A falsificação
Desde que o café passou a ser moído fora de casa, deixou de ser reconhecível, e tudo o que escurece no fogo pôde ocupar o seu lugar. Esta prancha acompanha a falsificação do café das licenças de chicória de Brunswick em 1770 às apreensões brasileiras de maio de 2026: os substitutos, os grãos moldados, os corantes de chumbo, os químicos que puseram o microscópio sobre a xícara, as leis que deslocaram a fraude em vez de suprimi-la, os sucedâneos de guerra, depois a fraude moderna sobre a espécie e sobre a origem e os instrumentos que a perseguem. As fontes primárias são Thurber (1881), Walsh (1894) e Ukers (1922), lidas através do capítulo 10 do livro inédito de Marco, completadas pelos textos regulamentares e pela literatura analítica de 2011 a 2026.

As 17 seções desta prancha
Cada seção tem sua página. A primeira frase diz o que se encontra nela.
- 01O que torna a fraude possívelA segunda condição é a diferença de preço. O café custa caro, as ervilhas, o centeio e a raiz de chicória quase não valem nada e crescem em qualquer campo do norte da Europa.
- 02A chicória, de Brunswick ao bloqueio continentalO substituto é quase tão antigo quanto o café:
- 03O inventário dos substitutosA lista de Walsh para o café moído se lê como um pedido de hortelão.
- 04Tingir, polir, fazer suar: a fraude no café verdeO Rio brasileiro de qualidade medíocre não tem a cor que o comprador espera.
- 05Os grãos artificiais moldadosNo topo do gênero, já não se substitui um café por outro, fabrica-se o grão.
- 06O moído: a fórmula das mil libras-pesoThurber registra em 1881 uma fórmula de mistura vendida correntemente sob o nome de café nos Estados Unidos.
- 07O glaceamento e suas patentesO glaceamento reveste o café torrado ainda quente com uma preparação que forma película ao esfriar: amidos, colas, musgo-da-irlanda, gelatina, ictiocola.
- 08Os químicos: Accum, Hassall, o microscópio e o fornoFriedrich Accum publica em Londres, em 1820, um livro de título sem rodeios: A Treatise on Adulterations of Food and Culinary Poisons.
- 09As leis, país por paísEra preciso que algum país legislasse primeiro, e é a Grã-Bretanha, sob a pressão do Lancet.
- 10O sucedâneo vira indústria: Postum e os “cereal-fakers”A lei americana saneia o rótulo, não a propaganda.
- 11O gosto fabricado pelo hábitoO livro de Marco avança uma hipótese e a trata pelo que ela é.
- 12Os sucedâneos de guerra: 1914, 1939, 1977A República Democrática Alemã oferece o caso mais bem datado, e a cadeia de causas ali é completa, da geada à xícara.
- 13O solúvel e as misturas de hojeO café solúvel industrial data dos anos 1935-1938, e pesa muito mais do que se imagina na França.
- 14A fraude moderna: a espécie, a origem, o tanqueQuando um grão é pago pelo nome, é o nome que se fabrica.
- 15Os cafés de animais, ou a renda da narrativaO kopi luwak não está sozinho: cinco animais servem hoje o mesmo argumento de venda.
- 16As ferramentas de detecção de hojeA cromatografia substituiu o microscópio.
- 17HojeEm 2025-2026, a falsificação retomou suas duas formas históricas, sob a pressão do preço.
Em outros pontos do site, os trechos que tratam das mesmas coisas que esta página. Calculado a partir do texto, não escolhido à mão.