O caderno de especificações de uma planta de sub-bosque
De que clima o arábica precisa?
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O cafeeiro arábica exige uma média anual de 20 a 25 °C. Tolera mínimas em torno de 15 °C e máximas em torno de 30 °C: é uma planta de sub-bosque, originária dos altos planaltos da Abissínia.
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- Uma média de 20 a 25 °CO cafeeiro arábica exige uma média anual de 20 a 25 °C. Tolera mínimas em torno de 15 °C e máximas em torno de 30 °C: é uma planta de sub-bosque, originária dos altos planaltos da Abissínia.
- A geada o mataEle não suporta geada: não é a colheita que sofre, é a árvore que morre, entre menos dois e menos três graus.
- A chuva que vem depois da secaPrecisa de 1.500 a 2.000 mm de chuva por ano, com uma estação seca marcada de três a quatro meses: a floração é desencadeada pela chuva que vem depois de um episódio seco.
- Um grau a cada 180 metrosA temperatura cai cerca de um grau a cada 180 m. Nos trópicos, há portanto apenas duas maneiras de reencontrar esse clima: subir em altitude ou se afastar do equador. Daí o arábica até 2.500 m no Quênia e entre 400 e 800 m no Brasil.
- Três espécies, três ótimosA revisão de Yang (2026) indica cerca de 30 °C de dia e 26 °C à noite para o canephora, 23 e 19 °C para o eugenioides, 20 a 24 °C de média para o arábica, nascido dessas duas espécies: ele herdou o frescor do eugenioides. Os limiares reais por cultivar, no campo, continuam desconhecidos.
Para reter: O arábica vive em uma faixa estreita de temperatura, e é a altitude que a encontra para ele nos trópicos.
Na história: Coste descrevia já em 1955 o clima de origem da espécie: 1.500 a 1.800 m, 20 a 22 °C, menos de 1.500 mm de chuva.
Ler o artigo completo e suas fontes ↓O cafeeiro arábica exige uma média anual de 20 a 25 °C, tolera mínimas em torno de 15 °C e máximas em torno de 30 °C e não suporta geada: a árvore morre entre menos dois e menos três graus. Precisa de 1.500 a 2.000 mm de chuva por ano, com uma estação seca marcada de três a quatro meses, sendo a floração desencadeada pela chuva que vem depois de um episódio seco.
Coste indica, para o clima de origem da espécie, nos altos planaltos da Abissínia, 1.500 a 1.800 m de altitude, 20 a 22 °C de média e menos de 1.500 mm de chuva. Como o gradiente térmico é de cerca de um grau a cada 180 m, só existem duas maneiras de reencontrar esse clima nos trópicos: subir em altitude ou se afastar do equador, o que explica por que o arábica cresce até 2.500 m no Quênia e entre 400 e 800 m no Brasil.
Coste 1955, Les caféiers et les cafés dans le monde, t. I, cap. clima; Portères 1937 (limite inferior a 800 m na África Ocidental); LC cap. 2A revisão de Yang e coautores, publicada na Agriculture em 2026, precisa os ótimos por espécie: cerca de 30 °C de dia e 26 °C à noite para Coffea canephora, 23 e 19 °C para Coffea eugenioides, 20 a 24 °C de média anual para o arábica. Esses três números se leem juntos desde que a genômica estabeleceu que o arábica nasceu da hibridação dessas duas espécies: ele herdou o frescor de seu progenitor materno, eugenioides.
Os mesmos autores assinalam que o arábica se mostrou resiliente até 37 °C em condições controladas sob CO2 elevado, o que relativiza os limiares publicados, e reconhecem que os limiares térmicos reais por cultivar, no campo, não são conhecidos: quase tudo o que se sabe vem de estresses agudos provocados em laboratório. A questão mais urgente desta prancha, a partir de que temperatura um cafeeiro dado deixa de produzir onde cresce, não tem portanto resposta precisa em 2026.
Yang et al. 2026, Agriculture, revisão “do genoma à xícara”, p. 7-8; LC cap. 2 e 4Nesta pranchaAs 17 seções
- 01O caderno de especificações de uma planta de sub-bosque
- 02O que o clima já faz: ferrugem, geada, seca
- 03O que os modelos anunciam para 2050
- 04Primeira resposta: subir, sombrear, irrigar
- 05Mecanizar: o que a máquina compensa e onde ela não passa
- 06Segunda resposta: os híbridos F1 e a industrialização da seleção
- 07Terceira resposta: ler e depois editar os genomas
- 08O que se passa sob a árvore
- 09A reserva das espécies esquecidas
- 10O canephora como futuro, e seus limites
- 11O que resta a salvar: 60 % das espécies ameaçadas
- 12Os bancos de genes: uma plantação, não um cofre
- 13A economia: recorde de produção, fazendas minúsculas, pesquisa subfinanciada
- 14A regulamentação: o regulamento europeu contra o desmatamento
- 15A demanda: a Ásia, o café especial, o café sem grão
- 16O que ainda não se sabe
- 17Hoje (setembro de 2026)