Palini & Alves (Palinialves)
Os torradores de amostra, Espírito Santo do Pinhal, estado de São Paulo, Brasil.
A história
A casa não vem da torra. Vem do café verde. Carlos Roberto Palini e Flávio Pereira Alves nasceram em Jacutinga, no sul de Minas Gerais. Cresceram em meio às fazendas e aos armazéns de café dessa região. O que esses vizinhos pedem primeiro não são máquinas novas, são reparos. O registro federal brasileiro inscreve a sociedade em 22 de fevereiro de 1979, sob a razão social Palini & Alves Ltda. A casa, por sua vez, data seu início de março de 1979: dois sócios, três funcionários, um pequeno galpão perto do centro da cidade. Ali fazem peças de reposição e pequenas máquinas, e dão assistência ao equipamento existente. Compram um prédio próprio, de 600 metros quadrados, em 1982. Nesse ano passam às máquinas de beneficiamento e de rebeneficiamento. O primeiro termo designa o descascamento do grão, o segundo sua limpeza e sua seleção por via seca. Ou seja, uma pré-limpeza, um despedrador, um classificador Porto e uma mesa densimétrica. Em meados dos anos 1990, a prefeitura de Espírito Santo do Pinhal lhes dá um terreno de 12.500 metros quadrados, dos quais 4.000 construídos. Mais tarde, a casa conta com 250 funcionários e abastece os grandes exportadores de café verde. O torrador de amostra chega por essa porta, e não pela do torrador. Quem compra e vende verde precisa torrá-lo para classificá-lo. Em julho de 2022, os quatro sócios inscritos no registro são todos da segunda geração, um Palini e três Alves. A marca comercial cola os dois sobrenomes em uma só palavra, Palinialves. O registro, por sua vez, conserva o &.
O que fabrica
O PA-TPROVA não é uma máquina, é uma bancada. Uma fileira de pequenos cilindros metálicos gira sobre um aquecimento a gás, um cilindro por boca, de uma a seis bocas. Um único motor elétrico monofásico de 1/3 de cavalo aciona toda a fileira. Passa por um parafuso sem-fim e uma coroa. É um redutor lento e silencioso, que mantém a velocidade constante sem eletrônica. Isso explica por que nenhum variador de velocidade consta do catálogo: a velocidade não é um ajuste, é um dado da montagem. O grão recebe portanto o essencial de seu calor no contato com a parede quente, por condução. Não é o fluxo de ar quente de um torrador de amostra de leito fluidizado, em que o grão é sustentado pelo ar. Um termômetro equipa a bancada. Um moedor é acoplado na mesma estrutura, com sua mó macho e sua mó fêmea, os dois nomes que a casa dá às peças que se encaixam. Ele evita transportar a amostra até outro aparelho antes da degustação. A batelada cai em uma bandeja metálica, onde esfria ao ar livre. Os dois torradores domésticos de 4 kg da casa repousam no mesmo princípio, parafuso sem-fim e coroa de bronze de 35 dentes. Suas peças trazem, no entanto, outras referências que não as da bancada de amostra.
Os modelos
Seis variantes de uma única máquina de amostra: PA-TPROVA/1T a PA-TPROVA/6T, conforme o número de bocas. Cada boca torra 300 g de café verde, ou seja, 1,8 kg para o modelo de seis bocas. O motor continua o mesmo nos seis, 1/3 de cavalo monofásico, já que aciona apenas um eixo comum. A ficha de produto anuncia aquecimento a gás, o folheto do Conjunto para Prova de Café propõe gás ou elétrico. Essa máquina, aliás, raramente é vendida sozinha. Faz parte de um conjunto de classificação, vendido em bloco porque a classificação segue sempre as mesmas etapas. Há ali dois descascadores de amostra. O PA-AMO/300 processa 300 g por carga, o PA-AMO/30 processa 30 kg por hora. Vêm em seguida peneiras de classificação com armação de madeira e uma mesa de classificação, também de madeira, com sua lâmpada e seu banco. Somam-se uma mesa de degustação giratória com tampo de mármore branco, pratos cônicos, um banco giratório e uma cuspideira de aço inoxidável. Ao lado, dois torradores de 4 kg pertencem à família das máquinas de mesa. O PA-TORR/04M traz um moedor e um resfriador manual, com motor de 1/2 cavalo e aquecimento a gás. O PA-TORR/04SM vai sem moedor, com motor de 1/4 de cavalo.
O que se ganha
Seis bocas em um único eixo são seis lotes torrados lado a lado. Mesma bancada, mesma velocidade, mesmo dia. Comparar lotes, o próprio ofício do comprador de café verde, faz-se portanto sem variável parasita. A carga de 300 g é ampla para uma máquina de amostra. Dá o bastante para degustar e para passar pela peneira, a partir de uma única batelada. Sua massa amortece também uma variação breve do aquecimento, pois um monte mais pesado leva mais tempo para mudar de temperatura. Por fim, o caminho do calor, uma parede metálica quente, é o de um tambor de produção. A diferença de perfil de que sofrem as máquinas de convecção fica assim reduzida.
O que se perde
Nenhuma sonda na massa de grãos está documentada, nem registro algum, nem mesmo a posição do termômetro. Não se pode portanto refazer um perfil no dia seguinte, nem compará-lo com o de outro laboratório. O controle se resume ao registro de gás e ao olhar do operador. A lista de peças do PA-TPROVA inclui apenas um copo de inox. A colher de coleta de amostra não consta dela, está listada apenas para os torradores de 4 kg. Isso classifica uma torra, não a mede. O resfriamento se faz ao ar livre, em uma bandeja, sem ventilador anunciado. Esses 300 g continuam portanto a torrar depois da saída, e o ponto de parada deriva. A velocidade de rotação não é uma variável: o mesmo motor único serve de uma boca a seis.