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    Moçambique

    Dossiê aprofundado: a série FAOSTAT confrontada com os outros números, a história, a cadeia produtiva de hoje e suas zonas de sombra, fontes numeradas. Região: África.

    África

    ATLASMoçambique

    cerca de 800 toneladas (FAOSTAT 2024, valor imputado)Dossiê aprofundado, atlas 2026

    Dossiê aprofundado: a série FAOSTAT confrontada com os outros números, a história, a cadeia produtiva de hoje e suas zonas de sombra, fontes numeradas. Região: África.

    Moçambique tinha apenas uma referência estatística. Este dossiê a completa: a história da cadeia produtiva, o que ela é hoje e o que continua incerto, com cada parágrafo remetendo às suas fontes, numeradas no pé da página.

    A série FAOSTAT continua exibida tal qual. O dossiê diz o que ela vale, ano a ano quando possível, e a confronta com os outros números disponíveis.

    O que a fonte permite afirmar
    Estatuto geográfico
    país
    Nome na FAOSTAT
    Moçambique
    Último valor
    cerca de 800 toneladas em 2024
    Natureza do valor
    valor imputado pelo organismo receptor
    Início da série positiva
    1961
    Máximo da série
    cerca de 1.000 toneladas em 1961, valor estimado
    Nível de documentação

    Cobertura confirmada: série da FAOSTAT e um dossiê de 29 fontes que cruza a história, a cadeia produtiva de hoje e o que continua incerto.

    A produção ao longo do tempo
    Produção de café verde em toneladas, 1961 a 20240 t500 t1.000 tpico: cerca de 1.000 t em 1961 · estimado1961: estimado1962: estimado1963: estimado1964: estimado1965: estimado1966: estimado1967: estimado1968: estimado1969: estimado1970: estimado1971: estimado1972: estimado1973: estimado1974: estimado1975: estimado1976: estimado1977: estimado1978: estimado1979: estimado1980: estimado1981: estimado1982: estimado1983: estimado1984: estimado1985: estimado1986: estimado1987: estimado1988: estimado1989: estimado1990: estimado1991: estimado1992: estimado1993: estimado1994: estimado1995: estimado1996: estimado1997: estimado1998: imputado1999: imputado2000: estimado2001: imputado2002: imputado2003: imputado2004: estimado2005: estimado2006: estimado2007: estimado2008: estimado2009: estimado2010: estimado2011: estimado2012: estimado2013: estimado2014: imputado2015: imputado2016: estimado2017: imputado2018: imputado2019: imputado2020: imputado2021: imputado2022: imputado2023: imputadocerca de 800 t em 2024 · imputado19612024
    Evolução declarada ou estimada pela FAOSTAT, em toneladas de café verde. Ponto vazado: o último valor é imputado pela FAOSTAT, não declarado pelo país. Pequenos pontos vazados: os 63 anos anteriores que a FAOSTAT imputa ou estima. Uma ruptura pode vir do campo, mas também do método estatístico.
    FAOSTAT, Production: Crops and livestock products, item Coffee, green, código 656, elemento Production, código 5510.

    A história

    Em Moçambique, os cafeeiros silvestres precederam os cultivados. Duas espécies são ali indígenas, isto é, crescem naturalmente: Coffea racemosa, no centro e no sul do país, em floresta costeira, floresta ribeirinha e matagais, do nível do mar a 500 metros, e Coffea zanguebariae, no norte, entre 10 e 350 metros, que se encontra também no sul da Tanzânia e no norte do Zimbábue. Loureiro descreve ambas numa flora impressa em Lisboa em 1790: a primeira a partir de um espécime de herbário colhido em Moçambique, hoje perdido e substituído por um neótipo, isto é, um espécime de referência escolhido depois, vindo do distrito de Massingir, na província de Gaza; a segunda a partir de material de Zanzibar, onde, segundo ele, os portugueses a haviam levado. Coste, em 1955, coloca esses cafeeiros na seção que Chevalier havia chamado Mozambicoffea: pequenos arbustos de folhas frequentemente caducas, isto é, que caem na estação seca, de frutos e sementes muito pequenos, com um terceiro cafeeiro que ele atribui a Moçambique, C. salvatrix. O Crop Trust acrescenta em 2017 uma subespécie de C. mufindiensis presente no oeste do país [5][8][9].

    Essas duas espécies foram cultivadas, em pequena escala, bem antes de qualquer projeto moderno. O café de Inhambane é o C. racemosa: Hiern observa em 1876 que se extrai dele uma bebida, e exemplares de herbário de 1937 o mostram plantado em várias fazendas a menos de 80 quilômetros de Inhambane, uma precisando que as árvores têm 35 anos, o que faz remontar a cultura ao menos ao início do século XX. O café de Ibo, do nome de uma ilha do arquipélago das Quirimbas, ao largo de Cabo Delgado, é o C. zanguebariae. Suas sementes aparecem segundo Cheney no mercado da África Oriental Alemã em 1893; Froehner o descreve em 1897, em Berlim, como uma espécie distinta, C. ibo, e Cheney escreve em 1925 que ele é cultivado em suas localidades de origem para substituir o arábica. Recebe em 1906, em Lisboa, um diploma de medalha de ouro. Durante um século, os autores confundem os dois cafés, que se parecem das folhas às sementes; foi preciso o DNA, em Davis e seus coautores em 2021 e depois em Navarini e seus coautores em 2024, para estabelecer que as plantas de Ibo e de Quirimba são todas zanguebariae, e as da província de Inhambane racemosa. Nem um nem outro é um canephora: são duas espécies diploides, de 22 cromossomos, próximas entre si e geneticamente distantes das duas espécies do comércio [5][6][7].

    Nos manuais do comércio, Moçambique ocupa uma linha. Thurber, em 1881, o conta entre as costas da África Oriental que produzem pequenas quantidades de café, sem peso para a Europa e os Estados Unidos. Walsh, em 1894, descreve um café bastante bom, comparável à média dos cafés suaves, de tamanho médio, esverdeado, encorpado e macio em xícara; Ukers retoma em 1922 essa descrição quase palavra por palavra e acrescenta que a produção é fraca. Ele faz melhor: em sua tabela geral do consumo, coloca Moçambique entre os países que não produzem o bastante para si mesmos, com 111.614 libras-peso importadas em 1919, cerca de 50,6 toneladas, 78.973 libras-peso reexportadas e 32.641 libras-peso consumidas, ou seja, menos de 15 toneladas. Sua tabela dos cafés comerciais esclarece essas reexportações: o café da Niassalândia, o atual Malauí, sai por Chinde, e o da Rodésia por Beira, dois portos da África Oriental Portuguesa. Ukers observa ainda que os africanos ali preparam o café à sua maneira e os europeus à deles. Nenhum desses autores diz de que espécie é feito o “café de Moçambique” que descreve [4][3][2].

    O café nunca se torna uma cultura colonial de primeiro plano. Coste escreve em 1955 que a documentação sobre Moçambique é praticamente inexistente, a ponto de um catálogo recente dos insetos nocivos citar ali apenas uma praga do cafeeiro. Em meados dos anos 1960, Portugal se atola em suas guerras coloniais em Angola e em Moçambique; excluído de certas organizações internacionais, precisa fazer passar pela FAO, em Roma, as trocas de seu centro de pesquisa sobre a ferrugem do cafeeiro, até a queda do Estado Novo em 1974, e Moçambique se torna independente em 1975. O Parque Nacional da Gorongosa, criado em 1960 na época colonial, é devastado pela guerra civil que opõe de 1977 a 1992 a Frelimo, no poder, à Renamo, a Resistência Nacional Moçambicana; a guerra faz até um milhão de mortos segundo a Associated Press, e a Renamo mantém bases no monte Gorongosa muito tempo depois da paz. Os cientistas do parque estimam que a montanha perdeu cerca de 40% de sua floresta original desde 1970 [8][10][13][12].

    A série da FAOSTAT não mostra nada dessa história, porque não mede nada. Em seus 64 valores, de 1961 a 2024, nenhum é um valor oficial: 49 são estimativas da FAO (E) e 15 valores imputados (I), isto é, calculados por um modelo por falta de declaração do país. De 1961 a 1989, registra 1.000 toneladas todos os anos, em 1.400 hectares, com uma produtividade de 714,3 quilos por hectare: vinte e nove anos idênticos, que atravessam a independência e a maior parte da guerra civil sem mudar de uma tonelada. O máximo da série, 1.000 toneladas em 1961, não é portanto um pico, mas o primeiro exemplar de um valor de convenção. De 1990 a 1999, os valores oscilam entre 700 e 1.000 toneladas, depois caem para 600 em 2000; desde 2014, ficam entre 790 e 841 toneladas, e todos os que se seguem a 2016 são imputados. O valor corrente, 803,7 toneladas em 2024 em 819 hectares estimados, é um deles: prolonga uma tendência, não dá conta de nenhuma colheita [1].

    Pequeno forte de pedra sob um céu nublado, alameda ladeada de pedras brancas
    O fortim de Santo António na ilha de Ibo, que deu seu nome ao café de Ibo, em 2009Rosino · CC BY-SA 2.0
    Prancha de herbário: ramo folhoso de cafeeiro impresso em preto, anotações manuscritas
    Coffea zanguebariae, a espécie do café de Ibo: prancha 25 da monografia de Ralph Holt Cheney, 1925, que ainda distinguia um C. ibo à parteRalph Holt Cheney, digitalização Internet Archive · Domínio público

    Hoje

    Quase todo o café moçambicano de hoje vem de um projeto de conservação. No monte Gorongosa, que culmina a 1.863 metros na província de Sofala, o parque nacional faz plantar Coffea arabica sob árvores indígenas, para dar uma renda às famílias da montanha e fazê-las abandonar a agricultura de corte e queima que corrói a floresta. A ideia vem do conservador do parque, Pedro Muagura; o projeto começa em 2013 segundo a responsável pela qualidade da usina, em 2014-2015 segundo sua diretora adjunta, e a primeira colheita, em 2018, enche apenas algumas sacas. O sistema está implantado em sua maior parte acima de 700 metros, na zona protegida do parque. O estudo de Cassamo e coautores trata da cultivar Costa Rica 95, do grupo dos Catimor, plantada a 1,5 metro na linha e 3 metros entre as linhas, ou seja, cerca de 2.222 pés por hectare, à sombra de Khaya anthotheca, de Erythrina lysistemon, de Albizia adianthifolia e de Bridelia micrantha. A Associated Press contava em 2018 cerca de 90 árvores plantadas por hectare de café, com bananeiras, abacaxis e feijões entre as linhas [12][13][14][15].

    O projeto cresceu no ritmo da paz. Em 2018, a Associated Press descreve bases da Renamo na montanha, uma estrada às vezes bloqueada por troncos, responsáveis que já não podiam subir, e apenas 40 hectares plantados, para uma meta de 1.000 hectares em dez anos. O desarmamento e a reinserção de 5.221 ex-combatentes da Renamo, iniciados em 2018, terminam em junho de 2023 com o fechamento da base de Vunduzi, a última, no distrito de Gorongosa, e a responsável pela usina relaciona a esses fechamentos a extensão das lavouras. As áreas passam de 240 hectares em 2022 e chegam a 309 hectares em 2023, cultivados naquele ano por 915 produtores. Em 2025, o projeto diz trabalhar com mais de 1.000 agricultores, dos quais quase metade são mulheres, em oito comunidades distribuídas em três zonas, Tambarara, Canda e Sandundjira, e o parque fala de 1.500 famílias [12][13][14][17].

    Cada zona tem sua estação de via úmida, onde a polpa do fruto é retirada e o grão lavado; o café seca depois em Mapombwe, perto de Vila Gorongosa, em terreiros suspensos, depois é descascado e classificado numa usina equipada com uma classificadora por peneira e uma mesa densimétrica, que separa os grãos por densidade. O projeto prepara sobretudo cafés lavados, também naturais, secos na própria cereja, e experimenta a fermentação anaeróbica e o processo honey; em 2025, sua diretora adjunta anuncia cerca de 346.000 quilos de cerejas processados no ano, 90% em lavado, e mais de 40 toneladas de café verde por ano. Nas parcelas de teste, a altitude conta mais que o sombreamento: entre 650 e 935 metros, a maturação se alonga em quatro semanas, os grãos ganham em calibre, em densidade e em trigonelina, um precursor de aromas, enquanto o nível de sombra quase não muda nada, exceto uma massa de grão menor a pleno sol. A mesma equipe prevê que em sistema agroflorestal a área favorável do monte recuará cerca de 30% até 2041-2060, e que a pleno sol já não haveria nenhuma em 2021-2040. O café é vendido sob a marca Nossa Gorongosa; seus compradores são Portugal, a Inglaterra e os Estados Unidos, mas o primeiro consumidor continua sendo Moçambique, segundo o parque [14][15][16][17].

    Outros focos se abriram desde 2019, todos em arábica de altitude. Na província de Manica, a empresa Café de Manica distribui naquele ano 500 mudas a uma dúzia de agricultores em torno do Parque Nacional de Chimanimani, depois sementes de sete variedades vindas do Malauí, do Brasil e do Zimbábue; trabalha em 2023 com mais de 2.300 agricultores e exportou um primeiro lote para os Países Baixos em 2022. Uma equipe de pesquisadores acompanhou em junho de 2024, no monte Tsetsera, no mesmo parque, a fermentação espontânea de um arábica lavado durante 72 horas. O comunicado da OIC de 2023 cita seis marcas: Nossa Gorongosa, Café Chimanimani, Café Niassa, Café Vumba, Café de Manica, cultivado nos montes Mussapa, e Café de Ibo. Em 2025, o governo conta mais de 4.000 pequenos produtores, em parcelas de 0,5 a 1 hectare, e nomeia como principais zonas Manica, Sofala e Cabo Delgado; a associação dos cafeicultores, AMOCAFÉ, cita por sua vez Nampula, a Zambézia, o Niassa e Manica, com os planaltos de Gurúè e de Lichinga, que diz tradicionalmente ligados ao arábica. Uma modelagem publicada em 2023 designa Manica, Sofala, a Zambézia e Nampula como as regiões favoráveis ao arábica [22][23][24][18][21][11].

    Os cafés indígenas sobrevivem nos jardins. Em Ibo e Quirimba, o C. zanguebariae cresce em jardins familiares e pequenas plantações associadas a outras culturas, sem irrigação, sem adubação regular nem poda, de modo que tem o aspecto de uma planta espontânea. Davis e seus coautores registram ali um espaçamento de 2,5 a 3 metros, uma floração de dezembro a janeiro, desencadeada pelas primeiras grandes chuvas, e uma colheita em março e abril, cerca de quatro meses depois; uma árvore adulta dá 3 a 4 quilos de cerejas, ou seja, de 300 a 800 gramas de café verde conforme o rendimento adotado. A ilha recebe cerca de 950 milímetros de chuva por ano, com sete meses abaixo de 50 milímetros, para uma média de 26 °C, e máximas de 39 a 45 °C à sombra foram registradas ali em janeiro e fevereiro de 2019. Quatro júris de degustação encontraram no zanguebariae notas de ervas, de alcaçuz, de jasmim, de eucalipto e de chocolate amargo, em amostras mal colhidas e mal conservadas. O C. racemosa de Inhambane, por sua vez, não pôde ser revisto em cultura por Davis, que relata apenas testemunhos de um cultivo local. Os produtores de Ibo têm uma associação, e um projeto da UNIDO financiado pela cooperação italiana descreveu em 2021 a morfologia do café de Ibo [7][5].

    O quadro institucional é novo. A AMOCAFÉ, a Associação Moçambicana dos Cafeicultores, é criada em 2021 e reúne onze empresas em 2023. Moçambique, simples observador na adoção do Acordo Internacional do Café de 2007, torna-se membro da Organização Internacional do Café em 13 de junho de 2023, assinando em Londres o acordo de 2022. A estratégia nacional visa cerca de 5.000 hectares em dez anos, com 4 milhões de euros da cooperação italiana para o programa MAIS VALOR II, e a Itália financia também um centro agroalimentar em Manica, orçado em 35 milhões de euros. As trocas declaradas continuam minúsculas: segundo o UN Comtrade, o país exportou 7 toneladas de café verde em 2021, sobretudo para os Estados Unidos, depois 8 em 2022, 9 em 2023 e 6 em 2024, sobretudo para a África do Sul, enquanto importa a cada ano de 6 a 70 toneladas desde 2010, vindas sobretudo da África do Sul, do Malauí e de Portugal [24][25][19][21][26].

    Pontos de referência
    Espécies
    Coffea arabica cultivado (Gorongosa, Chimanimani); C. zanguebariae (Ibo, Quirimba) e C. racemosa (Inhambane), indígenas [7]
    Produção 2024 (FAOSTAT)
    803,7 toneladas, valor imputado (I) [1]
    Série da FAOSTAT 1961-2024
    nenhum valor oficial: 49 estimados, 15 imputados; 1.000 t registradas a cada ano de 1961 a 1989 [1]
    Produção anunciada pelo governo
    40 toneladas em 2024, perto de 100 toneladas previstas em 2025 [17]
    Gorongosa
    Costa Rica 95 (grupo Catimor) sob árvores indígenas, ensaios entre 650 e 935 m [15]
    Área do projeto da Gorongosa
    309 hectares e 915 produtores em 2023 [13]
    Colheita do café de Ibo
    março e abril, após uma floração de dezembro a janeiro [5]
    Organização Internacional do Café
    membro desde 13 de junho de 2023 [24]
    Cachos apertados de frutos verdes estriados num galho
    Frutos verdes estriados de um cafeeiro indígena do norte de Moçambique, em Chiure (Cabo Delgado), em 2013Ton Rulkens · CC BY-SA 4.0
    Silhueta azul de um maciço acima de uma planície úmida, céu rosa
    O monte Gorongosa visto da planície inundável do parque nacional, ao crepúsculo, em 2018Judy Gallagher · CC BY 2.0

    Zonas de sombra

    Ninguém sabe quanto café Moçambique produz. Para 2024, a FAOSTAT registra 803,7 toneladas, valor imputado, em 819 hectares estimados; o governo, citado pela agência Lusa, fala de 40 toneladas colhidas e de cerca de 300 hectares em todo o país, e prevê perto de 100 toneladas para 2025; atores da cadeia produtiva, citados pelo Zitamar, dão 50 toneladas para a safra 2023-2024, reduzida por uma broca-da-haste e pelo percevejo Antestia; o presidente da AMOCAFÉ anuncia em agosto de 2025 de 500 a 600 toneladas por ano. O projeto da Gorongosa sozinho se descreve alternadamente por 370 toneladas “colhidas” desde 2013, 120 toneladas em alguns meses de 2023, mais de 30 toneladas de café seco por safra, mais de 40 toneladas de café verde por ano e 5 toneladas a cada três meses, sem sempre dizer se conta cerejas ou grão verde, embora sejam necessários de 5 a 10 quilos de cerejas para um quilo de verde. As exportações declaradas, de 6 a 9 toneladas por ano, não combinam com nenhum desses números. A imprensa especializada retoma “827 toneladas em 2019” segundo as Nações Unidas, quando a versão atual da FAOSTAT dá 789,95 toneladas para esse ano: o valor imputado foi recalculado entre duas versões. A OIC e o serviço agrícola americano não publicam número para o país. Para o mesmo ano de 2024, o número da FAOSTAT vale vinte vezes o do governo, e nada permite tê-lo por uma medição [1][17][20][21][13][14][5][26][22][27].

    Vários relatos sobre o café de Ibo não resistem diante dos botânicos. O comunicado conjunto da OIC e do governo, em 2023, afirma que esse café foi introduzido por comerciantes árabes no século XI e que é naturalmente pobre em cafeína. Ora, o C. zanguebariae é indígena no norte de Moçambique, e a análise de amostras de Ibo em 2022 dá cerca de 1% de cafeína, com margem de 0,3 ponto, como os 1,06% medidos no C. racemosa em 1993, teores que Navarini e seus coautores julgam conformes aos dos outros cafeeiros. A reputação de um café pouco cafeinado vem de descrições dos anos 1950 e de ensaios brasileiros que empregaram o racemosa para baixar a cafeína do arábica. O site a retoma: a prancha avenir-09 dá uma cafeína “baixa” às duas espécies e a ficha C. racemosa do atlas um “teor de cafeína muito baixo”; essas duas menções mereceriam ser matizadas. Outras afirmações circulam sem prova. O conservador do parque sustenta em 2024 que os colonos portugueses proibiam os africanos de plantar café para proteger o Brasil, então apresentado como sua colônia cafeeira, o que nenhuma fonte lida atesta e que a cronologia torna duvidoso, o Brasil sendo independente desde 1822; na mesma entrevista, a floresta cafeeira da montanha cobriria 600.000 hectares, quando o projeto cultiva 309. O Perfect Daily Grind escreve que Portugal teria reservado o café para Angola e o chá para Moçambique, sem citar fonte. Walsh, em 1894, faz o café de Moçambique passar a Madagascar por volta de 1717, sem prova; Cheney, em 1925, atribui ao zanguebariae 9.300 quilos colhidos em Nosy Be em 1880, uma leitura errônea que Davis corrige: o número dizia respeito a um arábica Bourbon [24][7][5][29][28][27][3][6].

    O canephora de Moçambique continua por documentar. Nenhuma fonte lida dá uma área, uma província ou uma tonelagem de canephora: o secretário de Estado cita em 2025 “arabica and robusta” entre as variedades do país, a imprensa especializada menciona a espécie sem número, e o estudo genético de 2024 escreve que o país não tem tradição de cultivo do arábica nem do canephora. O café de Ibo, que às vezes se coloca com ele, é um zanguebariae. A identidade dos cafeeiros do norte também coloca um problema de imagem: duas fotografias de Ton Rulkens de 6 de dezembro de 2013, legendadas “Coffea racemosa, pequena plantação na aldeia de Chiure, norte de Moçambique”, foram tiradas em Chiure, um distrito de Cabo Delgado, província onde os botânicos assinalam apenas zanguebariae; a fotografia de cerejas que o site emprega na prancha avenir-16, do mesmo autor e do mesmo dia, poderia mostrar a mesma espécie mal nomeada, o que só a verificação de seu local de tomada permitiria decidir. Por fim, a história colonial do café continua por quantificar: fora dos herbários e dos manuais de comércio, nenhuma estatística de produção entre 1920 e 1975 foi encontrada, e Coste já julgava a documentação quase inexistente [18][14][7][5][29][8].

    Não tratado: As estatísticas coloniais de produção e de exportação entre 1920 e 1975: nenhuma série encontrada, nem na biblioteca nem on-line, e não tive acesso aos anuários estatísticos da colônia. O texto integral de Cassamo et al. 2023: o repositório da universidade de Lisboa deixou de responder durante a sessão, apenas o resumo serviu. O canephora: nenhuma fonte o quantifica nem o localiza, a instrução que o situava na Zambézia e em Ibo não foi confirmada. Os artigos de Halle e Faria (1973) e de Lopes (1974) sobre o racemosa de Moçambique, citados por Davis, não acessíveis. O calendário de colheita do arábica da Gorongosa e de Manica: apenas uma colheita de junho de 2024 em Chimanimani é datada. Os preços pagos aos produtores: dois rendimentos anuais por família foram citados por responsáveis (150.000 e 250.000 meticais), sem base de cálculo. O status da IUCN do racemosa e do zanguebariae: fichas de 2017 citadas, não abertas. O site do parque (gorongosa.org/coffee) redireciona para uma loja sem relação, não foi usado. As declarações espelho de importação dos parceiros no UN Comtrade, não consultadas.

    Fontes
    1. FAOSTAT, Production: Crops and livestock products, Coffee, green (code 656), Mozambique: produção, área colhida, produtividade e status de cada valor, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 2025, https://bulks-faostat.fao.org/production/Production_Crops_Livestock_E_ nível sólido
      Série lida no arquivo em bloco já extraído no disco, idêntica a pays_producteurs_complement.json (versão de 23 de dezembro de 2025). Produção: 1.000 t a cada ano de 1961 a 1989 (E), 937 t em 1990, 700 t em 1992, 600 t em 2000, 900 t em 2012-2013, 840,46 t em 2016 (E), 789,95 t em 2019 (I), 803,7 t em 2024 (I). Status da produção: 49 E e 15 I (1998, 1999, 2001 a 2003, 2014, 2015, 2017 a 2024), nenhum A. Área: 1.400 ha (E) de 1961 a 1989, 819 ha (E) em 2024. Produtividade: 714,3 kg/ha (E) de 1961 a 1989, 980,8 kg/ha em 2024.
    2. All About Coffee, cap. XXII (tabela geral do consumo), XXIV (características dos cafés e tabela de referência dos cafés comerciais) e XXXV (usos), William H. Ukers, 1922, https://www.gutenberg.org/ebooks/28500 nível sólido
      Moçambique em 1919: 111.614 libras-peso importadas, 78.973 exportadas, 32.641 consumidas, na lista dos países que não produzem o bastante para si mesmos; café esverdeado, de tamanho médio, macio, produção fraca; grão médio, esverdeado, encorpado, suave e macio em xícara; café da Niassalândia exportado por Chinde e da Rodésia por Beira, portos da África Oriental Portuguesa; africanos preparando o café à maneira africana, europeus à europeia.
    3. Coffee: Its History, Classification and Description, p. 24-25, 104 e 107-108, Joseph M. Walsh, 1894, https://www.biodiversitylibrary.org/bibliography/33348 nível médio
      Exemplar em PDF da biblioteca local. Café de Moçambique bastante bom, na categoria dos cafés suaves médios, grão médio, esverdeado, encorpado e macio; classificado entre os cafés da costa oriental; café levado de Moçambique a Madagascar por africanos por volta de 1717, sem prova apresentada. Obra de comércio.
    4. Coffee: From Plantation to Cup, Francis B. Thurber, 1881, https://archive.org/details/coffeefromplanta00thur nível médio
      Exemplar em PDF da biblioteca local. Pequenas quantidades de café na costa oriental da África, Moçambique incluído, sem influência no abastecimento da Europa e dos Estados Unidos. Obra de comércio.
    5. Hot Coffee: The Identity, Climate Profiles, Agronomy, and Beverage Characteristics of Coffea racemosa and C. zanguebariae, Frontiers in Sustainable Food Systems 5, 740137, doi:10.3389/fsufs.2021.740137, Aaron P. Davis, Roberta Gargiulo, Iolanda N. das M. Almeida, Marcelino Inácio Caravela, Charles Denison, Justin Moat, 2021, https://doi.org/10.3389/fsufs.2021.740137 nível sólido
      Texto integral lido. Áreas do C. racemosa (centro e sul de Moçambique, leste do Zimbábue, KwaZulu-Natal, 0 a 500 m) e do C. zanguebariae (sul da Tanzânia, norte do Zimbábue e de Moçambique, 10 a 350 m); descrições de Loureiro (1790), neótipo de Massingir; Hiern 1876; herbários de 1937 em torno de Inhambane, árvores de 35 anos; agronomia do zanguebariae em Ibo (espaçamento, floração dezembro-janeiro, colheita março-abril, 3 a 4 kg de cerejas por árvore, rendimentos 5:1 ou 10:1); clima de Ibo (950 mm, sete meses abaixo de 50 mm, 26 °C, 39 a 45 °C registrados em 2019); notas de degustação de quatro júris; cultivo do racemosa em Inhambane não verificado; reputação de baixa cafeína segundo autores de 1954 e 1956; erro de Cheney sobre Nosy Be corrigido pela leitura de Lanessan 1886.
    6. Coffee: a monograph of the economic species of the genus Coffea L., p. 27-29 e 68-70, prancha 25, Ralph Holt Cheney, New York University Press, 1925, https://archive.org/details/coffeemonographo00chen nível sólido
      Texto integral lido (Internet Archive). C. ibo Froehner, “Ibo coffee”: sementes no mercado da África Oriental Alemã em 1893, ilha portuguesa de Ibo por volta de 12° de latitude sul, espécimes enviados ao museu botânico de Berlim, descrição de 1897, cultivo recente como substituto do arábica; C. racemosa conhecido desde 1790, uso local; C. zanguebariae “café de Zanzibar”, 9.300 kg colhidos em Nosy Be em 1880 (afirmação que Davis 2021 corrige).
    7. Mozambican Coffea accessions from Ibo and Quirimba Islands: identification and geographical distribution, AoB PLANTS 16(2), plae004, doi:10.1093/aobpla/plae004, Luciano Navarini, Davide Scaglione, Lorenzo Del Terra, Simone Scalabrin, Lopes Mavuque, Luca Turello, Rafael Nguenha, Gianluca Luongo, 2024, https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10880890/ nível sólido
      Texto integral lido. Sem tradição de cultivo do arábica nem do canephora em Moçambique; café de Ibo cultivado há quase dois séculos, diploma de medalha de ouro em Lisboa em 1906; confusão histórica entre café de Ibo e café de Inhambane; sequenciamento de 40 acessos: C. zanguebariae único presente em Ibo e Quirimba, C. racemosa próprio da província de Inhambane; espécies diploides de 22 cromossomos; jardins familiares e pequenas plantações, sem irrigação, adubação nem poda; cafeína de cerca de 1% (± 0,3) em Ibo (dissertação de Abdurabe 2022), 1,06% no racemosa (Anthony 1993); associação dos produtores de café de Ibo; projeto UNIDO e cooperação italiana (Mavuque 2021).
    8. Les caféiers et les cafés dans le monde, tome I, Les caféiers, René Coste, 1955, https://horizon.documentation.ird.fr/exl-doc/pleins_textes/divers20-12 nível sólido
      Exemplar em PDF da biblioteca local. Seção Mozambicoffea Chev.: arbustos muitas vezes pequenos, de folhas caducas, frutos e sementes muito pequenos; C. zanguebariae (Zanzibar, Tanganica, Moçambique), C. racemosa, C. salvatrix (Moçambique); documentação sobre as pragas do cafeeiro em Moçambique “praticamente inexistente”, um único inseto citado por um catálogo recente.
    9. Global Conservation Strategy for Coffee Genetic Resources, tabela das espécies de Coffea, Crop Trust e World Coffee Research (Bramel, Krishnan, Horna, Lainoff, Montagnon), 2017, https://www.croptrust.org/saving-coffee/ nível sólido
      Exemplar da biblioteca local. Áreas segundo a lista de Kew: C. racemosa (Moçambique, Zimbábue, KwaZulu-Natal, ilhas do canal de Moçambique), C. zanguebariae (sul da Tanzânia, norte de Moçambique), C. salvatrix (sudoeste da Tanzânia, Malauí, Moçambique, Zimbábue), C. mufindiensis subsp. australis (sul do Malauí, oeste de Moçambique, leste do Zimbábue).
    10. Coffee Is Not Forever: A Global History of the Coffee Leaf Rust, Stuart McCook, Ohio University Press, 2019, https://ohioopen.library.ohio.edu/oupress/96/ nível sólido
      Exemplar em PDF da biblioteca local. Guerras coloniais de Portugal em Angola e em Moçambique em meados dos anos 1960, exclusão de certas organizações multilaterais, trocas do CIFC passando pela FAO até a queda do Estado Novo em 1974; independência de Moçambique no ano seguinte.
    11. Genomic Evaluation of Coffea arabica and Its Wild Relative Coffea racemosa in Mozambique: Settling Resilience Keys for the Coffee Crop in the Context of Climate Change, Plants 12(10), 2044, doi:10.3390/plants12102044, Inocência da Piedade Ernesto Tapaça et al., Universidade de Lisboa, IIAM, UniLúrio, Parque Nacional da Gorongosa, 2023, https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10220690/ nível sólido
      Texto integral lido. Moçambique ausente das listas de países produtores; sistema agroflorestal da Gorongosa citado como caso exemplar; cultivo do racemosa em Inhambane assinalado desde 1876 (Hiern); modelagem de Cassamo et al. 2023: Manica, Sofala, Zambézia e Nampula favoráveis ao arábica; arábica amostrado na Gorongosa e no Niassa, racemosa silvestre nas províncias de Inhambane, Sofala e Maputo.
    12. Coffee and Conservation: Mozambique Tries Both on a Mountain, Associated Press, republicado pela Voice of America, 2018, https://www.voanews.com/amp/coffee-and-conservation-mozambique-tries-b nível médio
      Artigo de 11 de julho de 2018: bases da Renamo no monte Gorongosa, estrada bloqueada, acesso impossível por momentos; 90 árvores plantadas por hectare de café, culturas intercaladas; guerra civil que fez até um milhão de mortos, encerrada em 1992, violências até 2016; cume a 1.863 m; cerca de 40% da floresta perdida desde 1970 segundo os cientistas; 40 ha plantados, 100 ha previstos no ano, 1.000 ha visados em dez anos; primeira colheita quatro anos após o plantio; café à venda no lodge de Chitengo.
    13. Moçambique aumenta produção e exportação de Café da Gorongosa, Forbes Portugal, despacho da Lusa, 2023, https://www.forbespt.com/mocambique-aumenta-producao-e-exportacao-de-c nível médio
      Artigo de 19 de novembro de 2023, falas de Edna Catondo, responsável pelo controle de qualidade da usina: projeto iniciado em 2013, 370 t colhidas e exportadas para o Reino Unido e a África do Sul desde então, 120 t desde janeiro de 2023 em 309 ha contra 105 no ano anterior, 915 produtores; alta de 150 t de 2019 a 2022 após o fechamento das primeiras bases da Renamo; DDR de 5.221 combatentes iniciado em 2018, concluído em junho de 2023 com a base de Vunduzi; mais de 240 ha em 2022, mais de 30 t de café seco por safra; parque criado em 1960, guerra civil de 1977 a 1992, acordo de gestão com a fundação de Greg Carr em 2008.
    14. In Mozambique, The Gorongosa Coffee Project Is Changing Lives (And Saving Forests), Sprudge, entrevista com Camille de Boissel, diretora adjunta do projeto, 2025, https://specialprojects.sprudge.com/?p=719 nível médio
      Artigo de 30 de abril de 2025, fala do projeto: início em 2014-2015 por iniciativa de Pedro Muagura; Quentin Haarhoff de 2014 a 2021; primeira colheita em 2018, algumas sacas; guerra civil de 1977 a 1992; instabilidade em 2015-2016; mais de 1.000 agricultores, quase 50% de mulheres; de 5 a mais de 200 ha, oito comunidades, zonas de Tambarara, Canda e Sandundjira; mais de 40 t de verde por ano; três estações de via úmida, secagem em Mapombwe; lavados, naturais, ensaios anaeróbicos e honey; cerca de 346.000 kg de cerejas processados no ano, 90% em lavado; menção do canephora entre as espécies do país, sem número; afirmação de uma adesão à OIC.
    15. Shade and Altitude Implications on the Physical and Chemical Attributes of Green Coffee Beans from Gorongosa Mountain, Mozambique, Agronomy 12(10), 2540, doi:10.3390/agronomy12102540, Crimildo T. Cassamo, Adilson V. J. Mangueze, António E. Leitão et al., Universidade de Lisboa e Universidade Eduardo Mondlane, 2022, https://repositorio.ulisboa.pt/handle/10400.5/25894 nível sólido
      Texto integral lido (repositório da universidade de Lisboa). C. arabica cv. Costa Rica 95 (grupo Catimor), plantas de quatro anos, 1,5 m × 3 m, cerca de 2.222 pés/ha; ensaios a 650, 825 e 935 m, sombra densa, sombra moderada e pleno sol; árvores de sombra indígenas (Khaya anthotheca, Erythrina lysistemon, Albizia adianthifolia, Bridelia micrantha); plantações acima de 700 m; maturação alongada de duas a quatro semanas com a altitude; calibre, homogeneidade, massa, densidade e trigonelina mais elevados a 935 m; efeito da luz fraco, massa menor a pleno sol; via úmida com 24 h de fermentação em água, secagem ao sol.
    16. Impact of climate changes in the suitable areas for Coffea arabica L. production in Mozambique: Agroforestry as an alternative management system to strengthen crop sustainability, Agriculture, Ecosystems & Environment 346, 108341, doi:10.1016/j.agee.2022.108341, Crimildo T. Cassamo et al., 2023, https://doi.org/10.1016/j.agee.2022.108341 nível sólido
      Apenas o resumo lido (OpenAlex), texto integral não aberto: em agrofloresta, área favorável do monte Gorongosa reduzida em cerca de 30% em 2041-2060 e em 50% em 2081-2100; a pleno sol, nenhuma área adequada a partir de 2021-2040; em nível nacional, perda de metade a dois terços das áreas em agrofloresta até 2041-2060.
    17. Mozambique: Coffee production employs 1,500 families in Gorongosa, Lusa, republicado pela Aliança das Agências de Notícias Mediterrâneas (AMAN), 2025, https://aman-alliance.org/Home/ContentDetail/95719 nível médio
      Despacho de 8 de outubro de 2025, falas de Pedro Muagura: pelo menos 1.500 famílias; cerca de 5 t de café a cada três meses; compradores Portugal, Inglaterra, Estados Unidos, Moçambique primeiro consumidor; produção sistematizada há quase cinco anos, concentrada na Gorongosa; cerca de 300 ha de café no país; perto de 100 t esperadas em 2025 após 40 t em 2024; 4 milhões de euros da cooperação italiana, 2.200 famílias; 5.000 ha visados em dez anos.
    18. Mozambique forecasts production of about 90 tonnes of coffee, Agência de Informação de Moçambique (AIM), 2025, https://aimnews.org/2025/06/13/mozambique-forecasts-production-of-abou nível médio
      Despacho de 13 de junho de 2025, falas do secretário de Estado Momade Juízo na Expo Café Moçambique: cerca de 90 t esperadas, mais de 4.000 pequenos produtores em 0,5 a 1 ha, principais zonas Manica, Sofala e Cabo Delgado; “arabica and robusta” e o racemosa citados entre as variedades do país.
    19. Mozambique: Government expects almost 100 tonnes of coffee production this year, Lusa, republicado pela AMAN, 2025, https://www.aman-alliance.org/Home/ContentDetail/91144 nível médio
      Despacho de 12 de junho de 2025: cerca de 90 t esperadas, 2.200 famílias; estratégia financiada por 4 milhões de euros da Agência Italiana de Cooperação (programa MAIS VALOR II); meta de 5.000 ha em dez anos.
    20. Mozambican coffee moves from fashion trend to large-scale production, Zitamar News, 2025, https://www.zitamar.com/mozambican-coffee-moves-from-fashion-trend-to- nível médio
      Artigo de 14 de julho de 2025, apenas o início é de acesso livre: 90 t de café seco esperadas, recorde; apenas 50 t em 2023-2024, colheita afetada por uma broca-da-haste e pelo percevejo Antestia, sobretudo no distrito de Gorongosa, de onde vem o essencial do café moçambicano.
    21. Governo aposta no relançamento da cadeia de café em Moçambique, Agência de Informação de Moçambique (AIM), 2025, https://aimnews.org/2025/08/26/governo-aposta-no-relancamento-da-cadei nível médio
      Despacho de 26 de agosto de 2025, FACIM: centro agroalimentar de Manica de 35 milhões de euros financiado pela Itália; falas de Genaro Lopez, presidente da AMOCAFÉ: províncias de Nampula, Zambézia, Niassa e Manica, planaltos de Gurúè e de Lichinga tradicionalmente ligados ao arábica, produção de 500 a 600 t por ano.
    22. Café de Manica Envisions a New Era for Coffee in Mozambique, Daily Coffee News (Roast Magazine), 2023, https://dailycoffeenews.com/2023/02/10/cafe-de-manica-envisions-a-new- nível médio
      Artigo de 10 de fevereiro de 2023: 500 mudas de arábica distribuídas em 2019 a uma dúzia de agricultores em torno do parque de Chimanimani, sete variedades vindas do Malauí, do Brasil e do Zimbábue, mais de 2.300 agricultores, primeira exportação para os Países Baixos em 2022; retomada do número de 827 t em 2019 “segundo uma estimativa das Nações Unidas”; a OIC e o serviço agrícola americano não incluem Moçambique em seus relatórios.
    23. Integrated microbial-metabolomic analysis reveals how fermentation contributes to the unique flavor of African Arabica coffee, Food Chemistry: Molecular Sciences, doi:10.1016/j.fochms.2025.100344, Gilberto V. de Melo Pereira et al., com o Instituto Politécnico Superior de Manica e a Universidade de Lisboa, 2026, https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12859811/ nível sólido
      Texto integral lido em parte. Ensaio de fermentação espontânea de 72 h em um arábica lavado do monte Tsetsera, Parque Nacional de Chimanimani (Manica), em junho de 2024, durante a colheita; novos plantios em curso no parque.
    24. PR 343/23, Planet-protecting coffee: Mozambique joins the International Coffee Organization, Organização Internacional do Café (OIC) e governo de Moçambique, comunicado conjunto, 2023, https://ico.org/documents/cy2022-23/pr-343e-joint-pr-mozambique-signat nível sólido
      Comunicado de 13 de junho de 2023: adesão de Moçambique à OIC e assinatura do Acordo Internacional do Café de 2022 em Londres pelo ministro Celso Correia; seis marcas (Nossa Gorongosa, Café Chimanimani, Café Niassa, Café Vumba, Café de Manica, Café de Ibo); AMOCAFÉ criada em 2021, onze empresas. As afirmações promocionais do mesmo texto (café de Ibo introduzido por comerciantes árabes no século XI, naturalmente pobre em cafeína) não estão estabelecidas: ver as zonas de sombra.
    25. Membership of the International Coffee Agreement 2007, as at 2 February 2022, Organização Internacional do Café (OIC), 2022, https://www.icocoffee.org/wp-content/uploads/2022/11/membershipica2007 nível sólido
      Cópia de texto já extraída pela sessão dos países ausentes. Moçambique figura entre os países convidados como observadores à 98ª sessão do Conselho, que adotou o acordo de 2007, e não entre os membros.
    26. UN Comtrade, dados anuais HS 090111 (café verde não descafeinado), declarações de Moçambique, 2010-2024, Divisão de Estatística das Nações Unidas, 2026, https://comtradeplus.un.org/ nível sólido
      Consultado pela interface pública: exportações declaradas de 7,05 t em 2021 (6,8 t para os Estados Unidos), 8,31 t em 2022, 9,07 t em 2023 e 6,14 t em 2024 (sobretudo para a África do Sul), nenhuma ou quase antes; importações de 5,9 t (2010) a 69,9 t (2018), sobretudo da África do Sul, do Malauí e de Portugal. As declarações espelho dos parceiros não foram consultadas.
    27. O café em Moçambique: conheça mais sobre essa região produtora, Perfect Daily Grind (edição portuguesa), 2021, https://perfectdailygrind.com/pt/2021/10/28/o-cafe-em-mocambique-conhe nível médio
      Artigo de 28 de outubro de 2021: relato sem fonte de um Portugal reservando o café para Angola e o chá para Moçambique; retomada de 827 t em 2019 segundo a FAO; cerca de 200 ha na Gorongosa, cafés avaliados em 82 ou 83 segundo o responsável pelo café do parque; apoio da Nespresso anunciado em 2020.
    28. The forest is us, and we are it too, Rewilding Magazine, entrevista com Pedro Muagura, 2024, https://rewildingmag.com/the-forest-is-us-and-we-are-it-too nível fraco
      Artigo de 14 de agosto de 2024, fala de um ator do projeto: proibição colonial do cultivo de café pelos africanos para proteger o Brasil, sem fonte; cerca de 800 t produzidas em Moçambique em 2022; plano de reflorestamento lançado em 2014, 270.000 cafeeiros em 2017, 16 t de verde colhidas em seguida com 800 agricultores; “600.000 hectares” de floresta cafeeira.
    29. Pranchas do site: o que vem, seções 09 (espécies silvestres, tabela) e 16 (fotografia de cerejas), ficha C. racemosa do atlas, página proveniência, PXL Roasters, segundo Coste 1955, Davis et al. 2021 e Wikimedia Commons, 2026 nível sólido
      Fonte herdada do site, relida nesta passagem: C. racemosa e C. zanguebariae, clima seco e quente (Moçambique, Tanzânia), cafeína “baixa”, avaliadas em painel em 2021 (avenir-09); ficha racemosa do atlas, “teor de cafeína muito baixo”, parente do Aramosa e do Siriema; fotografia “Cerejas de Coffea racemosa”, Ton Rulkens, 6 de dezembro de 2013, CC BY-SA 2.0, arquivo Commons Coffea_racemosa_berries.jpg (avenir-16 e proveniência).
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