a Meca e Medina vindo de Áden. Esse deslocamento de algumas centenas de quilômetros é o mais importante do período, pois Meca não é uma cidade como as outras: o mundo muçulmano inteiro vem a ela todos os anos e dela parte. Uma bebida adotada ali é distribuída por toda parte, de graça, por viajantes que não têm nada para vender.

    A difusão fulgurante do século seguinte tem esse mecanismo e nenhum outro. A primeira proibição também: é em Meca, em 1511, que o café encontra sua primeira polícia, porque é ali que ele se tornara visível a todos.

    Uma última entrada da linha do tempo pede prudência. Ukers data de cerca de 1505 a introdução do cafeeiro no Ceilão pelos árabes. Nada a confirma, nenhum marco posterior se liga a ela, e a verdadeira plantação do Ceilão é holandesa, em 1658. Mantém-se a menção porque ela figura na cronologia de referência, e a dúvida com ela. Eis o estado do dossiê em 1500: uma espécie nascida de um acidente, uma cultura instalada em terraços, um uso religioso em vias de se tornar urbano, um porto que vai contar, e nem uma só página escrita por aqueles que viviam tudo isso.

    Hibridação de C. canephora e C. eugenioides, duplicação cromossômica e nascimento de C. arabica, datação entre 610.000 e 350.000 anos: Salojärvi et al., Nature Genetics 56 (2024), p. 722-725, marco “há 610.000-350.000 anos” da cronologia. Divergência modelada por volta de 30.500 anos e métodos SMC++ / fastsimcoal2: Salojärvi et al. 2024, marco “há ~30.500 anos”, que ele próprio esclarece tratar-se de um resultado de genômica e não de uma data de domesticação. Primeira observação de Hemileia vastatrix no Ceilão em 6 de novembro de 1869 e volta ao oceano Índico de 1876 a 1894: marcos “1869” e “1876-1894” da cronologia. Parcela das cultivares brasileiras descendentes de Typica e Bourbon, 97,55%: World Coffee Research, Coffee Varieties Catalog 2025, marco “2025”. Relato de Abd al-Qadir redigido em 1587, manuscrito árabe da Bibliothèque nationale de France, tradução de Antoine Galland em 1699: Ukers 1922, cronologia p. 725, marco “1587”. Rhazes por volta de 900 e Avicena por volta de 1000, bunchum, datas marcadas como lendárias: Ukers 1922, cronologia p. 725, marcos “por volta de 900” e “por volta de 1000”. O argumento segundo o qual essas atribuições serviam para dar ao café um aval médico é uma leitura proposta aqui, e não uma afirmação de Ukers. Xeique Omar, Chadhili, exílio em Ousab e fundação de Moca: Ukers 1922, p. 13-14 e cronologia p. 725 (lenda); Galland 1699; La Roque, Voyage de l'Arabie heureuse (1716), tradução de 1732, tratado histórico; marco “por volta de 1258”. Kaldi, versão francesa tardia, cabras e bode, bagas jogadas no fogo e cheiro do grão torrado, refutação por Galland em 1699 e por La Roque em 1732: Ukers 1922, p. 14-15; La Roque 1732, p. 311; marco “por volta de 850”. Colocação em cultura no Iêmen a partir de material etíope, passagem provável por Zeila e Áden, terraços de Bani Matar, Haraz e Yafe': Livre café, cap. 3; cultura em sequeiro e irrigada, afastada das florestas úmidas onde vive a ferrugem: McCook, Coffee Is Not Forever (2019), p. 23-25; marco “séculos XV-XVI”. Três grupos genéticos iemenitas SL34, Typica-Bourbon e New-Yemen, e o fato de que um nome vernáculo como Udaini não designa um genótipo: Montagnon et al., Agronomy 12 (2022), mesmo marco. Adoção pelas confrarias sufis para manter a vigília, Áden e depois Meca: La Roque 1716, tratado histórico; Ukers 1922; Livre café, cap. 5; marco “por volta de 1450-1500”. Difusão rumo a Meca e Medina a partir de Áden de 1470 a 1500 e suposta introdução do cafeeiro no Ceilão por volta de 1505: Ukers 1922, cronologia p. 725, marco “1470-1500”. Plantação holandesa do Ceilão em 1658, contraposta aqui a essa data de 1505: marco “1658” da cronologia. A ligação entre a peregrinação e a velocidade de difusão, bem como a aproximação entre a visibilidade adquirida em Meca e a condenação de 1511, são explicações propostas aqui a partir dos marcos “1470-1500” e “1511”, e não afirmações das fontes.
    1500 a 1600

    03O século XVI, do Iêmen ao Império Otomano

    Em cem anos, uma vigília de confrarias torna-se uma instituição urbana, uma linha de receitas fiscais e um rumor impresso na Europa; o agente dessa transformação não é o gosto, é uma conquista.

    Terraços cafeeiros no Iêmen, gravura publicada em 1893. A paisagem é bem posterior ao século XVI.
    Terraços cafeeiros no Iêmen, gravura publicada em 1893. A paisagem é bem posterior ao século XVI. Crédito e licença
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    1517Lutero afixa suas 95 teses em Wittenberg1520Solimão, o Magnífico, sobe ao trono otomano1543Copérnico publica De revolutionibus1571Batalha naval de Lepanto1588Fracasso da Invencível Armada

    Em 1500, o café é um costume regional: bebe-se no Iêmen e nas cidades santas do Hejaz, e em nenhum outro lugar. Em 1600, bebe-se do Cairo a Constantinopla, em salões que têm letreiro, tarifa e dono; um império tira dele uma renda; um botânico o descreveu em latim num livro impresso em Veneza.

    Cem anos para passar de um a outro. Seria cômodo atribuir isso ao gosto, mas o gosto nunca explica uma velocidade. Esta cabe em duas datas de conquista que a linha do tempo deixa lado a lado sem ligá-las.

    Em 1516 e 1517, Selim I derruba o sultanato mameluco e toma a Síria e depois o Egito; a cronologia registra que ele leva café para Constantinopla entre seu butim. Em 1536, os otomanos ocupam o Iêmen. Essas duas datas, juntas, colocam num único espaço político o país que produz, as rotas que transportam e as cidades que consomem. Entre Moca e o Bósforo, o café já não tem fronteira a atravessar, apenas alfândegas do mesmo Estado.

    A mercadoria sobe por Jidá e Suez rumo ao Cairo e a Constantinopla, e o governador de Moca paga todos os anos a sua renda ao tesouro. O café deixa então de ser um costume para tornar-se uma receita, e isso decide o resto do século.

    A conquista não desloca apenas fardos, desloca homens. As primeiras casas de café de Constantinopla, em 1554, são abertas por Schemsi, vindo de Damasco, e Hekem, vindo de Alepo, isto é, por dois homens das províncias árabes anexadas trinta e sete anos antes. A capital não inventou o café: aprendeu-o com seus novos súditos, e a própria palavra chegou com eles. Um império é, antes de tudo, uma máquina de fazer circular os hábitos dos vencidos.

    Ao mesmo tempo, a bebida muda de natureza sem mudar de receita. Em 1510, no Cairo, os dervixes iemenitas, isto é, os membros das confrarias, bebem-na nas noites de devoção num grande vaso de barro vermelho: o superior tira dele para cada um enquanto salmodia, e depois a tigela passa aos leigos. É um rito, e não custa nada. Em 1554, em Constantinopla, a xícara custa um asper, pequena moeda de prata otomana, e a gente se senta em sofás mantidos limpos.

    Entre essas duas cenas, o essencial aconteceu: o café tem um preço. Uma bebida que tem um preço tem um fornecedor, um local, uma clientela e um imposto possível. Tem também um subproduto, pois do mesmo fruto se tiram duas bebidas, a dos grãos e a das cascas, o “café da Sultana”.

    A série de proibições, Meca em 1511, o Cairo em 1534, Constantinopla em 1543 e depois por volta de 1580, é detalhada no relato consagrado à questão, que mostra que o motivo não era a bebida, mas o salão. O que a cronologia acrescenta é o calendário. Solimão manda jogar o café ao mar em Constantinopla em 1543, sete anos depois de suas tropas terem tomado a província cujo café lhe paga, e o comércio continua pela própria cidade que acaba de condená-lo.

    O mesmo Estado proíbe de um lado o que tributa do outro, na mesma década. A contradição não durou, porque uma administração sempre acaba preferindo a receita ao princípio.

    A saída se lê em dois marcos que nunca se aproximam. Em 1524, o cádi de Meca, isto é, o juiz da cidade, fecha as casas de café por desordens, mas deixa beber em casa; seu sucessor as reabre sob licença. Por volta de 1580, em Constantinopla, tendo o mufti declarado o café torrado carvão, portanto proibido, Murade III manda fechar os salões, e os oficiais encarregados de mantê-los fechados fecham os olhos mediante pagamento.

    Uma licença e uma propina são a mesma solução, uma vez legal e outra não: nos dois casos, a proibição se transforma em tarifa. O poder otomano fez no varejo o que já fazia no atacado em Moca. Deixou de impedir e começou a cobrar.

    O terreno da disputa, por sua vez, é médico. A medicina da época classifica cada substância por graus de quente, frio, seco e úmido, e a licitude pode ser deduzida dessa classificação. Em 1511, em Meca, os dois irmãos Hakimani, médicos persas, declaram a planta fria e seca; um deles temia por sua clientela. Doze anos depois, por volta de 1523, um médico do Cairo coloca a mesma pergunta e responde a ela negativamente: o café sobe à cabeça, logo não é lícito.

    Dessa vez a questão morre, e a cronologia diz por quê. Os médicos do Cairo prezavam esse novo adjuvante de sua farmacopeia. Entre 1511 e 1523, o café passou de novidade suspeita a ativo profissional, e sua sorte jurídica seguiu sua sorte econômica. A doutrina não se movera; os interesses, sim. Onde ninguém tinha interesse contra ele, em Damasco, em Alepo, não houve nenhuma querela.

    Outro marco mostra a mesma reviravolta, mas no topo. O serralho, a corte do sultão, dota-se de oficiais do café, os kahvedjibachi, no exato momento em que os religiosos obtêm fechamentos. E nos salões de Constantinopla veem-se chegar os futuros juízes, os cádis de província em busca de um posto, os professores, os oficiais do serralho e os comerciantes. Chamavam-se essas casas de “escolas dos sábios”. Num império em que os cargos se obtêm pela presença e pela recomendação, uma sala onde se sentam ao mesmo tempo os que nomeiam e os que esperam ser nomeados é uma agência de empregos.

    Isso explica o nervosismo do poder melhor do que a palavra sedição. Não é apenas que ali se fala, é que ali se distribuem carreiras.

    Um marco pede, em compensação, que se o mantenha à distância. Por volta de 1573, lê-se, recusar café à esposa era entre os turcos motivo legítimo de divórcio. A fórmula viajou de viajante em viajante até Ukers, que a dá segundo um autor do século XIX, e não a verificamos em lugar nenhum. O que ela atesta com segurança é que o café otomano não era apenas assunto de salões públicos: havia entrado nas casas, o bastante para que os europeus o descrevessem como uma instituição doméstica antes de o terem provado.

    Pois os europeus acabam por olhar, e a maneira como olham decide os dois séculos seguintes. Em 1582, o médico alemão Leonhard Rauwolf descreve em Alepo o “chaube”: é a primeira menção impressa do café na Europa. Em 1585, Gianfrancesco Morosini, magistrado veneziano em Constantinopla, informa ao Senado que os turcos bebem uma água negra, tão quente quanto conseguem suportar, infusão de uma semente chamada “cavee”. Em 1592, Prospero Alpini publica em Veneza, em latim, a primeira descrição impressa da árvore, que ele chama de bon, e da bebida, que chama de caova, trazidas do Egito.

    Vejam-se os lugares. Alepo, Constantinopla, o Cairo. Nem uma palavra sobre o Iêmen, e com razão: nenhum desses homens esteve lá. A Europa encontrou o café nas cidades que o consumiam e nunca nas que o produziam. Trouxe de lá nomes turcos e árabes, uma cena de salão, uma descrição de mercado, mas nenhuma ideia justa da planta nem o meio de obtê-la.

    Daí vem a crença que durará cem anos e que o relato das fugas reencontra intacta em Dufour em 1685: o café só cresceria na Arábia e em nenhum outro lugar. Esse erro não é tolice, é a consequência de um modo de observação: só se descreve o que se pôde aproximar. Note-se, enfim, que esses três testemunhos são impressos: é a imprensa, com menos de um século e meio de idade, que transforma a nota de um viajante em fato europeu.

    O século termina por se voltar sobre si mesmo. Em 1587, o xeique Abd al-Qadir escreve o primeiro relato tido por autêntico sobre a origem do café. Escreve-o setenta e seis anos depois do julgamento de Meca, numa sociedade que ainda discute a licitude da bebida, portanto em parte para encerrar a disputa pela antiguidade. Galland o traduzirá em 1699, La Roque se servirá dele em 1716, Ukers o resumirá em 1922, e é daí que vêm as lendas do capítulo anterior, inclusive aquelas que Ukers marca como duvidosas.

    Um século que disputa é um século que escreve: a melhor fonte de que dispomos sobre as origens do café nasceu do esforço de defendê-lo.

    No limiar de 1600, contemos. O café tem um público, um preço, uma clientela de notáveis, uma polícia que desistiu, um imposto, uma literatura erudita em árabe e três atestações impressas na Europa. Continua a ter um único país produtor, um único porto de embarque e nem uma muda fora da Arábia. Nenhuma das grandes questões do século seguinte, como tirar a planta, como fazê-la crescer em outro lugar, como pagar o que dela se bebe, foi ainda colocada. Serão todas colocadas ao mesmo tempo.

    Conquista do Egito e café levado a Constantinopla por Selim I em 1517: Ukers 1922, cronologia p. 725, marco “1517”. Ocupação otomana do Iêmen em 1536, comboio por Jidá e Suez rumo ao Cairo e a Constantinopla, dois fardos de duzentas e setenta libras-peso por camelo, trinta mil piastras por ano pagas pelo governador de Moca: La Roque, Voyage de l'Arabie heureuse (1716), tradução de 1732, p. 88-89 e 106; Ukers 1922, capítulo sobre a Arábia; marco “1536”. Primeiras casas de café de Constantinopla em 1554, Schemsi de Damasco e Hekem de Alepo, sofás, xícara a um asper, oficiais do café do serralho (kahvedjibachi), clientela dos futuros juízes, dos cádis em busca de posto, dos professores e dos comerciantes, “escolas dos sábios”: Ukers 1922, p. 22, e tratado anexado a La Roque 1716; marcos “1554” e “1554 · Schemsi e Hekem”. A interpretação dessa clientela como uma agência de empregos é uma leitura proposta aqui. Dervixes iemenitas do Cairo em 1510, vaso de barro vermelho, salmodia, passagem da tigela aos leigos, depois kaveh kanes de Meca: Ukers 1922, p. 19-20, marco “1510”. Qahwah designando primeiro o vinho e o “café da Sultana” tirado das cascas: Ukers 1922, p. 18-19; La Roque 1715 citado por Ukers; marco “por volta de 1500”. O ponto é desenvolvido por si mesmo no relato “Proibir o café”, capítulo I. Julgamento de Meca de 1511, irmãos Hakimani, planta declarada fria e seca, temor pela clientela, testemunha açoitada, édito anulado pelo sultão do Cairo: Ukers 1922, p. 20-21, segundo o manuscrito de Abd al-Qadir traduzido por Galland em 1699; La Roque 1716, tradução de 1732; marcos “1511” e “1511 · o julgamento”. Fechamento e depois reabertura sob licença pelo cádi de Meca em 1524: Ukers 1922, cronologia p. 725, marco “1524”. Pergunta colocada por um médico do Cairo por volta de 1523, caso deixado morrer por colegas apegados a esse novo adjuvante de sua farmacopeia, acolhida sem oposição em Damasco e em Alepo, Café das Rosas e Café da Porta da Salvação: Ukers 1922, p. 21-22, marco “por volta de 1523”. Motim do Cairo em 1534: Ukers 1922, cronologia p. 725. Ordem de Solimão em 1543 e mercadoria jogada ao mar, o comércio continuando pela própria cidade: La Roque 1716; Livre café, cap. 5; marco “1543”. Café torrado declarado carvão por volta de 1580, fechamentos ordenados por Murade III, oficiais pagos para fechar os olhos: Ukers 1922, p. 20 e cronologia p. 725, marco “por volta de 1580”. A aproximação entre a licença de 1524 e os pagamentos de 1580, apresentados aqui como uma mesma conversão da proibição em tarifa, é uma leitura proposta a partir desses dois marcos. Motivo de divórcio entre os turcos por volta de 1573: Ukers 1922, p. 22, segundo Fulbert de Monteith; marco “por volta de 1573”. Não encontramos nenhuma fonte de primeira mão para essa asserção. Rauwolf e o “chaube” de Alepo: Rauwolf, Aigentliche Beschreibung der Raiß (1582); Ukers 1922; marco “1582-1583”. Morosini e a água negra chamada “cavee”: Ukers 1922, p. 27 e cronologia p. 725, marco “1585”. Alpini, bon e caova, De plantis Aegypti, Veneza 1592: Ukers 1922, cronologia p. 725, marco “1592”. Dufour escrevendo em 1685 que o café só cresce na Arábia: Dufour, Traitez nouveaux & curieux du café (1685), retomado no relato “As fugas”, capítulo I. Relato de Abd al-Qadir de 1587, manuscrito da Bibliothèque nationale de France, tradução de Galland em 1699: Ukers 1922, cronologia p. 725, marco “1587”.
    1600 a 1700

    04O século XVII, a Europa descobre e abre seus cafés

    Em cem anos, o café passa do relatório de viagem ao salão público, e a Europa aprende a se reunir em torno de uma bebida que não sabe nem fazer crescer nem tratar.

    Um café inglês sob Carlos II, gravura de 1674 reproduzida por Ukers em 1922.
    Um café inglês sob Carlos II, gravura de 1674 reproduzida por Ukers em 1922. Crédito e licença
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    1618Início da Guerra dos Trinta Anos1648Tratados de Vestfália1649Carlos I decapitado em Londres1666Grande incêndio de Londres1687Newton, Principia

    Em 1600, a Europa não bebe café: lê sobre ele. As três primeiras menções impressas vêm de um médico, de um botânico e de um diplomata, nunca de um comerciante. Leonhard Rauwolf descreve em 1582 o chaube que se serve em Alepo, Gianfrancesco Morosini informa ao Senado de Veneza em 1585 que os turcos bebem uma água negra tão quente quanto conseguem suportar, e Prospero Alpini publica em Veneza em 1592 a primeira descrição impressa do cafeeiro, trazida do Egito.

    Esses homens escrevem em latim, para eruditos. O café entra, portanto, na Europa como objeto de estudo antes de ser uma mercadoria, e esse detalhe comanda todo o século: quando a bebida chegar de verdade, passará pelos boticários e não pelas tavernas, e serão necessários oitenta anos para deixar de perguntar se ela cura ou se mata.

    Por que tão tarde, se Constantinopla tem suas casas de café desde 1554? Porque a planta pertence a um único império e só sai por um único porto. Desde a ocupação otomana do Iêmen em 1536, o café de Moca é uma linha do orçamento imperial, tributado e comboiado por Jidá e Suez. Os europeus só encontram, portanto, o café onde seus comerciantes e seus enviados encontram otomanos: em Alepo, no Cairo, em Constantinopla.

    Veneza é a primeira servida porque é o porto desse comércio. Pietro Della Valle escreve de Constantinopla em 1615 que trará dele, sendo a coisa desconhecida em sua pátria; em 1616, Pieter Van den Broecke traz o primeiro café à Holanda; é preciso esperar 1640 para que Wurffbain ponha à venda em Amsterdã uma verdadeira carga comercial. Vinte e cinco anos entre a curiosidade de um viajante e o primeiro lote à venda: é o tempo necessário para que uma rota se estabeleça. O detalhe dessas fugas sucessivas é contado em outra parte deste site, em As fugas.

    Nesse meio-tempo, uma coisa minúscula muda a própria bebida. Em 1625, no Cairo, adoça-se o café pela primeira vez; em 1638, o botânico Johann Vesling, estabelecido em Veneza, descreve duas a três mil casas de café na mesma cidade do Cairo, anota que ali se começa a adoçar e a confeitar os grãos em drágeas, e observa que em Veneza o café sai dos gabinetes dos curiosos para entrar nas boticas como droga.

    Essas duas anotações valem mais do que parecem. A primeira explica por que o café pôde tornar-se uma bebida de massa na Europa: sozinho, é amargo, e a Europa não tinha o hábito otomano do amargor. O açúcar poupou-lhe isso. Ora, o açúcar torna-se barato exatamente nesse momento, e por uma razão que pertence ao capítulo seguinte: as plantações das Antilhas.

    Desde a sua primeira xícara europeia, o café é um composto de dois gêneros coloniais. A segunda anotação, por sua vez, explica o vendedor: é um boticário que abre o primeiro ponto de venda de Oxford, e é diante de médicos, em Marselha, que a cidade debaterá em 1679.

    A abertura dos salões segue uma geografia que parece caprichosa e não é: Veneza em 1645, Oxford por volta de 1650 com o judeu Jacobs, Londres em 1652, Marselha em 1671, Paris e o Procope em 1686. A Inglaterra vai depressa, a França devagar, e ambas têm suas razões. Na Inglaterra, o café chega pela universidade: Nathaniel Conopios, estudante cretense do Balliol College, introduz-no em Oxford em 1637, e estudantes monarquistas empurram por volta de 1655 o boticário Arthur Tillyard a servi-lo publicamente.

    O país está então em guerra civil, o controle do impresso afrouxou, e a novidade tornou-se uma mercadoria que se vai buscar. Sobretudo, a casa de café não depende de nenhuma corporação: não vende cerveja nem vinho, ninguém tem monopólio a defender contra ela, abre-se sem permissão. Na França, ao contrário, o café entra pela corte, com a embaixada de Solimão Aga em 1669, e depois desce para a rua com o armênio Pascal na feira de Saint-Germain em 1672. O que vem de cima se difunde menos depressa do que o que se instala numa ruela da City.

    Pois é preciso olhar o preço. Em 1662, no Turk's Head de Exchange Alley, a libra-peso de café se vende a quatro a seis xelins e oito pence, quando já chegara a valer cinco guinéus, ou seja, mais de vinte vezes mais. A xícara, por sua vez, custa um penny, daí o apelido de penny universities dado aos salões de Oxford e de Londres. Um penny é o preço de um lugar sentado durante o dia numa sala onde se encontram comerciantes, eruditos e homens de letras.

    Nenhuma instituição da época vendia isso a esse preço. O Estado percebe de imediato: o café entra nos estatutos ingleses já em 1660, tributado em quatro pence por galão fabricado e vendido, e em 1663 todas as casas devem ter licença. Eis a diferença de fundo entre a Europa e o Oriente otomano da mesma década. Ali onde Köprülü manda coser os bebedores em sacos de couro em 1656, Londres conta galões e emite patentes.

    O motivo não é mais moral de um lado que do outro: é que um poder que precisa de dinheiro prefere uma receita a uma proibição. A série das proibições, aliás, é tratada à parte em Proibir o café.

    Duas coisas nascem nesses salões e costumam ficar fora da conta. A primeira é a publicidade impressa: o prospecto de Pasqua Rosée, The Vertue of the Coffee Drink, distribuído na abertura de sua loja de St Michael's Alley em 1652, é o primeiro anúncio impresso para o café, e o primeiro anúncio num jornal londrino vem em 1657. O café e a imprensa comercial são exatamente contemporâneos, e cada um precisa do outro: um anúncio supõe uma folha, uma folha supõe uma sala onde seja lida em voz alta.

    A segunda é mais material. Depois da guerra civil, a Inglaterra carece de moeda miúda; os donos de cafés cunham então seus próprios tokens, com a efígie de Murade, o Grande, ou de Solimão, e esses tokens circulam como troco até 1675. James Farr, barbeiro e dono do Rainbow, cunha um dos primeiros depois do grande incêndio de 1666, um arco-íris saindo das nuvens. Um comércio cujos tokens são aceitos pelas lojas vizinhas é um comércio cujo crédito é reconhecido no bairro. O que iria se passar no Lloyd's e no Jonathan's, em 1688, já estava contido nesse pedaço de latão.

    O que esses salões fundaram é contado em A sala onde tudo começou, e não há motivo para repeti-lo aqui: o clube de Oxford que se torna a Royal Society, a Rota de Harrington e sua primeira urna de votação em 1659, as listas de navios de Edward Lloyd, o mercado dos especuladores de Change Alley. O que é preciso reter para o resto do século está noutro lugar, e é uma questão de conhecimento.

    Enquanto Londres constrói uma bolsa numa sala de café, ninguém na Europa sabe onde cresce o que ali se bebe. Em 1685, Dufour escreve tranquilamente que o café só cresce na Arábia, sem cultura, e em nenhum outro lugar. Ele se engana há vinte e sete anos: os holandeses plantam no Ceilão desde 1658, e levarão mudas do Malabar a Java entre 1696 e 1699. O século que inventou a casa de café ignorava a geografia de sua própria bebida.

    É preciso, enfim, dizer o que não se sabe, pois este século é aquele em que se fabricam as lendas que ainda se repetem. O papa Clemente VIII provando o café e batizando-o para subtraí-lo aos infiéis: o próprio Ukers a dá como uma lenda muito difundida, e nenhum documento pontifício conhecido a registra. Kolschitzky recebendo os sacos abandonados pelos otomanos depois do cerco de Viena de 1683 e abrindo a primeira casa de café da cidade: o relato foi escrito em 1783 por Gottfried Uhlich, um século depois dos fatos, e Karl Teply o desmontou em 1980; o documento, esse, existe, é o privilégio de 17 de janeiro de 1685 concedido ao comerciante armênio Johannes Diodato.

    As sete sementes de Baba Budan, trazidas de Meca num cinto, flutuam entre 1600, segundo Ukers, e 1695, segundo outros, e nada permite decidir. Quanto à gorjeta, que os cafés de Londres teriam inventado com caixas marcadas To Insure Promptness, é uma etimologia que Ukers relata e que o Oxford English Dictionary rejeita. O século termina com dois monopólios que se encaram sem se ver: o do Iêmen, intacto, e o que a França concede em 1692 a Damame François, burguês de Paris, sobre a venda do café e do chá em todo o reino por dez anos.

    Nenhum dos dois sobreviverá aos vinte e cinco anos seguintes, e por uma razão que ninguém viu chegar: um vaso de barro num jardim botânico de Amsterdã.

    Rauwolf 1582, Alpini 1592 e o relatório de Morosini de 1585: Ukers, All About Coffee (1922), p. 27 e cronologia p. 725. Ocupação otomana do Iêmen em 1536, comboio por Jidá e Suez: La Roque, Voyage de l'Arabie heureuse (1716, tradução de 1732), p. 88-89 e 106. Della Valle 1615, Van den Broecke 1616, Wurffbain 1640, açucaramento do café no Cairo em 1625, Conopios em Oxford em 1637, Jacobs em 1650, Veneza 1645, Marselha 1671, Procope 1686, Solimão Aga 1669 e Pascal em 1672: Ukers 1922, cronologia p. 726 e p. 91-92. Vesling sobre as casas de café do Cairo e sobre os boticários de Veneza: Ukers 1922, p. 26. Tillyard e o clube de Oxford por volta de 1655: Ukers 1922, p. 41-42, segundo Aubrey, Brief Lives, e Anthony Wood. Preço de 1662 e cinco guinéus a libra-peso, Regras e ordens: Ukers 1922, p. 58 e 60; penny universities e tokens de donos de cafés: p. 73 e p. 62-63; James Farr e o token do arco-íris: p. 55-56 e 63, com Hatton, New View of London (1708). Imposto de 1660 e licenças de 1663: Ukers 1922, cronologia p. 726. Pasqua Rosée e The Vertue of the Coffee Drink: Ukers 1922, p. 53-56. Proibição de Köprülü em 1656: Ukers 1922, cronologia p. 726. Rota de 1659: Ukers 1922, p. 58-59, segundo Aubrey e o diário de Pepys. Lloyd's e Jonathan's em 1688: Ukers 1922, p. 84-86 e 89. Dufour, Traitez nouveaux et curieux du café (1685); Ceilão 1658 e Java 1696-1699: Ukers 1922 e World Coffee Research, Coffee Varieties Catalog 2025, p. 9-10. Lenda de Clemente VIII: Ukers 1922, p. 26, dada como lenda, nenhum documento pontifício conhecido. Viena: privilégio de 17 de janeiro de 1685 a Johannes Diodato; invenção da lenda de Kolschitzky por Gottfried Uhlich em 1783, estabelecida por Karl Teply em 1980; Cidade de Viena, história da cultura do café vienense. Baba Budan: Ukers 1922 adota 1600, outra tradição 1695, nenhuma arbitragem possível. Etimologia da gorjeta: Ukers 1922, p. 73, rejeitada pelo Oxford English Dictionary. Monopólio de Damame François em 1692: Ukers 1922, p. 34.
    1700 a 1800

    05O século XVIII, a plantação colonial

    O café deixa de ser uma importação da Arábia para tornar-se uma cultura colonial, e seu preço cai porque o trabalho que o produz é o de pessoas reduzidas à escravidão.

    Cartaz de venda de café da Companhia Neerlandesa das Índias Orientais, 1790. Um vestígio do comércio colonial, não uma imagem do trabalho forçado.
    Cartaz de venda de café da Companhia Neerlandesa das Índias Orientais, 1790. Um vestígio do comércio colonial, não uma imagem do trabalho forçado. Crédito e licença
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    1755Terremoto de Lisboa1756Início da Guerra dos Sete Anos1769Watt patenteia sua máquina a vapor1776Declaração de Independência dos Estados Unidos1789Tomada da Bastilha

    O século começa por um vaso de barro e termina por uma insurreição. Em 1706, uma única muda parte de Java para o jardim botânico de Amsterdã; quase todo o Typica do mundo descende dela. Em 1791, os escravizados de São Domingos se revoltam, e a primeira produção cafeeira do mundo desaparece em poucos meses. Entre os dois, o café muda de natureza: não é mais um gênero comprado de um império estrangeiro, torna-se uma cultura que se instala em casa, em terras tomadas e com braços comprados. O que muda não é a botânica, é o regime de propriedade do trabalho.

    A série das transplantações é contada em detalhe em As fugas, e basta reter o ritmo e o grau de certeza. Em 29 de julho de 1714, Antoine de Jussieu examina no Jardin du Roi o cafeeiro oferecido por Amsterdã. Depois, em vinte e dois anos: o Suriname em 1718, o Pará em 1722, a Martinica de Gabriel de Clieu em 1723, São Domingos em 1725, o Brasil em 1727, a Jamaica em 1730.

    As datas de chegada e as primeiras colheitas estão documentadas; a maneira de contá-las, muito menos. De Clieu dividindo sua ração de água com a muda sob redoma vem de seu próprio relato, tardio, que Ukers retoma e que todo mundo retoma depois dele; o fato de ele ter levado uma muda não está em causa, a cena do marinheiro sedento está. O buquê da esposa do governador de Caiena, onde Francisco de Melo Palheta teria escondido as mudas do Brasil em 1727, é uma tradição brasileira, que Pendergrast relata como tal, e o Brasil tem uma boa razão para preferi-la à verdade administrativa: a tentativa oficial de 1723, no Pará, com mudas de Caiena, havia fracassado.

    As sete sementes de Baba Budan, enfim, são datadas de 1600 por Ukers e de 1695 por outros. Esses três relatos nos vêm de livros dos séculos XIX e XX, e são repetidos desde então sem que ninguém tenha reencontrado o documento.

    O que motivava tudo isso é, em compensação, perfeitamente quantificado, e é o preço. A primeira venda pública de café de Java em Amsterdã, em 1711, trata de 894 libras-peso arrematadas a vinte e três stuivers e dois terços a libra-peso. A Companhia Holandesa não espera: impõe em seguida aos regentes de Java entregas obrigatórias, isto é, não compra o café, ordena-o. Esse dispositivo de cultura forçada precede em um século o Cultuurstelsel de 1832, e é preciso colocá-lo ao lado do que se organiza nas Américas, porque são duas respostas ao mesmo problema.

    O café exige uma colheita repetida, passada após passada, em encostas, durante vários meses, e nenhuma máquina faz esse trabalho, nem então nem hoje. Seu custo é mão de obra e quase nada mais. Para que o café se torne barato na Europa, é preciso, portanto, que esse trabalho não seja pago. Em Java, obtém-se isso pela coerção administrativa sobre um campesinato estabelecido. Nas Américas, obtém-se pela escravidão.

    É preciso dar os números e dizer de onde vêm, pois variam de uma fonte a outra e nenhuma contabilidade primária foi consultada aqui. São Domingos recebe o café em 1725. Às vésperas da revolta, em 1789, a colônia exporta da ordem de 35.000 toneladas de café, que as fontes antigas contam em libras-peso francesas e cifram entre 74 e 77 milhões; fornece, conforme as estimativas, entre a metade e sessenta por cento do café consumido no mundo.

    A população reduzida à escravidão é avaliada ali em torno de quinhentas mil pessoas, ou seja, cerca de nove habitantes em cada dez. Essas ordens de grandeza são as da historiografia corrente da colônia; a cronologia deste site se apoia, para a virada de 1791, em Michel-Rolph Trouillot, Motion in the System, publicado na Review em 1982, e em Pendergrast, Uncommon Grounds (1999), capítulo primeiro. Para o Brasil, os números são de outra fonte e de outra precisão: Thurber, Coffee: From Plantation to Cup (1881), dá 391.785 sacas saídas só do porto do Rio em 1830, e 1.476.567 pessoas recenseadas como escravizadas no Brasil em 1876. A escravidão ali só será abolida em 1888, noventa e sete anos depois da revolta de São Domingos.

    Uma observação sobre a fonte, ela própria um fato documental. A cronologia de Ukers, que serve de ossatura a quase toda a história do café escrita no século XX, não contém nenhuma entrada para 1791. Registra com cuidado a abertura de cada casa de café de Londres e da Filadélfia, as patentes de cafeteiras e os direitos alfandegários americanos até o centavo, e não menciona o acontecimento que destruiu a primeira produção mundial e redesenhou o mapa das origens.

    Esse silêncio não é um esquecimento isolado: é a maneira como a história do café foi escrita por muito tempo, do lado do consumidor e da xícara.

    Há, porém, no dossiê de São Domingos, um fato que complica o quadro sem nada desculpar nele. O café não cresce onde cresce a cana: ocupa os mornes, esses relevos que a cana não consegue explorar. Um cafezal custava, portanto, muito menos para instalar do que um engenho de açúcar, e empregava muitas vezes menos de vinte e cinco pessoas onde um engenho concentrava centenas.

    A consequência, que Trouillot estudou e que fez a reputação de seu artigo, é que o café ampliou a classe dos proprietários: brancos pobres e sobretudo libertos, isto é, pessoas de cor livres, entraram na plantação por essa porta, a ponto de deter, às vésperas da revolta, segundo a estimativa dele, cerca de um terço das propriedades e um quarto das pessoas ali mantidas na escravidão.

    É preciso ler esse número pelo que ele diz: o café não foi uma cultura mais branda que o açúcar, foi a cultura que multiplicou o número dos que possuíam seres humanos.

    Olhe-se para o lado europeu da mesma contabilidade, pois as duas metades nunca se encontram nos relatos e são, no entanto, a mesma frase. Em Londres, antes de 1715, contam-se duas mil casas de café, três mil se se acredita em Dufour; no fim do reinado de Ana, os impostos sobre o chá, o café e os jornais fazem a xícara passar a dois pence.

    O café a varejo vale cinco xelins a libra-peso, o chá de doze a vinte e oito: tornou-se a mais barata das duas bebidas, ele que valia cinco guinéus a libra-peso duas gerações antes. Essa queda não tem outra causa senão as plantações. Acrescente-se o açúcar, que vem das mesmas ilhas e das mesmas plantações, e a xícara europeia do século XVIII contém dois gêneros produzidos por pessoas escravizadas, no mesmo recipiente.

    É porque o preço baixou que a casa de café deixou de ser um lugar de exceção para tornar-se um lugar comum, e é porque se tornou comum que pôde servir ao que se sabe: o clube de Samuel Johnson em 1763, o Café de la Régence onde Diderot trabalha com os nove sous que sua mulher lhe dá, o Merchants' Coffee House de Nova York de onde parte em 1774 a proposta de uma União americana.

    A demonstração mais nítida cabe num endereço. Em 1754, na Filadélfia, o impressor William Bradford abre o segundo London Coffee House, que a cidade chamará de seu coração pulsante: o governador tem ali o seu assento, lêem-se as gazetas, e vendem-se em leilão, num estrado erguido na rua diante da porta, cavalos, gêneros, e homens, mulheres e crianças reduzidos à escravidão.

    Isso não é uma contradição entre duas épocas nem entre dois continentes: é a mesma década, a mesma calçada, os mesmos clientes. Os salões que produziram as instituições descritas em A sala onde tudo começou são também esses.

    O resto do século se deixa ler a partir daí. Se Frederico II publica em 1777 seu manifesto do café e da cerveja, depois reserva em 1781 a torra aos estabelecimentos reais, e se o eleitor de Colônia o imita na Vestfália em 1784, não é que o café tenha piorado: é que ele pesa agora numa balança comercial, o que é sintoma de sucesso e não de nocividade; o detalhe desses fracassos está em Proibir o café.

    A ciência recupera o atraso: Lineu cria o gênero Coffea em 1737 nos Genera Plantarum e nomeia Coffea arabica em 1753 nas Species Plantarum, cinquenta e dois anos depois de Dufour ter escrito que a planta só crescia na Arábia. E em 5 de junho de 1792, cento e cinquenta comerciantes de Nova York lançam a pedra fundamental do Tontine Coffee House, construído desde a origem para ser uma Bolsa.

    Um ano antes, a economia que enchia suas xícaras se sublevara. O século tinha dado o café ao mundo inteiro; tinha também fixado o que ele custaria, e quem o pagaria.

    Muda única de Java em Amsterdã em 1706 e descendência do Typica: World Coffee Research, Coffee Varieties Catalog 2025, p. 10; Ukers, All About Coffee (1922), cronologia p. 726. Jussieu no Jardin du Roi em 29 de julho de 1714: La Roque, Voyage de l'Arabie heureuse (1716, tradução de 1732), p. 398-399. Suriname 1718, Pará 1722, Martinica 1723, São Domingos 1725, Jamaica 1730: Ukers 1922, cronologia p. 728, e Thurber, Coffee: From Plantation to Cup (1881), p. 124. Buquê de Caiena em 1727: tradição brasileira relatada por Pendergrast, Uncommon Grounds (1999), capítulo 1; o fracasso do Pará em 1723 está em Ukers 1922, cronologia p. 727. Baba Budan, 1600 segundo Ukers 1922, 1695 segundo outra tradição. Venda de Amsterdã de 1711, 894 libras-peso a vinte e três stuivers e dois terços, e entregas obrigatórias impostas aos regentes de Java antes do Cultuurstelsel de 1832: Ukers 1922, p. 43-44 e cronologia p. 727. São Domingos em 1789: as ordens de grandeza adotadas aqui, cerca de 35.000 toneladas exportadas, ou seja, de 74 a 77 milhões de libras-peso segundo as fontes antigas, da metade a sessenta por cento do café mundial, e cerca de quinhentas mil pessoas reduzidas à escravidão para nove habitantes em cada dez, são as da historiografia corrente da colônia e variam de um autor a outro; nenhuma contabilidade primária foi consultada para esta página, e o número exato das exportações de 1789 continua por verificar nos balanços coloniais. O marco de 1791 e a passagem para Cuba, a Jamaica e depois o Brasil seguem Michel-Rolph Trouillot, Motion in the System: Coffee, Color and Slavery in Eighteenth-Century Saint-Domingue, Review (Fernand Braudel Center), 1982, e Pendergrast, Uncommon Grounds (1999), capítulo 1. A parcela de um terço das propriedades e de um quarto das pessoas escravizadas detida pelos livres de cor às vésperas de 1789 é a estimativa de Trouillot nesse mesmo artigo, conhecida aqui pela literatura que a cita e não por uma leitura do original: a verificar no texto. Tamanho médio dos cafezais, inferior ao dos engenhos de açúcar, e implantação nos mornes: mesmo artigo. Brasil: 391.785 sacas saídas do Rio em 1830 e 1.476.567 pessoas recenseadas como escravizadas em 1876, Thurber 1881, p. 120-124; abolição de 1888, Coste 1955, p. 348. Ausência de qualquer entrada para 1791 na cronologia de Ukers 1922, p. 725-737: constatação de leitura. Dois mil cafés em Londres antes de 1715, três mil segundo Dufour, xícara a dois pence, café a cinco xelins a libra-peso e chá de doze a vinte e oito: Ukers 1922, p. 58 e 73. Clube de Johnson em 1763: Ukers 1922, p. 81, segundo Boswell. Café de la Régence e Diderot: Ukers 1922, p. 96-98. Merchants' Coffee House e a proposta de União de 1774: Ukers 1922, cronologia p. 727 e p. 119-120. London Coffee House de William Bradford na Filadélfia em 1754, leilões de pessoas escravizadas no estrado da rua, jornal selado queimado em 1765: Ukers 1922, p. 127-129. Manifesto de Frederico II de 13 de setembro de 1777, Declaração do Rei de 21 de janeiro de 1781 e decreto do eleitor de Colônia de 17 de fevereiro de 1784: Ukers 1922, p. 47-48. Lineu, Genera Plantarum (1737) e Species Plantarum (1753). Tontine Coffee House, 5 de junho de 1792: Ukers 1922, p. 121-123.
    1800 a 1900

    06O século da máquina, do Brasil e do mercado mundial

    Em cem anos, o café deixa de ser um gênero colonial vendido a granel para tornar-se a primeira mercadoria agrícola cotada do mundo: uma máquina o torra sem parar, um país produz três quartos dele, e um fungo decide a sorte de todo o resto.

    Patente do torrefador Jabez Burns, 18 de outubro de 1864: a máquina desenhada por seu inventor.
    Patente do torrefador Jabez Burns, 18 de outubro de 1864: a máquina desenhada por seu inventor. Crédito e licença
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    1815Waterloo e o Congresso de Viena1848A Primavera dos Povos1861Início da Guerra de Secessão1869Abertura do canal de Suez1885Conferência de Berlim e partilha da África1889Exposição Universal de Paris e Torre Eiffel

    Em 1800, o café se vende verde, em saca, no armazém, e é o comprador que o queima numa frigideira. Em 1900, chega torrado, em pacote, sob uma marca, com uma cotação diária em Nova York e em Le Havre e uma bolsa onde se vendem safras que ainda não floresceram. Entre esses dois estados, três motores giram juntos, e é a simultaneidade deles que faz o século: uma máquina que torra em contínuo, um país que produz mais de três quartos do café do mundo, e um fungo que esvazia de cafeeiros todo o oceano Índico.

    O Brasil primeiro. Em 1830, só o porto do Rio expede 391.785 sacas e o país se torna o primeiro produtor. O que o torna possível não é o solo, mas uma organização do trabalho: a cafeicultura do vale do Paraíba, depois das terras roxas de São Paulo, repousa sobre a escravidão, e Thurber conta ainda 1.476.567 escravizados recenseados em 1876. A Lei Eusébio de Queirós de 1850 fecha o tráfico atlântico; a frente cafeeira passa então a comprar sua mão de obra no Nordeste açucareiro, o que faz subir o preço de um ser humano no momento em que o preço do café cai.

    A Lei do Ventre Livre de 1871 liberta as crianças por nascer, a dos Sexagenários de 1885 os idosos: a população escravizada envelhece sem se renovar, e seu valor como penhor bancário se esboroa com ela. Quando a abolição chega, conclui uma aritmética já feita em três quartos.

    Em 13 de maio de 1888, a Lei Áurea liberta sem terra e sem indenização. As fazendas substituem de imediato a escravidão pelo colonato, um contrato em que uma família cuida de um número fixo de pés em troca de um salário e do direito de cultivar seus mantimentos entre as fileiras; a província de São Paulo paga a travessia aos imigrantes italianos para trazê-los. O resto é mecânico: dinheiro, braços, plantações novas, e um cafeeiro que leva quatro a cinco anos para produzir, de modo que as árvores plantadas depois de 1888 entram em produção por volta de 1896-1897 e inundam o mercado.

    O Rio 7 cai para 7 centavos de dólar por libra-peso em outubro de 1897, cerca de 5 centavos em 1903. Tudo o que o século seguinte inventará de valorizações, de cotas e de destruições responde a essa única superprodução, nascida da abolição e do crédito fácil que a seguiu. Politicamente, a República de 1889 instala o pacto chamado café com leite, em que a presidência se alterna por quarenta anos entre São Paulo, que detém o café, e Minas Gerais, que detém o leite: os plantadores não pressionam o Estado, eles são o Estado. A prancha da economia desenrola esse mecanismo em detalhe.

    Depois, o Ceilão. Em 1869, no distrito de Madulsima, o superintendente Donald Reid nota folhas que amarelecem; em 6 de novembro, em Londres, o reverendo Berkeley nomeia o fungo Hemileia vastatrix sem nunca ter visto uma árvore doente. Por que uma ferrugem das folhas pôde esvaziar uma ilha? Porque o café cultivado no mundo inteiro havia saído do Iêmen, onde é conduzido em sequeiro, longe das florestas úmidas: um gargalo genético acrescido de um filtro ecológico, que mantivera o fungo à distância durante dois séculos sem dar a menor imunidade às plantas.

    No dia em que ele encontra esse genótipo único, plantado acre após acre numa ilha desmatada, nada mais o detém. Os números vêm de testemunhas que escreviam durante a queda: a área plantada passa de 176.000 acres em 1869 a 275.000 em 1879 enquanto a produtividade cai de 4,5 para 2 quintais ingleses por acre, depois a área cafeeira desaba de 68.787 hectares a 14.170 e as exportações, de pouco mais de um milhão de quintais por volta de 1870, caem para menos de 100.000 nos anos 1890.

    Plantavam mais à medida que colhiam menos, não por cegueira, mas porque cada um compensava uma queda que não controlava e protegia a garantia dada a seu banco. A prancha das doenças mostra isso em detalhe.

    A ferrugem sai do Ceilão e segue as linhas de navegação em vez dos ventos, de Sumatra em 1876 ao Usambara em 1893. As Índias Neerlandesas perdem metade de suas exportações entre 1883 e 1887, a Reunião três quartos de sua produção. As respostas são botânicas e comprometem todo o século seguinte: Hiern descreve em 1876 o liberica, plantado em substituição aos arábicas atacados pela ferrugem, e por volta de 1900 Java faz vir do Congo, por Bruxelas, o canephora, sem o qual, estima McCook, a produção mundial de hoje seria inferior em 30 a 40 por cento.

    O Ceilão torna-se uma ilha de chá: as estradas, os portos e o capital já estavam ali, carregaram outra folha. O último efeito é intelectual. Londres envia Harry Marshall Ward para trabalhar na ilha de 1880 a 1882; ele estabelece o nexo de causa entre o fungo e a doença e mostra que a monocultura contínua alimenta a epidemia. A patologia vegetal nasce de uma epidemia de café.

    Restava a máquina. O problema do torrefador nunca foi aquecer, sempre foi esvaziar. A patente inglesa de Richard Evans, em 1824, já contém o cilindro com palhetas e a sonda que permite julgar uma torra sem interrompê-la; mas enquanto for preciso retirar o aparelho do fogo para descarregá-lo, é preciso parar, resfriar e recomeçar, e portanto renunciar ao trabalho contínuo.

    Em 1864, Jabez Burns, guarda-livros de ofício, patenteia em Nova York o primeiro torrador que não se retira mais do fogo: um cilindro fechado, assentado em alvenaria de tijolos, em que uma rosca dupla empurra o café para a frente e o descarrega sem nada interromper. É a data em que a torra se torna uma indústria. Emmerich segue em 1868 com a firma que viria a ser a Probat, e o primeiro torrador a gás de chama direta chega a Nova York em 1893. A prancha da torra conta a própria mecânica.

    O que a máquina muda a jusante vale mais que a máquina. Torrar por toneladas permite vender café já queimado: Arbuckle lança o Ariosa em 1873, primeira marca nacional em pacote nos Estados Unidos, e Thurber recenseia em 1881 mais de mil máquinas de torrar e 1.200.000 libras-peso por dia, observando que vinte anos antes não se vendia uma libra-peso de café torrado.

    Mas um café torrado, e mais ainda moído, já não se verifica a olho. A mesma década vê, portanto, patentear-se o glaceamento do grão, essa película aplicada a quente que depositam Pidding, Berry e depois Arbuckle entre 1866 e janeiro de 1868: oficialmente para proteger o aroma, na prática para mascarar os grãos manchados e acrescentar 5 a 6 por cento de peso. E Thurber registra a fórmula americana corrente para mil libras-peso de mercadoria vendida como café: 400 de ervilha, 200 de centeio, 200 de café, 100 de chicória, 100 de diversos. A industrialização e a falsificação são o mesmo movimento visto pelas duas pontas, como detalha a prancha da falsificação.

    O mercado, enfim. Uma bolsa de futuros aparece sempre no mesmo ponto de uma cadeia produtiva: onde uma safra chega numa estação enquanto o consumo é contínuo, alguém carrega um estoque cujo valor oscila e procura se garantir. A série de preços diz o resto: 11,04 centavos de dólar por libra-peso para o Rio corrente em 1857, 42,5 centavos em 1864 em plena Guerra de Secessão, preço que diz tanto a depreciação do dólar quanto a escassez, 13,25 centavos em setembro de 1879.

    Em 18 de setembro de 1873, dia do pânico de Jay Cooke, os bancos deixam de emprestar, ninguém mais pode financiar um carregamento e o Rio perde de uma vez de 24 para 15 centavos. B. G. Arnold, que subiu de contador a rei do café, ganha 1,2 milhão de dólares num ano, e depois o crash de 1880-1881 leva embora 5 a 7 milhões e as três maiores casas de Nova York.

    A New York Coffee Exchange e a de Le Havre abrem em 1882, Amsterdã e Hamburgo em 1887. O telégrafo torna-se também uma peça do preço: em 1884, um simples corte de cabo com o Brasil impede os agentes de cobrir suas margens e faz o Rio cair de 11,5 para 8,25 centavos. O século dos reis acompanha essa série de ponta a ponta.

    Enquanto isso, a Europa inventa o lugar e o aparelho: o percolador de Rumford em 1806, depois, em 16 de maio de 1884, a máquina a vapor do turinense Angelo Moriondo, a primeira do gênero, quinze anos antes de Bezzera. No fim das contas, 1900 deixa um objeto coerente e frágil: um país fornece três quartos da safra, um único genótipo quase todo o arábica, uma máquina fez a marca, uma bolsa fez o preço, e esse preço voltou a cair a 4,5 centavos. Os três fatos do século serão pagos no seguinte.

    Brasil, volumes e mão de obra: Thurber, Coffee: From Plantation to Cup (1881), p. 120-124 (391.785 sacas saídas do Rio em 1830; 1.476.567 pessoas recenseadas como escravizadas em 1876). Preços: Thurber 1881, p. 186-188 e Walsh, Coffee: Its History, Classification and Description (1894), p. 286-287 (11,04 centavos de dólar em 1857; 42,5 em 1864; 13,25 em setembro de 1879); Ukers, All About Coffee (1922), cronologia p. 731 (pânico de Jay Cooke, de 24 para 15 centavos em 18 de setembro de 1873); Ukers 1922, p. 195 e 219-220 via Thurber (crash de 1880-1881, 5 a 7 milhões de dólares, três casas levadas); Ukers 1922, p. 527 (corte do cabo português, 1884); Ukers 1922, cronologia p. 732-733 (New York Coffee Exchange e Le Havre 1882, Amsterdã e Hamburgo 1887; Rio 7 a 7 centavos em 1897, 4,5 centavos em 1898). Ceilão e ferrugem: McCook, Coffee Is Not Forever (2019), p. 1, 36, 43-44, 66-70, 112 e 202; números de área, de produtividade e de exportação retomados da prancha X seção 04 do site, ela própria segundo Thurber 1881, p. 92-94 e 98, Walsh 1894, p. 125-128 e BSPP 2022, p. 5 (segundo Waller et al. 2007); Ward 1882 e BSPP 2022, p. 3-4 para o nascimento da fitopatologia; Hiern, Transactions of the Linnean Society (1876) para Coffea liberica. Torra: Ukers 1922, cap. XXXIV, p. 625-640 e cronologia p. 728-733; patente americana de Jabez Burns, 1864; patente inglesa de Richard Evans, 1824; Probat, histórico da casa de Emmerich. Marca e falsificação: Ukers 1922, cronologia p. 731 (Ariosa, 1873); Thurber 1881, p. 23, p. 162-168 (fórmula das mil libras-peso) e p. 254 (glaceamento); Walsh 1894, p. 195-196. Aparelhos e lugares: Ukers 1922, p. 94 e 99-107, cronologia p. 728-730; patente Mayer e Delforge, 1852; patente italiana n.º 33/256 de Angelo Moriondo, Turim, 16 de maio de 1884. Pontos tirados da historiografia geral e não do corpus da cronologia, a conferir em fonte impressa antes da publicação: lei Eusébio de Queirós (1850), Lei do Ventre Livre (1871), Lei dos Sexagenários (1885), Lei Áurea de 13 de maio de 1888 sem indenização nem terra, sistema do colonato, imigração italiana subsidiada pela província de São Paulo, e pacto café com leite da Primeira República (1889-1930).
    1900 a 1950

    07A ciência, os estoques queimados e as duas guerras

    O café herda uma superprodução, inventa para contê-la a primeira intervenção pública moderna num mercado de matéria-prima, acaba por queimar o equivalente a três safras mundiais, e sai do período refeito por dois laboratórios: o dos geneticistas e o das intendências militares.

    Plantação de robusta em Java fotografada por P. Pascalet em 1931.
    Plantação de robusta em Java fotografada por P. Pascalet em 1931. Crédito e licença
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    1914Início da Primeira Guerra Mundial1918Armistício de 11 de novembro1929Crash de Wall Street1939Início da Segunda Guerra Mundial1945Rendição do Japão e bombas atômicas1947Independência da Índia

    O século XX do café começa com uma dívida. Os cafeeiros plantados no Brasil na euforia que se segue à abolição de 1888 produzem todos ao mesmo tempo, e em 1903 o Santos 4 cai a 3,55 centavos de dólar por libra-peso em Nova York, o mais baixo já registrado. Os cinquenta anos seguintes são uma sucessão de respostas a uma única pergunta, e é ela que dá unidade ao período: o que fazer quando há café demais.

    A primeira resposta é inédita, e será copiada no mundo inteiro durante um século. Um Estado compra a própria safra para retirá-la da venda: é a valorização, decidida em Taubaté em 1906. O ano seguinte dá 20.190.000 sacas brasileiras numa safra mundial de 24.307.000, e nesse nível vender equivale a esmagar o próprio preço. São Paulo compra, portanto, acima do mercado, mas são necessários 75 milhões de dólares e os Rothschild recusam, depois todos os bancos do continente.

    Em agosto de 1906, o comissário de São Paulo sobe a Baden-Baden para ver o negociante Hermann Sielcken, que acaba por adiantar 80 por cento de um valor calculado a sete centavos de dólar por libra-peso. A safra é maior do que o previsto: o Estado precisa comprar quase nove milhões de sacas, detém no fim de 1907 a metade do estoque visível mundial, e o preço mal ultrapassa 6 centavos.

    Um único remédio funcionará, e é jurídico: proibir por lei qualquer nova plantação. A lição vale para todo o século, garantir um piso equivale a mandar plantar. Nos Estados Unidos, o senador Norris calcula em 1911 a conta em 35 milhões de dólares por ano; a ação judicial de 1912 é abandonada em troca da promessa de liquidar as 746.539 sacas armazenadas nos Estados Unidos, e a lei Norris de fevereiro de 1913 proíbe todo americano de participar de uma valorização. A prancha da economia detalha a montagem.

    A segunda resposta diz respeito aos braços. O colonato paulista, esse contrato que prende uma família a um número fixo de cafeeiros, havia atraído os italianos; as condições impostas nas fazendas são duras o bastante para que a Itália proíba em 1902, pelo decreto Prinetti, a emigração subsidiada para o Brasil. São Paulo se volta então para o Japão, e o Kasato Maru desembarca em Santos em junho de 1908 as primeiras famílias sob contrato: a maior comunidade japonesa fora do Japão nasce de uma falta de mão de obra cafeeira.

    Em outros lugares, a mesma cultura fabricou a estrutura fundiária e o regime político que a acompanha. Em janeiro de 1932, em El Salvador, onde catorze famílias detêm a terra e o café, a revolta camponesa liderada por Farabundo Martí é esmagada: a Matanza faz de dez a trinta mil mortos em poucas semanas.

    A terceira resposta é científica, e é ela que faz a verdadeira novidade do período. Até então, a seleção do cafeeiro era assunto de plantador observando uma árvore mais bela que as outras. Torna-se assunto de laboratório por uma razão precisa, estabelecida em 1929 quando Piza conta 44 cromossomos no arábica contra 22 em todos os outros cafeeiros. O arábica é tetraploide, isto é, porta um conjunto duplo de cromossomos herdado de uma antiga hibridação natural, e se autofecunda.

    Isso explica de uma vez três coisas: que uma mutação identificada numa única árvore, como o Caturra brasileiro dos anos 1915-1918, se fixe e se multiplique tal qual; que a diversidade da espécie cultivada seja miserável; e que um cruzamento com o canephora diploide fracasse quase sempre. Daí o valor do que é identificado em 1927 na ilha de Timor, um híbrido espontâneo de arábica por canephora, tetraploide e fértil, de que descende hoje quase toda a resistência à ferrugem plantada no mundo.

    As instituições se montam em torno desse programa: Kent seleciona em Mysore desde 1911, os Scott Laboratories abrem em Kabete em 1922 e dão SL28 e SL34 entre 1931 e 1935, Mayne publica na Nature em 1932 a genética mendeliana da resistência e a existência de raças do fungo, o Instituto Agronômico de Campinas é criado no mesmo ano com Krug e Carvalho, o Cenicafé colombiano em 1938; e o S.795 indiano, difundido em 1945-1946, é a primeira variedade resistente amplamente cultivada. A prancha das doenças acompanha essa linhagem.

    De passagem, o período colhe o que fará falar dele setenta anos depois:

    • as coletas britânicas na Etiópia de 1931 a 1936 trazem o acesso plantado em Lyamungu sob o nome de Geisha
    • que só entrará no CATIE em 1953 e só será provado pelo que vale no século XXI. E a outra resposta à ferrugem torna-se uma espécie econômica: o canephora
    • 1900chegado a Java
    • entra no Espírito Santo em 1912 sob o nome de conilon e fará mais tarde do Vietnã o primeiro produtor mundial dessa espécie, como conta a prancha do canephora.

    Depois vêm as guerras, que fazem ao café o que fazem a qualquer gênero: transformam-no numa questão logística. Em 1918, os Estados Unidos colocam importadores e torrefadores sob licença; a tonelagem marítima é requisitada, mais de nove milhões de sacas se amontoam nos portos brasileiros, e Hoover precisa fazer reconhecer o café como alimento para obter navios. Em junho de 1918, uma geada bem real atinge o Paraná e São Paulo, mas os compradores americanos a tomam pelo boato sazonal de costume e não acompanham; o Santos 4 passa de 8,25 centavos em maio a 20,5 centavos em 10 de dezembro, depois do armistício.

    A guerra inventa sobretudo um produto. O gás mostarda torna vital a bebida quente na frente de batalha, o café solúvel torna-se um dos artigos de subsistência mais importantes do exército americano, e a intendência de Nova York reclama 42.500 libras-peso por dia já em janeiro de 1919. Ukers, em 1922, ainda considera esse solúvel um fogo-fátuo que perde o aroma.

    O crash de 1929 não faz apenas baixar as cotações: destrói a própria valorização, porque o estoque acumulado servia de garantia aos empréstimos que o haviam financiado. O Brasil faz então a única aritmética que se sustenta, e ela é terrível de ler. De 1931 a 1944, 78,2 milhões de sacas de café exportável são destruídas, queimadas em Santos, jogadas ao mar, usadas como combustível de locomotiva ou como aterro: o equivalente a três safras mundiais.

    Vendê-las teria esmagado o preço que toda a operação tinha por objetivo sustentar. O mesmo crash leva consigo o regime do café com leite, e a revolução de Vargas põe fim em 1930 a quarenta anos de alternância entre o café paulista e o leite de Minas. Resta a questão prática: o que fazer com um excedente invendável e perecível. Transforma-se em algo que se conserva.

    É um pedido brasileiro que põe a Nestlé para trabalhar, e o Nescafé sai da fábrica de Orbe em 1º de abril de 1938. A Segunda Guerra fará dele um hábito americano, e em 1952 a campanha do Pan-American Coffee Bureau, Give yourself a Coffee-Break, fará entrar a pausa para o café na língua e depois no direito do trabalho.

    O resto do período se lê nos objetos, cada um respondendo a um problema datado. A Hills Bros embala a vácuo desde 1900: o café pode doravante viajar para longe de seu torrefador, o que torna possível a marca nacional e condena, a prazo, o torrefador de bairro. Melitta Bentz registra em 20 de junho de 1908 seu filtro de papel mata-borrão, contra a borra na xícara.

    Ludwig Roselius, negociante de Bremen que atribui a morte do pai ao abuso de café, patenteia entre 1903 e 1908 a descafeinação a vapor e a benzeno, vendida sob os nomes de Kaffee HAG e depois Sanka; em 1932, a General Foods remete gratuitamente a milhares de restaurantes americanos jarras de gargalo laranja, cor do pacote, para dizer aqui se serve Sanka.

    A mensagem recebida foi aqui, o laranja é o descafeinado, e esse código sobreviveu à marca no mundo inteiro, como conta a prancha do descafeinado. Calimani dá em 1929 a prensa francesa moderna, Bialetti a Moka Express em 1933, o químico Schlumbohm a Chemex em 1941. E é só em 1947-1948 que Achille Gaggia comercializa a alavanca: nove bars de pressão e uma crema que ninguém tinha visto. O espresso que bebemos é, portanto, um objeto do pós-guerra, quarenta e sete anos depois da patente de Bezzera e sessenta e quatro depois da de Moriondo.

    Em 1950, tudo está em seu lugar para o que vem depois, inclusive os becos sem saída. A produção está superequipada, a intervenção pública tornou-se um hábito de Estado que desembocará no Acordo Internacional do Café de 1962, a resistência genética existe enfim, mas repousará essencialmente num único híbrido achado por acaso, e a questão colonial permanece inteira: no Quênia, o cultivo do café é proibido aos camponeses africanos desde 1900 e só lhes será aberto em 1954, pelo plano Swynnerton.

    Preços e valorização: Ukers, All About Coffee (1922), cronologia p. 734-736 (Santos 4 a 3,55 centavos em 1903); Ukers 1922, p. 517-519 e 529-534, segundo Sloss, World's Work (safra 1906-1907 de 20.190.000 sacas em 24.307.000 mundiais, episódio de Baden-Baden, adiantamento de 80 por cento, nove milhões de sacas compradas, metade do estoque visível mundial no fim de 1907, proibição legal de plantar, empréstimo de 75 milhões de dólares colocado em 1908); Ukers 1922, p. 532-533 (Norris, 35 milhões de dólares por ano, 746.539 sacas, lei Norris de fevereiro de 1913). Guerra de 1914-1918: Ukers 1922, cronologia p. 736-737 e p. 535-540 (licenças de 1918, nove milhões de sacas bloqueadas, Hoover e o reconhecimento do café como alimento, geada de junho de 1918, Santos 4 de 8,25 a 20,5 centavos em 10 de dezembro, solúvel, 42.500 libras-peso por dia em 1º de janeiro de 1919, juízo de Ukers sobre o solúvel); Ukers 1922, p. 538 para a deflação de 1920. Destruição dos estoques: Daily Coffee News, 90 Years Ago (2021); Time, Brazil: Smoke & Mirth (1936); Conselho Nacional do Café (78,2 milhões de sacas destruídas de 1931 a 1944). Genética e seleção: Coste 1955, p. 331 e Piza 1929 (2n = 44 no arábica, 22 nos outros); Salojärvi et al., Nature Genetics 56 (2024), p. 726 e McCook 2019, p. 134 (Híbrido de Timor, 1927); WCR 2025, fichas Caturra p. 30, Maragogipe p. 52, SL28 p. 75, SL34 p. 76, S795 p. 73, Geisha p. 38; CCRI e Coffee Board of India (Kent 1911, S.288, S.795 difundido em 1945-1946); Mayne, Nature (1932); IAC e Setotaw et al., Crop Science 53 (2013); Cenicafé (1938); Coffee Research Foundation, Quênia (Scott Laboratories 1922, Ruiru 1949). Canephora: Coste 1955, p. 22-30; McCook 2019, p. 202; Ferrão et al., Informe Agropecuário 41 (2020) e Incaper para o conilon de 1912. Objetos e marcas: Ukers 1922, capítulo sobre a embalagem e Smithsonian, Hills Bros. Coffee Company Records, NMAH.AC.0395 (vácuo de 1900); Deutsches Patent- und Markenamt, modelo de utilidade Melitta Bentz registrado em 20 de junho de 1908; patentes Roselius, Bremen, 1905-1908, e Kaffee HAG, histórico; Sprudge, A brief history of decaf and the color orange, e The Takeout (jarras laranja da Sanka, 1932); patente italiana Attilio Calimani, 1929; Bialetti, histórico da Moka Express, 1933; Chemex Corporation e patente Schlumbohm, 1941; Gaggia, histórico e patente da alavanca (1938, comercialização 1947-1948); patente Luigi Bezzera n.º 153/94, Milão, junho de 1901; patente Moriondo, Turim, 16 de maio de 1884. Nescafé: Nestlé, Nescafé marks its 75th anniversary (2013), lançamento em 1º de abril de 1938 em Orbe. Pausa para o café: Pendergrast 1999, cap. 12, e campanha do Pan-American Coffee Bureau, 1952. El Salvador: Anderson, Matanza (1971); Paige, Coffee and Power (1997); Pendergrast 1999, cap. 8. Quênia: Swynnerton, A Plan to Intensify the Development of African Agriculture in Kenya (1954); Pendergrast 1999, cap. 13. Pontos tirados da historiografia geral e não do corpus da cronologia, a conferir antes da publicação: decreto Prinetti de 1902 que proíbe a emigração italiana subsidiada para o Brasil, e chegada do Kasato Maru a Santos em junho de 1908.
    1950 a 2000

    08As cotas, o solúvel e a invenção da qualidade

    Durante vinte e sete anos, um tratado sustentou o preço do café; o setor passou os dez anos seguintes reinventando, sob o nome de qualidade, o que o tratado fazia com sacas.

    Degustação comparativa em 2013. A fotografia mostra uma prática atual, não uma cena dos anos 1950.
    Degustação comparativa em 2013. A fotografia mostra uma prática atual, não uma cena dos anos 1950. Crédito e licença
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    1961Gagárin, primeiro homem no espaço1969Primeiros passos na Lua1975Fim da Guerra do Vietnã1989Queda do Muro de Berlim1994Mandela eleito presidente da África do Sul

    O café sai da guerra com um medo datado: o de 1930, quando o Brasil produzia mais do que o mundo podia beber e queimava suas sacas nos cais. A resposta de depois de 1945 muda de escala. Já não é um Estado que estoca por conta própria, mas produtores e consumidores que assinam juntos. O Acordo Internacional do Café de 1962, concluído sob a égide das Nações Unidas, instala em Londres a Organização Internacional do Café e atribui a cada exportador uma parcela do mercado mundial, apertada quando a cotação cai abaixo da meta, afrouxada quando a ultrapassa.

    O mecanismo é detalhado em a prancha da economia. O que é preciso entender aqui está noutro lugar: por que um país consumidor aceita pagar seu café mais caro do que o pagaria. A razão é política, e está datada de 1959. A revolução cubana acaba de fazer da pobreza rural latino-americana um assunto de segurança para Washington, e o acordo é tratado como uma peça da Aliança para o Progresso. O café torna-se um instrumento da Guerra Fria. É esse estatuto, muito mais que a economia, que explicará sua morte.

    Uma cota se conta em sacas, nunca em pontos de xícara. Durante vinte e sete anos, a cadeia produtiva é, portanto, paga pelo volume, e a seleção vai exatamente para onde está o dinheiro: rendimento, precocidade, resistência. Os anos que cercam 1949 dão a medida, com o Pacas em El Salvador, o Pache na Guatemala, o cruzamento Catuaí em Campinas, a abertura da estação de Ruiru no Quênia e o programa Icatu, lançado em 1950 para fazer passar genes de canephora para o arábica.

    Nada disso busca o sabor. A consequência mais pesada só aparece em 1970, e a princípio parece um golpe de sorte. Em 1955, em Oeiras, em Portugal, funda-se um laboratório inteiramente dedicado à ferrugem do cafeeiro, o CIFC, quando Coste escreve no mesmo ano, no manual de referência, que a doença não existe na América. Quatro anos depois, o CIFC cruza o Híbrido de Timor com o Caturra: nascem os Catimors, que nessa data não têm nenhuma aplicação.

    Essa aplicação chega em 1970, quando a ferrugem é detectada na Bahia. O cordão sanitário montado em torno do foco cede já em 1971, e todo o continente passa a ser afetado. A sequência que se segue só é legível mantendo os dois fios juntos. O Quênia, atingido em 1971 por uma epidemia de antracnose dos frutos, essa podridão que enegrece a cereja na planta, lança o programa que dará o Ruiru 11, difundido em 1985.

    A Colômbia lança a Variedad Colombia em 1982; a ferrugem chega lá em 1983. Um ano de vantagem. Honduras difunde o IHCAFE 90 e depois a Lempira, e os Catimors se tornam a base dos cafezais da América Central. Em outras palavras: a América foi salva por uma planta cruzada onze anos antes de precisar dela, em um instituto fundado para uma doença que se jurava ausente. O que esse salvamento custou na xícara só será medido quarenta anos depois.

    Enquanto isso, um pó redesenha o mapa. O solúvel existia desde 1899 e o Nescafé desde 1938, mas muda de natureza entre 1963 e 1965, quando a Maxwell House e depois a Nestlé passam à liofilização, isto é, à secagem pelo frio sob vácuo: as medições comparativas dão 77 % dos compostos voláteis conservados, contra 57 % na atomização a quente. Um produto que se tornou bebível abre um mercado, e esse mercado tem uma preferência.

    O solúvel suporta o canephora, mais rico em extrato e mais barato, onde quem bebe café filtrado o recusava. O número que se segue é o mais eloquente de todo o período. Sob as cotas, de 1963 a 1989, a OIC mede uma média estável de 72,5 % de arábica e 27,5 % de canephora, e em 1990, último ano do sistema, o canephora ainda está em 27,5 %. Em 2013, com o mercado liberado, está em 38,9 %. O acordo não congelava apenas o preço, congelava a composição do café que o mundo bebia.

    A demanda, por sua vez, não é deixada ao acaso. Em 1952, o Pan-American Coffee Bureau, financiado pelos produtores latino-americanos, lança a campanha “Give yourself a Coffee-Break”; a pausa entra no vocabulário e depois nas convenções coletivas americanas. Em 1959, a federação colombiana inventa, com uma agência de publicidade nova-iorquina, o personagem Juan Valdez: um país se dota de uma marca, quarenta e seis anos antes de a Etiópia registrar as suas.

    O equipamento acompanha. Achille Gaggia comercializa em Milão, em 1948, a máquina de alavanca e seus nove bar de pressão, a Faema lança em 1961 a E61, da qual descende a maioria das máquinas atuais, e em 1972 a Mr. Coffee substitui o percolador nas cozinhas americanas. Essas máquinas estão na prancha das preparações. O que importa aqui é o resultado comercial: no fim dos anos 1970, o café é bebido em toda parte, cada vez mais depressa e cada vez pior.

    Então um acidente lembra quem manda de verdade. Em 17 e 18 de julho de 1975, a geada negra atinge o Paraná e mata cerca de um bilhão e meio de cafeeiros. O preço não se move de imediato, e é aí que está a lição: o Brasil tem estoques, e um estoque é tempo comprado. É preciso todo o ano de 1976 para passar de um a dois dólares a libra-peso, e depois três meses para chegar a três dólares.

    Em abril de 1977, o contrato de Nova York toca 339,86 centavos por libra-peso, recorde que se manterá até 2024. Nenhum acordo internacional jamais deslocou o preço dessa maneira. As cotas, aliás, são suspensas de 1972 a 1980 porque as cotações estão altas demais para que sejam necessárias: o dispositivo só servia em um sentido.

    É no fundo dessa desordem que surge uma palavra. Em 1974, no Tea and Coffee Trade Journal, a importadora Erna Knutsen emprega a expressão “specialty coffee” para designar os pequenos lotes de microclimas particulares que ela compra e que o comércio de massa não sabe cotar. A palavra nasce, portanto, em uma comerciante antes de nascer em uma provadora, e designa primeiro um problema de comércio: o que fazer de um café singular demais para entrar em um contrato padrão.

    A Specialty Coffee Association of America é fundada em 1982. Alfred Peet havia aberto em Berkeley em 1966; três de seus admiradores fundam a Starbucks em Seattle em 30 de março de 1971, e Howard Schultz a compra em 1987 para nela enxertar o bar italiano. Todo o vocabulário da qualidade se instala assim dentro de um sistema que paga o volume.

    Em julho de 1989, esse sistema para. As cotas são abandonadas por falta de acordo sobre sua repartição: o Brasil se recusa a reduzir sua parte, os países consumidores reivindicam mais arábicas suaves, e o fim da Guerra Fria tira dos Estados Unidos o motivo que os levava a sustentar os preços. Os acordos seguintes, em 1994, 2001 e 2007, não têm mais cláusula econômica. O preço médio dos anos 1980, em torno de 120 centavos por libra-peso, cai para 50 centavos na virada do século.

    O que isso faz aos países em que o café é o principal recurso não tem nada de abstrato. O selo Max Havelaar, lançado nos Países Baixos em 15 de novembro de 1988 por Nico Roozen, Frans van der Hoff e a Solidaridad, havia sido concebido em resposta à queda que começava: é o primeiro preço mínimo exigível da cadeia produtiva, aquele abaixo do qual um comprador certificado não tem o direito de descer.

    Em Ruanda, onde o café era a primeira exportação, os historiadores do genocídio incluem a ruína dos cafeicultores após 1989 entre as condições de 1994. Uma variação de cotação não explica um massacre; explica a fragilidade em que ele se apoiou.

    O Estado se retira em outros lugares também. O Brasil dissolve em 1991 o seu Instituto Brasileiro do Café; no mesmo ano, a Pinhalense constrói a primeira máquina de pulped natural (cereja descascado, em português), o café despolpado sem fermentação que a Costa Rica popularizará sob o nome de honey. É preciso ler esses dois fatos em conjunto: quando ninguém mais garante o preço, a única margem de manobra do produtor é fabricar uma diferença.

    No Vietnã, a reforma econômica do Đổi Mới de 1986 empurra o café para os Planaltos Centrais; em dez anos, o país multiplica sua produção por quinze, quase só em canephora, e se torna o segundo produtor mundial. Essa expansão prepara exatamente a superprodução que esmagará as cotações depois de 2000. A década termina com dois dispositivos minúsculos e decisivos: a primeira Cup of Excellence, no Brasil em 1999, em que o preço de um lote se forma em público, e o primeiro campeonato mundial de barista, em Monte Carlo em 2000. O século termina sem instituição para fixar o preço, e com uma instituição nascente para fixar a nota.

    Acordo de 1962 e fim das cotas em julho de 1989: OIC, International Coffee Agreement e FAQ; McCook, Coffee Is Not Forever (2019), p. 173. Motivo político americano e Aliança para o Progresso: Pendergrast, Uncommon Grounds (1999), cap. 15 e 18; Bates, Open-Economy Politics (1997). Seleção dos anos 1949-1950: Coste, Les caféiers et les cafés dans le monde (1955), p. 323; IAC para o Icatu. CIFC fundado em 1955 e Coste escrevendo no mesmo ano que a ferrugem está ausente da América: McCook 2019, p. 132-133; Coste 1955, p. 224. Bahia 1970 e fracasso do cordão sanitário em 1971: McCook 2019, p. 143-146. Catimors, Ruiru 11, IHCAFE 90 e Lempira: WCR, Coffee Varieties Catalog 2025, p. 27, 71, 42 e 50. Variedad Colombia lançada em 1982, ferrugem na Colômbia em 1983: Cenicafé; McCook 2019, p. 171. Liofilização de 1963-1965 e 77 % de voláteis conservados contra 57 %: Nestlé, Nescafé 75 years (2013); Works in Progress, A brief history of instant coffee. Participações de arábica e canephora de 1963 a 1990, depois 2013: OIC, via Daily Coffee News, 17 de julho de 2014. Campanha de 1952: Pan-American Coffee Bureau. Juan Valdez: Federación Nacional de Cafeteros e Doyle Dane Bernbach, 1959. Gaggia 1948, Faema E61 1961, Mr. Coffee 1972: históricos dos fabricantes; The Henry Ford Museum. Erna Knutsen: Tea and Coffee Trade Journal (1974); SCA, histórico, para a SCAA em 1982. Geada de 17 e 18 de julho de 1975, e 339,86 centavos em abril de 1977: Pendergrast 1999, cap. 18; OIC, séries de preços; Covoya, A Brief History of the Price of Coffee. Max Havelaar: Stichting Max Havelaar, 15 de novembro de 1988. Ruanda: Kamola, Third World Quarterly 28 (2007); Verwimp, Journal of Development Economics (2003). Dissolução do IBC e pulped natural: documento de formação profissional, cap. 17b. Đổi Mới de 1986 e decolagem vietnamita: USDA FAS, Coffee Annual Vietnam; ficha do país Vietnã deste site. Cup of Excellence 1999: Alliance for Coffee Excellence. World Barista Championship, Monte Carlo, 2000. O vínculo de causalidade entre a manutenção das cotas e a estabilidade da participação do canephora é uma leitura das séries da OIC feita aqui, e não uma tese citada tal como está.
    2000 a 2026

    09A baixa de 2001, a especialidade e o clima

    A cadeia produtiva respondeu à pior crise de preços de sua história vendendo qualidade medida; o mercado vem batendo desde então todos os seus recordes, sem que se saiba o que disso chega até o produtor.

    Provadores na Etiópia, fotografia do DFID, 2011.
    Provadores na Etiópia, fotografia do DFID, 2011. Crédito e licença
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    2001Atentados de 11 de setembro2008Crise financeira global2015Acordo de Paris sobre o clima2020Pandemia de COVID-192022Invasão da Ucrânia pela Rússia

    Em agosto de 2002, em Joanesburgo, o diretor da Organização Internacional do Café, Néstor Osorio, apresenta quatro números que ninguém contestou desde então. No início dos anos 1990, os países produtores arrecadavam de 10 a 12 bilhões de dólares para um mercado varejista de cerca de 30 bilhões. Em 2002, o varejo ultrapassa 70 bilhões e os produtores recebem apenas 5,5. O preço indicativo composto, de 109 centavos em 1998, cai para menos de 48 centavos: o mais baixo em termos reais em cem anos.

    A causa é aritmética: cinco anos seguidos de excedente, com a produção crescendo 3,6 % ao ano contra 1,5 % da demanda, tendo o Vietnã e as novas plantações brasileiras como motores. O detalhamento está na prancha da economia. O que importa reter é o efeito: mais de 125 milhões de pessoas dependiam então do café, e onde ele é a cultura comercial de uma propriedade de subsistência, uma baixa dessas se traduz em escola interrompida, em dívida, em propriedade abandonada, em êxodo.

    A resposta não foi um novo acordo, já que ninguém mais o queria. Foi comercial: sem poder elevar o preço de base, vende-se a diferença. Restava dizer de que era feita essa diferença, e é o que 2004 produz. A Specialty Coffee Association fixa a ficha de degustação que regeria a pontuação durante vinte anos, o Coffee Quality Institute lança o sistema Q e seus provadores certificados, e no Best of Panama a Hacienda La Esmeralda apresenta seu Geisha separadamente do restante de sua colheita.

    Uma pontuação, juízes habilitados a emiti-la, um lote identificado: nada mais falta para que um prêmio possa ser exigido. Em 2005 chegam a Hario V60 e a AeroPress, que põem nas mãos de quem bebe o meio de verificar a promessa em casa. Os protocolos estão na prancha da xícara.

    É também nesse momento que o ofício ganha uma narrativa. Em 2002, no boletim da Roasters Guild, a torrefadora Trish Rothgeb nomeia uma “terceira onda”, justamente a propósito do que observava na Noruega. A expressão fez fortuna; é preciso dizer o que ela vale. Nascida em um boletim profissional, nunca definida por nenhuma organização, sem data de início nem critério de entrada, toma emprestada sua imagem das ondas do feminismo, o que lhe dá ar de periodização que nenhum trabalho validou.

    Sobretudo, conta uma história anglo-americana: para se sustentar, precisa ignorar o espresso italiano do pós-guerra, os kissaten japoneses, esses salões em que o café é preparado sob encomenda, e a torra clara escandinava, objeto do próprio artigo fundador. Esta cronologia data os fatos; não data as ondas, por não saber onde situá-las.

    Resta a pergunta que decide tudo: o prêmio existe, e até onde ele desce? Quanto ao primeiro ponto, os dados são bons. O Specialty Coffee Transaction Guide, construído na Universidade Emory, reúne cerca de 105.000 contratos anonimizados e dá, para três safras, um preço FOB mediano de 3,48 dólares a libra-peso, com 4,18 dólares para os cafés pontuados com 84 pontos ou mais contra 2,93 para os de 80 a 83,9. O prêmio é real e medido.

    Quanto ao segundo ponto, não se sabe. O preço FOB é o do café embarcado no navio; o que o produtor recebe, depois de pagos os intermediários locais e o processamento, representa muitas vezes menos da metade desse valor. O direct trade não tem definição compartilhada nem auditoria. Os leilões, único dispositivo em que o preço se forma em público, tratam de algumas centenas de quilos, enquanto o Coffee Guide contava 130,7 milhões de sacas de café padrão contra 10,8 milhões de café especial, uma saca em dezesseis.

    Se o valor criado no topo chega ao produtor ou fica com novos intermediários não está estabelecido: ninguém publica a série que decidiria a questão.

    Duas séries, porém, dizem algo, e no mau sentido. Na França, o estudo BASIC comparou as médias de 1994-1997 e de 2014-2017: o valor novo criado pelo café bebido em casa foi, na proporção de 1.177 milhões de euros por ano, para a torrefação e a distribuição, e de 64 milhões para a parte a montante da cadeia produtiva, produtores e comerciantes reunidos. Quatro por cento. E o formato decide tudo: em um pacote de café moído, a parte do produtor vai de 11,6 % no Peru a 24,1 % na Colômbia; em um café porcionado, cai para entre 2,7 e 4,8 %. Quanto mais sofisticada a embalagem, mais a parte do cafeicultor derrete, no exato momento em que a narrativa do setor promete o contrário.

    O Coffee Barometer 2023 acrescenta a segunda constatação: a renda do café permanece no nível do patamar de renda digna, ou abaixo dele, em oito dos dez maiores países produtores. Ver a prancha da economia, sobre a repartição do valor e os preços mínimos.

    Os selos esbarram no mesmo muro. Na safra 2019-2020, 55 % da produção mundial atendia a uma norma voluntária de sustentabilidade, e apenas 25 % desse volume foi comprado como tal. Três quartos do café certificado são vendidos, portanto, como café comum, nas condições do café comum. Em 2005, a Etiópia havia tentado outro caminho, pedindo o registro como marcas dos nomes Sidamo, Harar e Yirgacheffe, registrados na União Europeia entre 2006 e 2008: sem poder fixar o preço, tenta-se possuir o nome.

    Depois o clima alcança o preço, por um caminho que a linha do tempo, sozinha, não mostra. A partir de 2008, o Big Rust devasta a América Central e andina: a Colômbia perde 33 % de sua colheita, El Salvador 57 %, o México 46 %, e contam-se 373.585 trabalhadores deslocados. Variedades tidas como resistentes caem. A epidemia tem causas meteorológicas, mas também uma causa econômica, de dez anos antes: durante a baixa de 2001 a 2004, não se poda mais, não se aduba mais, não se renovam mais as plantas, por falta de dinheiro.

    Quando o fungo chega, o cafezal está velho e enfraquecido. O pico de 2011, acima de três dólares a libra-peso pela primeira vez desde 1977, não teve tempo de reparar isso. Uma crise de preços se torna uma epidemia uma década depois: é a causalidade mais custosa do período.

    A resposta é genética e logo esbarra no material disponível. A World Coffee Research, fundada em 2012, lança ensaios de variedades em quinze países. A Colômbia passa para a Castillo em 2005 e depois para a Cenicafé 1 em 2016, o Quênia difunde a Batian em 2010, e a Starmaya, primeiro híbrido de primeira geração vendido em sementes, sai em 2017. No mesmo ano, a Lempira perde sua resistência em Honduras: uma resistência não é uma propriedade, é um empréstimo que o fungo cobra de volta.

    O cerne do problema foi medido: no Brasil, 97,55 % das cultivares descendem de Typica e de Bourbon. Um cafezal continental construído sobre duas linhagens se defende mal. E a solução empregada desde 1959, a introgressão do Híbrido de Timor, isto é, a inserção duradoura de fragmentos de canephora no genoma do arábica, foi mapeada em 2024, e sua penalidade de qualidade descrita em 2026. A resistência tem, portanto, um preço, pago na xícara. Ver os híbridos F1.

    O restante se resume a alguns fatos aparentemente contraditórios. Em 2019, Davis e seus coautores estabelecem que 60 % das 124 espécies silvestres de Coffea estão ameaçadas de extinção, no momento em que se redescobre em Serra Leoa a C. stenophylla, tolerante ao calor. Em 2023, a União Europeia adota o regulamento contra o desmatamento importado, que exigirá a geolocalização das parcelas para um café produzido por 12,5 milhões de propriedades, muitas das quais nunca tiveram coordenadas; sua aplicação foi adiada.

    Em 11 de fevereiro de 2025, o arábica atinge 440,85 centavos por libra-peso em Nova York, máxima de toda a história do contrato, em meio a uma geada e uma seca no Brasil e a estoques no nível mais baixo; em agosto, um lote do Best of Panama sai a 30.204 dólares o quilo. No mesmo ano, o USDA anuncia uma produção recorde de 178,8 milhões de sacas. Um mercado pode bater seu recorde de preço e seu recorde de volume no mesmo ano, porque o preço olha para os estoques e para o tempo que fez, nunca para a colheita futura. Ver a economia e o que vem pela frente.

    O que o período produziu se resume a uma tensão, que vale mais enunciar do que resolver. O café é vendido mais caro do que nunca, a medida de sua qualidade é mais fina do que nunca, e ainda se ignora o que o produtor retira disso, por falta de uma série longa sobre a renda na porteira da fazenda. O único número sólido sobre esse ponto vem do Peru e da Etiópia: em 2017, a renda do café de um produtor ali era 20 % inferior à de 2005 em moeda constante, e ficou abaixo da linha de pobreza em todos os anos, exceto um.

    Crise de 2001-2004: OIC, The Global Coffee Crisis: A Threat to Sustainable Development, Londres, 21 de agosto de 2002, p. 1-2, para os 10-12 e depois 5,5 bilhões, os 30 e depois 70 bilhões no varejo, os 109 e 48 centavos, os 3,6 % contra 1,5 % e os 125 milhões de pessoas. Ficha SCA de 2004 e sistema Q do CQI: SCA; Coffee Quality Institute, About (2004). Geisha apresentado separadamente: Best of Panama 2004; WCR 2025, p. 38. V60 e AeroPress: Hario; Alan Adler, 2005. Terceira onda: Rothgeb, Roasters Guild newsletter (2002); a ausência de definição institucional, de limites e de validação acadêmica é uma constatação feita aqui, a partir da ausência de qualquer definição publicada pela SCA ou pela OIC, e não uma citação. Prêmio de especialidade: Specialty Coffee Transaction Guide 2024, cerca de 105.000 contratos, FOB mediano de 3,48 dólares a libra-peso, 4,18 para 84 pontos ou mais contra 2,93 para 80 a 83,9, resumido por Daily Coffee News, 18 de fevereiro de 2025. Parte do FOB que chega ao produtor, e ausência de definição e de auditoria do direct trade: síntese da prancha da economia deste site, seções 11 e 13. Volumes padrão, premium e especial: ITC, The Coffee Guide, 4ª ed. (2021). Repartição do valor na França: BASIC, Commerce Équitable France, Max Havelaar France e coletivo Repenser les filières, Étude sur la durabilité de la filière café (out. 2018), p. 9-11, para os 1.177 e 64 milhões de euros, as partes por formato, e a queda de 20 % da renda peruana e etíope entre 2005 e 2017. Renda digna: Coffee Barometer 2023, 14 set. 2023. Certificação: ITC 2021, p. 39-40 e 47-48, para os 55 % e os 25 %. Marcas etíopes: Oxfam, acordo Starbucks-Etiópia, junho de 2007; Ethiopian Intellectual Property Office. Big Rust: McCook, Coffee Is Not Forever (2019), p. 171-178, para as perdas por país, os 373.585 trabalhadores deslocados, e o vínculo entre a falta de manutenção dos cafezais após a crise de 2001 e a virulência da epidemia. Pico de 2011: OIC, indicador composto. World Coffee Research, Castillo, Cenicafé 1, Batian, Starmaya, perda de resistência da Lempira: WCR, histórico e catálogo 2025, p. 19, 31 e 79; Cenicafé; IHCAFE. 97,55 % de descendência Typica e Bourbon no Brasil: WCR 2025, p. 10. Introgressão do Timor e penalidade de qualidade: Salojärvi et al., Nature Genetics 56 (2024); Yang et al., Agriculture (2026). Espécies ameaçadas e stenophylla: Davis et al., Science Advances 5 (2019) e Nature Plants 7 (2021). Pandemia: OIC, Coffee Break Series (2020). EUDR: regulamento (UE) 2023/1115 de 31 de maio de 2023, e regulamento (UE) 2024/3234 para o adiamento; ITC 2021, p. 2, para os 12,5 milhões de propriedades. Recordes de 2025: ICE Futures US, contrato C, 440,85 centavos por libra-peso em 11 de fevereiro de 2025; UPI, 8 de agosto de 2025, para os 30.204 dólares o quilo do Best of Panama; USDA FAS, Coffee: World Markets and Trade, para os 178,8 milhões de sacas.

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    Dois fios, um mesmo período: a proximidade das datas não significa uma relação de causa e efeito.

    até 1500

    As origens

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    9 marcos do café, 6 balizas do mundo

    Cafeeiros silvestres do Kaffa, perto de Adis Abeba
    Cafeeiros silvestres do Kaffa, perto de Adis Abeba

    O café 9 marcos

    1. há 610.000-350.000 anos

      Hibridação natural entre os ancestrais de C. canephora e C. eugenioides,…

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      Hibridação natural entre os ancestrais de C. canephora e C. eugenioides, seguida de duplicação cromossômica: nascimento de C. arabica (Salojärvi et al. 2024).

      Salojärvi et al., Nature Genetics, v. 56 (2024), p. 722-725

    2. há ~30.500 anos

      Divergência modelada entre populações silvestres e população fundadora das…

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      Divergência modelada entre populações silvestres e população fundadora das futuras cultivares. Um resultado de genômica, não uma data de domesticação.

      Salojärvi et al. 2024, modelagem SMC++ / FastSimcoal2

    3. por volta de 850

      Kaldi, jovem pastor de cabras da Abissínia, vê suas cabras, e até o velho bode,…

      lenda
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      Kaldi, jovem pastor de cabras da Abissínia, vê suas cabras, e até o velho bode, dançarem depois de pastarem bagas vermelhas; ele come algumas, esquece suas mágoas, e um monge da vizinhança, a princípio desconfiado, ferve algumas para manter seus irmãos acordados nos ofícios noturnos. Relato tardio, de origem francesa, que La Roque já desmontava em 1732.

      A versão francesa da lenda, a que Ukers reproduz, acrescenta ao pastor um coro de cabras que saltitam e um bode “ordinariamente tão digno e tão solene”. O monge, tendo provado, primeiro joga as bagas no fogo, e é o cheiro do grão torrado que o converte: o relato já contém a torra. Antoine Galland, desde 1699, e La Roque, em 1732, viam nela uma invenção cristã calcada na história verdadeira, a do mufti de Áden Gemaleddin e dos sufis do Iêmen; Ukers a classifica entre as datas lendárias, e o Livre café decide a favor de La Roque. A cabra continua nos pacotes.

      Ukers 1922, p. 14-15 (lenda, versão francesa); Galland 1699; La Roque 1732, p. 311; LC cap. 5

    4. por volta de 900

      Rhazes, médico de Bagdá, seria o primeiro autor a mencionar o café sob…

      lenda
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      Rhazes, médico de Bagdá, seria o primeiro autor a mencionar o café sob o nome de bunchum. Ukers o classifica entre as datas lendárias.

      Ukers 1922, cronologia p. 725, data marcada como lendária

    5. por volta de 1000

      Avicena teria sido o primeiro a explicar as virtudes medicinais do grão, ainda…

      lenda
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      Avicena teria sido o primeiro a explicar as virtudes medicinais do grão, ainda chamado bunchum.

      Ukers 1922, cronologia p. 725, data marcada como lendária

    6. por volta de 1258

      O xeque Omar, discípulo de Chadhili, santo padroeiro de Moca, exilado em Ousab por…

      lenda
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      O xeque Omar, discípulo de Chadhili, santo padroeiro de Moca, exilado em Ousab por mau comportamento, sobrevive fervendo bagas: a primeira decocção de café segundo a crônica árabe da Biblioteca Nacional. Seus antigos pacientes o chamam de volta a Moca.

      A crônica árabe que Ukers cita, a que Antoine Galland traduziu em 1699, faz do café uma descoberta de necessidade e não de acaso: um doutor-sacerdote exilado, discípulos famintos, bagas fervidas em uma panela. Os doentes de Moca que foram consultá-lo em Ousab foram curados pela decocção, o xeque foi chamado de volta em triunfo, e Moca lhe deve, diz a lenda, sua fundação e seu santo padroeiro. Ukers marca todas essas datas como lendárias; La Roque, desde 1732, preferia à cabra de Kaldi esta versão do mufti de Áden e de seus discípulos.

      Ukers 1922, p. 13-14 e cronologia p. 725 (lenda); Galland 1699; La Roque 1732, tratado histórico

    7. Séculos XV-XVI

      Início do cultivo no Iêmen a partir de material etíope

      talvez
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      Início do cultivo no Iêmen a partir de material etíope. O país se torna o gargalo genético do arábica.

      O Iêmen não inventa o café, ele o organiza. As plantas vêm da Etiópia, provavelmente por Zeila e Áden, e são as confrarias sufis que fazem dele uma bebida de vigília antes que Moca faça dele um comércio. Nos terraços de Bani Matar, Haraz ou Yafe', o arábica é cultivado em sequeiro, irrigado, longe das florestas úmidas onde vive a ferrugem: esse acaso ecológico protege o resto do mundo durante três séculos (McCook). O preço genético é pesado: quase todo o arábica cultivado fora da Etiópia passa por esse gargalo. Montagnon et al. (2022) encontram ali três grupos genéticos, SL34, Typica-Bourbon e New-Yemen, e mostram que um nome vernáculo como Udaini não designa um genótipo.

      Montagnon et al., Agronomy 12 (2022); McCook 2019, p. 12-13; LC cap. 3

    8. por volta de 1450-1500

      As confrarias sufis do Iêmen adotam o café para manter a vigília

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      As confrarias sufis do Iêmen adotam o café para manter a vigília; Áden e depois Meca: primeiro cultivo e primeiro comércio organizado.

      La Roque 1716 (tratado histórico); Ukers 1922; LC cap. 5

    9. 1470-1500

      O uso do café chega a Meca e Medina a partir de Áden

      talvezevasão
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      O uso do café chega a Meca e Medina a partir de Áden; por volta de 1505, os árabes teriam introduzido o cafeeiro no Ceilão.

      Ukers 1922, cronologia p. 725

    No mundo 6 balizas

    1. 300.000 a.C.

      Surgimento do Homo sapiens na África

    2. 3300 a.C.

      Primeiras escritas na Mesopotâmia

    3. 622

      Hégira, início do calendário muçulmano

    4. 1347

      A peste negra chega à Europa

    5. 1453

      Tomada de Constantinopla pelos otomanos

    6. 1492

      Cristóvão Colombo chega à América

    1500 → 1600

    O século XVI

    Ler o capítulo

    20 marcos do café, 5 balizas do mundo

    Pintura do interior de uma grande casa de café de Istambul: sob um teto de madeira pintada sustentado por colunas trabalhadas, homens de fez e de turbante estão sentados em bancos baixos ao longo das paredes, em torno de um grande braseiro de cobre colocado no centro da sala.
    Uma casa de café em Tophane, Istambul

    O café 20 marcos

    1. por volta de 1500

      Em árabe, qahwah designava primeiro o vinho

      palavraescassez
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      Em árabe, qahwah designava primeiro o vinho; a palavra se torna genérica para a bebida dos grãos e para a das cascas, o “café da Sultana”. Os sufis do Iêmen buscavam um substituto para o vinho proibido: o nome o confessa, e os censores se servirão dele para estender ao café a proibição do vinho.

      Ukers 1922, p. 18-19; La Roque 1715, citado por Ukers

    2. 1510

      Os dervixes iemenitas do Cairo bebem o café nas noites de devoção, em um…

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      Os dervixes iemenitas do Cairo bebem o café nas noites de devoção, em um grande vaso de barro vermelho do qual o superior serve a cada um, salmodiando; depois a tigela passa aos leigos. Em Meca, a bebida deixa a mesquita para os kaveh kanes, onde se joga xadrez e se canta: as primeiras casas de café.

      Ukers 1922, p. 19-20

    3. 1511

      Em Meca, o governador Khair Beg proíbe o café

      proibição
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      Em Meca, o governador Khair Beg proíbe o café; a proibição é suspensa pelo sultão do Cairo. Primeira querela do café.

      A primeira condenação de que La Roque dá detalhes ocorre em Meca em 1511. O governador Khair Beg surpreende homens bebendo café à noite na mesquita, vê nisso a embriaguez do vinho e convoca médicos e juristas. A sentença é cassada pelo sultão do Cairo, grande bebedor de café. Três séculos de querelas se seguirão, em Constantinopla em 1543, em Marselha em 1679, em toda a Europa erudita a partir de 1685, e elas versam sempre sobre a mesma coisa: não a bebida, mas o que as pessoas fazem quando se reúnem em torno dela.

      La Roque 1716, trad. 1732; LC cap. 5

    4. 1511

      Meca

      proibição
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      Meca: o governador Khair Beg condena as reuniões de café, vendo nelas a sombra do vinho. O sultão do Cairo suspende a proibição. Não é o café que se persegue, é a reunião.

      A primeira condenação de que La Roque dá detalhes ocorre em Meca em 1511. O governador Khair Beg surpreende homens bebendo café à noite na mesquita, vê nisso a embriaguez do vinho e convoca médicos e juristas. A sentença é cassada pelo sultão do Cairo, grande bebedor de café. Três séculos de querelas se seguirão, em Constantinopla em 1543, em Marselha em 1679, em toda a Europa erudita a partir de 1685, e elas versam sempre sobre a mesma coisa: não a bebida, mas o que as pessoas fazem quando se reúnem em torno dela.

      La Roque 1716, trad. 1732; LC cap. 5

    5. 1511

      O processo de Meca em detalhe

      proibição
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      O processo de Meca em detalhe: dois médicos persas, os irmãos Hakimani, um dos quais havia escrito contra o café e temia por sua clientela, declaram a planta fria e seca; uma testemunha afirma que ela embriaga como o vinho, admite assim ter bebido vinho e é bastonada; o mufti de Áden é o único a defender o café. O sultão do Cairo anula o édito e lembra que até a água sagrada de Zamzam pode ser objeto de abuso. O governador acabará torturado por concussão, e os dois médicos executados no Cairo por terem amaldiçoado Selim I.

      Ukers 1922, p. 20-21, a partir do manuscrito de Abd al-Qadir (Galland 1699)

    6. 1517

      O sultão Selim I, após a conquista do Egito, leva o café a…

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      O sultão Selim I, após a conquista do Egito, leva o café a Constantinopla entre seus despojos.

      Ukers 1922, cronologia p. 725

    7. por volta de 1523

      Um médico do Cairo propõe a seus colegas a questão de saber se o café, “…

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      Um médico do Cairo propõe a seus colegas a questão de saber se o café, “que sobe à cabeça”, é lícito, e ele mesmo responde que não; os médicos da cidade, apegados a esse novo adjuvante de sua farmacopeia, deixam o assunto morrer. Damasco e Alepo recebem o café sem oposição; o Café das Rosas e o Café da Porta da Salvação, em Damasco, tornam-se célebres.

      Ukers 1922, p. 21-22

    8. 1524

      O cádi de Meca fecha as casas de café por causa de desordens, mas…

      proibição
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      O cádi de Meca fecha as casas de café por causa de desordens, mas tolera a bebida em domicílio; seu sucessor as reabre mediante licença.

      Ukers 1922, cronologia p. 725

    9. 1534

      No Cairo, um pregador conduz a multidão contra as casas de café, que são…

      proibição
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      No Cairo, um pregador conduz a multidão contra as casas de café, que são saqueadas; a cidade se divide, o grande juiz consulta os médicos, manda servir café à assembleia, bebe ele mesmo e encerra a querela.

      Ukers 1922, cronologia p. 725

    10. 1536

      Os otomanos ocupam o Iêmen

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      Os otomanos ocupam o Iêmen; o café de Moca se torna uma renda do império, taxado e comboiado por Jidá e Suez rumo ao Cairo e a Constantinopla. Segundo La Roque, cada camelo leva dois fardos de 270 libras, e o governador de Moca paga 30.000 piastras por ano ao rei.

      La Roque 1716, trad. 1732, p. 88-89 e 106; Ukers 1922, cap. sobre a Arábia

    11. 1543

      Ordem de Solimão contra o café

      proibição
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      Ordem de Solimão contra o café; a mercadoria é jogada ao mar em Constantinopla, mas o comércio continua pela própria cidade que o condenou.

      La Roque 1716; LC cap. 5

    12. 1554

      Abertura dos primeiros cafés públicos em Constantinopla.

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      La Roque 1716 (tratado anexo); LC cap. 5 e 7

    13. 1554

      Primeiras casas de café de Constantinopla, segundo o tratado anexo a La Roque

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      Primeiras casas de café de Constantinopla, segundo o tratado anexo a La Roque: a xícara custa um asper, joga-se xadrez.

      La Roque 1716 (tratado anexo); LC cap. 5

    14. 1554

      Schemsi e Hekem

      artes
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      Em Constantinopla, no bairro de Taktacalah, Schemsi de Damasco e Hekem de Alepo recebem em sofás muito limpos pelo preço de uma xícara, cerca de um centavo; o serralho passa a ter oficiais do café, os kahvedjibachi. Às “escolas dos sábios” vêm os futuros juízes, os cádis de província em busca de cargo, os professores, os oficiais do serralho e os mercadores do mundo conhecido.

      Ukers 1922, p. 22

    15. por volta de 1573

      Entre os turcos, recusar café à esposa é motivo legítimo de divórcio

      artes
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      Entre os turcos, recusar café à esposa é motivo legítimo de divórcio; os maridos prometem, ao casar, nunca deixar que lhe falte. “Mais prudente, diz Fulbert de Monteith, do que jurar fidelidade.”

      Ukers 1922, p. 22 (Fulbert de Monteith)

    16. por volta de 1580

      Os religiosos de Constantinopla obtêm do mufti que o café torrado seja…

      proibição
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      Os religiosos de Constantinopla obtêm do mufti que o café torrado seja declarado carvão, portanto proibido; Murade III ordena o fechamento das casas de café. Bebe-se atrás de portas fechadas, e os oficiais fecham os olhos mediante pagamento.

      Ukers 1922, p. 20 e cronologia p. 725

    17. 1582–1583

      O médico Rauwolf descreve o “chaube” de Alepo

      Gravura em madeira de traço puro, sem sombra nem cor: um galho de cafeeiro cujas folhas opostas, lanceoladas e finamente nervuradas, distribuem-se ao longo de um ramo que serpenteia em diagonal pela página. Nem flor nem fruto, apenas a folhagem. No alto da página, a única palavra BON, o nome árabe sob o qual um médico veneziano descreveu a planta depois de vê-la em um jardim do Cairo. A parte de baixo da folha já traz o início do capítulo seguinte, dedicado ao baobá, e deixa ver, por transparência, o texto impresso no verso.
      O “Bon”, primeira representação impressa do cafeeiro na Europa, 1592
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      O médico Rauwolf descreve o “chaube” de Alepo: primeira menção impressa do café na Europa.

      Rauwolf, Aigentliche Beschreibung der Raiß (1582); Ukers 1922; LC cap. 5 e 7

    18. 1585

      Gianfrancesco Morosini, magistrado de Veneza em Constantinopla, relata ao Senado…

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      Gianfrancesco Morosini, magistrado de Veneza em Constantinopla, relata ao Senado que os turcos bebem “uma água negra, tão quente quanto conseguem suportar, infusão de um grão chamado cavee”.

      Ukers 1922, p. 27 e cronologia p. 725

    19. 1587

      O xeque Abd al-Qadir escreve o primeiro relato autêntico da origem do café,…

      lenda
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      O xeque Abd al-Qadir escreve o primeiro relato autêntico da origem do café, manuscrito conservado na Biblioteca Nacional de Paris, traduzido por Galland em 1699.

      Ukers 1922, cronologia p. 725; Bibliothèque nationale de France, manuscrito árabe de Abd al-Qadir

    20. 1592

      Prospero Alpini publica em Veneza, em latim, a primeira descrição impressa do…

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      Prospero Alpini publica em Veneza, em latim, a primeira descrição impressa do cafeeiro (bon) e da bebida (caova), trazida do Egito.

      Ukers 1922, cronologia p. 725; Alpini, De plantis Aegypti (1592)

    No mundo 5 balizas

    1. 1517

      Lutero afixa suas 95 teses em Wittenberg

    2. 1520

      Solimão, o Magnífico, sobe ao trono otomano

    3. 1543

      Copérnico publica De revolutionibus

    4. 1571

      Batalha naval de Lepanto

    5. 1588

      Fracasso da Invencível Armada

    1600 → 1700

    O século XVII

    Ler o capítulo

    39 marcos do café, 5 balizas do mundo

    Um café na Holanda por volta de 1650, segundo a água-forte de Beauvarlet
    Um café na Holanda por volta de 1650, segundo a água-forte de Beauvarlet

    O café 39 marcos

    1. por volta de 1600

      Baba Budan traz do Iêmen as “sete sementes” que fundam a cafeicultura…

      lendaevasão
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      Baba Budan traz do Iêmen as “sete sementes” que fundam a cafeicultura indiana (Chikmagalur). Outra fonte diz 1695.

      A história do batismo é a mais célebre das lendas cristãs do café. Os padres, diz ela, viam na bebida negra o substituto que Satanás havia dado aos muçulmanos para substituir o vinho, santificado por Cristo; Clemente VIII teria pedido para provar, declarado que uma bebida tão deliciosa não devia ficar com os infiéis, e a teria batizado para fazer dela uma bebida cristã. Nenhum documento pontifício o atesta; Ukers a relata como uma tradição, e é assim que deve ser lida.

      Ukers, All About Coffee (1922); LC cap. 8

    2. por volta de 1600

      Padres pedem ao papa Clemente VIII que proíba aos cristãos a bebida…

      lendaevasão
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      Padres pedem ao papa Clemente VIII que proíba aos cristãos a bebida de Satanás que os infiéis bebem; o papa a prova, acha-a deliciosa e a “batiza”. Ukers a relata como lenda muito difundida.

      A história do batismo é a mais célebre das lendas cristãs do café. Os padres, diz ela, viam na bebida negra o substituto que Satanás havia dado aos muçulmanos para substituir o vinho, santificado por Cristo; Clemente VIII teria pedido para provar, declarado que uma bebida tão deliciosa não devia ficar com os infiéis, e a teria batizado para fazer dela uma bebida cristã. Nenhum documento pontifício o atesta; Ukers a relata como uma tradição, e é assim que deve ser lida.

      Ukers 1922, p. 26 (“lenda”); nenhum documento pontifício conhecido

    3. 1615

      O café entra em Veneza

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      O café entra em Veneza; Pietro Della Valle escreve de Constantinopla que o trará, sendo a coisa desconhecida em sua pátria.

      Ukers 1922, cronologia p. 726

    4. 1616

      Um comerciante holandês leva uma planta de Moca para Amsterdam, segundo Ukers

      evasão
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      Um comerciante holandês leva uma planta de Moca para Amsterdam, segundo Ukers; o café sai do Iêmen pelo mar.

      Ukers 1922, cronologia

    5. 1616

      Pieter Van den Broecke leva de Moca para a Holanda o primeiro café

      evasão
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      Pieter Van den Broecke leva de Moca para a Holanda o primeiro café; em 1640, Wurffbain põe à venda em Amsterdam o primeiro carregamento comercial.

      Ukers 1922, cronologia p. 726

    6. 1625

      No Cairo, adoça-se o café pela primeira vez.

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      Ukers 1922, cronologia p. 726

    7. 1637

      Nathaniel Conopios, estudante cretense do Balliol College, introduz o café em…

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      Nathaniel Conopios, estudante cretense do Balliol College, introduz o café em Oxford; em 1650, o judeu Jacobs abre ali a primeira casa de café da Inglaterra.

      Ukers 1922, cronologia p. 726

    8. 1638

      Johann Vesling, botânico alemão estabelecido em Veneza, descreve no Cairo dois a…

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      Johann Vesling, botânico alemão estabelecido em Veneza, descreve no Cairo dois a três mil casas de café, distingue a bebida das cascas da dos grãos, e observa que se começa a adoçar o café e a confeitar os grãos em drágeas; em Veneza, o café sai “dos gabinetes dos curiosos para entrar nas boticas como droga”.

      Ukers 1922, p. 26

    9. 1644

      Pierre de La Roque traz a Marselha sementes e os utensílios de café

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      Pierre de La Roque traz a Marselha sementes e os utensílios de café; o primeiro café da cidade só abre em 1671, perto da Loge.

      Ukers 1922; LC cap. 7

    10. 1645

      Primeiro café de Veneza

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      Primeiro café de Veneza; Londres em 1652, Marselha em 1671, o Procope em Paris em 1686.

      Ukers 1922; LC cap. 7

    11. 1645

      Primeiro estabelecimento da Europa Ocidental em Veneza

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      Primeiro estabelecimento da Europa Ocidental em Veneza; Londres em 1652 com Pasqua Rosee em St Michael's Alley.

      Ukers 1922; LC cap. 7

    12. anos 1650

      As casas de café de Oxford e de Londres são apelidadas de “penny universities…

      instituiçãopalavra
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      As casas de café de Oxford e de Londres são apelidadas de “penny universities”: por um penny, a xícara e a conversa de sábios, comerciantes e homens de letras. As fichas de cafeteiros servem ali de moeda miúda.

      Ukers 1922, p. 73, cap. sobre os cafés de Londres

    13. 1652

      Pasqua Rosée abre a primeira casa de café de Londres, St Michael's Alley

      anúncio
      O primeiro anúncio de café, Londres, 1652, segundo o original do British Museum
      O primeiro anúncio de café, Londres, 1652, segundo o original do British Museum
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      Pasqua Rosée abre a primeira casa de café de Londres, St Michael's Alley; seu prospecto, The Vertue of the Coffee Drink, é a primeira publicidade impressa para o café.

      Ukers 1922, p. 53-56 e cronologia p. 726

    14. por volta de 1655

      Em Oxford, estudantes monarquistas empurram o boticário Arthur Tillyard a…

      instituição
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      Em Oxford, estudantes monarquistas empurram o boticário Arthur Tillyard a servir café publicamente “contra All Souls”; o clube que ali se reúne até a Restauração está na origem da Royal Society.

      O café de Oxford precede o de Londres em dois anos. Jacobs, um judeu do Líbano, abre no Angel em 1650; Cirques Jobson lhe sucede em 1654; e por volta de 1655 os jovens que admiram o futuro Carlos II persuadem Tillyard, “boticário e monarquista”, a servir café em sua casa em frente a All Souls. O clube que ali se forma sobrevive à Restauração e se torna a Royal Society, a mais antiga academia de ciências em atividade. Ukers vê nisso, com a Rota de Westminster e as “penny universities”, a prova de que o café inglês foi primeiro uma questão de ideias.

      Ukers 1922, p. 41-42; Aubrey, Brief Lives; Anthony Wood, citado por Ukers

    15. 1656

      O grão-vizir Köprülü suprime as casas de café durante a guerra de Cândia

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      O grão-vizir Köprülü suprime as casas de café durante a guerra de Cândia: bastonada na primeira infração; na segunda, o infrator é costurado em um saco de couro e jogado no Bósforo.

      Ukers 1922, cronologia p. 726

    16. 1657

      Primeiro anúncio de café em um jornal londrino

      anúncio
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      Primeiro anúncio de café em um jornal londrino: um aviso exaltando suas virtudes.

      Ukers 1922; LC cap. 7

    17. 1657

      James Farr, barbeiro, dono do Rainbow perto de Inner Temple Gate, segundo café…

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      James Farr, barbeiro, dono do Rainbow perto de Inner Temple Gate, segundo café de Londres, é processado pela paróquia de St Dunstan por “nuisance”; era sua chaminé, não seu café. Depois do grande incêndio de 1666, ele cunha uma das primeiras fichas de cafeteiro, um arco-íris saindo das nuvens. Três mil “nuisances” se seguirão.

      Ukers 1922, p. 55-56 e 63 (fichas); Hatton, New View of London (1708)

    18. 1658

      Os holandeses plantam café no Ceilão, tomado dos portugueses.

      evasão
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      Ukers 1922; McCook 2019

    19. 1659

      No Turk's Head de Miles, em Westminster, James Harrington funda a Rota, clube…

      instituição
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      No Turk's Head de Miles, em Westminster, James Harrington funda a Rota, clube republicano que se reúne em torno de uma mesa oval com uma abertura para servir o café, e vota com a primeira urna de escrutínio jamais vista na Inglaterra. Pepys a chama de Coffee Club; Milton, Marvell e Petty fazem parte dela.

      A Rota toma seu nome de um projeto de renovação anual de parte do Parlamento por rodízio, exposto por Harrington em sua Oceana. Aubrey, que fazia parte dela, descreve a grande mesa oval de Miles e “o oráculo de madeira”, a caixa de votação. O clube censura Milton e Dryden, e desaparece com a Restauração; mas nasceu a ideia de que um lugar público, sem álcool, onde se paga um penny, possa ser um parlamento de amadores. Carlos II tirará disso a lição inversa em 1675.

      Ukers 1922, p. 58-59; Aubrey; Pepys, Journal

    20. 1660

      O café entra nos estatutos ingleses

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      O café entra nos estatutos ingleses: quatro pence por galão fabricado e vendido; em 1663, todas as casas de café devem ser licenciadas.

      Ukers 1922, cronologia p. 726

    21. 1662

      No Turk's Head de Exchange Alley, o “verdadeiro pó de café” é vendido a 4 a 6…

      instituição
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      No Turk's Head de Exchange Alley, o “verdadeiro pó de café” é vendido de 4 a 6 xelins e 8 pence a libra; o café chegou a valer até cinco guinéus a libra. Os cafés afixam suas “Regras e ordens” em versos: cada um se senta no primeiro lugar livre, doze pence de multa por um palavrão, uma rodada por uma briga, nem cartas nem dados.

      Ukers 1922, p. 58 e 60

    22. 1663

      O café entra na farmacopeia dos charlatães

      falsificação
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      O café entra na farmacopeia dos charlatães: o “juiz” Walter Rumsey publica seu eletuário de café, manteiga, óleo, mel e pó turco, a tomar antes e depois do uso de seu “Provang”, barbatana de baleia a introduzir no estômago. As fichas de cafeteiros, Murade, o Grande, e Solimão em efígie, servem de moeda miúda até 1675.

      Ukers 1922, p. 56-57 e 62-63; Rumsey, Organon Salutis (1657)

    23. 1665

      Durante a peste de Londres, Gideon Harvey escreve em seu Advice against the…

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      Durante a peste de Londres, Gideon Harvey escreve em seu Advice against the Plague que “o café é recomendado contra o contágio”; o panfleto The Character of a Coffee-House descreve a companhia, o usurário, o virtuose, o comediante e o camponês, e faz o café e a Commonwealth dizerem que “começam pela mesma letra e entraram juntos para uma Reforma”.

      Ukers 1922, p. 57 e 65-72 (panfleto reproduzido); Harvey, Advice against the Plague (1665)

    24. 1668

      O café chega à América do Norte

      O King's Arms, primeiro café de Nova York, aberto em 1696
      O King's Arms, primeiro café de Nova York, aberto em 1696
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      O café chega à América do Norte; vendido em Boston já em 1670, em Nova York em 1683, onde o King's Arms abre em 1696.

      Ukers 1922, cronologia p. 726-727

    25. 1669

      Solimão Aga, embaixador otomano, põe o café na moda na corte de Luís XIV

      palavra
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      Solimão Aga, embaixador otomano, põe o café na moda na corte de Luís XIV; em 1672 o armênio Pascal o vende na feira de Saint-Germain, de onde viria a expressão “petit noir”.

      Ukers 1922, p. 91-92 e cronologia p. 726

    26. 1671

      Fausto Nairone publica em Roma o primeiro tratado impresso dedicado ao café

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      Fausto Nairone publica em Roma o primeiro tratado impresso dedicado ao café; no mesmo ano, Marselha abre a primeira casa de café da França, perto da Loge.

      Ukers 1922, cronologia p. 726

    27. 1672

      A Broad-side Against Coffee, or the Marriage of the Turk zomba de Pasqua Rosée e…

      proibição
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      A Broad-side Against Coffee, or the Marriage of the Turk zomba de Pasqua Rosée e de seu sócio cocheiro: “um cocheiro foi aqui o primeiro a fazer café, e desde então os outros tocam o comércio”. Carlos II pergunta no mesmo ano aos juízes até onde pode legalmente reprimir os cafés; eles respondem que “poderia ser um comércio inocente”.

      Ukers 1922, p. 75-76 e 77; Roger North, Examen

    28. 1674

      Em Londres aparece The Women's Petition Against Coffee

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      Em Londres aparece The Women's Petition Against Coffee: as mulheres acusam a bebida de tornar seus maridos estéreis e tagarelas. Os homens respondem com uma contrapetição.

      O panfleto londrino acusa o café de tornar os homens “tão estéreis quanto os desertos de onde se traz esta infeliz baga”, e de mantê-los por horas tagarelando em vez de voltarem para casa. A resposta masculina aparece no mesmo ano. Por trás da farsa, uma inquietação real: a casa de café era o primeiro espaço público onde se discutia política sem beber álcool, e Carlos II tentará fechá-las no ano seguinte pela mesma razão.

      The Women's Petition Against Coffee (Londres, 1674); Ukers 1922, cronologia p. 726

    29. 29 de dezembro de 1675

      Carlos II ordena o fechamento de todas as casas de café de Londres,…

      proibição
      Um café no tempo de Carlos II, xilogravura de 1674
      Um café no tempo de Carlos II, xilogravura de 1674
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      Carlos II ordena o fechamento de todas as casas de café de Londres, focos de sedição; diante da petição dos comerciantes, a ordem é revogada em janeiro de 1676.

      Ukers 1922, cronologia p. 726

    30. 27 de fevereiro de 1679

      Debate público na Prefeitura de Marselha sobre os perigos do café

      talvezproibição
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      Debate público na Prefeitura de Marselha sobre os perigos do café. A resposta honesta cabe em uma palavra: não se sabe.

      La Roque 1716; LC cap. 7

    31. 1683

      Cerco de Viena

      lenda
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      Cerco de Viena: a lenda de Kolschitzky e dos sacos de café abandonados pelo exército otomano.

      Ukers 1922; LC cap. 7 (lenda de Kolschitzky)

    32. 1685

      Dufour escreve que o café só cresce na Arábia, sem cultivo, e em nenhum…

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      Dufour escreve que o café só cresce na Arábia, sem cultivo, e em nenhum outro lugar.

      Dufour, Traitez nouveaux & curieux du café (1685); LC cap. 6-8

    33. 17 de janeiro de 1685

      O primeiro café de Viena não é o de Kolschitzky

      lenda
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      O primeiro café de Viena não é o de Kolschitzky. O privilégio de servir café na cidade é concedido nesse dia ao comerciante armênio Johannes Diodato. A história do herói do cerco que recebe os sacos abandonados pelos otomanos e abre a Garrafa Azul foi escrita em 1783 por Gottfried Uhlich, um século após os fatos; o historiador Karl Teply o estabeleceu em 1980. A lenda sobreviveu quarenta e cinco anos à sua refutação.

      Privilégio de 17 de janeiro de 1685 concedido a Johannes Diodato; Karl Teply (1980) sobre a invenção da lenda por Gottfried Uhlich em 1783; Cidade de Viena, história da cultura do café vienense

    34. 1686

      O Procope abre em Paris

      artes
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      O Procope abre em Paris; Voltaire, Diderot e Rousseau o frequentarão. Viena havia aberto em 1683, a Lloyd's de Londres se constituirá em 1774.

      Ukers 1922; LC cap. 7

    35. por volta de 1688

      Edward Lloyd mantém uma casa de café em Tower Street, depois em Lombard Street,…

      instituição
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      Edward Lloyd mantém uma casa de café em Tower Street, depois em Lombard Street, onde afixa listas de navios para seus clientes armadores e seguradores: a Lloyd's List e a Lloyd's of London descendem dali.

      A casa de café de Edward Lloyd era apenas um lugar de refrescos para marinheiros e comerciantes. Por comodidade, Lloyd redigia à mão listas de navios que os subscritores presentes podiam segurar. Dessas folhas manuscritas nasceram a Lloyd's List, um dos mais antigos jornais do mundo, e a Lloyd's of London, o mercado de seguro marítimo, que guardou o nome do cafeteiro depois de deixar o café pela Royal Exchange em 1774. A bolsa de Londres tem a mesma origem: o Jonathan's Coffee House.

      Ukers 1922, cap. sobre os cafés de Londres, Lloyd's coffee house, p. 86; Lloyd's of London, histórico

    36. 1688

      Jonathan's Coffee House, em Change Alley, “mercado geral dos especuladores”…

      instituição
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      Jonathan's Coffee House, em Change Alley, “mercado geral dos especuladores” segundo o Tatler: a Bolsa de Londres descende dali, como a Lloyd's descende do café de Tower Street. Garraway, em frente, diz ter sido o primeiro a vender chá na Inglaterra.

      Ukers 1922, p. 84-86 e 89; Tatler

    37. por volta de 1690

      Os cafés de Londres teriam inventado a gorjeta

      lendapalavra
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      Os cafés de Londres teriam inventado a gorjeta: caixas de latão marcadas To Insure Promptness, cujas iniciais formariam a palavra tip. Etimologia que os dicionários rejeitam, mas que Ukers relata.

      Ukers 1922, p. 73 (etimologia relatada, rejeitada pelo Oxford English Dictionary)

    38. 1692

      Um édito real concede a Damame François, burguês de Paris, o monopólio da…

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      Um édito real concede a Damame François, burguês de Paris, o monopólio da venda do café e do chá em todo o reino por dez anos, com direito de entreposto.

      Ukers 1922, p. 34

    39. 1696–1699

      Plantas do Malabar levadas a Java (Batávia) pelos holandeses.

      evasão
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      Ukers 1922; WCR 2025, história do Typica, p. 9-10

    No mundo 5 balizas

    1. 1618

      Início da Guerra dos Trinta Anos

    2. 1648

      Tratados da Vestfália

    3. 1649

      Carlos I decapitado em Londres

    4. 1666

      Grande incêndio de Londres

    5. 1687

      Newton, Principia

    1700 → 1800

    O século XVIII

    Ler o capítulo

    47 marcos do café, 5 balizas do mundo

    Gravura de traço em preto e branco de um cafeeiro inteiro plantado em uma paisagem, o tronco e os ramos finamente hachurados, acompanhada à parte dos detalhes da flor, da cereja aberta e do grão.
    O cafeeiro, gravura de traço de H. Burgh, por volta de 1726

    O café 47 marcos

    1. 1700

      Ye Coffee House

      Frontispício de um tratado de 1707 contra o abuso das bebidas quentes: quatro mulheres de vestido com armação e touca alta estão sentadas à mesa em uma sala sob um lustre, uma estende a mão para sua xícara, outra folheia um livro, e o lema gravado na parte de baixo da prancha ironiza o fato de que as pessoas se matam bebendo, mas segundo a moda. É a única peça do conjunto em que o consumo do café é mostrado entre mulheres.
      Bebedoras de café, de chá e de chocolate, frontispício de 1707
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      Samuel Carpenter constrói na Filadélfia, em Front Street, o Ye Coffee House, o primeiro do nome na cidade do quaker Penn; seu gerente Henry Flower é agente do correio, e Franklin venderá “ótimo café na casa do impressor” em sua Gazette por volta de 1740.

      Ukers 1922, p. 125-126; Watson, Annals of Philadelphia; Pennsylvania Gazette (1734, 1740)

    2. 1706

      Uma única planta deixa Java para o jardim botânico de Amsterdam

      evasão
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      Uma única planta deixa Java para o jardim botânico de Amsterdam. Quase todo o Typica do mundo descende dela.

      Uma única planta deixa o jardim da Companhia em Java para o jardim botânico de Amsterdam. Os holandeses cultivavam café em Java desde 1696-1699 a partir de plantas do Malabar. Dessa árvore de Amsterdam descendem o rebento oferecido a Luís XIV em 1714, a planta embarcada por de Clieu em 1723 e, por meio deles, quase todo o Typica das Américas. Dufour ainda escrevia em 1685 que o café só cresce na Arábia; em 1712, os enviados franceses a Moca ouviam o mesmo. A planta crescia em Amsterdam havia seis anos.

      WCR 2025, p. 10; Ukers 1922; LC cap. 8

    3. 1707

      Em Leipzig aparece o primeiro periódico do café, The New and Curious Coffee…

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      Em Leipzig aparece o primeiro periódico do café, The New and Curious Coffee House, órgão do primeiro Kaffeeklatsch.

      Ukers 1922, cronologia p. 727

    4. 1711

      Primeira venda pública de café de Java em Amsterdam

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      Primeira venda pública de café de Java em Amsterdam: 894 libras, arrematadas a vinte e três stuivers e dois terços a libra, cerca de 47 centavos. A Companhia impõe em seguida aos regentes de Java entregas obrigatórias: o cultivo forçado precede o Cultuurstelsel de 1832.

      Ukers 1922, p. 43-44 e cronologia p. 727

    5. 1712

      Expedição francesa a Moca e Bétel-faguy

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      Expedição francesa a Moca e Bétel-faguy; La Roque (1716) descreve terraços, seleção manual e monopólio iemenita.

      La Roque, Voyage de l'Arabie heureuse (1716, trad. 1732); LC cap. 6

    6. 29 de julho de 1714

      No Jardin du Roi, em Paris, Antoine de Jussieu examina o cafeeiro oferecido por…

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      No Jardin du Roi, em Paris, Antoine de Jussieu examina o cafeeiro oferecido por Amsterdam.

      No domingo, 29 de julho de 1714, quatro homens vão ao Jardin du Roi, em Paris, para olhar um arbusto: o cafeeiro oferecido pela cidade de Amsterdam, que Antoine de Jussieu descreve diante da Academia. Ninguém podia saber que o valor de um arbusto seria medido um dia por sua descendência. La Roque publica dois anos depois o relato da viagem ao Iêmen e o primeiro tratado histórico do café em francês.

      La Roque 1716, trad. 1732, p. 398-399; LC cap. 8

    7. 1714

      No fim do reinado de Ana, os impostos sobre o chá, o café e os jornais fazem…

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      No fim do reinado de Ana, os impostos sobre o chá, o café e os jornais fazem a xícara passar a dois pence; o café a varejo vale cinco xelins a libra, o chá de doze a vinte e oito. Antes de 1715, contam-se em Londres dois mil cafés, três mil segundo Dufour.

      Ukers 1922, p. 58 e 73; Dufour 1683 (três mil cafés)

    8. 1715–1718

      Introduções francesas do Iêmen para a ilha Bourbon (Reunião)

      evasão
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      Introduções francesas do Iêmen para a ilha Bourbon (Reunião); a WCR data de 1708 a presença da planta.

      Os franceses plantam sementes de Moca na ilha Bourbon, hoje Reunião, em 1715 e depois em 1718; a WCR data de 1708 a presença da planta na ilha. A maioria das plantas morre. O grupo Bourbon inteiro descende de um único sobrevivente, por volta de 1720. Dois séculos depois, a Reunião perderá três quartos de sua produção para a ferrugem (anos 1880-1890) e conservará apenas alguns Bourbon pointu nos jardins.

      WCR 2025, p. 10 e p. 20; LC cap. 8

    9. 1718

      O café chega ao Suriname holandês, depois à Guiana Francesa (Caiena, 1722)

      evasãoartes
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      O café chega ao Suriname holandês, depois à Guiana Francesa (Caiena, 1722): a via sul rumo ao Brasil.

      Diderot, em Le Neveu de Rameau, conta que vai todas as noites por volta das cinco horas ao Palais-Royal e, se chove, se refugia na Régence para ver jogar xadrez: “em nenhum lugar do mundo se joga tão bem quanto em Paris, e em nenhum lugar de Paris como neste café”. Michelet fará deste século o do café: “Paris se tornou um vasto café”, a taverna destronada, a conversa em seu zênite, e os profetas da caverna do Procope que “viam no fundo da bebida negra os raios futuros de 89”. Danton tomava várias xícaras antes de subir à tribuna: “o cavalo deve ter sua aveia”.

      Ukers 1922; Thurber 1881, p. 124

    10. 1718

      Leclerc compra o café de Lefèvre perto do Palais-Royal e o chama de Café de la…

      evasãoartes
      Gravura mostrando uma jovem otomana sentada de pernas cruzadas em um sofá, com uma pequena xícara de café em seu porta-xícara na mão; atrás dela está uma criada de turbante e vestido longo, diante de uma janela aberta para uma paisagem.
      Jovem turca tomando café no sofá, 1714
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      Leclerc compra o café de Lefèvre perto do Palais-Royal e o chama de Café de la Régence: Philidor joga xadrez ali, Diderot escreve ali a Encyclopédie com os nove soldos diários que lhe dá sua mulher, Robespierre joga ali a vida de um amante contra uma moça disfarçada de rapaz, Bonaparte é ali “mais conhecido por seus xeques do que por seus impérios”.

      Diderot, em Le Neveu de Rameau, conta que vai todas as noites por volta das cinco horas ao Palais-Royal e, se chove, se refugia na Régence para ver jogar xadrez: “em nenhum lugar do mundo se joga tão bem quanto em Paris, e em nenhum lugar de Paris como neste café”. Michelet fará deste século o do café: “Paris se tornou um vasto café”, a taverna destronada, a conversa em seu zênite, e os profetas da caverna do Procope que “viam no fundo da bebida negra os raios futuros de 89”. Danton tomava várias xícaras antes de subir à tribuna: “o cavalo deve ter sua aveia”.

      Ukers 1922, p. 96-98; Diderot, Le Neveu de Rameau; Michelet, Histoire de France, citado por Ukers

    11. por volta de 1720

      Uma única planta sobrevivente funda o grupo Bourbon.

      evasão
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      Uma única planta. O Bourbon que se mantém de pé por volta de 1720 não é o sobrevivente de uma catástrofe única, é o único que conseguiu se reproduzir em uma ilha onde todo o resto fracassou. Dele vêm: o Bourbon de Campinas em 1859, o French Mission do Quênia em 1893, o SL28, o Caturra, o Pacas, o Villa Sarchí, o Tekisic, e por meio do Caturra todos os Catimors. Quando a WCR escreve que 97,55 % das cultivares brasileiras descendem de Typica e de Bourbon, é dessa planta e da de 1706 que ela fala.

      WCR 2025, p. 10; LC cap. 3 e 8

    12. 1720

      Floriano Francesconi abre o Caffè Florian na Praça São Marcos, em Veneza

      Um vendedor de café ambulante parisiense visto de perfil, de corpo inteiro: chapéu enterrado na testa, sobrecasaca longa e meias caídas, ele se inclina segurando pela alça uma alta cafeteira de cobre pousada sobre um marco de pedra e estende uma xícara; o título gravado na pedra diz Caffé Caffé, acima da menção da série e de sua data.
      Caffé Caffé, o vendedor de café ambulante dos Cris de Paris, 1746
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      Floriano Francesconi abre o Caffè Florian na Praça São Marcos, em Veneza; em 1721, Berlim tem sua primeira casa de café.

      Ukers 1922, cronologia p. 727

    13. 1721

      Frederico Guilherme I concede a um estrangeiro o privilégio de um café em Berlim…

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      Frederico Guilherme I concede a um estrangeiro o privilégio de um café em Berlim sem aluguel, o English Coffee House; os comerciantes ingleses abastecem o norte da Alemanha, a Itália o sul. Sob Frederico II, Berlim conta uma dúzia de cafés e tendas de café nos subúrbios.

      Ukers 1922, p. 45-46

    14. 1722

      O café chega a Pará (Brasil) vindo de Caiena.

      evasão
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      Thurber, Coffee: From Plantation to Cup (1881), p. 124

    15. 1723

      Gabriel de Clieu embarca para a Martinica com uma planta sob vidro

      evasão
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      Gabriel de Clieu embarca para a Martinica com uma planta sob vidro; primeira colheita em 1726.

      Gabriel de Clieu embarca para a Martinica com um jovem cafeeiro vindo do Jardin du Roi, abrigado sob uma campânula de vidro. A lenda diz que ele dividiu sua água com a planta durante a travessia. Primeira colheita em 1726. Mas o café já estava em Pará desde 1722, vindo de Caiena: o relato heroico e a cronologia não se recobrem inteiramente. O que se instala a partir de 1726 nas Antilhas será cultivado por pessoas reduzidas à escravidão.

      Ukers 1922; LC cap. 8

    16. 1725

      Introdução em Saint-Domingue (Haiti), que fornecerá metade do café mundial no…

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      Introdução em Saint-Domingue (Haiti), que fornecerá metade do café mundial no fim do século, sobre o trabalho dos escravizados.

      Saint-Domingue, hoje Haiti, recebe o café em 1725 e se torna em cinquenta anos o primeiro produtor do mundo: metade do café consumido na Europa às vésperas da Revolução. O sistema repousa inteiramente na escravidão, e desmorona com a revolução haitiana de 1791. É o Brasil que toma o lugar: duas plantas levadas ao Rio em 1774, 14 milhões de libras exportadas em 1820, 391.785 sacas saídas apenas do porto do Rio em 1830.

      Ukers 1922; Thurber 1881, p. 124

    17. 1727

      O português Francisco de Melo Palheta, enviado a Caiena para arbitrar uma disputa…

      lendaevasão
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      O português Francisco de Melo Palheta, enviado a Caiena para arbitrar uma disputa de fronteira, obtém as sementes que a Guiana Francesa se recusa a exportar graças à esposa do governador, que lhe oferece na partida um buquê em que estão escondidas mudas. O Brasil data daí o seu café; o primeiro cafeeiro de Pará, plantado em 1723 com mudas de Caiena, havia fracassado.

      A versão brasileira diz que Madame d'Orvilliers, esposa do governador de Caiena, teria escondido sementes e estacas no buquê de despedida do oficial, que soubera agradá-la. O que está estabelecido: Portugal procurava sementes, a Guiana as proibia na exportação, Palheta voltou a Belém com mudas, e a primeira plantação de Pará, de 1723, havia fracassado. O Brasil produzia menos que Cuba em 1820; exportava mais que o resto do mundo em 1880, e queimaria sua superprodução cinquenta anos depois.

      Tradição brasileira relatada por Pendergrast, Uncommon Grounds (1999), cap. 1; Ukers 1922, cronologia p. 727 (1723, fracasso de Pará); Thurber 1881, p. 124

    18. 1730

      O Typica chega à Jamaica vindo da Martinica

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      O Typica chega à Jamaica vindo da Martinica: futuro Blue Mountain. A tradição local, retomada pela OMPI, diz 1728 e nomeia Nicholas Lawes, que havia sido governador de 1717 a 1722.

      Ukers 1922, p. 9, 74, 233, 281 e cronologia p. 728; WCR 2025, ficha Typica, p. 84; OMPI para a tradição de 1728

    19. 1729

      Os cafeteiros de Londres, seguros de seu poder, pedem ao governo o…

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      Estampa intitulada Das Coffe-Haus: em torno de uma mesa iluminada à luz de vela, cinco homens debruçados jogam gamão enquanto uma criada traz tigelas de café; versos alemães gravados acima e abaixo advertem que o jogo faz perder ao mesmo tempo o dinheiro e o tempo que se tinha por precioso.
      Das Coffe-Haus, o café alemão de 1711
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      Os cafeteiros de Londres, seguros de seu poder, pedem ao governo o monopólio das notícias: uma Coffee House Gazette escrita pelos próprios clientes em lousas de latão, recolhidas duas vezes por dia. O projeto é recebido com o desprezo que merecia.

      Ukers 1922, p. 74

    20. 1730

      O jesuíta José Gumilla, em El Orinoco ilustrado, anota a presença do café na…

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      O jesuíta José Gumilla, em El Orinoco ilustrado, anota a presença do café na missão de Santa Teresa de Tabajé, perto da foz do Meta: o mais antigo testemunho escrito do café na Colômbia.

      Gumilla, El Orinoco ilustrado (1741, redigido por volta de 1730); Federación Nacional de Cafeteros, histórico do café na Colômbia

    21. 1732

      Tradução inglesa do Voyage de l'Arabie heureuse de La Roque, com um tratado…

      artes
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      Tradução inglesa do Voyage de l'Arabie heureuse de La Roque, com um tratado histórico do café que já desmonta a lenda de Kaldi e das cabras.

      Ukers 1922, p. 46 e cronologia p. 727; Bach, Schweigt stille, plaudert nicht, BWV 211

    22. 1732

      Bach publica em Leipzig sua Cantata do café, protesto em música contra os…

      artes
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      Bach publica em Leipzig sua Cantata do café, protesto em música contra os libelos que proibiam o café às mulheres: “Ah, como o café é doce”.

      Ukers 1922, p. 46 e cronologia p. 727; Bach, Schweigt stille, plaudert nicht, BWV 211

    23. por volta de 1734

      O duque de Württemberg vende a Joseph Süss-Oppenheimer o privilégio exclusivo dos…

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      O duque de Württemberg vende a Joseph Süss-Oppenheimer o privilégio exclusivo dos cafés do ducado; o financista revende as licenças em leilão e amealha uma fortuna. Ukers faz dele o primeiro “rei do café”.

      Ukers 1922, p. 48

    24. 1737

      Lineu cria o gênero Coffea em Genera Plantarum

      Um ramo de cafeeiro prensado em papel marfim, oito grandes folhas opostas que ficaram marrom-tabaco, o caule plantado em um vaso à antiga gravado em água-forte e impresso na própria prancha. Embaixo, à esquerda, uma cartela gravada traz, escrito a pena, o nome de antes de Lineu: Jasminum arabicum castaneae folio, flore albo odoratissimo, cujus fructus Coffee in officinis. É a prancha que fixa hoje o nome Coffea arabica.
      Prancha de Coffea arabica do herbário de George Clifford, lectótipo da espécie, 1730
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      Lineu cria o gênero Coffea em Genera Plantarum; a espécie Coffea arabica é nomeada em 1753 em Species Plantarum.

      Lineu cria o gênero Coffea em 1737 e depois nomeia a espécie Coffea arabica em 1753, em Species Plantarum, com base em espécimes e descrições vindos do Iêmen: daí “arabica”, embora a espécie seja etíope. Um século e meio depois, Walsh (1894) ainda contará sessenta espécies, das quais vinte e duas “americanas”: o gênero é exclusivamente africano e malgaxe, e conta hoje cerca de 130 espécies.

      Linné, Genera Plantarum (1737) e Species Plantarum (1753)

    25. 1737

      O Merchants' Coffee House abre em Nova York

      No clube do White's Coffee House, 1733, segundo Hogarth
      No clube do White's Coffee House, 1733, segundo Hogarth
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      O Merchants' Coffee House abre em Nova York: “berço da liberdade americana”, diz-se, onde se reunirão os comitês de correspondência.

      Ukers 1922, cronologia p. 727

    26. 1737

      Daniel Bloom, marinheiro, compra a taverna do Jamaica Pilot Boat na esquina de Wall…

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      Daniel Bloom, marinheiro, compra a taverna do Jamaica Pilot Boat na esquina de Wall Street com Water Street e a chama de Merchants Coffee House; a viúva Ferrari a administrará por quatorze anos, e depois a transferirá em 1772 para o outro lado da rua com sua clientela e seu nome.

      Ukers 1922, p. 117-118

    27. anos 1730-1740

      O café chega à Colômbia e a Cuba (1748), à Venezuela em 1784

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      O café chega à Colômbia e a Cuba (1748), depois à Guatemala por volta de 1750, à Costa Rica em 1779 e à Venezuela em 1784, segundo a cronologia de Ukers.

      Ukers 1922, cronologia

    28. 1750

      Goldoni apresenta em Veneza La bottega del caffè, em que Don Marzio, velho maldizente,…

      artes
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      Goldoni apresenta em Veneza La bottega del caffè, em que Don Marzio, velho maldizente, mantém a crônica da praça; sob as Procuratie, cada loja é um caffè. Em 1775, Giorgio Quadri, de Corfu, servirá ali o primeiro verdadeiro café turco, e o Conselho dos Dez ordenará em vão aos Inquisidores que extirpem esses “cancros sociais”.

      Ukers 1922, p. 28-29; Goldoni, La bottega del caffè (1750)

    29. 1754

      William Bradford, impressor do Pennsylvania Journal, abre na Filadélfia o…

      O segundo London Coffee House, aberto em 1754 por William Bradford
      O segundo London Coffee House, aberto em 1754 por William Bradford
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      William Bradford, impressor do Pennsylvania Journal, abre na Filadélfia o segundo London Coffee House, “coração pulsante” da cidade: o governador tem ali seu assento, vendem-se em leilão cavalos e mercadorias, e homens, mulheres e crianças escravizados expostos em um estrado na rua. Em 1765, queima-se ali um jornal selado de Barbados.

      Bradford pede sua licença explicando que “algumas pessoas podem às vezes desejar outros licores além do café”, confissão de que o coffee house americano sempre foi uma taverna pretensiosa. Os filadelfienses vendiam ali em leilão escravizados expostos em um estrado diante da porta; em maio de 1766 aclama-se ali o capitão que traz a revogação do Stamp Act; quando os ingleses ocupam a cidade em 1777, os oficiais se instalam ali, e, depois da partida deles, o lugar não se recupera. O contrato de locação de 1780 impõe ao novo arrendatário fechar aos domingos e proibir cartas, dados e gamão sob pena de cem libras.

      Ukers 1922, p. 127-129

    30. 1760

      Na França, a decocção cede lugar à infusão

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      Na França, a decocção cede lugar à infusão; em 1763 o funileiro Donmartin inventa uma cafeteira com saco de flanela e torneira.

      Ukers 1922, cronologia p. 727

    31. 1763

      Samuel Johnson funda no Turk's Head do Strand o clube literário que se reúne…

      instituição
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      Samuel Johnson funda no Turk's Head do Strand o clube literário que se reúne até 1783: Goldsmith, Boswell, Burke, Garrick, Reynolds, depois Gibbon e Adam Smith. Ukers conclui que a melhor prosa inglesa deve algo ao café.

      Ukers 1922, p. 81; Boswell, Life of Johnson

    32. 1765

      No Merchants Coffee House de Nova York, lê-se aos cidadãos a ordem de cessar…

      revolução
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      No Merchants Coffee House de Nova York, lê-se aos cidadãos a ordem de cessar os tumultos contra o Stamp Act; em 1774, os Filhos da Liberdade ali se manifestam diante do capitão do navio de chá Nancy, rechaçado de Boston, e a assembleia de 19 de maio ali propõe “uma União virtuosa e resoluta”. Em 1776, o Comitê dos Cem governa ali a cidade.

      Ukers 1922, p. 119-120

    33. 16 de dezembro de 1773

      Boston Tea Party

      revolução
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      Boston Tea Party: os colonos jogam o chá no mar, e o café se torna a bebida patriota. Os conspiradores se reuniam na Green Dragon Tavern, “quartel-general da Revolução” segundo Daniel Webster.

      Na noite de 16 de dezembro de 1773, colonos disfarçados de mohawks jogam 342 caixas de chá no porto de Boston para protestar contra o imposto britânico. Beber chá torna-se um ato de lealdade, beber café um ato de patriotismo, e o café se instala duradouramente como bebida nacional americana. Ukers lembra que os conspiradores se reuniam na Green Dragon Tavern, onde Warren, John Adams, James Otis e Paul Revere formavam o “comitê de meios e recursos” da liberdade; em Nova York, o Merchants' Coffee House cumpria a mesma função, e foi dali que em 1774 partiu para Boston a carta propondo a União.

      Ukers 1922, p. 106, 110-111 (Green Dragon) e 689

    34. 1770–1774

      Duas plantas levadas ao Rio de Janeiro

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      Duas plantas levadas ao Rio de Janeiro; Ukers data de 1770 a primeira plantação.

      Thurber 1881, p. 124; Ukers 1922

    35. 1774

      Do Merchants' Coffee House de Nova York, o comitê de correspondência escreve a…

      revolução
      O Merchants Coffee House, tal como aparecia de 1772 a 1804
      O Merchants Coffee House, tal como aparecia de 1772 a 1804
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      Do Merchants' Coffee House de Nova York, o comitê de correspondência escreve a Boston para propor a União americana.

      Ukers 1922, cronologia p. 727

    36. 1776

      No Bunch of Grapes de Boston, um delegado da Filadélfia lê a Declaração…

      revolução
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      No Bunch of Grapes de Boston, um delegado da Filadélfia lê a Declaração de Independência da sacada; um entusiasta acende uma fogueira de comemoração tão perto das paredes que a estalagem quase pega fogo. O British Coffee House, onde James Otis foi espancado, é rebatizado de American assim que as tropas do rei partem.

      Ukers 1922, p. 111-112

    37. 13 de setembro de 1777

      Frederico II da Prússia publica seu manifesto do café e da cerveja

      proibição
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      Frederico II da Prússia publica seu manifesto do café e da cerveja: “é repugnante ver a quantidade de café que meus súditos empregam… meu povo deve beber cerveja”. Em 1781 ele faz da torra um monopólio do Estado e lança os “farejadores de café”.

      O manifesto de Frederico II tem de mercantilismo e de nostalgia: o dinheiro do café sai do reino, Sua Majestade foi criada com cerveja, seus oficiais também, e “muitas batalhas foram travadas e vencidas por soldados alimentados com cerveja”. Em 1781, o rei vai mais longe: as torrefações do Estado se tornam monopólio, o povo não tem mais o direito de torrar seu café, e inválidos de guerra reconvertidos, os Kaffeeriecher, percorrem as ruas farejando, para surpreender o cheiro de uma torra clandestina. O ódio popular que suscitaram tornou-se proverbial.

      Ukers 1922, cap. sobre a Alemanha (manifesto citado) e cronologia p. 727

    38. julho de 1777

      A Boston Coffee Party, menos conhecida que a do chá e mais expedita

      revolução
      Folha impressa anunciando no Neptune's Coffee-House o gabinete de curiosidades do Sr. Curtius: longas colunas de texto tipográfico detalham as peças expostas, com no centro uma pequena gravura de navio e a menção de uma fragata de vidro de vinte e seis canhões.
      Anúncio do Neptune's Coffee-House, 1800
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      A Boston Coffee Party, menos conhecida que a do chá e mais expedita. Corre o boato de que um rico comerciante, Thomas Boylston, retém um barril de café que se recusa a vender abaixo de seis xelins a libra-peso. Cerca de cem mulheres se apresentam diante do armazém com uma carroça e exigem as chaves; ele recusa, elas o agarram pelo pescoço e o jogam na carroça. Ele entrega as chaves. Abigail Adams conta a cena ao marido em 31 de julho.

      Abigail Adams a John Adams, 31 de julho de 1777, Founders Online, National Archives

    39. por volta de 1780

      Gustavo III da Suécia, hostil ao café, teria comutado a pena de dois gêmeos…

      lendaproibição
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      Gustavo III da Suécia, hostil ao café, teria comutado a pena de dois gêmeos condenados à morte: um beberia três potes de café por dia, o outro três potes de chá, sob vigilância de dois médicos, para ver qual morreria primeiro. Os médicos morreram, o rei foi assassinado em 1792, e o bebedor de chá teria morrido primeiro, aos 83 anos.

      O experimento dos gêmeos é o mais célebre ensaio clínico jamais contado e jamais documentado. Nenhum registro sueco o menciona; as versões divergem sobre a data e sobre o rei, ora Gustavo III, ora seu pai Adolfo Frederico, o que faz dele uma lenda no sentido próprio. O que está atestado, em compensação: a Suécia, que importava café desde 1674, o proibiu ou sobretaxou cinco vezes entre 1756 e 1823, pelas mesmas razões mercantis que Frederico II, e sem mais sucesso. O país é hoje um dos maiores consumidores por habitante do mundo.

      Lenda sem fonte primária, relatada notadamente por Weinberg e Bealer, The World of Caffeine (2001); a Suécia proibiu o café cinco vezes entre 1756 e 1823

    40. 1781

      A Déclaration du Roi concernant la vente du café brûlé, publicada em 21 de janeiro,…

      proibiçãoescassez
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      A Déclaration du Roi concernant la vente du café brûlé, publicada em 21 de janeiro, reserva a torra aos estabelecimentos reais e aos licenciados, nobreza, clero, funcionários; a administração é confiada ao conde de Lannay, e os soldados reformados recebem um quarto das multas. Os pobres recorrem à cevada, ao trigo, à chicória e ao figo seco.

      Ukers 1922, p. 47-48; Déclaration du Roi du 21 janvier 1781

    41. por volta de 1780-1800

      Em Salazar de las Palmas, no Norte de Santander, o padre Francisco Romero,…

      lendaevasão
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      Em Salazar de las Palmas, no Norte de Santander, o padre Francisco Romero, vindo de Rubio, na Venezuela, impõe como penitência a seus paroquianos plantar cafeeiros: três ou quatro pés por pecado confessado, e planta-se aos domingos. A tradição, endossada pela Federación Nacional de Cafeteros, faz dessa aldeia o berço do café colombiano; dali partiu em 1835 a primeira exportação, 2.592 sacas, pelo lago de Maracaibo.

      Tradição oral de Salazar de las Palmas, retomada pela Federación Nacional de Cafeteros (Salazar de las Palmas, cuna del café colombiano) e El Tiempo; nenhuma fonte escrita contemporânea, data aproximada

    42. 17 de fevereiro de 1784

      O eleitor de Colônia, Maximiliano Frederico, bispo de Münster, proíbe no…

      proibição
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      O eleitor de Colônia, Maximiliano Frederico, bispo de Münster, proíbe no ducado da Vestfália a venda de café torrado ou verde sob pena de cem táleres ou dois anos de prisão; só as compras de cinquenta libras de uma vez continuam permitidas. As denúncias e os “farejamentos” que se seguem envenenam o ducado, sem efeito sobre o consumo.

      Ukers 1922, p. 48 (decreto citado)

    43. 1789 → 1872

      Direitos alfandegários americanos sobre o café

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      Direitos alfandegários americanos sobre o café: 2,5 centavos em 1789, 10 centavos em 1812, lista isenta em 1832, 5 centavos durante a guerra civil, isenção definitiva em 1872.

      Walsh, Coffee: Its History (1894), p. 286; LC cap. 11

    44. 12 de julho de 1789

      Saindo do Café de Foy, no Palais-Royal, Camille Desmoulins sobe em uma mesa…

      talvezrevolução
      Um anúncio publicado no New York Packet, 1º de janeiro de 1791
      Um anúncio publicado no New York Packet, 1º de janeiro de 1791
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      Saindo do Café de Foy, no Palais-Royal, Camille Desmoulins sobe em uma mesa e arenga a multidão; a Bastilha cai dois dias depois. Em 23 de abril do mesmo ano, George Washington havia sido recebido como presidente eleito no Merchants' Coffee House de Nova York.

      O Palais-Royal era, diz Ukers, o foco da Revolução, e seus cafés suas tribunas. No domingo, 12 de julho, ao anúncio da demissão de Necker, Camille Desmoulins, jovem jornalista, sai do Café de Foy, sobe em uma mesa, pistola em punho, e convoca às armas; a multidão arranca folhas verdes à guisa de cocar e marcha. A Bastilha cai no dia 14. O Café de Foy, incomodado com essa reputação, tornou-se depois um lugar comportado de artistas e letrados. Marat, Robespierre, Danton e Hébert frequentavam o Procope, onde Bonaparte, pobre oficial de artilharia, teria deixado seu chapéu como penhor de uma consumação.

      Ukers 1922, p. 94 (Café de Foy) e cronologia p. 728 (Washington)

    45. 1790

      Primeiras plantações no México, em Veracruz

      evasão
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      Primeiras plantações no México, em Veracruz; o Havaí segue em 1825.

      Ukers 1922, cronologia

    46. 1791

      Revolta dos escravizados de Saint-Domingue, que fornecia então a maior parte…

      revolução
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      Revolta dos escravizados de Saint-Domingue, que fornecia então a maior parte do café do mundo: a produção desmorona e o centro de gravidade passa para Cuba, a Jamaica e depois o Brasil.

      Em 1789, a colônia francesa de Saint-Domingue exportava mais café que todo o resto do mundo reunido, sobre o trabalho de centenas de milhares de escravizados; as plantações de café, menores e mais altas que os engenhos de açúcar, haviam coberto os morros em trinta anos. A revolta de agosto de 1791, depois a guerra de independência, destroem as plantações e libertam os escravizados; o Haiti nasce em 1804 e jamais recuperará essa posição. O vazio é preenchido por Cuba, Jamaica, Java e sobretudo o Brasil, que assume a liderança do mercado nos anos 1830. Ukers passa o episódio em silêncio em sua cronologia; os historiadores o recolocaram desde então no centro: o café do século XIX é filho da queda de Saint-Domingue tanto quanto do vapor.

      Trouillot, Motion in the System (Review, 1982); Pendergrast, Uncommon Grounds (1999), cap. 1; ausente da cronologia de Ukers

    47. 5 de junho de 1792

      Cento e cinquenta comerciantes de Nova York lançam a pedra fundamental do Tontine…

      instituição
      O Tontine Coffee House, aberto em 1793
      O Tontine Coffee House, aberto em 1793
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      Cento e cinquenta comerciantes de Nova York lançam a pedra fundamental do Tontine Coffee House, sociedade por tontina de 203 ações de 200 libras; o grande salão é a Bolsa de Nova York, com dois registros de navios “como na Lloyd's”. O Stock Exchange se instala ali em 1817; os boletins da agonia de Hamilton após seu duelo são afixados ali.

      A tontina, importada para a França por Lorenzo Tonti em 1653, faz a parte de cada acionista morto reverter aos sobreviventes; 157 subscritores compram os lotes do antigo Merchants por 5.480 libras e constroem por 43.000 dólares. Um visitante inglês de 1794 descreve o grande salão “que é a Bolsa de Nova York, onde se fazem todos os negócios”, os dois registros de navios, a pensão a dez xelins por dia. Em 1834 a Corte de Chancelaria autoriza alugar o local como escritórios: o fim da era dos cafés em Nova York, substituídos pelas bolsas, pelos clubes, pelos hotéis e pelos restaurantes.

      Ukers 1922, p. 121-123

    No mundo 5 balizas

    1. 1755

      Terremoto de Lisboa

    2. 1756

      Início da Guerra dos Sete Anos

    3. 1769

      Watt patenteia sua máquina a vapor

    4. 1776

      Declaração de Independência dos Estados Unidos

    5. 1789

      Tomada da Bastilha

    1800 → 1900

    O século XIX

    Ler o capítulo

    70 marcos do café, 6 balizas do mundo

    Litografia colorida de um café de Jerusalém: sob uma arcada de pedra, fregueses sentados em círculo sobre esteiras e bancos, narguilés colocados no chão e pequenas xícaras na mão.
    A casa de café de Jerusalém, 1868

    O café 70 marcos

    1. 1806

      O conde Rumford inventa em Paris o percolador, aperfeiçoamento da…

      objeto
      Fotografia de uma xícara de café de porcelana parisiense e seu pires: o corpo da xícara traz um friso dourado sobre fundo azul-noite, o interior e a alça são inteiramente dourados, o pires retoma a mesma faixa azul e ouro.
      Serviço de chá e de café da manufatura Denuelle, Paris, 1820
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      O conde Rumford inventa em Paris o percolador, aperfeiçoamento da cafeteira de filtro de De Belloy surgida por volta de 1800.

      Ukers 1922, cronologia p. 728

    2. 1808

      Boston abre o Exchange Coffee House de Bulfinch

      instituição
      Estampa colorida mostrando, diante da fachada do Gloucester Coffee House em Piccadilly, várias diligências postais atreladas de partida, cercadas de viajantes, bagagens e curiosos.
      As diligências postais do Oeste no Gloucester Coffee House, Piccadilly, 1828
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      Boston inaugura o Exchange Coffee House de Bulfinch: sete andares de pedra, mármore e tijolo, meio milhão de dólares, duzentos quartos, a sala das notícias marítimas nos moldes da Lloyd's; o banquete do presidente Monroe ali se realiza em 1817, o edifício queima em 1818.

      Ukers 1922, p. 113-114

    3. por volta de 1810

      Mutação Laurina (Bourbon pointu) na Reunião.

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      WCR 2025; Coste 1955; LC cap. 8

    4. 1811

      O Café des Mille Colonnes, o Tortoni do limonadeiro Velloni, depois o Café de…

      artes
      O café des Mille Colonnes em 1811, gravura de Bosredon
      O café des Mille Colonnes em 1811, gravura de Bosredon
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      O Café des Mille Colonnes, o Tortoni do limonadeiro Velloni, depois o Café de Paris de 1822 em que “não se pode empurrar a porta por menos de quinze francos”, segundo Musset: o boulevard des Italiens inventa o café de luxo.

      Ukers 1922, p. 101-103; Musset, citado por Ukers

    5. 1818

      O mercado de café de Le Havre é fundado

      instituição
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      O mercado de café de Le Havre é fundado; a bolsa a termo ali abrirá em 1882.

      Ukers 1922, cronologia p. 728 e 732

    6. 1830

      391.785 sacas saem apenas do porto do Rio

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      391.785 sacas saem apenas do porto do Rio: o Brasil se torna o primeiro produtor, sobre uma economia escravista (1.476.567 pessoas recenseadas como escravizadas em 1876).

      Thurber 1881, p. 120-124

    7. 1830-1832

      Nas Índias Neerlandesas, o Cultuurstelsel impõe o cultivo forçado do café

      revolução
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      Nas Índias Neerlandesas, o Cultuurstelsel impõe o cultivo forçado do café; cada família dos distritos de Sunda deve manter mil pés. Multatuli fará disso o romance Max Havelaar em 1860.

      Ukers 1922, cronologia p. 729; Walsh 1894, p. 129-134; Multatuli, Max Havelaar (1860)

    8. 1831

      Antonio Pedrocchi, limonadeiro de Pádua, abre após quinze anos de obras o…

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      Antonio Pedrocchi, limonadeiro de Pádua, abre após quinze anos de obras o mais belo café do mundo; a lenda diz que, ao escavar seu porão, ele encontrou o tesouro de uma antiga igreja. O prédio, concluído em 1842, figura entre as grandes arquiteturas italianas do século.

      Ukers 1922, p. 29-30 (lenda do tesouro relatada por Ukers)

    9. 1833–1834

      James Wilde instala em Nova York, na Wooster Street, o primeiro conjunto de…

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      James Wilde instala em Nova York, na Wooster Street, o primeiro conjunto de torra e moagem importado da Inglaterra; os Hope Mills seguem em 1835 e queimam em 1845.

      Thurber 1881, p. 23; LC cap. 11

    10. 1834

      George Don descreve Coffea stenophylla, o café das terras altas de Serra Leoa.

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      G. Don, General History of the Dichlamydeous Plants (1834); Davis et al. 2020; LC cap. 10

    11. 1836

      Benjamin Green Arnold chega de Rhode Island a Nova York como contador de um…

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      Benjamin Green Arnold chega de Rhode Island a Nova York como contador de um merceeiro; sócio em 1851, chefe da casa em 1868 com meio milhão de crédito, lança em 1869 a primeira grande especulação sobre o café verde e a sustenta por dez anos. Primeiro presidente do New York Coffee Exchange, amigo do presidente dos Estados Unidos, cai com o crash de 1880; seus credores mantêm a estima por ele. Morre em dezembro de 1894.

      Ukers 1922, p. 517-518

    12. 1839

      Balzac publica o Traité des excitants modernes

      talvezartes
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      Balzac publica o Traité des excitants modernes: o café “cai em seu estômago… daí em diante tudo se agita”. Ele teria bebido até cinquenta xícaras por dia.

      Balzac, Traité des excitants modernes (1839); Ukers 1922, p. 102

    13. por volta de 1840

      Robert Napier inventa na Escócia a máquina de café a vácuo, destilação e…

      objeto
      O aparelho de Napier, 1841
      O aparelho de Napier, 1841
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      Robert Napier inventa na Escócia a máquina de café a vácuo, destilação e filtração, nunca patenteada; Vardy e Platow haviam patenteado em 1839 o percolador a vácuo com globo de vidro.

      Ukers 1922, cronologia p. 729-730

    14. 1843

      Paris conta mais de três mil cafés, contra seiscentos sob Luís XV e oitocentos…

      artes
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      Paris conta mais de três mil cafés, contra seiscentos sob Luís XV e oitocentos no fim do século XVIII. O café chantant nasce da concorrência; no Café Momus e na Rotonde, os estudantes fazem uma xícara durar a noite inteira dividindo-a em um copo d'água.

      Ukers 1922, p. 94, 99-100; Schanne, Souvenirs de Schaunard

    15. 1846

      Patente de James W. Carter para um torrador de tambor.

      objeto
      Prancha de patente gravada a traço, quatro figuras de um torrador de 1846. O tambor de chapa de metal é assentado em alvenaria num fogão encimado por uma chaminé cônica; o corte mostra os grãos alojados contra a parede aquecida e as portas abertas no cilindro. Para esvaziar a máquina era preciso retirá-la inteira do fogo, exatamente o gesto que as patentes seguintes procurarão suprimir.
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      Prancha de patente gravada a traço, quatro figuras de um torrador de 1846. O tambor de chapa de metal é assentado em alvenaria num fogão encimado por uma chaminé cônica; o corte mostra os grãos alojados contra a parede aquecida e as portas abertas no cilindro. Para esvaziar a máquina era preciso retirá-la inteira do fogo, exatamente o gesto que as patentes seguintes procurarão suprimir.

      James W. Carter, Boston; patente americana nº 4.849, “Coffee Roaster”, United States Patent Office, Washington, 1846; prancha litografada por N. Peters, Washington; https://patents.google.com/patent/US4849A/en

    16. 1848

      O brûlot de Nova Orleans, café com casca de laranja e conhaque flambado,…

      escassez
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      O brûlot de Nova Orleans, café com casca de laranja e conhaque flambado, nasce nos coffee houses do Vieux Carré e aos poucos os transforma em saloons; em St. Louis, o café de Conrad Leonhard será famoso de 1844 a 1905 por seu café e seu coffee cake.

      Ukers 1922, p. 106-107 (datas do brûlot não precisadas por Ukers, situado em meados do século XIX)

    17. 1852

      a prensa francesa

      objeto
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      Dois franceses, Mayer e Delforge, registram a primeira patente de prensa francesa. Sua prensa não veda contra a parede do vidro: portanto, não filtra de verdade. Será preciso esperar os italianos Calimani e Moneta, em 1929, para o disco cintado por uma mola, e o suíço Bondanini, em 1958, para o modelo que fará a fortuna do objeto. A cafeteira “francesa” terá exigido um século e quatro nacionalidades.

      Patente Mayer e Delforge (1852); patente Calimani e Moneta (1929); patente Bondanini (1958), fabricada na França sob o nome Chambord e depois retomada pela Bodum

    18. 1857

      Os missionários franceses introduzem o arábica no Vietnã

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      Os missionários franceses introduzem o arábica no Vietnã; o canephora só chegará ali no século XX e fará do país o primeiro produtor de canephora.

      Sucafina, Vietnam; Sweet Maria's, Vietnam overview

    19. 1857 → 1879

      A libra do Rio “fair to prime” em Nova York

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      A libra do Rio “fair to prime” em Nova York: 11,04 centavos em 1857, 42,5 centavos em 1864 em plena guerra civil, 13,25 centavos em setembro de 1879.

      Thurber 1881, p. 186-188; Walsh 1894, p. 286-287

    20. 1859

      O Bourbon chega ao Brasil (Campinas).

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      WCR 2025, ficha Bourbon, p. 20

    21. 1864

      Jabez Burns, em Nova York, patenteia o primeiro torrador que não precisa mais…

      objeto
      Folha 1 da patente de Jabez Burns. Embaixo, o corte longitudinal do tambor alojado em seu forno de tijolo hachurado, com o cone de descarga rebatido para a esquerda; em cima, a vista de extremidade da máquina, com o tambor visto em círculo no meio da estrutura. É a disposição que permite, pela primeira vez, esvaziar o café torrado sem retirar o tambor do fogo. A assinatura do inventor está embaixo, à direita, em frente à das duas testemunhas.
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      Jabez Burns, em Nova York, patenteia o primeiro torrador que não precisa mais ser afastado do fogo para esvaziar: a torra industrial começa.

      Ukers 1922, cronologia p. 730; patente US Jabez Burns, 1864

    22. 1865

      Percolador de café de James H. Nason, patente americana nº 51.741.

      objeto
      Uma única figura, a cafeteira aberta em corte vertical: o corpo de metal hachurado, o cesto de pó suspenso na parte alta, e sob ele a mola em espiral que mantém a pressão da tampa sobre o disco. A água quente atravessa o pó em vez de ferver com ele: é o princípio do percolador, que esta patente de 1865 conta entre as primeiras a formular nos Estados Unidos.
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      Uma única figura, a cafeteira aberta em corte vertical: o corpo de metal hachurado, o cesto de pó suspenso na parte alta, e sob ele a mola em espiral que mantém a pressão da tampa sobre o disco. A água quente atravessa o pó em vez de ferver com ele: é o princípio do percolador, que esta patente de 1865 conta entre as primeiras a formular nos Estados Unidos.

      James H. Nason, Franklin (Massachusetts); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US51741A/en

    23. 1866–1868

      Patentes de glaceamento do café torrado

      falsificação
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      Patentes de glaceamento do café torrado: Pidding na Inglaterra (1866), Berry (1867), John Arbuckle Jr. em 21 de janeiro de 1868, com musgo-da-irlanda. Oficialmente para proteger o aroma, na prática para mascarar os grãos manchados e acrescentar de 5 a 6 % de peso.

      Thurber 1881, p. 254; Walsh 1894, p. 195-196; LC cap. 10

    24. 1868

      Alexius Van Gulpen, Lensing e von Gimborn fabricam torradores em…

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      Alexius Van Gulpen, Lensing e von Gimborn fabricam torradores em Emmerich, na Alemanha: a casa se tornará Probat.

      Ukers 1922, cronologia p. 730; Probat, histórico

    25. 1869

      Distrito de Madulsima, Ceilão

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      Distrito de Madulsima, Ceilão: primeira observação de Hemileia vastatrix. Berkeley a nomeia em 6 de novembro.

      Distrito de Madulsima, Ceilão: alguém nota um pó alaranjado sob folhas de cafeeiro. Miles Berkeley batiza o fungo Hemileia vastatrix em 6 de novembro no The Gardeners' Chronicle. O Ceilão atinge seu rendimento recorde no ano seguinte, 616 libras por acre, jamais revisto; os plantadores plantam mais e agravam tudo; a colônia perde 26 milhões de rupias só na safra 1878-79 e se converte ao chá. Barat, em 1955, dirá que a catástrofe se deve tanto à ignorância agronômica, plantações sem sombra nem medidas contra a erosão, quanto ao fungo.

      McCook, Coffee Is Not Forever (2019), p. 1, 36, 43; Thurber 1881, p. 92-98

    26. 1869 → 1879

      B. G. Arnold, “rei do comércio de café”, ganha 1,2 milhão de dólares em um…

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      B. G. Arnold, “rei do comércio de café”, ganha 1,2 milhão de dólares em um único ano; Thurber qualificará a década de bolha especulativa.

      Thurber 1881, p. 219; LC cap. 11

    27. 1869

      Hermann Sielcken, filho de um pequeno padeiro de Hamburgo, desembarca pobre em São…

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      Hermann Sielcken, filho de um pequeno padeiro de Hamburgo, desembarca pobre em São Francisco depois de um ano na Costa Rica; comprador de lã entre as Montanhas Rochosas e o Pacífico, sobrevive a um acidente de diligência no Oregon que lhe deixa as costas curvadas. Na Crossman, desaparece por meses na América do Sul, volta com um maço de pedidos e exige ser admitido como sócio: consegue em 1881 e se torna o rei do café em 1904.

      Em Baden-Baden, a villa Mariahalden é um parque de duzentos acres, quatro villas, um roseiral de vinte mil pés em 168 variedades, uma estufa de orquídeas, seis jardineiros e quarenta ajudantes; os convidados contam ali mais de oitenta cabogramas recebidos e trinta enviados em um dia, que o dono trata sem secretário. Cinco horas de sono, um Mercedes de oitenta cavalos para Paris ou Hamburgo ao amanhecer. Ele recusa o título de rei: “nunca ouvi falar de um rei que não tenha fracassado”. Partido para a Alemanha em julho de 1914 apostando mil libras que não haveria guerra, morre ali em 8 de outubro de 1917, com sua firma dissolvida pelo Trading with the Enemy Act; a Suprema Corte da Califórnia confirmará em 1921 sua cidadania americana, seus papéis de 1873 tendo afundado em um naufrágio ao largo do Brasil.

      Ukers 1922, p. 518-520

    28. 1870

      Mutação Maragogipe na Bahia

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      Mutação Maragogipe na Bahia. No mesmo ano, o Ceilão atinge seu rendimento recorde, jamais revisto.

      WCR 2025, ficha Maragogipe, p. 52; Thurber 1881, p. 92

    29. 1870

      Máquina de lavar e limpar café de Samuel Thompson, Baltimore, patente…

      objeto
      Quatro figuras. A principal mostra em corte um longo cilindro horizontal vazado, girando em uma calha cheia de água: os grãos são revolvidos e friccionados enquanto a água suja escapa pelas frestas e se renova pela tubulação de alimentação. As figuras anexas dão a vista de topo, o comando por manivela e o detalhe das pás internas.
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      Máquina de lavar e limpar café de Samuel Thompson, Baltimore, patente americana nº 108.407.

      Quatro figuras. A principal mostra em corte um longo cilindro horizontal vazado, girando em uma calha cheia de água: os grãos são revolvidos e friccionados enquanto a água suja escapa pelas frestas e se renova pela tubulação de alimentação. As figuras anexas dão a vista de topo, o comando por manivela e o detalhe das pás internas.

      Samuel Thompson, Baltimore (Maryland); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US108407A/en

    30. 1870

      Máquina de limpar café de J. W. Brady, Baltimore, patente americana nº 100…

      objeto
      Uma única grande figura ocupa a folha: um enorme tambor cilíndrico vazado, quase tão largo quanto alto, carregado por um eixo entre dois montantes de madeira em A e acionado por uma manivela. Os grãos giram nesse cesto mergulhado em seu banho; a máquina inteira se resume a uma roda, um eixo e dois cavaletes, o que a punha ao alcance de uma oficina de plantação.
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      Máquina de limpar café de J. W. Brady, Baltimore, patente americana nº 100.493.

      Uma única grande figura ocupa a folha: um enorme tambor cilíndrico vazado, quase tão largo quanto alto, carregado por um eixo entre dois montantes de madeira em A e acionado por uma manivela. Os grãos giram nesse cesto mergulhado em seu banho; a máquina inteira se resume a uma roda, um eixo e dois cavaletes, o que a punha ao alcance de uma oficina de plantação.

      James W. Brady, Baltimore (Maryland); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US100493A/en

    31. 1871

      Amarelo de Botucatu

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      Amarelo de Botucatu: a mutação amarela do Typica.

      IAC; Setotaw et al., Crop Science 53 (2013)

    32. 1871

      Aparelho de Giuseppe Tagliabue para medir o teor de álcool de um mosto em…

      objeto
      Duas altas colunas de vidro graduadas montadas sobre uma base de madeira, ligadas por um pescoço de cisne a um pequeno balão aquecido: o aparelho destila uma amostra do mosto e lê na coluna seu teor de álcool, portanto o avanço da fermentação. É o ancestral direto dos densímetros e dos alcoômetros que as estações de lavagem do café tomarão emprestados da cervejaria e da destilaria para acompanhar seus tanques.
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      Aparelho de Giuseppe Tagliabue para medir o teor de álcool de um mosto em fermentação, patente americana nº 111.885, prancha de desenho.

      Duas altas colunas de vidro graduadas montadas sobre uma base de madeira, ligadas por um pescoço de cisne a um pequeno balão aquecido: o aparelho destila uma amostra do mosto e lê na coluna seu teor de álcool, portanto o avanço da fermentação. É o ancestral direto dos densímetros e dos alcoômetros que as estações de lavagem do café tomarão emprestados da cervejaria e da destilaria para acompanhar seus tanques.

      Giuseppe Tagliabue, fabricante de instrumentos em Nova York; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US111885A/en

    33. 1871

      Caixa de tratamento do café de John Ashcroft, patente americana nº 113.832.

      objeto
      Uma grande caixa de madeira montada com encaixes, desenhada em perspectiva e aberta em um dos lados, com as grades que nela se empilham. O café permanece ali na umidade para ser macerado e amolecido antes do descascamento: é um dos primeiríssimos aparelhos patenteados para o que os plantadores chamavam de curing.
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      Uma grande caixa de madeira montada com encaixes, desenhada em perspectiva e aberta em um dos lados, com as grades que nela se empilham. O café permanece ali na umidade para ser macerado e amolecido antes do descascamento: é um dos primeiríssimos aparelhos patenteados para o que os plantadores chamavam de curing.

      John Ashcroft; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US113832A/en

    34. 1872

      Máquina de polir café de José Guardiola, Chocolá (Guatemala), patente…

      objeto
      Três figuras de traço fino. A figura 1 dá a elevação da máquina, uma coluna montada sobre uma base baixa e coroada por uma tremonha em funil. A figura 2 a abre em corte: um eixo vertical guarnecido de batedores gira em uma luva perfurada contra a qual os grãos se friccionam, e a película prateada desprendida cai pelos furos. A figura 3 mostra essa luva planificada. O nome de Guardiola ficará ligado às máquinas de processamento do café centro-americano.
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      Máquina de polir café de José Guardiola, Chocolá (Guatemala), patente americana nº 129.947, prancha de desenho.

      Três figuras de traço fino. A figura 1 dá a elevação da máquina, uma coluna montada sobre uma base baixa e coroada por uma tremonha em funil. A figura 2 a abre em corte: um eixo vertical guarnecido de batedores gira em uma luva perfurada contra a qual os grãos se friccionam, e a película prateada desprendida cai pelos furos. A figura 3 mostra essa luva planificada. O nome de Guardiola ficará ligado às máquinas de processamento do café centro-americano.

      José Guardiola, Chocolá (América Central); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US129947A/en

    35. 1873

      John Arbuckle lança a Ariosa, primeira marca nacional de café em pacote nos…

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      John Arbuckle lança a Ariosa, primeira marca nacional de café em pacote nos Estados Unidos; no mesmo ano o pânico Jay Cooke faz o Rio cair de 24 para 15 centavos em um dia.

      Ukers 1922, cronologia p. 731

    36. 1873

      Em Londres, o Edinburgh Castle abre como “palácio do café”, destinado a…

      falsificação
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      Em Londres, o Edinburgh Castle abre como “palácio do café”, destinado a substituir o public house para os operários; o movimento ganha as ilhas Britânicas e os Estados Unidos. Os cafés de Londres, por sua vez, haviam se tornado clubes ou tavernas.

      Ukers 1922, p. 74 e cronologia p. 731

    37. 1874

      Aparelho de tratamento do café de J. H. Grubb, patente americana nº 155.300,…

      objeto
      Três figuras gravadas a traço: no alto a máquina em corte longitudinal, um longo caixote horizontal atravessado por um eixo guarnecido de pás que revolvem a massa de grãos; abaixo, a vista de topo do aparelho e o detalhe circular do rotor. O café é agitado em seu banho em vez de ser deixado em repouso, princípio que os agitadores mecânicos das estações de lavagem retomarão.
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      Aparelho de tratamento do café de J. H. Grubb, patente americana nº 155.300, prancha de desenho.

      Três figuras gravadas a traço: no alto a máquina em corte longitudinal, um longo caixote horizontal atravessado por um eixo guarnecido de pás que revolvem a massa de grãos; abaixo, a vista de topo do aparelho e o detalhe circular do rotor. O café é agitado em seu banho em vez de ser deixado em repouso, princípio que os agitadores mecânicos das estações de lavagem retomarão.

      J. H. Grubb; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US155300A/en

    38. 1876–1894

      A ferrugem dá a volta ao oceano Índico e ao Pacífico

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      A ferrugem dá a volta ao oceano Índico e ao Pacífico: Sumatra 1876, Natal 1878, Fiji 1879, Timor ~1886, Filipinas 1890, Nova Guiné 1892, Usambara 1893-94.

      O fungo viaja de navio a vapor, nas plantas vivas e nas roupas: Índia do Sul em 1872, Sumatra em 1876, Natal em 1878, Fiji em 1879, Timor por volta de 1886, Filipinas em 1890, Nova Guiné em 1892, Samoa em 1894, montanhas de Usambara em 1893-94. As Índias Neerlandesas perdem metade de suas exportações entre 1883 e 1887. É essa difusão que faz nascer o canephora como cultura, descrito apenas em 1897 e introduzido em Java por volta de 1900.

      McCook 2019, p. 66-69, 112

    39. 1876

      William Hiern descreve Coffea liberica, que os plantadores do Ceilão e de Java…

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      William Hiern descreve Coffea liberica, que os plantadores do Ceilão e de Java plantam em substituição aos arábicas atingidos pela ferrugem.

      Hiern, Transactions of the Linnean Society (1876); Coste 1955, p. 24

    40. 1876

      Limpador de café de H. B. Stevens, Buffalo, patente americana nº 172.671.

      objeto
      Uma única figura alta: um grande funil cônico montado sobre quatro pés encima um corpo cilíndrico, o conjunto desenhado em corte para deixar ver a coluna de grãos que desce e a corrente que a atravessa. O desenho é quase um esquema hidráulico, um cone, uma coluna, uma saída, em que se lê de imediato o trajeto da matéria e o do fluido.
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      Uma única figura alta: um grande funil cônico montado sobre quatro pés encima um corpo cilíndrico, o conjunto desenhado em corte para deixar ver a coluna de grãos que desce e a corrente que a atravessa. O desenho é quase um esquema hidráulico, um cone, uma coluna, uma saída, em que se lê de imediato o trajeto da matéria e o do fluido.

      Henry B. Stevens, Buffalo (Nova York); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US172671A/en

    41. 1878

      Jabez Burns, inventor do torrador de 1864, funda The Spice Mill, primeiro…

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      Jabez Burns, inventor do torrador de 1864, funda The Spice Mill, primeiro jornal americano do café e das especiarias, onde aconselha os iniciantes; William H. Ukers será seu redator de 1902 a 1904 antes de fundar o Tea and Coffee Trade Journal.

      Ukers 1922, p. 526 e cronologia p. 731

    42. 1878

      Máquina de descascar, esfregar e limpar café de P. McAuliffe, patente…

      objeto
      A máquina vista de topo, desenhada como um móvel: uma alta estrutura de ferro fundido e madeira, a grande polia de transmissão de um lado, o tambor cilíndrico alojado no centro atrás de sua tampa, e sob ele as caixas onde se recolhem separadamente as cascas, as películas e o grão limpo. A folha diz o que era uma descascadora do fim do século XIX, uma peça de oficina alta como um homem.
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      Máquina de descascar, esfregar e limpar café de P. McAuliffe, patente americana nº 208.324.

      A máquina vista de topo, desenhada como um móvel: uma alta estrutura de ferro fundido e madeira, a grande polia de transmissão de um lado, o tambor cilíndrico alojado no centro atrás de sua tampa, e sob ele as caixas onde se recolhem separadamente as cascas, as películas e o grão limpo. A folha diz o que era uma descascadora do fim do século XIX, uma peça de oficina alta como um homem.

      P. McAuliffe, Nova York; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US208324A/en

    43. 1880–1881

      Crash de Nova York e Boston

      dinheiro
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      Crash de Nova York e Boston: 5 a 7 milhões de dólares perdidos entre julho de 1880 e janeiro de 1881, as três maiores casas levadas de roldão.

      Thurber 1881, p. 195, 220; LC cap. 11 e 18

    44. 1880

      Patente Edwin L. Henington nº 232.714, despolpador e separador de café.

      objeto
      Prancha de um despolpador de café de 1880, vista de topo em cima e desenvolvida no centro. A cereja cai de uma tremonha sobre um disco giratório guarnecido de dentes finos, alojado em um tambor cilíndrico cuja parede vazada ocupa metade da folha; a polpa é expulsa de um lado, o grão do outro. Toda a operação que separa o fruto da semente cabe aqui em uma peça de ferro fundido e uma manivela.
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      Prancha de um despolpador de café de 1880, vista de topo em cima e desenvolvida no centro. A cereja cai de uma tremonha sobre um disco giratório guarnecido de dentes finos, alojado em um tambor cilíndrico cuja parede vazada ocupa metade da folha; a polpa é expulsa de um lado, o grão do outro. Toda a operação que separa o fruto da semente cabe aqui em uma peça de ferro fundido e uma manivela.

      Edwin L. Henington; patente americana nº 232.714, “Coffee Pulper and Separator”, United States Patent Office, Washington, 1880; prancha litografada por N. Peters, Washington; https://patents.google.com/patent/US232714A/en

    45. 1881

      Francis Beatty Thurber publica Coffee

      falsificação
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      Francis Beatty Thurber publica Coffee: From Plantation to Cup. Fórmula típica da falsificação americana, para 1.000 libras: 400 de ervilha, 200 de centeio, 200 de café, 100 de chicória, 100 de diversos.

      Thurber é comerciante em Nova York quando escreve. Ele descreve a cadeia mecânica brasileira tanque por tanque, a sala de torra em que o homem julga pelo cheiro levado pela fumaça, o pacote de uma libra selado a quente, e a escala industrial americana: seiscentos moinhos, mais de mil máquinas de torrar, 1.200.000 libras por dia. Ele documenta também a falsificação numa escala difícil de imaginar, chicória, ervilha, centeio, borra de café reciclada e revendida a 12 dólares o barril, e formula uma frase que continua verdadeira: “Wherever grinding is done, there adulteration is practised.”

      Thurber 1881, p. 162-168; LC cap. 10

    46. 1881

      O Chat Noir, rue Victor-Massé, mistura café e cabaré

      artes
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      O Chat Noir, rue Victor-Massé, mistura café e cabaré; o Café Guerbois havia visto Manet manter corte, e o Café Littéraire oferecerá um volume a todo cliente que gaste um franco.

      Ukers 1922, p. 103-104

    47. 1881

      Patente Jabez Burns nº 241.295, torrador aquecido a gás.

      objeto
      Quatro figuras do torrador a gás patenteado por Jabez Burns dezessete anos depois de sua máquina fundadora. No centro, o corte longitudinal do cilindro deixa ver as pás helicoidais e, alinhada sob ele, a fileira de câmaras de combustão que substituem o fogo de carvão por uma chama regulável dirigida ao ponto exato em que deve aquecer. As outras duas figuras dão a vista de topo da estrutura e o detalhe de um queimador.
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      Quatro figuras do torrador a gás patenteado por Jabez Burns dezessete anos depois de sua máquina fundadora. No centro, o corte longitudinal do cilindro deixa ver as pás helicoidais e, alinhada sob ele, a fileira de câmaras de combustão que substituem o fogo de carvão por uma chama regulável dirigida ao ponto exato em que deve aquecer. As outras duas figuras dão a vista de topo da estrutura e o detalhe de um queimador.

      Jabez Burns, Brooklyn, Nova York, cedente a William Durbrow; patente americana nº 241.295, “Coffee-Roaster”, United States Patent Office, Washington, 1881; prancha litografada por N. Peters, Washington; https://patents.google.com/patent/US241295A/en

    48. 1881

      Moedor de café de Onward E. Winger, Freeport (Illinois), patente americana nº 243…

      objeto
      A figura 1 mostra o moedor em perspectiva, uma caixa de madeira cúbica encimada por sua tampa de dobradiça, a manivela em cotovelo no alto e a pequena gaveta de recolhimento na frente. As figuras seguintes o abrem: o eixo vertical, as mós cônicas dentadas vistas de frente e de cima, e a porca de regulagem que sozinha comanda a finura da moagem.
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      Moedor de café de Onward E. Winger, Freeport (Illinois), patente americana nº 243.338.

      A figura 1 mostra o moedor em perspectiva, uma caixa de madeira cúbica encimada por sua tampa de dobradiça, a manivela em cotovelo no alto e a pequena gaveta de recolhimento na frente. As figuras seguintes o abrem: o eixo vertical, as mós cônicas dentadas vistas de frente e de cima, e a porca de regulagem que sozinha comanda a finura da moagem.

      Onward E. Winger, Freeport (Illinois); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US243338A/en

    49. 1882

      O New York Coffee Exchange abre seus guichês

      instituição
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      O New York Coffee Exchange abre seus guichês; Le Havre inaugura a primeira bolsa a termo francesa do café; Amsterdam e Hamburgo seguem em 1887.

      Ukers 1922, cronologia p. 732

    50. 1883

      Cafeteira de filtro de Albert Rutenick, patente americana nº 272.481.

      objeto
      Quatro figuras reunidas em uma folha quase vazia. A figura 1 dá a cafeteira inteira, um cilindro estreito e alto com alça lateral e bico, coberto por uma tampa abaulada. A figura 2 isola a peça de fechamento, a figura 3 mostra o disco filtrante furado, visto de frente, a figura 4 um pequeno corte de detalhe. O filtro plano posto no fundo da coluna de água é toda a invenção.
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      Quatro figuras reunidas em uma folha quase vazia. A figura 1 dá a cafeteira inteira, um cilindro estreito e alto com alça lateral e bico, coberto por uma tampa abaulada. A figura 2 isola a peça de fechamento, a figura 3 mostra o disco filtrante furado, visto de frente, a figura 4 um pequeno corte de detalhe. O filtro plano posto no fundo da coluna de água é toda a invenção.

      Albert Rutenick, Nova York; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US272481A/en

    51. 16 de maio de 1884

      Angelo Moriondo deposita em Turim a patente de uma máquina a vapor “para a…

      objeto
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      Angelo Moriondo deposita em Turim a patente de uma máquina a vapor “para a confecção econômica e instantânea do café” e a expõe no mesmo ano: a primeira máquina de café a vapor, antes de Bezzera.

      Patente italiana nº 33/256 de Angelo Moriondo, Turim, 16 de maio de 1884; Barista Hustle, Who really invented the first espresso machine?, part 1

    52. 1884

      Sem cabo direto com o Brasil, um corte da linha por Portugal…

      dinheiro
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      Sem cabo direto com o Brasil, um corte da linha por Portugal impede os agentes do sindicato brasileiro de cobrir suas margens em um sábado: suas contas são liquidadas, o Rio cai de 11,5 para 8,25 centavos; na segunda-feira, os fundos chegam e tudo é acertado com juros. A especulação passa a depender do telégrafo.

      Ukers 1922, p. 527

    53. anos 1880

      Em Sumatra, os Typica sobreviventes se tornam o Bergendal

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      Em Sumatra, os Typica sobreviventes se tornam o Bergendal; no Ceilão, o café cede lugar ao chá; o libérica tem a sua hora.

      McCook 2019, p. 70; Royal Coffee, Indonesian cultivars

    54. 1886-1888

      O “grande boom” leva o Rio 7 de 7,5 a 22,25 centavos

      Prancha de quatro gravuras em madeira legendadas em inglês, gravadas a partir das fotografias de Muybridge, sob o título geral COFFEE CULTIVATION IN GUATEMALA, CENTRAL AMERICA. No alto, duas colheitas em duas altitudes diferentes, em Las Nubes a cinco mil pés, ou cerca de mil e quinhentos metros, e em San Isidro a mil e quinhentos pés, ou cerca de quatrocentos e cinquenta metros, com escadas e cestos. Embaixo à esquerda, a secagem em um terreiro cimentado que homens rastelam ao longo de um canal; embaixo à direita, o carregamento de uma lancha de café na ondulação de Champerico, o vapor fundeado ao largo. A prancha resume em uma página o trajeto da cereja ao navio.
      Os quatro tempos do café na Guatemala, gravura em madeira de 1877
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      O “grande boom” leva o Rio 7 de 7,5 a 22,25 centavos; o pânico o traz de volta a 9. O New York Coffee Exchange negocia 47,9 milhões de sacas em 1887-1888.

      Ukers 1922, cronologia p. 732

    55. 1888

      Híbrido natural Kalimas (liberica × arabica) identificado em Java por sua resistência à…

      revolução
      Prancha litografada reunindo um ramo jovem de cafeeiro coberto de cochonilhas verdes, a larva e a fêmea adulta do inseto, uma folha invadida pela fumagina negra que cresce sobre sua secreção açucarada, e as moscas e microvespas que dela se alimentam.
      Prancha I: a cochonilha verde do cafeeiro e seus inimigos naturais, Java 1897
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      Híbrido natural Kalimas (liberica × arabica) identificado em Java por sua resistência à ferrugem.

      O Brasil abole a escravidão em 13 de maio de 1888. O censo de 1876 contava 1.476.567 pessoas escravizadas; a lei do ventre livre datava de 1871. Thurber, comerciante nova-iorquino, escrevia em 1881 que alguns plantadores, sabendo o sistema condenado, trabalhavam sua terra até o esgotamento. As fazendas de São Paulo se voltam para a imigração italiana, e o Bourbon de Campinas se torna o café de um país de imigrantes.

      Coste 1955, p. 348; LC cap. 14

    56. 1888

      Abolição da escravidão no Brasil

      revolução
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      Abolição da escravidão no Brasil; as fazendas se voltam para a imigração italiana.

      O Brasil abole a escravidão em 13 de maio de 1888. O censo de 1876 contava 1.476.567 pessoas escravizadas; a lei do ventre livre datava de 1871. Thurber, comerciante nova-iorquino, escrevia em 1881 que alguns plantadores, sabendo o sistema condenado, trabalhavam sua terra até o esgotamento. As fazendas de São Paulo se voltam para a imigração italiana, e o Bourbon de Campinas se torna o café de um país de imigrantes.

      Coste 1955, p. 348; LC cap. 14

    57. 1889 → 1930

      café com leite

      revoluçãodinheiro
      Mapa dobrável impresso em azul cobrindo a província do Rio de Janeiro entre Minas Gerais, o Espírito Santo e o Atlântico, onde uma tonalidade mais intensa delimita a zona contaminada ao longo dos vales, com o título “Zona affectada pela molestia do cafeeiro” na parte de baixo.
      Mapa da zona atingida pela doença do cafeeiro, agosto de 1887
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      Durante quarenta anos, a presidência brasileira alterna entre as oligarquias de São Paulo, que detém o café, e de Minas Gerais, que detém o leite, cada uma se comprometendo a apoiar o candidato da outra na eleição seguinte. O regime é chamado de “café com leite”. O crash de 1929 leva o café, portanto o sistema: a revolução de Vargas põe fim a ele em 1930.

      Historiografia da Primeira República brasileira (1889-1930); revolução de 1930

    58. 1891

      Patente Charles Morgan nº 461.784, moedor de café.

      objeto
      Seis figuras de um moedor de café de mesa patenteado em 1891. No centro, o moedor em corte: tremonha alargada, eixo vertical, manivela em cotovelo e gaveta de recolhimento sob a caixa de madeira hachurada. Em volta, o detalhe das mós cônicas vistas de frente e de cima, e a porca borboleta que, sozinha, comanda a finura da moagem.
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      Seis figuras de um moedor de café de mesa patenteado em 1891. No centro, o moedor em corte: tremonha alargada, eixo vertical, manivela em cotovelo e gaveta de recolhimento sob a caixa de madeira hachurada. Em volta, o detalhe das mós cônicas vistas de frente e de cima, e a porca borboleta que, sozinha, comanda a finura da moagem.

      Charles Morgan; patente americana nº 461.784, “Coffee Mill”, United States Patent Office, Washington, 1891; prancha litografada por N. Peters, Washington; https://patents.google.com/patent/US461784A/en

    59. 1893

      Os Padres do Espírito Santo plantam Bourbon da Reunião em Bura (Quênia)

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      Os Padres do Espírito Santo plantam Bourbon da Reunião em Bura (Quênia): o French Mission.

      WCR 2025, ficha K7, p. 47; LC cap. 8

    60. 1893

      O primeiro torrador a gás de chama direta da América, a máquina inglesa…

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      O primeiro torrador a gás de chama direta da América, a máquina inglesa de Tupholme, é instalado em Nova York; Holanda, Alemanha e França patenteavam desde 1877.

      Ukers 1922, cronologia p. 733

    61. 1893

      George Kaltenbach, especulador parisiense, quebra em 1891 um corner de Nova York…

      dinheiro
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      George Kaltenbach, especulador parisiense, quebra em 1891 um corner de Nova York com três operadores de Le Havre, de Hamburgo e de Antuérpia, depois compra em todos os mercados do mundo; a 17,7 centavos, seus lucros ultrapassam o milhão. O crash de maio de 1893 leva trinta casas de Hamburgo, de Le Havre e de Roterdã e seu agente de Nova York.

      Ukers 1922, p. 528

    62. 1894

      Joseph M. Walsh publica Coffee

      falsificação
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      Joseph M. Walsh publica Coffee: Its History, Classification and Description. O falso Moca por “stove-piping” e “steaming” dos fardos; o canephora ainda não existe em nenhum dos dois livros.

      Walsh 1894, p. 202-217; LC cap. 10

    63. 1894

      Máquina de fazer café de J. List e W. B. Smith, patente americana nº 517.283.

      objeto
      A figura 1 mostra em corte uma grande urna de café de balcão: o corpo cilíndrico sobre sua base, a camisa dupla hachurada onde circula o vapor, a coluna central e a torneira de serviço. Em volta, quatro pequenas figuras dão os discos perfurados e as peças de montagem. É a máquina dos restaurantes e dos bufês de estação, a que mantém o café quente o dia inteiro.
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      A figura 1 mostra em corte uma grande urna de café de balcão: o corpo cilíndrico sobre sua base, a camisa dupla hachurada onde circula o vapor, a coluna central e a torneira de serviço. Em volta, quatro pequenas figuras dão os discos perfurados e as peças de montagem. É a máquina dos restaurantes e dos bufês de estação, a que mantém o café quente o dia inteiro.

      J. List e W. B. Smith; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US517283A/en

    64. 1895

      Guzmán Blanco, ex-presidente da Venezuela vivendo em Paris, rico de vinte…

      dinheiro
      Prancha botânica colorida de um ramo de cafeeiro erguido no centro da folha, folhas verde-escuras opostas duas a duas, flores brancas na axila e cerejas vermelhas agrupadas ao longo do caule.
      Coffea arabica, prancha da Flora de Filipinas de Blanco, 1880
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      Guzmán Blanco, ex-presidente da Venezuela vivendo em Paris, rico de vinte milhões, compra 200.000 sacas em Le Havre e contratos por toda parte para um corner; ajudado pela cólera no Rio, leva o Rio 7 a 15,5 centavos em outubro, antes de três anos de queda até 4,5 centavos em 1898.

      Ukers 1922, p. 528

    65. 1896

      a guerra do açúcar

      dinheiro
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      Arbuckle, que glaceia seu café com açúcar e ovos, abre sua própria refinaria contra o truste Havemeyer; o truste revida comprando por dois milhões a Woolson Spice de Toledo e sua marca Lion, com Sielcken no conselho. Dez anos de guerra de preços sobre o café e o açúcar, milhões em custas judiciais; no fim, Arbuckle continua vendendo os dois.

      Ukers 1922, p. 519 e 523-524

    66. 1897

      C. canephora é descrito

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      C. canephora é descrito. Nem Thurber (1881) nem Walsh (1894) o conheciam.

      Froehner 1897; LC digest Thurber-Walsh

    67. 1898

      O venezuelano Olavarria propõe o primeiro plano de restrição da…

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      O venezuelano Olavarria propõe o primeiro plano de restrição da produção e de regulação das exportações; uma campanha baixista traz o Rio 7 de volta a 4,5 centavos.

      Ukers 1922, cronologia p. 733

    68. 1899

      O químico japonês Satori Kato inventa em Chicago o café solúvel, vendido na…

      objeto
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      O químico japonês Satori Kato inventa em Chicago o café solúvel, vendido na Exposição Pan-Americana de Buffalo em 1901; G. Washington lança uma versão refinada em 1909.

      Ukers 1922, cronologia p. 733-735; patente US Kato, 1903

    69. 1899

      A peste bubônica põe os portos brasileiros em quarentena, e os vapores…

      dinheiro
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      A peste bubônica põe os portos brasileiros em quarentena, assim como os vapores deles chegados a Nova York: a escassez faz o Rio passar de 4,25 centavos em setembro de 1899 a 8,25 em julho de 1900, antes que o fim da quarentena o traga de volta a 5 em 1901.

      Ukers 1922, p. 528-529

    70. 1899

      Despolpador de café de R. T. Richards, Honolulu, patente americana nº 620.053.

      objeto
      Duas figuras de traço. No alto, a máquina em corte: a tremonha alargada despeja as cerejas sobre um disco giratório alojado em um cárter, e duas calhas divergentes levam de um lado a polpa, do outro o grão em pergaminho. Embaixo, a elevação do conjunto montado em sua estrutura, com a polia de acionamento. Toda a questão da despolpa está nessa bifurcação: separar limpamente os dois fluxos para que o resíduo não suje a semente.
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      Duas figuras de traço. No alto, a máquina em corte: a tremonha alargada despeja as cerejas sobre um disco giratório alojado em um cárter, e duas calhas divergentes levam de um lado a polpa, do outro o grão em pergaminho. Embaixo, a elevação do conjunto montado em sua estrutura, com a polia de acionamento. Toda a questão da despolpa está nessa bifurcação: separar limpamente os dois fluxos para que o resíduo não suje a semente.

      R. T. Richards, Honolulu (Havaí); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US620053A/en

    No mundo 6 balizas

    1. 1815

      Waterloo e o Congresso de Viena

    2. 1848

      A primavera dos povos

    3. 1861

      Início da Guerra de Secessão

    4. 1869

      Abertura do canal de Suez

    5. 1885

      Conferência de Berlim e partilha da África

    6. 1889

      Exposição Universal de Paris e Torre Eiffel

    1900 → 1950

    1900 a 1950

    Ler o capítulo

    82 marcos do café, 6 balizas do mundo

    Cafeeiros em flor diante de um bangalô de plantador, Mysore, 1909
    Cafeeiros em flor diante de um bangalô de plantador, Mysore, 1909

    O café 82 marcos

    1. por volta de 1900

      O canephora é introduzido em Java a partir do Congo, via Bruxelas, para substituir…

      Fotografia de demonstração em que toda a colheita de um cafeeiro robusta de oito anos foi estendida galho por galho, os ramos carregados de cerejas dispostos em leque para mostrar o rendimento de uma única planta.
      Frutificação de um cafeeiro robusta de oito anos, Malang, Java, 1900
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      O canephora é introduzido em Java a partir do Congo, via Bruxelas, para substituir os arábicas dizimados.

      Coste 1955, p. 22-30; McCook 2019, p. 202

    2. 1900

      A Hills Bros, em San Francisco, é a primeira a embalar o café torrado a vácuo…

      objeto
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      A Hills Bros, em San Francisco, é a primeira a embalar o café torrado a vácuo, sob as patentes Norton: o café pode agora viajar para longe de seu torrefador.

      Ukers, All About Coffee (1922), cap. sobre a embalagem: Hills Bros, San Francisco, primeiros a embalar a vácuo sob as patentes Norton, 1900; Smithsonian, Hills Bros. Coffee Company Records (NMAH.AC.0395)

    3. 1901

      Coffea eugenioides é descrito

      objeto
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      Coffea eugenioides é descrito; será preciso um século para compreender que ele é o parente materno do arábica.

      Wester 1901; Salojärvi et al. 2024

    4. 1901

      Luigi Bezzera, mecânico milanês, deposita em junho de 1901 a patente “inovações…

      objeto
      Folha 1 da patente americana depositada por Luigi Bezzera. À esquerda, a caldeira vertical em forma de obus pousada em seu soquete, suas portas de fornalha redondas, sua torneira e sua válvula reunidas em cacho a meia altura; à direita, três cortes da torneira de distribuição e do porta-filtro que recebe o café moído. É a máquina milanesa de 1901, a que funda o espresso, redesenhada para o escritório de patentes dos Estados Unidos e assinada de próprio punho pelo inventor.
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      Luigi Bezzera, mecânico milanês, deposita em junho de 1901 a patente “inovações nas máquinas para preparar e servir imediatamente o café”; Achille Gaggia acrescenta a alavanca e a crema em 1947.

      Patente Luigi Bezzera nº 153/94 (61707), depositada em Milão em junho de 1901, concedida em 5 de junho de 1902 (Barista Hustle, Who really invented the first espresso machine?, part 1); Gaggia, patente da alavanca, 1947

    5. 1902

      Aparelho de limpeza de cerejas de café de W. A. Hastings e N. J.…

      objeto
      A figura 1 mostra em corte um longo cilindro vazado deitado em sua calha, com o eixo de pás que empurra as cerejas rumo à saída e a tubulação de água que as recebe em contracorrente. A figura 2 dá a vista de topo, dois cilindros justapostos em uma mesma estrutura de alvenaria. A circulação em contracorrente, que economiza água, é a ideia central da prancha.
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      Aparelho de limpeza de cerejas de café de W. A. Hastings e N. J. Harrington, patente americana nº 700.327.

      A figura 1 mostra em corte um longo cilindro vazado deitado em sua calha, com o eixo de pás que empurra as cerejas rumo à saída e a tubulação de água que as recebe em contracorrente. A figura 2 dá a vista de topo, dois cilindros justapostos em uma mesma estrutura de alvenaria. A circulação em contracorrente, que economiza água, é a ideia central da prancha.

      William A. Hastings (Oakland) e N. J. Harrington (San Francisco); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US700327A/en

    6. 1902

      Aparelho de tratamento do café de Hiram Stevens Maxim, patente americana nº 701…

      objeto
      Uma alta coluna cilíndrica pousada sobre uma base, desenhada em corte: o café desce lentamente no tanque enquanto um líquido circula em contracorrente pelas tubulações laterais, com a torneira de esvaziamento e a válvula na base. O inventor da metralhadora interessou-se pelo tratamento do café e propõe aqui conduzir a maceração de forma contínua em uma coluna vertical em vez de em tanques abertos.
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      Aparelho de tratamento do café de Hiram Stevens Maxim, patente americana nº 701.750.

      Uma alta coluna cilíndrica pousada sobre uma base, desenhada em corte: o café desce lentamente no tanque enquanto um líquido circula em contracorrente pelas tubulações laterais, com a torneira de esvaziamento e a válvula na base. O inventor da metralhadora interessou-se pelo tratamento do café e propõe aqui conduzir a maceração de forma contínua em uma coluna vertical em vez de em tanques abertos.

      Hiram Stevens Maxim, Londres; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US701750A/en

    7. 1903

      Porto Rico

      Prancha fotográfica mostrando de perto o tronco de um cafeeiro vivo cuja casca se fendeu e se levantou em longas placas em toda a altura da foto, em consequência de uma inoculação experimental do fungo.
      Prancha V: tronco de cafeeiro inoculado com Fusarium, Porto Rico 1915
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      Porto Rico: única erradicação bem-sucedida da ferrugem na história.

      McCook 2019, p. 69

    8. 1903

      A superprodução brasileira faz o Santos 4 cair para 3,55 centavos em Nova York,…

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      A superprodução brasileira faz o Santos 4 cair para 3,55 centavos em Nova York, o mais baixo jamais registrado; Roselius patenteia na Alemanha a descafeinação.

      Ukers 1922, cronologia p. 734-735

    9. 1903

      Ludwig Roselius, comerciante de Bremen, atribui a morte de seu pai ao abuso de…

      talvez
      Primeira página tipografada da segunda patente depositada no mesmo dia pela mesma equipe de Bremen, duas colunas cerradas de texto detalhando o inchamento dos grãos com vapor e depois a lavagem repetida com solvente que leva a cafeína sem levar os aromas.
      Patente americana nº 897.840 de Meyer, Roselius e Wimmer, extração da cafeína, 1908
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      Ludwig Roselius, comerciante de Bremen, atribui a morte de seu pai ao abuso de café e procura retirar-lhe a cafeína; o processo Meyer-Roselius-Wimmer, grãos inchados com vapor e depois lavados com benzeno, é patenteado em 1905-1908 e vendido sob o nome de Kaffee HAG, Dekafa nos Estados Unidos em 1910, Sanka na França.

      A descafeinação nasce de um luto e de um acidente: Roselius teria notado que uma carga de café encharcada de água do mar havia perdido a cafeína sem perder todo o sabor. A patente alemã de 1905 incha os grãos verdes com vapor e depois extrai a cafeína com benzeno, solvente que será abandonado. O Kaffee HAG é lançado em Bremen em 1906, a Kaffee Hag Corporation em Nova York em 1914, confiscada como bem inimigo em 1919. A cafeína extraída é vendida aos fabricantes de refrigerantes. Os processos com CO₂ e com água, descritos na prancha XII, virão depois de 1970.

      Ukers 1922, p. 517-519 e cronologia p. 735-736 (patentes 1905 e 1908, Dekafa 1910, Kaffee Hag 1914-1919); Kaffee HAG, histórico

    10. 1903

      Percolador adaptável a cafeteiras e bules de Walter R. Montgomery,…

      objeto
      Cinco figuras, duas delas muito grandes. Dois cilindros de tela metálica fina são desenhados em perspectiva em quase toda a altura da folha, um aberto, o outro fechado por seu fundo; ao lado, um disco visto de cima e dois cortes mostram como a peça se encaixa em uma cafeteira comum. A invenção não é uma cafeteira, mas um cesto para colocar na que já se possui.
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      Percolador adaptável a cafeteiras e bules de Walter R. Montgomery, patente americana nº 745.883.

      Cinco figuras, duas delas muito grandes. Dois cilindros de tela metálica fina são desenhados em perspectiva em quase toda a altura da folha, um aberto, o outro fechado por seu fundo; ao lado, um disco visto de cima e dois cortes mostram como a peça se encaixa em uma cafeteira comum. A invenção não é uma cafeteira, mas um cesto para colocar na que já se possui.

      Walter R. Montgomery, Muncie (Indiana); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US745883A/en

    11. fevereiro de 1904

      O “grupo do algodão”, liderado pelo antigo rei do algodão D. J. Sully, leva o…

      dinheiro
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      O “grupo do algodão”, liderado pelo antigo rei do algodão D. J. Sully, leva o café a 11,85 centavos; em 5 de fevereiro, mais de um milhão de sacas mudam de mãos em um pregão, recorde da Bolsa, e Sielcken vende maciçamente enquanto Sully sai de férias. A bolha estoura em três dias.

      Ukers 1922, p. 529 e cronologia p. 735

    12. 1904

      Descascadora de café de Kensett Champney, Senahú (Guatemala), patente americana…

      objeto
      Um longo cilindro horizontal desenhado em corte em toda a largura da folha: o parafuso interno empurra o café em pergaminho de uma ponta a outra entre o eixo e a camisa, as cascas estouradas escapam pelas fendas abertas no revestimento, o grão nu sai na outra extremidade. Duas pequenas figuras dão a vista de topo e o detalhe da regulagem de pressão.
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      Descascadora de café de Kensett Champney, Senahú (Guatemala), patente americana nº 773.544, prancha de desenho.

      Um longo cilindro horizontal desenhado em corte em toda a largura da folha: o parafuso interno empurra o café em pergaminho de uma ponta a outra entre o eixo e a camisa, as cascas estouradas escapam pelas fendas abertas no revestimento, o grão nu sai na outra extremidade. Duas pequenas figuras dão a vista de topo e o detalhe da regulagem de pressão.

      Kensett Champney, Senahú (Guatemala); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US773544A/en

    13. 1904

      Máquina de separar café de C. R. Groff, patente americana nº 778.576.

      objeto
      Duas vistas de uma longa máquina de triagem. No alto, a elevação lateral: um chassi baixo sobre o qual correm correias e tambores, com a calha de alimentação em uma extremidade. Embaixo, o corte desenvolve as calhas escalonadas onde o fluxo se divide. Entre as cinco folhas de desenho, esta é a vista de conjunto que permite seguir o trajeto dos grãos de uma ponta a outra.
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      Duas vistas de uma longa máquina de triagem. No alto, a elevação lateral: um chassi baixo sobre o qual correm correias e tambores, com a calha de alimentação em uma extremidade. Embaixo, o corte desenvolve as calhas escalonadas onde o fluxo se divide. Entre as cinco folhas de desenho, esta é a vista de conjunto que permite seguir o trajeto dos grãos de uma ponta a outra.

      Charles R. Groff; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US778576A/en

    14. 1906

      Convênio de Taubaté

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      Convênio de Taubaté: o Brasil “valoriza” seu café estocando os excedentes. Produz então mais de três quartos do café mundial.

      Em Taubaté, os Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio decidem “valorizar” o café: comprar e estocar os excedentes para sustentar os preços. O Brasil produz então mais de três quartos do café mundial, em Typica e Bourbon quase exclusivamente. A lógica dos estoques, das cotas e dos acordos internacionais domina o século XX até o colapso de 1989.

      Thurber 1881 (contexto); LC cap. 18; OIC

    15. 1906

      Ludwig Roselius desenvolve a descafeinação em Bremen, patenteada em 1906.

      dinheiro
      Primeira página tipografada da patente, sem nenhuma figura: o cabeçalho do escritório americano de patentes, os três nomes dos inventores de Bremen, depois o texto em duas colunas que descreve a extração da cafeína dos grãos verdes a vácuo com um solvente volátil.
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      Patente alemã Roselius/Kaffee HAG, Bremen, 1906; documento de formação profissional, cafeína e descafeinação, p. 2; a conferir no registro DPMA

    16. 1906-1907

      O Brasil colhe 20.190.000 sacas, recorde absoluto, e o Estado de São Paulo lança…

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      O Brasil colhe 20.190.000 sacas, recorde absoluto, e o Estado de São Paulo lança a “valorização”: comprar e estocar para sustentar as cotações. Em 1908 Hermann Sielcken coloca o empréstimo de 75 milhões de dólares junto aos bancos da Europa e da América.

      A colheita brasileira de 1906-1907 ultrapassa vinte milhões de sacas quando o mundo consome menos. O Estado de São Paulo, amparado por um empréstimo, compra o café e o retém em armazéns em Nova York, em Le Havre, em Hamburgo, para só liberá-lo a conta-gotas: é a valorização, primeira tentativa de um Estado produtor de fixar ele mesmo a cotação. Hermann Sielcken, comerciante nova-iorquino de origem alemã, é seu banqueiro e seu cérebro; o governo americano o ataca em 1912 por restrição ao comércio. A valorização terá êxito o bastante para ser repetida, até a versão extrema dos anos 1930: queimar.

      Ukers 1922, p. 517-519 e cronologia p. 735

    17. agosto de 1906

      O comissário de São Paulo, rechaçado pelos Rothschild e por todos os…

      dinheiro
      Um homem de chapéu de feltro está de pé no alto de uma escada de madeira bruta encostada em um cafeeiro já despojado, em uma fileira de folhagem densa. No chão, mulheres de vestido longo e lenço, adolescentes e uma criança de túnica esperam alinhados ao longo da alameda de terra arenosa, coberta de galhos quebrados. A escada diz a altura que os cafeeiros não recepados atingiam, e a fila diz que a colheita mobilizava famílias inteiras.
      Colhedores de café no interior de São Paulo, Brasil, 1900
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      O comissário de São Paulo, rechaçado pelos Rothschild e por todos os bancos da Europa, sobe à villa de Sielcken em Baden-Baden: “financiem-nos cinco a oito milhões de sacas”. Sielcken recusa, depois aceita a 80 % de um valor de sete centavos a libra; a colheita recorde obriga o Estado a comprar nove milhões de sacas e o deixa quase falido, até que Sielcken traz de volta os Rothschild e faz proibir por lei todo novo plantio no Brasil.

      Ukers reconstitui a cena a partir de Robert Sloss e dos próprios discursos de Sielcken. O plano de 1908: 75 milhões emprestados por um sindicato de banqueiros americanos, ingleses, alemães, franceses e belgas; dez milhões de sacas compradas por São Paulo e armazenadas em Nova York e na Europa sob a guarda de um comitê de sete, entre eles Sielcken, Bunge e Schroeder; as exportações limitadas a dez milhões de sacas; uma sobretaxa de cinco francos-ouro por saca. O comitê se recusa a entregar o café valorizado nas bolsas públicas e faz os compradores assinarem o compromisso de não entregá-lo ali; em dois anos a cotação dobra, em 1911 chega a dezesseis centavos. “Da capacidade do comerciante de entregar café no New York Coffee Exchange depende o preço do café no mundo.” São Paulo toma novo empréstimo de 37,5 milhões em 1913 e de 21 em 1915; o empréstimo de 1908 é quitado em 1919, e a sobretaxa ainda está lá em 1922. O Brasil valoriza de novo em 1918 e em 1922, antes de queimar.

      Ukers 1922, p. 529-534, a partir de Sloss, World's Work

    18. 1907

      Theodore Roosevelt, servido com uma xícara de Maxwell House em Nashville, a teria…

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      Theodore Roosevelt, servido com uma xícara de Maxwell House em Nashville, a teria declarado “good to the last drop”; a marca fez disso seu slogan. Nenhuma testemunha jamais confirmou a frase.

      Lenda de marca, relatada por Pendergrast 1999, cap. 8, e pela Maxwell House; nenhuma fonte contemporânea

    19. 1907

      Separador de café de Ramón F. Cordero, Chivacoa (Venezuela), patente americana…

      objeto
      Duas figuras. A primeira mostra em corte um duto em cotovelo que se alarga em câmara de expansão: a mistura entra por cima, a veia desacelera no alargamento e os elementos pesados se desprendem da corrente. A segunda figura dá a caixa de recepção, com suas divisórias e o fundo hachurado onde se depositam os grãos triados.
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      Separador de café de Ramón F. Cordero, Chivacoa (Venezuela), patente americana nº 844.253.

      Duas figuras. A primeira mostra em corte um duto em cotovelo que se alarga em câmara de expansão: a mistura entra por cima, a veia desacelera no alargamento e os elementos pesados se desprendem da corrente. A segunda figura dá a caixa de recepção, com suas divisórias e o fundo hachurado onde se depositam os grãos triados.

      Ramón F. Cordero, Chivacoa (Venezuela); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US844253A/en

    20. 1908

      Em 20 de junho, Melitta Bentz, dona de casa de Dresden, registra seu filtro de…

      objeto
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      Em 20 de junho, Melitta Bentz, dona de casa de Dresden, registra seu filtro de papel mata-borrão; sua empresa entra no registro de comércio em 15 de dezembro.

      Deutsches Patent- und Markenamt, Melitta Bentz: Gebrauchsmuster registrado em 20 de junho de 1908 no Kaiserliches Patentamt; empresa inscrita no registro de comércio de Dresden em 15 de dezembro de 1908

    21. 1909

      Máquina de limpar e calibrar café de E. C. Smith, patente americana nº 940…

      objeto
      A máquina inteira em elevação lateral, uma alta caixa retangular em que se escalonam vários planos inclinados vazados. O café entra pela tremonha do alto, desce de peneira em peneira, e cada andar retém um calibre enquanto a corrente leva os resíduos leves. O desenho faz ver a sucessão das grades, isto é, a classificação por tamanho que segue imediatamente a lavagem.
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      Máquina de limpar e calibrar café de E. C. Smith, patente americana nº 940.989.

      A máquina inteira em elevação lateral, uma alta caixa retangular em que se escalonam vários planos inclinados vazados. O café entra pela tremonha do alto, desce de peneira em peneira, e cada andar retém um calibre enquanto a corrente leva os resíduos leves. O desenho faz ver a sucessão das grades, isto é, a classificação por tamanho que segue imediatamente a lavagem.

      Elvah C. Smith; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US940989A/en

    22. anos 1910

      S.26, híbrido espontâneo arábica × liberica, identificado em Coorg (Índia).

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      CCRI, Coffee Board of India; WCR 2025, ficha S795, p. 73

    23. 1910

      Aparelho de extração da cafeína do café de Heinrich Trillich, patente…

      objeto
      Uma coluna vertical esguia, coroada por um condensador de serpentina e assentada sobre um balão aquecido, o conjunto ligado por um tubo lateral de retorno. É o extrator contínuo de laboratório transposto para a escala industrial: o solvente ferve embaixo, condensa no alto, percola pela carga de café e desce de volta carregado de cafeína.
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      Aparelho de extração da cafeína do café de Heinrich Trillich, patente americana nº 964.944.

      Uma coluna vertical esguia, coroada por um condensador de serpentina e assentada sobre um balão aquecido, o conjunto ligado por um tubo lateral de retorno. É o extrator contínuo de laboratório transposto para a escala industrial: o solvente ferve embaixo, condensa no alto, percola pela carga de café e desce de volta carregado de cafeína.

      Heinrich Trillich, Munique; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US964944A/en

    24. 1910

      Aparelho de extração da cafeína em grãos inteiros de Heinrich Trillich,…

      objeto
      Uma figura única de aparelhagem química desenhada a traço: um recipiente fechado pousado em seu suporte, coroado por uma serpentina de refrigeração em espiral, ligado por um pescoço em cotovelo a uma segunda capacidade. O solvente evapora, condensa na serpentina e cai de volta sobre os grãos inteiros que ficaram no corpo do aparelho, uma montagem de refluxo que esgota a cafeína sem jamais moer o café.
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      Aparelho de extração da cafeína em grãos inteiros de Heinrich Trillich, patente americana nº 953.074.

      Uma figura única de aparelhagem química desenhada a traço: um recipiente fechado pousado em seu suporte, coroado por uma serpentina de refrigeração em espiral, ligado por um pescoço em cotovelo a uma segunda capacidade. O solvente evapora, condensa na serpentina e cai de volta sobre os grãos inteiros que ficaram no corpo do aparelho, uma montagem de refluxo que esgota a cafeína sem jamais moer o café.

      Heinrich Trillich, Munique; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US953074A/en

    25. 1910

      Aparelho de limpeza do café de W. D. Balcom, patente americana nº 957.138.

      objeto
      Uma grande figura em corte ocupa toda a folha: uma coluna vertical hachurada, coroada por um cotovelo e prolongada por uma larga manga, na qual uma corrente ascendente leva as películas e as poeiras enquanto os grãos, mais pesados, caem de volta. É o princípio da triagem pneumática, primo direto da triagem pela água e muitas vezes instalado logo depois dela.
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      Uma grande figura em corte ocupa toda a folha: uma coluna vertical hachurada, coroada por um cotovelo e prolongada por uma larga manga, na qual uma corrente ascendente leva as películas e as poeiras enquanto os grãos, mais pesados, caem de volta. É o princípio da triagem pneumática, primo direto da triagem pela água e muitas vezes instalado logo depois dela.

      William D. Balcom, Oberlin; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US957138A/en

    26. 1910

      Processo de extração da cafeína de Heinrich Trillich, patente americana nº…

      objeto
      A instalação vista em corte e desenvolvida na horizontal: duas capacidades cilíndricas ligadas por tubulações em cotovelo, com as torneiras de isolamento e o condensador intercalado entre elas. O desenho se lê como um esquema de processo mais do que como o retrato de uma máquina, o café permanecendo em uma das capacidades enquanto o solvente faz o vaivém.
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      Processo de extração da cafeína de Heinrich Trillich, patente americana nº 950.357.

      A instalação vista em corte e desenvolvida na horizontal: duas capacidades cilíndricas ligadas por tubulações em cotovelo, com as torneiras de isolamento e o condensador intercalado entre elas. O desenho se lê como um esquema de processo mais do que como o retrato de uma máquina, o café permanecendo em uma das capacidades enquanto o solvente faz o vaivém.

      Heinrich Trillich, Munique; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US950357A/en

    27. 1911

      L. P. Kent seleciona em Mysore o primeiro arábica “resistente” à ferrugem.

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      WCR 2025; CCRI; Counter Culture Coffee, India's arabica varieties

    28. 1911

      O senador Norris, de Nebraska, acusa o sindicato de valorização de custar 35…

      dinheiro
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      O senador Norris, de Nebraska, acusa o sindicato de valorização de custar 35 milhões por ano aos americanos; o inquérito se arrasta, o processo de 1912 é abandonado depois que Sielcken e o Brasil prometem vender as 746.539 sacas armazenadas nos Estados Unidos. A lei Norris de fevereiro de 1913 proíbe toda participação americana em uma valorização; Sielcken oferece 5.000 dólares a quem souber explicá-la.

      Ukers 1922, p. 532-533

    29. 1911

      Despolpador de café de Richard Bahmann, patente americana nº 991.413.

      objeto
      Dois cortes verticais da máquina ocupam toda a folha: uma tremonha cônica muito alargada coroa um cone giratório crivado de dentes, alojado em uma camisa fixa; a cereja é esmagada entre as duas superfícies, o grão cai por baixo, a polpa é expulsa lateralmente pelo duto visível ao lado. Uma pequena figura anexa dá o detalhe da regulagem do espaçamento, regulagem da qual depende rasgar a polpa sem ferir a semente.
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      Dois cortes verticais da máquina ocupam toda a folha: uma tremonha cônica muito alargada coroa um cone giratório crivado de dentes, alojado em uma camisa fixa; a cereja é esmagada entre as duas superfícies, o grão cai por baixo, a polpa é expulsa lateralmente pelo duto visível ao lado. Uma pequena figura anexa dá o detalhe da regulagem do espaçamento, regulagem da qual depende rasgar a polpa sem ferir a semente.

      Richard Bahmann; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US991413A/en

    30. 1912

      O Conilon é introduzido no Espírito Santo.

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      Ferrão et al., Informe Agropecuário 41 (2020); Incaper

    31. 1912

      O governo americano processa os detentores de estoques de valorização nos…

      Grande bandeja cinzelada trazendo uma cafeteira central cercada de pequenas xícaras pousadas em seus suportes.
      Serviço de café turco, coleção Peter, museu nacional dos Estados Unidos, 1922
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      O governo americano processa os detentores de estoques de valorização nos Estados Unidos; Sielcken, “último rei do café”, morre em 1917.

      Ukers 1922, p. 517-519 e cronologia p. 736

    32. 27 de março de 1912

      John Arbuckle morre no Brooklyn após quatro dias de doença

      dinheiro
      Fachada de um edifício de escritórios de vários andares, vista da rua de baixo para cima.
      O edifício da Bolsa do café e do açúcar de Nova York, 1922
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      John Arbuckle morre no Brooklyn após quatro dias de doença; a Bolsa do café fecha às duas horas. Sua fábrica do Brooklyn torra de 8 a 9.000 sacas por dia, expede 800.000 pacotes de Ariosa, recebe 108 milhões de cupons por ano contra quatro milhões de brindes, entre os quais alianças de casamento suficientes para “assistir a 80.000 casamentos”. Herança: 33 milhões de dólares.

      Ukers 1922, p. 522-525

    33. 1912

      Aparelho de lavagem do café de Roberto Okrassa, Antigua (Guatemala), patente…

      objeto
      Três figuras. A figura 1 dá a elevação lateral da lavadora, um longo cilindro horizontal vazado carregado por uma estrutura baixa, com sua polia e seu duto de alimentação de água. A figura 2 a corta transversalmente para mostrar as pás helicoidais que fazem a massa avançar. A figura 3, um disco hachurado, desenvolve o fundo perfurado por onde escoa a água carregada de mucilagem.
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      Aparelho de lavagem do café de Roberto Okrassa, Antigua (Guatemala), patente americana nº 1.013.807.

      Três figuras. A figura 1 dá a elevação lateral da lavadora, um longo cilindro horizontal vazado carregado por uma estrutura baixa, com sua polia e seu duto de alimentação de água. A figura 2 a corta transversalmente para mostrar as pás helicoidais que fazem a massa avançar. A figura 3, um disco hachurado, desenvolve o fundo perfurado por onde escoa a água carregada de mucilagem.

      Roberto Okrassa, Antigua (Guatemala); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US1013807A/en

    34. 1912

      Linha de tratamento das cerejas de café de José Marcelino Urgellés, patente…

      objeto
      Toda a instalação úmida vista em elevação em uma única folha: a tremonha de recepção no alto, o despolpador, o duto de evacuação da polpa, o tanque onde o grão permanece, depois o elevador de caçambas que o retoma rumo à lavagem. A patente não protege uma máquina, mas o encadeamento das operações, o que faz dela um dos raros esquemas de conjunto de uma estação de tratamento dessa época.
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      Linha de tratamento das cerejas de café de José Marcelino Urgellés, patente americana nº 1.038.032, prancha de desenho.

      Toda a instalação úmida vista em elevação em uma única folha: a tremonha de recepção no alto, o despolpador, o duto de evacuação da polpa, o tanque onde o grão permanece, depois o elevador de caçambas que o retoma rumo à lavagem. A patente não protege uma máquina, mas o encadeamento das operações, o que faz dela um dos raros esquemas de conjunto de uma estação de tratamento dessa época.

      José Marcelino Urgellés; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US1038032A/en

    35. 1914

      O secretário da Marinha Josephus Daniels proíbe o álcool a bordo dos navios…

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      O secretário da Marinha Josephus Daniels proíbe o álcool a bordo dos navios americanos; os marinheiros, reduzidos ao café, o teriam batizado de “cup of Joe”. A etimologia é contestada pela própria Marinha.

      Naval History and Heritage Command, Cup of Joe, FAQ (etimologia contestada); General Order 99 de 1º de junho de 1914

    36. 1914

      Moedor de café de Walter F. Stimpson, patente americana nº 1.086.868.

      objeto
      Duas figuras sobrepostas. No alto, o moedor de balcão em elevação: a tremonha alargada, o corpo de ferro fundido e o grande cone de recepção aberto para baixo, o conjunto carregado por uma console. Embaixo, a mesma máquina aberta em corte deixa ver as mós, o eixo e o mecanismo de regulagem. É o moedor das mercearias, o que mói diante do cliente.
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      Duas figuras sobrepostas. No alto, o moedor de balcão em elevação: a tremonha alargada, o corpo de ferro fundido e o grande cone de recepção aberto para baixo, o conjunto carregado por uma console. Embaixo, a mesma máquina aberta em corte deixa ver as mós, o eixo e o mecanismo de regulagem. É o moedor das mercearias, o que mói diante do cliente.

      Walter F. Stimpson; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US1086868A/en

    37. 1915–1918

      Mutação Caturra no Brasil

      Uma prancha de página inteira que sobrepõe duas fotografias. No alto, a fazenda Boa Vista no Brasil: os terreiros de secagem em xadrez, o prédio de despolpa e, alinhados contra ele, os tanques de fermentação. Embaixo, uma estação da Costa Rica onde os mesmos tanques, longos reservatórios retangulares de alvenaria, correm ao pé do galpão de máquinas; distinguem-se as valetas que os alimentam e os homens que os revolvem.
      Terreiros de secagem, prédio de despolpa e tanques de fermentação no Brasil e na Costa Rica, prancha de All About Coffee, 1922
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      Mutação Caturra no Brasil; seleção pelo IAC a partir de 1937.

      WCR 2025, ficha Caturra, p. 30; Setotaw et al. 2013 (IAC 477, 1951)

    38. 1918

      Os Estados Unidos colocam importadores e torrefadores sob licença de guerra

      Na parte de baixo da página, quatro fórmulas estruturais alinhadas e legendadas à mão: cafeína (teína), teobromina, xantina e ácido úrico, desenhadas com seus anéis, suas ligações duplas e seus grupos metila, para mostrar que a cafeína é apenas um membro metilado do grupo púrico. No alto, à direita, a tabela de solubilidade da cafeína dá, para cada solvente, da água ao tolueno, a massa dissolvida por cem gramas de solução saturada.
      Fórmula da cafeína e seu lugar no grupo púrico, com a tabela de solubilidade do alcaloide, página de All About Coffee, 1922
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      Os Estados Unidos colocam importadores e torrefadores sob licença de guerra; a Soluble Coffee Company abastece o exército americano; mais de 9 milhões de sacas se acumulam nos portos brasileiros.

      Ukers 1922, cronologia p. 736-737

    39. junho de 1918

      Uma geada real no Paraná e em São Paulo, tomada pelo boato sazonal…

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      Uma geada real no Paraná e em São Paulo, tomada pelo boato sazonal habitual: os compradores americanos não acompanham, os navios partem vazios, e o Santos 4 passa de 8,25 centavos em maio a 20,5 em 10 de dezembro após o armistício. Hoover, na Food Administration, tivera de impor que o café fosse reconhecido como alimento para obter tonelagem.

      Ukers 1922, p. 535-538; Food Administration, regras de fevereiro de 1918

    40. 1919

      O gás mostarda torna o café solúvel “um dos artigos de subsistência mais…

      Sala de pregão em que uma centena de homens de terno se aglomeram em torno do círculo de cotação.
      O pregão do café na Bolsa do café e do açúcar de Nova York, 1922
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      O gás mostarda torna o café solúvel “um dos artigos de subsistência mais importantes do exército”: três quartos de onça por ração de reserva, em sachês após testes de bastões e de tabletes; a intendência de Nova York pede 42.500 libras por dia a partir de 1º de janeiro de 1919. Ukers, em 1922, ainda considera o solúvel “um fogo-fátuo” que perde o aroma.

      Ukers 1922, p. 539-540 (Holbrook, War Department)

    41. 1920

      Após a disparada de 1919 em que se previa cinquenta centavos, a deflação traz…

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      Após a disparada de 1919 em que se previa cinquenta centavos, a deflação traz o café de volta “bem abaixo de seu valor intrínseco”; a demanda europeia esperada não vem, o interior americano está entupido de estoques, e o comércio registra perdas que Ukers espera “para sempre sem exemplo”.

      Ukers 1922, p. 538

    42. 1922

      Fundação dos Scott Agricultural Laboratories em Kabete (Quênia)

      Na parte de baixo da página, uma fotografia tirada rente ao chão mostra uma bateria de tanques de fermentação e de lavagem de concreto em uma fazenda de São Paulo: reservatórios retangulares justapostos, separados por divisórias baixas, com dois operários empurrando o café com rodo. No alto da mesma página, uma segunda vista mostra o trabalho do café nos terreiros de secagem.
      Tanques de fermentação e de lavagem em uma fazenda de São Paulo, página de All About Coffee, 1922
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      Fundação dos Scott Agricultural Laboratories em Kabete (Quênia); a antracnose dos frutos do cafeeiro é descrita no mesmo ano no país. Ukers publica All About Coffee.

      Trabocca, Kenyan varieties; Ukers 1922

    43. 1922

      William H. Ukers publica em Nova York All About Coffee

      Na parte de baixo da página, seis retângulos numerados mostram planificado o relevo das camisas de cobre com que se reveste o cilindro de um despolpador: protuberâncias ovais mais ou menos apertadas, mais ou menos altas. A legenda atribui cada modelo a uma espécie ou a um calibre, o arábica comum, o liberica, o robusta, o maragogype. Como o mesmo fruto não tem o mesmo tamanho conforme a espécie, a casca não se desprende com o mesmo grão.
      Seis tipos de camisas de cobre para cilindros de despolpadores, página de All About Coffee, 1922
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      William H. Ukers publica em Nova York All About Coffee: 800 páginas, 492 datas, 1.380 referências, a obra monumental cuja cronologia esta prancha retoma.

      Ukers, All About Coffee (1922), prefácio p. XXVII

    44. 1922 → 1931

      a Böttcherstraße

      Anúncio de imprensa em preto e branco para o café descafeinado da marca fundada por Ludwig Roselius, composto de um título em letras grandes, de um texto de argumentação e do logotipo redondo da marca.
      Publicidade do Kaffee HAG, café descafeinado de Ludwig Roselius, 1932
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      Ludwig Roselius, o inventor do café descafeinado, emprega a fortuna do Kaffee HAG para comprar uma ruela medieval de Bremen, a rua dos tanoeiros, e mandar reconstruí-la inteiramente pelo escultor expressionista Bernhard Hoetger. Ela abriga desde 1927 o museu Paula Modersohn-Becker, primeiro museu do mundo dedicado a uma mulher pintora. Roselius apoia depois o partido nazista, que lhe retribui mal: no congresso de Nuremberg de setembro de 1936, Hitler condena publicamente a rua e a classifica como “arte degenerada”. Ela escapa da demolição porque Roselius aceita em troca investir na Focke-Wulf, a fabricante de aviões da cidade.

      Wikipedia, Ludwig Roselius, Bernhard Hoetger, Paula Modersohn-Becker Museum e Barbara Goette, acessados em 18/09/2026

    45. 1923 → 1932

      O livro de oração mais difundido do judaísmo americano é um presente…

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      O livro de oração mais difundido do judaísmo americano é um brinde publicitário de torrefador. Em 1923, o publicitário Joseph Jacobs faz um rabino do Lower East Side estabelecer que o grão de café é botanicamente uma baga e não uma leguminosa: é, portanto, kasher para o Pessach. Em 1932, em plena Depressão, ele convence a Maxwell House a oferecer uma Hagadá em cada lata. Mais de sessenta milhões de exemplares distribuídos desde então.

      Yeshiva University Libraries, Coffee for Passover: The Maxwell House Haggadah in the American Jewish Home, 1932 and Beyond (2019); cifra de sessenta milhões apurada em 2022

    46. 1923

      Máquina de café de Raoul Felice Bossini, patente americana nº 1.473.898.

      objeto
      Uma longa caldeira horizontal desenhada em elevação, da qual descem vários grupos de distribuição alinhados como os tubos de um órgão, cada um com sua torneira e seu porta-filtro; ao lado, um reservatório anexo e sua tubulação. A folha mostra a máquina de balcão de vários postos, a que permite servir várias xícaras em sequência.
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      Uma longa caldeira horizontal desenhada em elevação, da qual descem vários grupos de distribuição alinhados como os tubos de um órgão, cada um com sua torneira e seu porta-filtro; ao lado, um reservatório anexo e sua tubulação. A folha mostra a máquina de balcão de vários postos, a que permite servir várias xícaras em sequência.

      Raoul Felice Bossini (Itália); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US1473898A/en

    47. 1923

      Máquina de fazer e de infundir café de Vittorio Casoletti, Turim, patente…

      objeto
      A máquina inteira em corte vertical no centro da folha: a caldeira em forma de sino, o tubo ascendente, a câmara de infusão e a torneira de distribuição alinhados em um mesmo eixo, com o fogareiro sob o pé. Quatro pequenas figuras destacadas dão o detalhe da torneira, da junta e do porta-filtro. A pressão do vapor empurra a água através do café moído: é a mecânica italiana do entreguerras.
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      Máquina de fazer e de infundir café de Vittorio Casoletti, Turim, patente americana nº 1.462.322.

      A máquina inteira em corte vertical no centro da folha: a caldeira em forma de sino, o tubo ascendente, a câmara de infusão e a torneira de distribuição alinhados em um mesmo eixo, com o fogareiro sob o pé. Quatro pequenas figuras destacadas dão o detalhe da torneira, da junta e do porta-filtro. A pressão do vapor empurra a água através do café moído: é a mecânica italiana do entreguerras.

      Vittorio Casoletti, Turim (Itália); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US1462322A/en

    48. 1924

      Tanque vertical de tratamento do café verde de Lawrence K. Watrous, patente…

      objeto
      Um tanque cilíndrico fechado, desenhado em corte vertical, atravessado de cima a baixo por um feixe de tubos; à direita, a vista de cima mostra a placa perfurada que sustenta esses tubos, e uma terceira figura dá o detalhe de um elemento. O líquido circula nos tubos enquanto os grãos ocupam o corpo do tanque, dispositivo de troca térmica que se reencontrará nos fermentadores fechados.
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      Tanque vertical de tratamento do café verde de Lawrence K. Watrous, patente americana nº 1.498.410, prancha de desenho.

      Um tanque cilíndrico fechado, desenhado em corte vertical, atravessado de cima a baixo por um feixe de tubos; à direita, a vista de cima mostra a placa perfurada que sustenta esses tubos, e uma terceira figura dá o detalhe de um elemento. O líquido circula nos tubos enquanto os grãos ocupam o corpo do tanque, dispositivo de troca térmica que se reencontrará nos fermentadores fechados.

      Lawrence K. Watrous, Minneapolis; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US1498410A/en

    49. 1924

      Despolpador de café de J. C. H. Grant, patente americana nº 1.496.265, prancha de…

      objeto
      No alto, a máquina em corte: as cerejas escorregam de uma tremonha inclinada entre dois rolos guarnecidos, e a polpa arrancada cai em uma caixa separada. A parte de baixo da folha é ocupada por seis figuras de detalhe que desenvolvem planificado o grão da superfície de trabalho, caneluras retas, caneluras oblíquas, pontas: a prancha é na verdade um catálogo de texturas, pois é a textura que faz a separação.
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      Despolpador de café de J. C. H. Grant, patente americana nº 1.496.265, prancha de desenho.

      No alto, a máquina em corte: as cerejas escorregam de uma tremonha inclinada entre dois rolos guarnecidos, e a polpa arrancada cai em uma caixa separada. A parte de baixo da folha é ocupada por seis figuras de detalhe que desenvolvem planificado o grão da superfície de trabalho, caneluras retas, caneluras oblíquas, pontas: a prancha é na verdade um catálogo de texturas, pois é a textura que faz a separação.

      Josceline Charles Herbert Grant; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US1496265A/en

    50. 1924

      Máquina de fazer café de Manuel Iglesias, patente americana nº 1.493.984.

      objeto
      Dois grandes cortes. O primeiro mostra o corpo da máquina, um invólucro alargado em forma de sino invertido que cobre a câmara de infusão, com a tubulação de chegada e o volante de manobra. O segundo abre o mecanismo, engrenagens e parafusos de pressão que apertam o disco de café moído. O café moído não é mais apenas atravessado, é comprimido.
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      Dois grandes cortes. O primeiro mostra o corpo da máquina, um invólucro alargado em forma de sino invertido que cobre a câmara de infusão, com a tubulação de chegada e o volante de manobra. O segundo abre o mecanismo, engrenagens e parafusos de pressão que apertam o disco de café moído. O café moído não é mais apenas atravessado, é comprimido.

      Manuel Iglesias; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US1493984A/en

    51. 1925

      Abertura da estação de Balehonnur (CCRI, Índia)

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      Abertura da estação de Balehonnur (CCRI, Índia); cruzamentos arábica × canephora desde 1927.

      Cheney, Coffee: a monograph of the economic species (1925)

    52. 1925

      Ralph Cheney publica sua monografia das espécies econômicas do gênero Coffea.

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      Cheney, Coffee: a monograph of the economic species (1925)

    53. 1926

      Percolador de filtração lenta de Lloyd S. Roberts, patente americana nº 1.581…

      objeto
      O aparelho em corte vertical ocupa a esquerda da folha: o reservatório superior, a câmara do café moído no meio e o recipiente de recepção embaixo, ligados por um bocal estreito que regula a vazão. À direita, duas figuras de detalhe mostram a peça de regulagem e o disco perfurado. A patente leva o nome de “french drip percolator”, o que os catálogos americanos davam à cafeteira de filtração lenta.
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      Percolador de filtração lenta de Lloyd S. Roberts, patente americana nº 1.581.871.

      O aparelho em corte vertical ocupa a esquerda da folha: o reservatório superior, a câmara do café moído no meio e o recipiente de recepção embaixo, ligados por um bocal estreito que regula a vazão. À direita, duas figuras de detalhe mostram a peça de regulagem e o disco perfurado. A patente leva o nome de “french drip percolator”, o que os catálogos americanos davam à cafeteira de filtração lenta.

      Lloyd S. Roberts; United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US1581871A/en

    54. 1927

      Identificação do Híbrido de Timor, cruzamento espontâneo arábica × canephora,…

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      Identificação do Híbrido de Timor, cruzamento espontâneo arábica × canephora, tetraploide e fértil.

      A ferrugem chegou a Timor por volta de 1886. Nos anos 1920, em uma plantação portuguesa da ilha, algumas plantas não adoecem: um cruzamento espontâneo entre um arábica e um canephora. Diferentemente dos híbridos anteriores, diploides e estéreis, este é tetraploide e autofértil como o arábica, o que permite retrocruzá-lo. Identificado em 1927, torna-se no CIFC de Oeiras o genitor dos Catimors (1959) e dos Sarchimors. Sua introgressão cobre de 7 a 11 % do genoma de seus descendentes, carrega os genes de resistência do cromossomo 4, e uma penalidade de qualidade mensurável (Salojärvi 2024, Yang 2026). No mesmo ano, em Balehonnur, na Índia, começa-se a cruzar arábica e canephora.

      Salojärvi et al. 2024, p. 726; McCook 2019, p. 134; LC cap. 14

    55. 1927

      Fundação da Federación Nacional de Cafeteros de Colombia, que organiza os…

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      Fundação da Federación Nacional de Cafeteros de Colombia, que organiza os produtores, garante a compra e financiará a Cenicafé (1938).

      Federación Nacional de Cafeteros de Colombia, histórico; Wikipedia

    56. 1929

      Piza conta 2n = 44 cromossomos no arábica, 22 nos demais cafeeiros.

      objeto
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      Piza, no Brasil, conta 44 cromossomos no arábica e 22 em todos os outros cafeeiros cultivados. Coste, em 1955, registra o número e observa que não se pode tirar dele nenhuma conclusão. Tinha em mãos a chave da origem alotetraploide, canephora × eugenioides, e não podia lê-la: ela só será estabelecida décadas depois, e datada em 2024.

      Coste 1955, p. 331; LC cap. 14

    57. 1929–1930

      Crash de 1929

      dinheiro
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      Crash de 1929: as cotações do café desabam com os estoques acumulados pela “valorização”; o Brasil está em crise antes mesmo da revolução de Vargas.

      Ukers 1935; Daily Coffee News (2021); LC cap. 18

    58. 1929

      O italiano Attilio Calimani patenteia a prensa francesa com vedação em torno do…

      objeto
      Três desenhos técnicos, dois deles em corte, mostrando cafeteiras de filtro e sua circulação de água.
      Desenhos de patentes de cafeteiras francesas antigas, 1922
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      O italiano Attilio Calimani patenteia a prensa francesa com vedação em torno do filtro: a French press moderna.

      Patente italiana Attilio Calimani, 1929; Barista Hustle, The History of French Press

    59. 1929

      Máquina de café espresso de grande vazão de Angelo Torriani, Pavia, patente…

      objeto
      Uma alta máquina vertical desenhada em corte em toda a altura da folha: a caldeira em coluna, os órgãos de regulagem escalonados ao longo do fuste, e embaixo o grupo de distribuição com seu porta-filtro e sua grade de escoamento. O título da patente, “large output express coffee machine”, diz o objeto do desenho: manter o ritmo de um café italiano de grande cidade.
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      Máquina de café espresso de grande vazão de Angelo Torriani, Pavia, patente americana nº 1.709.290.

      Uma alta máquina vertical desenhada em corte em toda a altura da folha: a caldeira em coluna, os órgãos de regulagem escalonados ao longo do fuste, e embaixo o grupo de distribuição com seu porta-filtro e sua grade de escoamento. O título da patente, “large output express coffee machine”, diz o objeto do desenho: manter o ritmo de um café italiano de grande cidade.

      Angelo Torriani, Pavia (Itália); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US1709290A/en

    60. 1929

      Processo e aparelho de Steven Birnie, Gombong (Java), para liberar a amêndoa das…

      objeto
      Quatro figuras. No alto, o aparelho em corte longitudinal: um cilindro horizontal com tremonha de entrada, no qual um eixo guarnecido de dedos faz rolar as cerejas contra uma parede vazada. Abaixo, três cortes transversais sucessivos mostram a folga que se estreita ao longo da máquina, e por onde os resíduos são evacuados à medida que avançam.
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      Processo e aparelho de Steven Birnie, Gombong (Java), para liberar a amêndoa das cerejas de café, patente americana nº 1.737.071.

      Quatro figuras. No alto, o aparelho em corte longitudinal: um cilindro horizontal com tremonha de entrada, no qual um eixo guarnecido de dedos faz rolar as cerejas contra uma parede vazada. Abaixo, três cortes transversais sucessivos mostram a folga que se estreita ao longo da máquina, e por onde os resíduos são evacuados à medida que avançam.

      Steven Birnie, Gombong, Java (Índias Neerlandesas); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US1737071A/en

    61. 1930

      Aparelho de fazer café de Theodore C. Miller, Brooklyn, patente americana nº 1…

      objeto
      No alto da folha, dois grandes ovais hachurados mostram planificado o tecido filtrante, esticado e depois relaxado. Abaixo, o corte do aparelho faz ver o cone de filtração suspenso acima do recipiente, com a armação que mantém o pano e o bocal que regula o escoamento. É uma patente de filtro de tecido, a solução que precedeu o papel nas cozinhas americanas.
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      Aparelho de fazer café de Theodore C. Miller, Brooklyn, patente americana nº 1.767.544.

      No alto da folha, dois grandes ovais hachurados mostram planificado o tecido filtrante, esticado e depois relaxado. Abaixo, o corte do aparelho faz ver o cone de filtração suspenso acima do recipiente, com a armação que mantém o pano e o bocal que regula o escoamento. É uma patente de filtro de tecido, a solução que precedeu o papel nas cozinhas americanas.

      Theodore C. Miller, Brooklyn (Nova York); United States Patent Office, Washington; https://patents.google.com/patent/US1767544A/en

    62. 1931–1936

      Coletas britânicas na Etiópia

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      Coletas britânicas na Etiópia: o acesso Geisha plantado em Lyamungu (VC-496); Whalley coleta dez libras em 1936.

      Em 1931, uma missão britânica coleta sementes silvestres na Etiópia para os programas do Quênia, de Uganda e de Tanganica. Um acesso rotulado “Geisha” é plantado em Lyamungu sob o número VC-496. Em 1936, o cônsul Richard Whalley coleta dez libras perto do monte Gesha com a ajuda dos Tishana. 1953: mudas de Lyamungu entram no CATIE, T2722. 1963: Don Pachi Serracín as planta em Boquete por sua tolerância à ferrugem. Elas permanecem ali um café medíocre de baixo rendimento durante quarenta anos.

      Rincón et al., Revista Mexicana de Ciencias Agrícolas (INIFAP); WCR 2025, ficha Geisha, p. 38

    63. 1931–1944

      O Brasil destrói 78,2 milhões de sacas de café exportável, queimadas em Santos,…

      dinheiro
      Galpão onde sacos cheios estão alinhados sob calhas de enchimento, ao lado de pilhas de sacos costurados.
      Interior de um armazém de limpeza e classificação em Santos, 1922
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      O Brasil destrói 78,2 milhões de sacas de café exportável, queimadas em Santos, jogadas ao mar, usadas como combustível de locomotiva ou como aterro: o equivalente a três safras mundiais.

      A valorização de 1906 havia ensinado o Brasil a estocar; o crash de 1929 o deixa com estoques invendáveis e uma safra recorde. A partir de 1931, sob o ministro da Fazenda Oswaldo Aranha e depois o Conselho Nacional do Café criado por Vargas em 1932, o Estado recompra o café e o destrói: queimado nos cais de Santos, jogado ao mar ao largo da costa, queimado nas caldeiras das locomotivas, enterrado como aterro sob estradas. O total, até 1944, chega a 78,2 milhões de sacas, cerca de 4,7 milhões de toneladas, mais que três safras mundiais da época. É o episódio que funda a lógica dos acordos internacionais do pós-guerra: antes organizar a escassez do que queimar a abundância.

      Daily Coffee News, 90 Years Ago… (2021); Time, Brazil: Smoke & Mirth (1936); Conselho Nacional do Café

    64. 1932

      Wilson Mayne publica na Nature a genética mendeliana da resistência à…

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      Wilson Mayne publica na Nature a genética mendeliana da resistência à ferrugem e suas raças.

      IAC; Setotaw et al. 2013; LC cap. 14

    65. 1932

      Criação do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) como centro de seleção…

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      Criação do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) como centro de seleção do café; Krug e Carvalho ali fundam a genética do cafeeiro.

      IAC; Setotaw et al. 2013; LC cap. 14

    66. janeiro de 1932

      Em El Salvador, onde catorze famílias detêm o café e a terra, a revolta…

      revolução
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      Em El Salvador, onde catorze famílias detêm o café e a terra, a revolta camponesa liderada por Farabundo Martí é esmagada: a Matanza faz de dez a trinta mil mortos em poucas semanas. O café havia feito o país, e sua ditadura.

      El Salvador havia se convertido ao café após a queda do anil; as terras comunais indígenas foram privatizadas em 1881-1882 em benefício dos plantadores, e uma oligarquia chamada de “as catorze famílias” dominou o país. Quando as cotações desabaram em 1929-1931, os salários dos colhedores acompanharam. O levante de janeiro de 1932, no oeste cafeeiro, foi reprimido pelo general Hernández Martínez em poucas semanas; as estimativas vão de dez a trinta mil mortos, em sua maioria camponeses indígenas. O café explica a riqueza, a concentração de terras e a violência da resposta.

      Anderson, Matanza: El Salvador's Communist Revolt of 1932 (1971); Pendergrast 1999, cap. 8; Paige, Coffee and Power (1997)

    67. 1932

      por que a laranja

      Prancha numerada de vinte e uma latas de folha de flandres e pacotes de café de marcas americanas.
      Diferentes tipos de embalagens para o café em 1922
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      A General Foods compra o Sanka de Roselius e lança uma campanha maciça: entre outras coisas, a empresa envia gratuitamente a milhares de restaurantes americanos jarras novas de gargalo laranja, cor do pacote. A mensagem pretendida era “aqui se serve Sanka”. A mensagem recebida foi “aqui, o laranja é o descafeinado”. A marca deixou os balcões, a cor ficou, e ela ainda serve de código em todo o mundo.

      Sprudge, A brief history of decaf and the color orange; The Takeout, How orange became the new black for decaf coffee pots; Wikipedia, Sanka, acessados em 18/09/2026

    68. 1931–1935

      Os Scott Laboratories selecionam o SL28 (base Bourbon) e depois o SL34 (base…

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      Os Scott Laboratories selecionam o SL28 (base Bourbon) e depois o SL34 (base Typica).

      WCR 2025, fichas SL28 p. 75 e SL34 p. 76

    69. 1933

      Alfonso Bialetti cria a Moka Express em alumínio

      objeto
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      Alfonso Bialetti cria a Moka Express em alumínio: o espresso doméstico italiano, pelo vapor.

      Bialetti, histórico da Moka Express (1933)

    70. 1936

      S.288 difundido na Índia

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      S.288 difundido na Índia; K7 selecionado no Quênia.

      CCRI; WCR 2025, ficha K7, p. 47

    71. 1937

      O IAC começa a seleção do Caturra, mutação anã identificada vinte anos…

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      O IAC começa a seleção do Caturra, mutação anã identificada vinte anos antes.

      WCR 2025, ficha Caturra, p. 30

    72. 1938

      Fundação da Cenicafé em Chinchiná, na Colômbia.

      objetoescassez
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      Cenicafé

    73. 1938

      Em 1º de abril, a Nestlé lança o Nescafé a partir da fábrica de Orbe

      objetoescassez
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      Em 1º de abril, a Nestlé lança o Nescafé a partir da fábrica de Orbe: um café solúvel nascido de uma demanda brasileira, escoar os excedentes dos anos 1930.

      Nestlé, Nescafé marks its 75th anniversary (2013): lançamento na Suíça em 1º de abril de 1938, fábrica de Orbe; Museu Nacional Suíço, blog, outubro de 2018; documento de formação profissional, café solúvel, p. 2

    74. 1941–1942

      Coletas no planalto de Boma (Sudão)

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      Coletas no planalto de Boma (Sudão): Rume Sudan e Barbuk Sudan.

      Crop Trust & WCR 2017; Cafe Imports, glossário

    75. 1941

      Peter Schlumbohm, químico alemão emigrado para Nova York, inventa a Chemex,…

      objeto
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      Peter Schlumbohm, químico alemão emigrado para Nova York, inventa a Chemex, cafeteira de filtro de vidro com colar de madeira.

      Chemex Corporation, histórico; Schlumbohm, patente US 1941

    76. 1943

      Mundo Novo, cruzamento natural Typica × Bourbon, encontrado em Urupês.

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      WCR 2025, ficha Mundo Novo, p. 58; Setotaw et al. 2013

    77. inverno de 1943

      Um hidroavião partido de Foynes para Nova York dá meia-volta após horas de mau…

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      Um hidroavião partido de Foynes para Nova York dá meia-volta após horas de mau tempo. Encarregado de aquecer os passageiros, o chef Joe Sheridan põe uísque irlandês no café e o cobre de creme. A um passageiro que pergunta se é café brasileiro, responde que não, é café irlandês. O cronista Stanton Delaplane o relata em 1952 e o faz reconstituir no Buena Vista de San Francisco.

      Foynes Flying Boat & Maritime Museum, Irish Coffee Centre; Buena Vista Cafe, San Francisco, histórico

    78. 1945–1946

      S.795 (S.288 × Kent) difundido

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      S.795 (S.288 × Kent) difundido: primeira variedade resistente amplamente cultivada.

      WCR 2025, p. 73; Wikipedia, S795 coffee

    79. 1946

      O cà phê trứng nasce de uma escassez de leite

      escassez
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      O cà phê trứng nasce de uma escassez de leite. Durante a guerra da Indochina, Nguyễn Văn Giang, barman do hotel Metropole de Hanói, substitui o creme impossível de encontrar por uma gema de ovo batida com leite condensado. O café Giang, que ele abre em seguida, é hoje administrado por seu filho.

      Sofitel Legend Metropole Hanoi, histórico do estabelecimento; Café Giang, Hanói

    80. 1948

      Achille Gaggia comercializa em Milão a máquina de alavanca

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      Achille Gaggia comercializa em Milão a máquina de alavanca: nove bar de pressão, uma crema que ninguém havia visto, o espresso moderno nasceu.

      A máquina de Bezzera e Pavoni empurrava a água pelo vapor, a menos de dois bar, e o café saía queimado e ralo. Achille Gaggia, cafeteiro milanês, patenteia em 1938 e depois comercializa em 1948 um pistão de alavanca: o barista arma uma mola, a água a 90 graus é empurrada a nove bar através do café moído, e aparece uma espuma dourada, que se batiza de crema e que é preciso primeiro explicar aos clientes inquietos. O espresso moderno, curto, denso, com sua crema, data dessa alavanca; a E61 da Faema em 1961 substitui o braço do homem por uma bomba e fixa o padrão.

      Gaggia, histórico; patente italiana Achille Gaggia 1938; Barista Hustle, Bezzera, Pavoni and Arduino

    81. 1949

      Ano fasto

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      Ano fasto: Pacas em El Salvador, Pache na Guatemala, cruzamento Catuaí em Campinas, início do Tekisic.

      Coffee Research Foundation, Quênia; Coste 1955, p. 323

    82. 1949

      Abertura da estação de Ruiru no Quênia, que dará seu nome ao Ruiru 11.

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      Coffee Research Foundation, Quênia; Coste 1955, p. 323

    No mundo 6 balizas

    1. 1914

      Início da Primeira Guerra Mundial

    2. 1918

      Armistício de 11 de novembro

    3. 1929

      Crash de Wall Street

    4. 1939

      Início da Segunda Guerra Mundial

    5. 1945

      Capitulação do Japão e bombas atômicas

    6. 1947

      Independência da Índia

    1950 → 2000

    1950 a 2000

    Ler o capítulo

    38 marcos do café, 5 balizas do mundo

    Fotografia de dois homens agachados no deserto em torno de um braseiro de areia quente, em que estão enterrados bules de bico longo e utensílios usados para preparar o café.
    Beduínos preparando o café na areia, 1960

    O café 38 marcos

    1. 1950

      O IAC lança o programa Icatu (canephora tetraploidizado × Bourbon).

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      IAC; Setotaw et al. 2013 (Icatu Vermelho, 1992)

    2. 1952

      O Pan-American Coffee Bureau, financiado pelos produtores latino-americanos,…

      anúncio
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      O Pan-American Coffee Bureau, financiado pelos produtores latino-americanos, lança a campanha “Give yourself a Coffee-Break”: a pausa para o café entra no vocabulário e no direito do trabalho americano.

      Pendergrast 1999, cap. 12; Pan-American Coffee Bureau, campanha 1952

    3. 1953

      Plantas Geisha de Lyamungu entram no CATIE sob o número T2722.

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      WCR 2025, ficha Geisha, p. 38; Rincón et al. (INIFAP)

    4. 1954

      No Quênia, o plano Swynnerton autoriza enfim os camponeses africanos a cultivar o…

      revolução
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      No Quênia, o plano Swynnerton autoriza enfim os camponeses africanos a cultivar o café, reservado desde 1900 aos colonos europeus; dez anos depois, eles produzem a maioria dele.

      Swynnerton, A Plan to Intensify the Development of African Agriculture in Kenya (1954); Pendergrast 1999, cap. 13

    5. 1955

      Fundação do CIFC em Oeiras (Portugal)

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      Fundação do CIFC em Oeiras (Portugal); Coste publica “Les caféiers” e ainda escreve que a ferrugem não existe na América.

      McCook 2019, p. 132-133; Coste 1955, p. 224

    6. 1957

      O frappé grego nasce de uma falta de água quente

      objetoescassez
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      O frappé grego nasce de uma falta de água quente. Na feira internacional, Dimitris Vakondios, funcionário da Nestlé que viera apresentar uma bebida achocolatada que se prepara na coqueteleira, não encontra água quente para seu café solúvel e o agita com água fria na coqueteleira da demonstração. A espuma obtida se tornará a bebida nacional grega.

      Nestlé Hellas; Perfect Daily Grind, An Exploration of Greek Frappés (2020)

    7. 1958

      Pacamara (Pacas × Maragogipe) no ISIC.

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      WCR 2025, ficha Pacamara, p. 64

    8. 1959

      O CIFC cruza HdT 832/1 × Caturra

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      O CIFC cruza HdT 832/1 × Caturra: nascimento dos Catimors.

      No CIFC, cruza-se o Híbrido de Timor 832/1 com o Caturra: a resistência de um, o porte anão do outro. O resultado não é uma variedade, mas uma família: cada país tira dela suas linhagens, T5175 e T8667 na Costa Rica, Costa Rica 95, IHCAFE 90 e Lempira em Honduras, Oro Azteca no México, Cauvery na Índia, Ateng em Sumatra, P4 em Yunnan. Um julgamento feito sobre um Catimor de Honduras em 2009 não vale para uma seleção colombiana de 2023.

      WCR 2025, p. 27; CIFC

    9. 1959

      A Federación Nacional de Cafeteros cria com a agência Doyle Dane Bernbach o…

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      A Federación Nacional de Cafeteros cria com a agência Doyle Dane Bernbach o personagem Juan Valdez: um país se torna uma marca.

      Federación Nacional de Cafeteros; Doyle Dane Bernbach, campanha Juan Valdez (1959)

    10. 1959

      Patente Achille Gaggia nº 2.898.844, máquina de infundir café.

      objeto
      Folha 1 da patente de Achille Gaggia, desenhada em plano como uma planta de mecânica: a estrutura vista por dentro, a bomba e seu volante à esquerda, o grupo de percolação no centro, e a timoneria da alavanca traçada em diagonal até o punho. É o pistão acionado por alavanca que aqui substitui a pressão de vapor por uma pressão de água muito mais forte, e faz aparecer a crema sobre a xícara.
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      Folha 1 da patente de Achille Gaggia, desenhada em plano como uma planta de mecânica: a estrutura vista por dentro, a bomba e seu volante à esquerda, o grupo de percolação no centro, e a timoneria da alavanca traçada em diagonal até o punho. É o pistão acionado por alavanca que aqui substitui a pressão de vapor por uma pressão de água muito mais forte, e faz aparecer a crema sobre a xícara.

      Giovanni Achille Gaggia, Milão; patente americana nº 2.898.844, “Machines for Infusing Coffee and Like Liquid Extracts”, United States Patent Office, Washington, 1959; https://patents.google.com/patent/US2898844A/en

    11. 1961

      A Faema lança a E61 de Ernesto Valente

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      A Faema lança a E61 de Ernesto Valente: bomba elétrica, trocador térmico, grupo com pré-infusão. A maioria das máquinas de hoje descende dela.

      Faema, E61 (1961); Ernesto Valente, patente

    12. 1962

      Primeiro Acordo Internacional do Café

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      Primeiro Acordo Internacional do Café: cotas de exportação, até seu colapso em 1989.

      Primeiro Acordo Internacional do Café, assinado sob a égide das Nações Unidas em plena Guerra Fria: cotas de exportação para sustentar os preços e, nas entrelinhas, manter os países produtores longe da influência cubana. O sistema desmorona em 1989; McCook vê nisso a passagem à fase neoliberal da história da ferrugem, em que a vulnerabilidade dos cafezais muda de natureza.

      OIC; McCook 2019, p. 173; LC cap. 18

    13. 1963

      Don Pachi Serracín planta o Geisha em Boquete (Panamá).

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      Rincón et al. (INIFAP); WCR 2025, p. 38

    14. 1964–1966

      Missões da FAO e depois da ORSTOM na Etiópia

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      Missões da FAO e depois da ORSTOM na Etiópia: os acessos que ainda alimentam a seleção.

      Crop Trust & WCR, Global Conservation Strategy (2017), p. 9-11

    15. 1966

      Alfred Peet abre em Berkeley a Peet's Coffee & Tea e faz torra escura de arábica

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      Alfred Peet abre em Berkeley a Peet's Coffee & Tea e faz torra escura de arábica: o modelo da Starbucks, fundada em Seattle em 30 de março de 1971 por três de seus admiradores.

      Peet's Coffee, histórico (Berkeley, 1966); Starbucks, Our Original Store (30 de março de 1971)

    16. 1967

      Fundação do Jimma Agricultural Research Center na Etiópia.

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      JARC / EIAR

    17. 1970

      A ferrugem é detectada na Bahia

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      A ferrugem é detectada na Bahia; a “barreira sanitária” falha já em 1971. Toda a América passa a ser afetada.

      Em 1955, Coste ainda podia escrever que a ferrugem não existe na América. Em 1966 ela atinge Angola, último ferrolho antes do Atlântico. Em 1970 é detectada na Bahia; o Brasil tenta uma barreira sanitária, uma linha em um mapa, que falha já em 1971. Em menos de um século desde o Ceilão, o fungo está em todos os continentes produtores, e tudo o que foi selecionado desde então o foi contra ele.

      McCook 2019, p. 143-146; LC cap. 13

    18. 1971

      Epidemia de CBD no Quênia

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      Epidemia de CBD no Quênia: ela desencadeia o Ruiru 11 e, na Etiópia, o programa de Jimma (1973).

      A epidemia de antracnose dos frutos do cafeeiro no Quênia, em 1971, destrói parte da colheita e leva a Coffee Research Foundation a criar o Ruiru 11, híbrido F1 composto difundido em 1985. Na Etiópia, a mesma doença, entrada no país no início dos anos 1970, desencadeia o programa de Jimma: a partir de 1973, plantas-matrizes locais são triadas por sua resistência, e 74110 depois 74112 são difundidos em 1979.

      McCook 2019; JARC; Green Coffee Collective, JARC varieties

    19. 1972

      Difusão do Catuaí no Brasil.

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      Setotaw et al. 2013, tabela 1; WCR 2025, p. 29

    20. 1972

      Mr

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      A Mr. Coffee, primeira cafeteira de filtro elétrica doméstica, substitui o percolador nas cozinhas americanas.

      The Henry Ford Museum, Mr. Coffee electric coffee maker; Vincent Marotta

    21. 1974

      Erna Knutsen emprega pela primeira vez a expressão “specialty coffee”…

      palavra
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      Erna Knutsen emprega pela primeira vez a expressão “specialty coffee” no Tea & Coffee Trade Journal, para os pequenos lotes de microclimas que ela importa; a SCAA é fundada em 1982.

      Erna Knutsen, entrevista no Tea & Coffee Trade Journal (1974), primeira ocorrência de “specialty coffee”; SCA, histórico; Roast Magazine, Evolving the Concept of Specialty Coffee, part 1

    22. 17-18 de julho de 1975

      A geada negra no Brasil

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      A geada negra no Brasil: cerca de 1,5 bilhão de plantas mortas, o Paraná devastado; o preço mundial vai mais que triplicar.

      Na noite de 17 para 18 de julho de 1975, uma geada dita negra se abate sobre o Paraná e o sul de São Paulo. Pendergrast a descreve como a pior do século: cerca de um bilhão e meio de plantas mortas, mais da metade dos cafezais brasileiros. As cotações mundiais sobem durante dois anos, até o pico de março de 1977 a mais de 3 dólares a libra-peso; é a alta mais forte, em valor real, da história moderna do café. A lavoura se desloca para o norte, em Minas Gerais, que se torna o primeiro Estado produtor.

      Pendergrast, Uncommon Grounds (1999), cap. 18; Daily Coffee News (2014)

    23. 1977

      Pico histórico

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      Pico histórico: o arábica ultrapassa 3 dólares a libra-peso em Nova York em março de 1977, nível real jamais reencontrado desde então.

      OIC, séries de preços; Daily Coffee News (2014); Beverage Daily (2011)

    24. 1979

      A JARC difunde 74110 e 74112.

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      JARC; Green Coffee Collective; Kofio

    25. 1982

      A Cenicafé lança a Variedad Colombia.

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      A Cenicafé lança a Variedad Colombia, um composto de linhagens Caturra × HdT 1343 em geração F5, um ano antes da chegada da ferrugem à Colômbia (1983). É o exemplo mais nítido de uma variedade pronta antes da doença. Ela se torna Castillo em 2005, com versões regionais, e ocupa hoje mais de 40 % dos cafezais colombianos. Durante o Big Rust, a Colômbia perde 33 % de sua produção, bem menos que seus vizinhos.

      Cenicafé; WCR 2025, ficha Catimor 129, p. 27

    26. 1983

      A ferrugem atinge a Colômbia

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      A ferrugem atinge a Colômbia; a Variedad Colombia, lançada no ano anterior, está pronta.

      Cenicafé; McCook 2019, p. 171

    27. 1985

      Ruiru 11 difundido no Quênia.

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      WCR 2025, ficha Ruiru 11, p. 71

    28. 1986

      A Nestlé lança a Nespresso, a cápsula de Éric Favre

      objeto
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      A Nestlé lança a Nespresso, a cápsula de Éric Favre; em 1987 Howard Schultz compra a Starbucks e nela enxerta o bar italiano.

      Nestlé Nespresso, Our history (1986); Britannica, Starbucks

    29. 1988

      Em 15 de novembro, Nico Roozen, Frans van der Hoff e a Solidaridad lançam nos…

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      Em 15 de novembro, Nico Roozen, Frans van der Hoff e a Solidaridad lançam nos Países Baixos o selo Max Havelaar, primeiro selo de comércio justo, diante do colapso das cotações.

      Stichting Max Havelaar, selo lançado em 15 de novembro de 1988 nos Países Baixos por Nico Roozen, Frans van der Hoff e Solidaridad; Guinness World Records, first fair trade coffee label

    30. 1988

      A Costa Rica proíbe por lei o cultivo de canephora em seu território,…

      proibição
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      A Costa Rica proíbe por lei o cultivo de canephora em seu território, para empurrar seus plantadores para o arábica: único país produtor a ter feito isso. Uma tentativa de revogação fracassa em 2018 por falta dos dois terços do Congresso, e várias fontes relatam, porém, uma abertura concedida às zonas quentes a título de adaptação ao clima. Os cafezais permanecem quase inteiramente em arábica.

      Daily Coffee News (fevereiro de 2018) sobre a tentativa de revogação; BeanScene; o próprio texto legislativo costarriquenho ainda está por ser encontrado

    31. 1989

      Colapso do sistema de cotas do Acordo Internacional do Café

      dinheiro
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      Colapso do sistema de cotas do Acordo Internacional do Café; os preços despencam, a fase neoliberal começa (McCook).

      O sistema de cotas instituído pelo Acordo Internacional de 1962 desmorona em julho de 1989 quando os membros não conseguem renovar as cláusulas econômicas. Os preços despencam, os institutos nacionais do café se enfraquecem, o Instituto Brasileiro do Café é dissolvido em 1990. McCook lê nisso a passagem à terceira fase da história da ferrugem: depois da fase colonial e da da Guerra Fria, uma fase em que a vulnerabilidade dos cafezais se deve ao desaparecimento das redes de proteção institucionais tanto quanto ao fungo.

      McCook 2019, p. 173; OIC; LC cap. 18

    32. 1990

      IHCAFE 90 em Honduras, depois Lempira

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      IHCAFE 90 em Honduras, depois Lempira: os Catimors se tornam a base dos cafezais da América Central.

      IHCAFE; WCR 2025, fichas IHCAFE 90 p. 42 e Lempira p. 50

    33. 1990–1991

      Dissolução do Instituto Brasileiro do Café

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      Dissolução do Instituto Brasileiro do Café; a Pinhalense constrói a primeira máquina de cereja descascado, o café cuja polpa é retirada sem fermentação, que a Costa Rica popularizará com o nome de honey.

      LC cap. 17b (Pinhalense, cereja descascado)

    34. 1991 → 2001

      A primeira webcam do mundo estava apontada para uma cafeteira

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      A primeira webcam do mundo estava apontada para uma cafeteira. No laboratório de informática de Cambridge, Quentin Stafford-Fraser e Paul Jardetzky instalam uma câmera na cafeteira da Trojan Room para saber, de suas mesas, se ainda restava café: 128 por 128 pixels em tons de cinza, atualizados a cada poucos segundos. Conectada à Internet em novembro de 1993, é desligada em 22 de agosto de 2001; a última imagem mostra a cafeteira sendo desligada da tomada.

      Quentin Stafford-Fraser, The Trojan Room Coffee Pot, relato de primeira mão; University of Cambridge Computer Laboratory

    35. 1993

      IAPAR 59 no Brasil

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      IAPAR 59 no Brasil; primeiras variedades clonais de Conilon (Emcapa).

      IAPAR (Setotaw 2013 dá 1992 para o registro); Ferrão et al. 2020

    36. 1994

      Em Ruanda, o colapso das cotações após 1989 arruinou os produtores de café,…

      revolução
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      Em Ruanda, o colapso das cotações após 1989 arruinou os produtores de café, principal recurso do país; os historiadores do genocídio incluem essa falência entre suas condições. As estações de lavagem reconstruídas depois de 2000 farão do café ruandês um café especial.

      O café chegou a representar três quartos das exportações ruandesas; o Estado fixava o preço aos produtores e vivia da margem. O fim das cotas em 1989 dividiu por dois a cotação mundial, o programa de ajuste estrutural desvalorizou o franco ruandês, e centenas de milhares de famílias rurais perderam sua única renda monetária. Os historiadores que estudam a economia política do genocídio, Kamola, Verwimp, não fazem do café uma causa, mas uma condição: um campesinato arruinado e uma administração sem recursos. Depois de 2000, com a ajuda americana e o projeto PEARL, Ruanda construiu estações de lavagem e se tornou uma origem de café especial, com sua primeira Cup of Excellence em 2008.

      Kamola, The Global Coffee Economy and the Production of Genocide in Rwanda, Third World Quarterly 28 (2007); Verwimp, Journal of Development Economics (2003); Cup of Excellence Rwanda 2008

    37. 1990–2000

      O Vietnã multiplica sua produção por quinze em dez anos, quase tudo em…

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      O Vietnã multiplica sua produção por quinze em dez anos, quase tudo em canephora, e se torna o segundo produtor mundial.

      USDA FAS, Coffee Annual Vietnam; Sucafina, Vietnam

    38. 1999

      Primeira Cup of Excellence, no Brasil

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      Primeira Cup of Excellence, no Brasil: as variedades se tornam um argumento de preço.

      Alliance for Coffee Excellence; LC cap. 18

    No mundo 5 balizas

    1. 1961

      Gagarin, primeiro homem no espaço

    2. 1969

      Primeiros passos na Lua

    3. 1975

      Fim da Guerra do Vietnã

    4. 1989

      Queda do Muro de Berlim

    5. 1994

      Mandela eleito presidente da África do Sul

    desde 2000

    Desde 2000

    Ler o capítulo

    38 marcos do café, 5 balizas do mundo

    Fotografia macro de uma cereja de café ainda verde em seu galho, perfurada na ponta por um furo preto nítido de apenas um milímetro, cercado por uma auréola escurecida.
    Orifício de entrada da broca em uma cereja de café, Mudigere, Índia, 2013

    O café 38 marcos

    1. 2000

      Obatã difundido pelo IAC.

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      IAC; Setotaw et al. 2013 (registro 1996)

    2. 2000

      Primeiro campeonato mundial de barista, em Monte Carlo

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      Primeiro campeonato mundial de barista, em Monte Carlo; em 2002 Trish Rothgeb nomeia a “terceira onda” no boletim da Roasters Guild.

      World Barista Championship, histórico (Monte Carlo, 2000); Rothgeb, Roasters Guild newsletter (2002)

    3. 2001

      A crise do café

      dinheiro
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      A crise do café: preços reais no nível mais baixo desde 1900, abaixo dos níveis de 1930; a OIC realiza sua primeira conferência mundial em Londres em maio.

      Entre 1997 e 2001, o preço indicativo da OIC passa de cerca de 1,50 dólar a libra-peso a um terço desse valor. Em dólares constantes, são os preços mais baixos desde 1900, abaixo dos da depressão de 1930. Duas causas se somam: o fim das cotas em 1989 e a chegada maciça do canephora vietnamita, cuja produção foi multiplicada por quinze entre 1990 e 2000. A OIC realiza sua primeira World Coffee Conference em Londres em maio de 2001; as certificações, o comércio justo e o café especial ganham impulso sobre esse pano de fundo de crise.

      OIC, Overview of the coffee crisis (ED 1865); primeira World Coffee Conference, Londres, maio de 2001

    4. 2002

      Tabi na Colômbia

      Coffea arabica 'bourbon pointu' from Sliti farm in Reunion island.jpg, 2017
      Coffea arabica 'bourbon pointu' from Sliti farm in Reunion island.jpg, 2017
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      Tabi na Colômbia; relançamento do Laurina na Reunião.

      Cenicafé; Cirad (relançamento do Laurina)

    5. 2004

      Best of Panama

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      Best of Panama: a Hacienda La Esmeralda apresenta seu Geisha separadamente. O mercado das variedades vira.

      Best of Panama 2004: a Hacienda La Esmeralda, da família Peterson, apresenta separadamente o Geisha plantado por Don Pachi em 1963. O lote subverte a hierarquia dos preços e faz da variedade um argumento de venda mundial. O nome é desde então aposto em plantas que não têm essa genética; a linhagem panamenha documentada descende de T2722, e Salojärvi (2024) a liga aos acessos silvestres do monte Gesha.

      Best of Panama 2004; WCR 2025, p. 38; LC cap. 16

    6. 2004

      A Specialty Coffee Association fixa a ficha de degustação que regeria a…

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      A Specialty Coffee Association fixa a ficha de degustação que regeria a pontuação até 2024.

      SCA; LC cap. 18

    7. 2004

      O Coffee Quality Institute lança o sistema Q e seus provadores certificados

      objeto
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      O Coffee Quality Institute lança o sistema Q e seus provadores certificados; em 2005 saem a Hario V60 e a AeroPress de Alan Adler.

      Coffee Quality Institute, About (2004); Hario, Birth of the V60; Alan Adler, AeroPress (2005)

    8. 2004

      o arábica sem cafeína

      Folha de herbário de um cafeeiro silvestre das Comores, dois ramos secos fixados no cartão com suas pequenas folhas coriáceas, acompanhados da etiqueta de coleta impressa e da escala de cores de digitalização.
      Prancha de herbário de Coffea humblotiana, cafeeiro sem cafeína de Mayotte, 2001
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      Uma equipe do Instituto Agronômico de Campinas publica na Nature uma nota de poucos parágrafos: ao triar três mil cafeeiros etíopes, encontrou três arábicas quase desprovidos de cafeína, por falta da enzima que a fabrica. São arábicas, portanto cruzáveis com as variedades cultivadas sem passar por uma espécie silvestre. O nome Decaffito é registrado sobre essa perspectiva. Vinte e dois anos depois, nada é vendido: entre um caráter encontrado em uma planta e uma variedade difundida, há várias gerações de uma planta que frutifica aos quatro anos.

      Silvarolla, Mazzafera e Fazuoli, A naturally decaffeinated arabica coffee, Nature 429 (2004), p. 826

    9. 2005

      Castillo substitui a Variedad Colombia.

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      Cenicafé; The Colombian Coffee Company, ficha Castillo

    10. 2006

      Na fazenda Camocim, no Espírito Santo, Henrique Sloper vê jacus,…

      falsificaçãoanimal
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      Na fazenda Camocim, no Espírito Santo, Henrique Sloper vê jacus, uma ave silvestre protegida no Brasil, devorarem suas cerejas. Como sua propriedade é biodinâmica, ele não pode nem enxotá-los nem tratá-los: recolhe o que deixam. Uma praga que virou o café mais caro do país, e o único da família dos cafés de animais que não prende ninguém em gaiola.

      Camocim Estate, Pedra Azul (Espírito Santo); Atlas Obscura, Jacu Bird Coffee; AFP, setembro de 2023

    11. 2007

      Após um conflito sobre as marcas Sidamo, Harar e Yirgacheffe registradas pela…

      Alinhadas de um lado e de outro de uma longa mesa iluminada a néon, selecionadoras afastam à mão os grãos defeituosos de uma camada de café verde.
      A seleção manual do café verde em Adis Abeba, 2011
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      Após um conflito sobre as marcas Sidamo, Harar e Yirgacheffe registradas pela Etiópia, a Starbucks assina um acordo de licença com Adis Abeba: o nome de uma origem vale alguma coisa.

      Oxfam, acordo Starbucks-Etiópia (junho de 2007); Ethiopian Intellectual Property Office

    12. 2007–2013

      O Big Rust

      Coffee berries in Hacienda Guayabal, Colombia.jpg, 2020
      Cerejas de cafeeiro na hacienda Guayabal, Colômbia, 2020
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      O Big Rust: Colômbia −33 %, El Salvador −57 %, México −46 %; 373.585 trabalhadores deslocados na América Central. Variedades “resistentes” caem.

      O Big Rust: Colômbia de 2007 a 2011, depois o arco Peru-México em 2012-2013. Colômbia −33 %, América Central −16 %, El Salvador −57 %, México −46 %, Peru −39 %; 373.585 trabalhadores deslocados na América Central segundo o PROMECAFÉ. O gatilho não é “está mais quente”, mas “as noites estão menos frias”: a alta das mínimas noturnas encurta o período latente do fungo e o leva para a altitude (McCook). Variedades supostamente resistentes caem: a Lempira perde sua resistência em 2017.

      McCook 2019, p. 171-178

    13. 2010

      Batian no Quênia

      Tanques de concreto em degraus usados para a lavagem e a seleção das cerejas, diante dos galpões da fazenda.
      Tanques de lavagem de uma estação de tratamento no Quênia, 2025
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      Batian no Quênia; Centroamericano (H1) difundido.

      WCR 2025, fichas Batian p. 19 e Centroamericano p. 31

    14. 2011

      As cotações voltam a superar 3 dólares a libra-peso pela primeira vez…

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      As cotações voltam a superar 3 dólares a libra-peso pela primeira vez desde 1977, antes da queda que acompanhará o Big Rust.

      OIC, indicador composto; Beverage Daily (abril de 2011)

    15. 2012

      Arara registrado no Brasil.

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      World Coffee Research, histórico

    16. 2012

      Fundação da World Coffee Research

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      Fundação da World Coffee Research; primeiros ensaios multilocais de variedades em 15 países.

      World Coffee Research, histórico

    17. 2014

      Publicação dos genomas de Coffea canephora (Denoeud et al., Science) e de um…

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      Publicação dos genomas de Coffea canephora (Denoeud et al., Science) e de uma primeira montagem do arábica.

      O genoma de Coffea canephora aparece na Science (Denoeud et al.), primeiro genoma completo de um cafeeiro; uma primeira montagem do arábica vem no mesmo ano. A genômica substitui os marcadores microssatélites: uma variedade pode agora ser autenticada por impressão digital, e os nomes comerciais começam a ser confrontados com os genótipos.

      Denoeud et al., Science 345 (2014); Salojärvi et al. 2024

    18. 2015

      Saša Šestić vence o campeonato mundial de barista com um lote colombiano…

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      Saša Šestić vence o campeonato mundial de barista com um lote colombiano em maceração carbônica, técnica emprestada do Beaujolais.

      World Barista Championship 2015; LC cap. 17b

    19. 2016

      Cenicafé 1.

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      Cenicafé

    20. 2017

      Starmaya, primeiro F1 por sementes

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      Starmaya, primeiro F1 por sementes; primeiro teste de DNA do Pink Bourbon (DNA Analytica); a Lempira perde sua resistência.

      WCR 2025, ficha Starmaya p. 79; Cafe Imports, Pink Bourbon (2023); IHCAFE

    21. 2018

      Redescoberta de C. stenophylla em estado silvestre em Serra Leoa.

      Mapa da África Ocidental em que uma tonalidade colorida limita a área natural de Coffea stenophylla a uma estreita faixa costeira que cobre Serra Leoa, a Guiné e a Costa do Marfim.
      Mapa da área de distribuição de Coffea stenophylla, 2022
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      Davis et al., Nature Plants (2020-2021); LC cap. 21

    22. 2018

      Fusão da Rainforest Alliance e da UTZ

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      Fusão da Rainforest Alliance e da UTZ: 400.000 produtores e perto de um milhão de hectares certificados declarados em 2019; a certificação orgânica cobria 890.000 hectares em 2017.

      Rainforest Alliance, relatório 2024; ITC Coffee Guide 2021; LC cap. 18

    23. 2019

      Davis et al

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      Davis et al.: 60 % das 124 espécies silvestres de Coffea estão ameaçadas de extinção.

      Davis et al., Science Advances 5 (2019); LC cap. 21

    24. 2019

      Zhang, De Bruyn, Pothakos e De Vuyst publicam na Frontiers in Microbiology…

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      Zhang, De Bruyn, Pothakos e De Vuyst publicam na Frontiers in Microbiology o primeiro conjunto de dados completo sobre a fermentação do café, em Yunnan, a 1.300 m.

      Zhang et al., Frontiers in Microbiology (2019); LC cap. 17b

    25. 2020

      Qima Coffee anuncia o grupo “Yemenia”.

      Torra em panela de ferro fundido, James Dennis' Coffee, Section, paróquia de Portland, Jamaica, 2018
      Torra em panela de ferro fundido, James Dennis' Coffee, Section, paróquia de Portland, Jamaica, 2018
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      Qima Coffee; Montagnon et al. 2021

    26. 2020

      A pandemia fecha os cafés do mundo

      Marca tipográfica PXL Roasters, tela de título de Coffee Quest, 2026
      Marca tipográfica PXL Roasters, tela de título de Coffee Quest, 2026
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      A pandemia fecha os cafés do mundo; o consumo migra para casa, os preços disparam e depois caem, a OIC publica sua série Coffee Break sobre os efeitos da COVID-19.

      OIC, Coffee Break Series nº 1 a 5 (2020); OIC, Coffee Market Reports 2020

    27. 2021

      Davis et al

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      Davis et al. descrevem a xícara de C. stenophylla redescoberta e sua tolerância ao calor.

      Davis et al., Nature Plants 7 (2021); LC cap. 21

    28. 2021

      O ITC publica a quarta edição do Coffee Guide

      Uma máquina automática de bebidas quentes com a inscrição Coffee and Sweet Tea, instalada ao ar livre diante de uma paisagem de montanhas
      Máquina automática de café e chá ao ar livre, 2021
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      O ITC publica a quarta edição do Coffee Guide: em 2019/20, 55 % da produção mundial é arábica; um capítulo inteiro sobre os mercados a termo e o hedge.

      ITC, The Coffee Guide, 4ª ed. (2021)

    29. 2022

      Montagnon et al

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      Montagnon et al.: no Iêmen, nenhuma ligação entre nome vernáculo e genótipo.

      Montagnon et al., Agronomy 12 (2022), p. 9-11

    30. 2023

      Segundo teste de DNA do Pink Bourbon (RD2 Vision)

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      Segundo teste de DNA do Pink Bourbon (RD2 Vision): variedade crioula etíope. Pôster genealógico da WCR.

      Cafe Imports, Pink Bourbon: cryptozoology and genetics (2023); pôster WCR 2024

    31. 2023

      A Cup of Excellence reformula seu regulamento, tolerância zero para os ingredientes…

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      A Cup of Excellence reformula seu regulamento, tolerância zero para os ingredientes estranhos exceto leveduras e mosto; a SCA toma o caminho inverso para seus campeonatos, aplicável ao mundial de 2024.

      Cup of Excellence, regulamento 2023; SCA, regras 2024; LC cap. 17b

    32. 31 de maio de 2023

      A União Europeia adota o regulamento contra o desmatamento importado, EUDR,…

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      A União Europeia adota o regulamento contra o desmatamento importado, EUDR, que exigirá para o café uma geolocalização das parcelas; sua aplicação, prevista para o fim de 2024, é adiada.

      O regulamento (UE) 2023/1115 proíbe colocar no mercado europeu café proveniente de parcelas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020 e impõe uma declaração de diligência devida com as coordenadas de cada parcela. Para doze milhões de propriedades, 95 % das quais têm menos de cinco hectares, a geolocalização é um custo real. Prevista para 30 de dezembro de 2024, a aplicação foi adiada em um ano pelo regulamento 2024/3234, depois rediscutida; os países produtores, a Etiópia e a Indonésia à frente, denunciaram uma barreira comercial, enquanto os comerciantes investiam em mapas.

      Regulamento (UE) 2023/1115 de 31 de maio de 2023; regulamento (UE) 2024/3234 (adiamento); ITC 2021, p. 2 para os 12,5 milhões de propriedades

    33. 2024

      Salojärvi et al

      Hemileia vastatrix - coffee leaf rust.jpg, 2011
      Folha de cafeeiro virada: as pústulas alaranjadas da ferrugem, Hemileia vastatrix, 2011
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      Salojärvi et al. datam o arábica de 610.000-350.000 anos e mapeiam a introgressão do Timor.

      Três sinais no mesmo ano. No Best of Panama, quatro cafés infusionados são desclassificados por alteração: o debate sobre o que se põe no tanque se torna uma questão de regulamento. Em 5 de novembro, a Specialty Coffee Association substitui a ficha de degustação em vigor desde 2004, e separa pela primeira vez a descrição da avaliação. Por fim, a OIC publica Beyond Coffee: a polpa, a mucilagem, o pergaminho, a película e a borra representam, para uma safra de 165 milhões de sacas, uma jazida maior que a colheita.

      Salojärvi et al., Nature Genetics, v. 56 (2024)

    34. 2024

      Best of Panama

      Logotipo PXL Roasters, tela de título de Coffee Quest, 2026
      Logotipo PXL Roasters, tela de título de Coffee Quest, 2026
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      Best of Panama: quatro cafés infusionados desclassificados. Em 5 de novembro, a SCA substitui sua ficha de degustação de 2004. A OIC publica Beyond Coffee, sobre o que se joga fora: uma jazida maior que a colheita futura.

      Três sinais no mesmo ano. No Best of Panama, quatro cafés infusionados são desclassificados por alteração: o debate sobre o que se põe no tanque se torna uma questão de regulamento. Em 5 de novembro, a Specialty Coffee Association substitui a ficha de degustação em vigor desde 2004, e separa pela primeira vez a descrição da avaliação. Por fim, a OIC publica Beyond Coffee: a polpa, a mucilagem, o pergaminho, a película e a borra representam, para uma safra de 165 milhões de sacas, uma jazida maior que a colheita.

      Best of Panama 2024; SCA, 5 de novembro de 2024; OIC, Beyond Coffee (2024); LC cap. 18 e 20

    35. 2025

      Catálogo WCR revisado

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      Catálogo WCR revisado: 117 fichas. No Brasil, 97,55 % das cultivares descendem de Typica e Bourbon.

      WCR, Coffee Varieties Catalog 2025, p. 10

    36. fevereiro de 2025

      Em 11 de fevereiro, o arábica atinge 440,85 centavos por libra-peso em Nova York, máxima…

      dinheiro
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      Em 11 de fevereiro, o arábica atinge 440,85 centavos por libra-peso em Nova York, máxima de toda a história do contrato C: geada e seca no Brasil, estoques no nível mais baixo. No mesmo mês, um Geisha panamenho é vendido a 10.000 dólares o quilo em leilão.

      ICE Futures US, contrato C, máxima histórica 440,85 centavos por libra-peso em 11 de fevereiro de 2025; Barchart; Santo Café, Why arabica prices hit an all-time record (2025)

    37. 2025/26

      O USDA prevê uma produção mundial recorde de 178,8 milhões de sacas para…

      Fotografia aproximada de um pequeno copo de café antigo, escuro e com pátina, pousado na palma de uma mão aberta, diante de uma janela em contraluz.
      Antiga xícara de café kafa, Etiópia, 2014
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      O USDA prevê uma produção mundial recorde de 178,8 milhões de sacas para 2025-2026: Brasil 65, Vietnã 31,7, Etiópia 11,6 e Indonésia 11,3 milhões, estes dois últimos na máxima histórica.

      USDA FAS, Coffee: World Markets and Trade, junho de 2025 e julho de 2026

    38. 2026

      Yang e seus coautores publicam na Agriculture a revisão From Germplasm to Cup

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      Yang e seus coautores publicam na Agriculture a revisão From Germplasm to Cup: da genética à xícara, incluindo a penalidade de qualidade ligada à introgressão do Timor.

      Yang et al., Agriculture (2026)

    No mundo 5 balizas

    1. 2001

      Atentados de 11 de setembro

    2. 2008

      Crise financeira global

    3. 2015

      Acordo de Paris sobre o clima

    4. 2020

      Pandemia de COVID-19

    5. 2022

      Invasão da Ucrânia pela Rússia

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    Em outros pontos do site, os trechos que tratam das mesmas coisas que esta página. Calculado a partir do texto, não escolhido à mão.

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