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    O terreiro

    A secagem.

    O PROCESSO EM MOVIMENTO

    Como seca um café no terreiro?

    Inicie a cena ou escolha uma etapa. A animação simplifica o mecanismo; o texto que segue traz os detalhes e as referências disponíveis.

    Espalhar em camada fina

    A extensão rural brasileira espalha a cereja em 5 centímetros no primeiro dia, o pergaminho em 2. O Codex pede 3 a 5 centímetros. Com 50 litros de cereja por metro quadrado, um saco de 500 litros pede dez metros quadrados de laje.

    Ler as etapas sem animação
    1. Espalhar em camada finaA extensão rural brasileira espalha a cereja em 5 centímetros no primeiro dia, o pergaminho em 2. O Codex pede 3 a 5 centímetros. Com 50 litros de cereja por metro quadrado, um saco de 500 litros pede dez metros quadrados de laje.
    2. Revolver com o rodoUma laje é uma massa térmica: guarda o calor do dia e o devolve ao café por baixo. O fundo da camada é, portanto, o ponto quente, sem ar que o renove. Revolve-se com rodo de madeira a cada duas horas em área pavimentada, no sentido do sol; a massa é mantida perto de 35 a 40 °C.
    3. Engrossar as leiras no meio da secagemAté o meio da secagem, as leiras têm cerca de 3 centímetros; engrossam-se depois para uns quinze. Com a água de superfície já evaporada, a evaporação não resfria mais a camada: espessa, ela faz sombra a si mesma e evita o grão preto-verde, queimado pelo calor. Uma amostra descascada ainda mostra uma amêndoa escura.
    4. Em montes sob lona, à noiteDepois de um dia de secagem para o pergaminho, três para a cereja, o café passa a noite em montes sob lona. De madrugada, a laje desce abaixo da temperatura do ar: é a condição do orvalho, e um lote deixado espalhado retoma a água.
    5. Olhar a amêndoaDescasca-se uma amostra: uma amêndoa verde-azulada escura ainda está úmida. Quando a amostra não mostra mais nenhuma, o lote está pronto, por volta de 10 a 12 % de umidade, após 7 a 20 dias conforme o clima.

    Para reter: O terreiro é um suporte, não uma via: sua qualidade não se decide no dia em que se lança a laje, decide-se a cada tarde da colheita.

    Na história: Ukers descreve em 1922 áreas com superfície de cimento ou de tijolo, reviradas várias vezes por dia.

    Ler o artigo completo e suas fontes ↓
    FamíliaA secagem
    Também chamadoterreiro, terreiro de concreto, terreiro de lama de cimento, terreiro de lama asfáltica, terreiro de terra ou de chão batido, patio de cemento, secado al sol en patio, barbecue (o antigo termo inglês para o secador no chão, ainda empregado por Ukers em 1922 e vindo do espanhol barbacoa). Duas denominações pedem uma precisão. “Terreiro suspenso” não designa um terreiro assentado no chão, mas um leito elevado, que é tema de outra ficha. “Secagem ao sol” não distingue nada, já que também se seca ao sol em terreiro suspenso, em estufa e à beira de uma estrada: o que define o terreiro é a laje, não o astro.

    Onde se pratica

    Em toda parte, e desde sempre. É o método de secagem mais difundido do mundo, e é também aquele de que este site menos falava.

    O Brasil é a forma mais organizada dele. O terreiro é ali um equipamento de fazenda como um galpão, dimensionado para o pico da colheita, e recebe nomes diferentes conforme o revestimento: terra ou chão batido para a terra compactada, lama de cimento para a argamassa alisada, lama asfáltica para o revestimento com emulsão de betume, concreto para a laje de concreto. A América Latina hispânica fala em patio, de cimento, de tijolo ou de asfalto. A Etiópia, a Índia, a Indonésia e o Iêmen secam em áreas, em telhados de terraço e em esteiras, com a mesma lógica e outros materiais.

    A ordem de grandeza colombiana, já dada na ficha dos terreiros suspensos, vale ser lembrada porque situa a questão. Em 2008, a Cenicafé relata que 41 por cento das propriedades do país secavam ao sol e 2 por cento em secador mecânico. A secagem solar, da qual o terreiro é a forma mais comum, continua, portanto, muito majoritária mesmo onde a secagem mecânica é antiga e bem documentada.

    A antiguidade se constata mais do que se data. Ukers descreve em 1922 a via seca em termos que um produtor brasileiro reconheceria hoje: os frutos são estendidos em camada fina em áreas abertas, ou barbecues, frequentemente com superfície de cimento ou de tijolo; são revirados várias vezes por dia para que o sol e o vento atinjam todas as partes; a secagem dura cerca de três semanas; e depois dos três primeiros dias é preciso proteger os frutos do orvalho e da chuva, cobrindo-os com lonas ou pondo-os em montes sob abrigo. Acrescenta uma observação que é um diagnóstico: se os frutos não são espalhados, esquentam, a película prateada gruda no grão e frequentemente o descolore. A data de aparecimento do terreiro, essa, não foi estabelecida a partir de fontes de primeira linha, e esta ficha não a avança.

    Um último ponto de geografia conta. O terreiro não pertence a nenhuma via de processamento. Nele se seca natural em cereja inteira, lavado em pergaminho, cereja descascado e honey. É a superfície que define o método, não o que se coloca sobre ela.

    Várias áreas de secagem retangulares cobertas de café, com montes cônicos e trabalhadores.
    Área de secagem de uma plantação da Costa RicaWilliam H. Ukers, All About Coffee, 1922 · Domínio público

    O princípio

    Uma laje não é um suporte neutro. É uma massa térmica, isto é, um corpo que acumula calor e o devolve com atraso, e é isso que faz toda a diferença em relação aos outros secadores.

    Um terreiro suspenso é ventilado por baixo e aquecido por cima. Um terreiro é aquecido por cima e por baixo, e ventilado só por cima. A laje absorve a radiação solar o dia inteiro, esquenta, e devolve esse calor à camada de café por contato e por radiação infravermelha. O café posto num terreiro não recebe, portanto, apenas o sol: recebe o sol da véspera, armazenado no concreto.

    Três consequências decorrem disso, e comandam toda a condução.

    A primeira é que a evaporação é rápida na superfície da camada e que o fundo da camada é o ponto quente, não o ponto frio. É o inverso da intuição. Num leito de malha, o ar passa sob a camada e o fundo é ventilado; numa laje, o fundo está em contato com o corpo mais quente do dispositivo, sem nenhuma renovação de ar. O revolvimento não serve ali apenas para uniformizar a umidade: serve para tirar do contato quente os grãos que ficaram nele, e para quebrar os aglomerados antes que se formem.

    A segunda é que a natureza do revestimento muda a temperatura atingida, e não só a limpeza. Um revestimento escuro absorve mais radiação que uma argamassa clara e sobe mais alto nos picos. Os autores do ensaio brasileiro citado mais adiante atribuem explicitamente a esses picos de temperatura os valores mais altos de condutividade elétrica que medem nos grãos secos em revestimento com emulsão de betume. A condutividade elétrica do exsudato é um indicador da integridade das membranas celulares do grão: um grão cujas membranas cederam libera mais eletrólitos na água, e a condutividade sobe. O revestimento não é, portanto, um detalhe de manutenção, é um parâmetro térmico.

    A terceira é a defasagem entre a laje e o ar. O concreto continua devolvendo seu calor depois do pôr do sol e, de madrugada, desce abaixo da temperatura do ar por irradiação para o céu limpo. É exatamente a condição do orvalho: uma superfície mais fria que o ar ambiente, na qual o vapor de água se condensa. Um lote deixado espalhado à noite retoma, portanto, água, e essa retomada não anula apenas o trabalho da véspera. Reativa de uma só vez os mofos já instalados, o que é bem pior que um simples atraso.

    Resta a higiene, que é a razão histórica da pavimentação. O Codex Alimentarius afasta a terra nua para as regiões chuvosas e pede uma superfície lavável, sem a qual o café adquire sabores indesejáveis que nenhuma etapa posterior retira. Uma laje se varre e se lava; uma terra batida retém a água, a poeira e os esporos, e retarda além disso a secagem pelo contato direto com um solo úmido.

    O que o terreiro faz bem, para terminar, cabe numa palavra: a massa. Nenhum outro dispositivo seca tanto café com um investimento tão baixo. É um piso, e um piso se constrói em uma semana. Tudo o que segue descreve o que custa essa escolha.

    O passo a passo

    A construção vem primeiro, porque decide todo o resto. Um ensaio brasileiro conduzido no Instituto Federal do Sul de Minas Gerais construiu cinco terreiros experimentais de 50 metros quadrados cada um, num mesmo terreno nivelado da mesma maneira, e publicou o custo. Os valores, em reais de 2014, são os seguintes: terra compactada 2,70 por metro quadrado, argamassa 11,65, revestimento com emulsão de betume 14,02, laje de concreto 22,30, leito suspenso 38,54. A laje de concreto desse ensaio tem 10 centímetros de espessura e apresenta uma superfície mais rugosa; a argamassa tem 5 centímetros e é mais lisa; o revestimento com emulsão tem 0,5 a 1 centímetro e fica entre os dois em rugosidade. Esses números são locais e datados, e seu interesse não é o valor absoluto, mas as proporções: a argamassa custa metade da laje de concreto e um quarto a menos que o revestimento, para uma qualidade de xícara que o mesmo ensaio considera equivalente à do concreto.

    A inclinação e o escoamento vêm em seguida, e nenhuma fonte consultada publica o valor. Um terreiro deve poder ser lavado e não reter a água da chuva; é tudo o que se pode dizer com fonte.

    O espalhamento é o primeiro gesto do dia, e sua espessura depende do produto. Para a cereja inteira, a recomendação brasileira de extensão rural é uma camada de 5 centímetros no primeiro dia. Para o café em pergaminho, cai para 2 centímetros, com rastelos leves e adequados para não danificar o pergaminho. A Cenicafé sustenta que, além de 3 centímetros, a secagem se retarda, o que prolonga a permanência do grão em umidade crítica. O Codex pede camadas de 3 a 5 centímetros, o que equivale a 25 a 35 quilos por metro quadrado de pergaminho ou de cereja fresca, sem distinguir os dois produtos, e só admite mais espessa com ar seco, boa circulação e forte insolação. A revisão de síntese publicada na Foods em 2026 dá para o terreiro 2 a 5 centímetros.

    Uma regra de escala permite traduzir tudo isso em superfície. Uma distribuição de 50 litros de cereja por metro quadrado, com um saco brasileiro correspondendo a 500 litros, pede 10 metros quadrados de terreiro por saco. Um lote de cem sacos ocupa, portanto, mil metros quadrados, que é a verdadeira restrição do processo: o terreiro é um ativo fixo dimensionado para o dia de pico da colheita, e esse dia comanda o investimento de toda a propriedade.

    O revolvimento ocupa o dia. A recomendação brasileira é um revolvimento com rodo de madeira, a cada duas horas em terreiro pavimentado, e a cada hora em terra batida. O Codex pede que se revire constantemente durante o dia, sem dar número. A revisão de 2026 dá pelo menos duas a três reviradas por dia. Esses valores não são conciliáveis e não visam à mesma coisa: duas a três passadas por dia descrevem um mínimo de segurança, dezesseis passadas no primeiro dia descrevem uma condução de qualidade. Um detalhe vale mais que um número: a recomendação brasileira pede que se revire no sentido do sol, para que as pequenas leiras, formadas pela passagem do rastelo, não façam sombra umas às outras.

    Vem em seguida um gesto que surpreende, e cuja razão ilumina todo o processo. Até a meia seca, as leiras são mantidas finas, em torno de 3 centímetros, com revolvimento constante. Passada essa etapa, engrossam-se, para uns quinze centímetros. O engrossamento não é um relaxamento: visa evitar o defeito preto-verde, que vem da elevação de temperatura. Uma vez saída a água de superfície, a evaporação não resfria mais a camada, e um grão espalhado fino numa laje quente não tem mais nada com que se proteger. Engrossando-a, faz-se o grão dar sombra a si mesmo. A condução de um terreiro é, portanto, em dois tempos opostos: fina e mexida enquanto há água para sair depressa, espessa e mais calma depois.

    A noite e a chuva se tratam pela amontoa e pela lona. O Codex fixa um calendário: só se amontoa e se cobre com lona depois de um dia de secagem para o pergaminho e três dias para a cereja. Antes disso, a cobertura aprisiona o vapor e reumedece o lote, o que produz exatamente o contrário do efeito buscado. Ele pede, aliás, que se ventile o café úmido à noite, para evitar que o vapor se condense nos grãos.

    A temperatura da massa é vigiada o tempo todo. A condução brasileira corrente visa 35 a 40 graus. Um aviso preciso se junta: se o lote contém muitos frutos verdes, a massa não deve passar de 30 graus, pois um aquecimento excessivo sobre grãos imaturos produz os defeitos verde-escuro e preto-verde.

    As durações se leem então como um resultado, não como uma instrução. O terreiro pede 7 a 20 dias conforme o clima para um café em pergaminho ou em cereja, segundo a revisão de 2026. Ukers dava cerca de três semanas para a cereja inteira em 1922, e escrevia que as máquinas secavam o pergaminho em vinte e quatro horas onde o sol pedia dez dias. Essa comparação não envelheceu um dia.

    O fim da secagem se julga por amostragem. Começa-se dois ou três dias antes da data esperada, depois todos os dias. Na Colômbia, o método de campo é visual e é bom: descasca-se uma amostra e observa-se a cor da amêndoa. Um grão ainda úmido é de um verde-azulado escuro; é o que a Cenicafé chama de grano flojo. Quando a amostra não mostra mais nenhum, o lote é julgado pronto. A meta é 10 a 12 por cento de umidade em base úmida antes do ensacamento, fixando o Codex, por sua vez, menos de 12,5 por cento e uma atividade de água de no máximo 0,67 a 0,70. A medição de referência é a perda de massa em estufa, e os medidores de umidade são conferidos entre si e calibrados uma vez por ano contra ela, antes da colheita.

    Vasta área de secagem cimentada em que o café é espalhado em largas faixas, um homem sozinho no meio, montanhas ao fundo.
    Área de secagem do café, distrito de Chuva, GuatemalaWilliam H. Ukers, All About Coffee, 1922 · Domínio público

    O que isso dá na xícara

    O que é medido sobre o próprio revestimento vem de um único ensaio, e merece ser descrito com seus limites. Santos e colaboradores compararam em 2014 cinco revestimentos de terreiro e três preparos de café, em delineamento inteiramente casualizado com três repetições, ou seja, quarenta e cinco parcelas, em Catuaí Amarelo IAC 62 colhido em 2013. Os três preparos eram o café de roça, isto é, colhido no chão e no galho sem separação, os boias e o cereja descascado. A secagem foi interrompida a 11 por cento de umidade para todas as parcelas.

    Dois resultados saem daí. Na condutividade elétrica do exsudato, os valores mais baixos, portanto as membranas mais bem conservadas, estão no concreto e na argamassa; os mais altos estão no revestimento com emulsão de betume. No cereja descascado, a diferença vai de 122,10 microssiemens por centímetro e por grama no concreto a 231,87 no revestimento, ou seja, quase o dobro. Na degustação, conduzida por três provadores qualificados segundo a instrução normativa brasileira número 8 de 2003, os terreiros de terra e de revestimento dão em média bebidas classificadas como riado e rio, as classes de gosto iodado da escala brasileira, enquanto o concreto, a argamassa e o leito suspenso dão majoritariamente dura.

    É preciso dizer imediatamente o que esse ensaio não prova. Trata de uma variedade, uma colheita, um lugar e três provadores. Seu objeto declarado é um cálculo custo-benefício, não uma comparação sensorial fina. A escala brasileira de bebidas, que vai da estritamente mole à rio zona, é uma classificação de defeitos e não uma nota de qualidade: dizer que um lote é duro ou riado não o situa nos cem pontos da escala da Specialty Coffee Association. E o café de roça, que entra no dispositivo, é o pior material possível para julgar um suporte, já que traz todos os defeitos da colheita no chão.

    O que é medido no terreiro frente a outros dispositivos está em dois outros trabalhos, já explorados em outras partes deste site. O ensaio brasileiro de 2025 em duas regiões opõe o sol em terraço de cimento ou em asfalto a um secador dedicado, e o secador vence, sem ser infalível: passa da marca de 80 pontos da escala SCA no Campo das Vertentes no início e no meio da safra, e cai abaixo dela no fim da safra, no mesmo nível da via tradicional. O ensaio etíope de 2023 em túnel solar não encontra nenhuma diferença sensorial significativa entre seus doze tratamentos, mas uma diferença enorme na sanidade: de 4,0 a 93,3 por cento de grãos infectados, sendo o máximo atingido a pleno sol em 6 centímetros de camada.

    A síntese honesta cabe em duas frases. O revestimento e a condução de um terreiro comandam nitidamente a sanidade do lote e a carga de defeitos, e isso é medido. Seu efeito na xícara só é medido uma vez, numa escala grosseira, e vai no sentido esperado sem que a amplitude esteja estabelecida.

    O que é apenas afirmado merece ser nomeado, porque é o argumento que o terreiro sofre mais do que o que reivindica. O setor sustenta comumente que o terreiro produz cafés mais rústicos e menos limpos que o terreiro suspenso. Nenhum ensaio controlado que isole apenas o suporte foi localizado, o Codex se recusa ele próprio a classificar as superfícies, e o ensaio etíope, o único com números, não separa seus tratamentos na xícara.

    O que dá errado

    O pico de temperatura é o risco próprio do terreiro, e é o menos nomeado. Uma laje exposta o dia inteiro sobe bem acima do ar, e um café espalhado fino sobre ela na hora errada pega esse calor sem nada que o evacue uma vez ida a água de superfície. Os defeitos que se seguem são nomeados. O preto-verde se distingue do preto franco por seu aspecto brilhante, ficando a película prateada colada nele, e deve ser contado como defeito de queima. O cristalizado é um grão cinza-azulado, frágil e quebradiço, atribuído a temperaturas de secagem acima de 50 graus. A Cenicafé relaciona esse mesmo defeito cristalizado, com o descolorido e o mofado, a uma temperatura alta demais.

    O reumedecimento é o segundo, e é tratado à parte pelo Codex, que pede que seja evitado. A razão é biológica e vale ser repetida: a água que volta não molha um lote novo, desperta mofos já instalados e relança a produção de toxina. Uma pancada de chuva sobre um lote quase seco, uma lona colocada cedo demais, um orvalho desprotegido bastam.

    A janela dos mofos é o terceiro, e é uma questão de relógio. A ocratoxina A é produzida por apenas alguns Aspergillus, cujo crescimento e produção se jogam numa faixa de atividade de água de 0,80 a 0,95. O Codex considera que no máximo cinco dias passados na área de secagem nessa faixa bastam para evitar o acúmulo. Um terreiro que pede vinte dias não tem, portanto, margem: tudo o que alonga a secagem come essa reserva. O ensaio etíope dá a ordem de grandeza do que custa a espessura no sol aberto: 45,3 por cento de grãos infectados com 2 centímetros, 77,3 com 4, e 93,3 com 6.

    O gosto de terra é o quarto, e se resolve pela pavimentação. O Codex é categórico: numa superfície não lavável, o pergaminho adquire sabores indesejáveis que nenhuma etapa posterior retira. O ensaio brasileiro o confirma à sua maneira, classificando o terreiro de terra entre os piores nos dois critérios que mede.

    O quinto risco não é técnico, é de uso. Um terreiro é uma grande superfície plana e cômoda no meio de uma fazenda, e serve, portanto, também para outras coisas: estaciona-se ali, faz-se um trator manobrar ali, animais passam por ali, a poeira da estrada se deposita ali. Cada uso secundário é uma fonte de contaminação para a colheita seguinte, e é por isso que a varrição e a lavagem antes da safra não são um rito, mas uma operação sanitária.

    O sexto é a mão de obra, e é o verdadeiro custo do processo. Cada revolvimento é uma passada de rastelo sobre a totalidade da superfície. Com dezesseis passadas no primeiro dia sobre mil metros quadrados, não se conta mais em gestos, mas em jornadas de homem. Um terreiro não revolvido não é um terreiro lento, é um tanque de fermentação a céu aberto: os grãos do fundo permanecem úmidos, esquentam, e o lote vai para o fermentado. A qualidade de uma secagem no terreiro não se decide no dia da construção da laje, decide-se a cada tarde da colheita.

    O sétimo é a secagem excessiva, que não se vê e custa caro. A Cenicafé situa em 10,5 por cento o limiar abaixo do qual a secagem é excessiva. A perda é primeiro de peso, portanto de renda, e é definitiva: um café que desceu baixo demais não se reumidifica honestamente.

    O oitavo, por fim, é a estação. O terreiro supõe uma janela seca confiável. Onde a colheita coincide com as chuvas, o que é o caso de muitas regiões colombianas, a secagem se arrasta, e a Cenicafé o diz sem rodeios: a secagem solar é ali lenta, e a lentidão é ela própria um risco de perda de qualidade.

    Duas fotografias de uma fazenda colombiana mostrando uma larga manta de café em pergaminho espalhada ao sol diante das construções, sobre uma laje de concreto.
    Secagem do café em pergaminho ao sol em terreiro de concretoDuque-Dussán E., Figueroa-Varela P.A. e colab. · CC BY 4.0

    Os pontos de referência

    • Espessura da camada, cereja inteira, primeiro dia, extensão rural brasileira5 centímetros
    • Espessura da camada, café em pergaminho, mesma fonteaté 2 centímetros
    • Espessura além da qual a secagem se retarda segundo a Cenicafé3 centímetros
    • Espessura pedida pelo Codex3 a 5 centímetros, ou seja, 25 a 35 quilos por metro quadrado
    • Espessura no terreiro segundo a revisão Foods 20262 a 5 centímetros
    • Espessura das leiras antes e depois da fase de meia secacerca de 3 centímetros, depois cerca de 15 centímetros
    • Superfície necessária50 litros de cereja por metro quadrado, ou seja, cerca de 10 metros quadrados por saco de 500 litros
    • Frequência de revolvimento com rastelo, terreiro pavimentadoa cada duas horas
    • Frequência de revolvimento com rastelo, terra batidaa cada hora
    • Temperatura visada da massa35 a 40 graus
    • Temperatura a não ultrapassar se o lote contém muitos frutos verdes30 graus
    • Temperatura de secagem acima da qual se situa o defeito cristalizado50 graus
    • Duração da secagem no terreiro7 a 20 dias conforme o clima
    • Duração da secagem em cereja inteira ao sol segundo Ukers, 1922cerca de três semanas
    • Secagem do pergaminho, máquina contra sol segundo Ukers, 192224 horas contra 10 dias
    • Amontoa sob lona, prazo mínimo segundo o Codexum dia para o pergaminho, três dias para a cereja
    • Permanência máxima na faixa de atividade de água de 0,80 a 0,95 segundo o Codexcinco dias
    • Grãos infectados no sol aberto conforme a espessura, ensaio etíope 202345,3 por cento com 2 cm, 77,3 com 4 cm, 93,3 com 6 cm
    • Custo de construção por metro quadrado, ensaio brasileiro, reais de 2014terra 2,70; argamassa 11,65; revestimento com emulsão 14,02; concreto 22,30; leito suspenso 38,54
    • Condutividade elétrica do exsudato em cereja descascado conforme o revestimento, mesmo ensaio122,10 microssiemens por centímetro e por grama no concreto, 231,87 no revestimento com emulsão
    • Classificação na xícara conforme o revestimento, mesmo ensaiodura no concreto, na argamassa e no leito suspenso; riado e rio na terra e no revestimento com emulsão
    • Umidade visada antes do ensacamento10 a 12 por cento em base úmida
    • Limiar de secagem excessiva segundo a Cenicafé10,5 por cento
    • Parcela das propriedades colombianas que secavam ao sol em 200841 por cento, contra 2 por cento em secador mecânico
    Zona de sombraA antiguidade do terreiro não está datada. Ukers atesta a prática e seu pavimento em 1922 sem apresentá-la como nova, o que a situa bem antes, e nenhuma fonte de primeira linha consultada fixa o seu surgimento. Esta ficha, portanto, não o propõe. A parte do café mundial seca em terreiro é desconhecida. Nenhuma estatística de produção separa os suportes de secagem. A única ordem de grandeza disponível é colombiana, data de 2008 e trata da proporção de propriedades, não de tonelagens nem de suportes individuais: diz que 41 por cento secavam ao sol, sem distinguir o terreiro do terreiro suspenso nem do secador parabólico. A inclinação de um terreiro, sua orientação e sua altura acima do solo não são fixadas por nenhuma fonte consultada. São, no entanto, parâmetros de projeto, e é provável que existam em manuais nacionais que este trabalho não pôde alcançar. As frequências de revolvimento não são fixadas em lugar nenhum de maneira coerente. O Codex pede um revolvimento constante sem dar número, a revisão de 2026 indica duas a três vezes por dia, a divulgação técnica brasileira indica a cada duas horas ou a cada hora conforme o revestimento, e um guia de cooperativa indica até dezesseis passagens no primeiro dia sobre pulped natural. Esses valores não se contradizem exatamente, já que descrevem mínimos e manejos cuidadosos, mas nenhuma ficha técnica os hierarquiza. As temperaturas realmente atingidas por uma laje e pela camada posta sobre ela não são publicadas em lugar nenhum do que foi lido. A atribuição das altas condutividades aos picos de temperatura do terreiro à emulsão asfáltica é um raciocínio dos autores do ensaio brasileiro, e não uma medição que tenham feito: eles não registraram a temperatura dos revestimentos. É a medição mais simples e mais útil que falta a todo este dossiê, e um termopar e um dia de sol bastariam para fazê-la. O ensaio brasileiro sobre os revestimentos é o único encontrado que isola o suporte com uma degustação. Trata de uma variedade, uma colheita, um lugar e três provadores, emprega a escala brasileira das bebidas e não uma pontuação em cem pontos, e seu objetivo declarado é um cálculo de custo. Suas conclusões não deveriam ser transportadas para outros climas nem para outras vias de processamento sem replicação. O limiar de 50 graus associado ao defeito cristalizado vem da literatura brasileira e colombiana de divulgação, e não de um ensaio que tenha produzido esse defeito em temperatura controlada. O mecanismo é plausível, o número não está estabelecido. Está, aliás, em tensão com um ensaio peruano de 2026 que, secando Caturra a 30, 40, 50 e 60 graus, não encontra nenhuma diferença sensorial significativa entre esses quatro regimes: esse ponto é desenvolvido na ficha da secagem mecânica. O teto de 30 graus para um lote carregado de frutos verdes e a faixa de 35 a 40 graus para a massa são valores de manejo tomados da divulgação técnica. Nenhuma das fontes consultadas os liga a um ensaio que tenha feito variar a temperatura da massa medindo o dano. Por fim, o custo de mão de obra da secagem em terreiro, que é o verdadeiro argumento contra ela, não pôde ser quantificado. Nenhuma fonte consultada dá um número de horas por tonelada nem um custo por saca, o que torna impossível a única comparação que interessaria a um produtor: quanto custa realmente, em dias de trabalho, uma secagem em terreiro bem conduzida diante de uma secagem mecânica bem conduzida.
    Santos O. L., Reinato C. H. R., Junqueira J. D., Franco E. L., Souza C. W. A., Rezende A. N., “Custo-benefício da secagem de café em diferentes tipos de terreiro”, Revista Agrogeoambiental, vol. 9, n.º 4, dezembro de 2017, p. 11-19, DOI 10.18406/2316-1817v9n42017966, Instituto Federal do Sul de Minas Gerais, campus Machado: texto integral lido, para a construção dos cinco terreiros experimentais de 50 metros quadrados e seus materiais, a tabela 1 dos custos por metro quadrado, a tabela 2 das condutividades elétricas, a tabela 3 da classificação em xícara segundo a instrução normativa brasileira n.º 8 de 2003, a espessura das leiras de 3 centímetros até a meia-secagem e depois de cerca de 15 centímetros para evitar o defeito preto-verde, e a atribuição das condutividades elevadas sobre revestimento com emulsão aos picos de temperatura desse revestimento. Ukers W. H., All About Coffee, 1922, capítulo XXI, seções “Preparation by the Dry Method” e “Drying”, para as áreas abertas ou barbecues de superfície de cimento ou de tijolo, o revolvimento várias vezes ao dia, as três semanas de secagem solar, a proteção contra orvalho e chuva depois do terceiro dia, o aquecimento e a descoloração dos lotes não espalhados, e a comparação de vinte e quatro horas de máquina contra dez dias de sol sobre o pergaminho; texto integral lido. Codex Alimentarius, Code of Practice for the Prevention and Reduction of Ochratoxin A Contamination in Coffee, CAC/RCP 69-2009, parágrafos 32 a 42, para as camadas de 3 a 5 centímetros e os 25 a 35 quilos por metro quadrado, o revolvimento constante, o calendário de amontoamento, a ventilação noturna, a faixa de atividade de água de 0,80 a 0,95, os cinco dias no máximo sobre a área, a recusa da terra nua em região chuvosa, a superfície lavável, a umidade final de menos de 12,5 por cento e a atividade de água de no máximo 0,67 a 0,70. Duque-Dussán E., Figueroa-Varela P. A., Cruz-Ospina V., Banout J., “Advances in Coffee Drying: A Comprehensive Review of Traditional, Solar, Mechanical, Hybrid, and Emerging Methods”, Foods, 15(10):1737, 2026, DOI 10.3390/foods15101737, para a espessura de 2 a 5 centímetros no terreiro e a duração de 7 a 20 dias. Abdissa Z. K., Tola Y. B., Taye A. H., Mohammed H. H., “Harmonizing Drying Time, Layer Thickness, and Drier Zones for Drying Kinetics: Quality and Safety of Solar Tunnel-Dried Wet-Processed Parchment Coffee (Coffea arabica L.)”, International Journal of Food Science, 2023, DOI 10.1155/2023/6677592, para a carga fúngica a pleno sol conforme a espessura e a ausência de diferença sensorial significativa. Abreu D. J. M. e colaboradores, “Influence of Drying Methods on the Post-Harvest Quality of Coffee”, Foods, 14(9):1463, 2025, DOI 10.3390/foods14091463, para a comparação de terraço e asfalto contra secador dedicado em duas regiões brasileiras. Documentação brasileira de divulgação agrícola e guias técnicos de cooperativas, notadamente as publicações do consórcio brasileiro de pesquisa do café e o guia técnico da cooperativa Cooxupé, para as camadas de 5 centímetros em cereja e 2 centímetros em pergaminho, o revolvimento com rodo a cada duas horas em terreiro pavimentado e a cada hora em terra batida, o revolvimento no sentido do sol para que as leiras não façam sombra umas às outras, a temperatura da massa de 35 a 40 graus e a regra dos 50 litros de cereja por metro quadrado. Puerta-Quintero G. I., “Riesgos para la calidad y la inocuidad del café en el secado”, Cenicafé, Avances Técnicos n.º 371, maio de 2008, para a parcela das propriedades colombianas que secam ao sol e em secador mecânico; Álvarez H. J. R., López A. R., Gallo C. A., “Pérdidas causadas por el secado excesivo del café”, Cenicafé, Avances Técnicos n.º 84, dezembro de 1978, para o limiar de sobressecagem de 10,5 por cento; Roa-Mejía G., Oliveros-Tascón C. E., Parra-Coronado A., Ramírez-G C. A., “El secado mecánico del café”, Cenicafé, Avances Técnicos n.º 282, dezembro de 2000, DOI 10.38141/10779/0282, para a leitura da cor da amêndoa e os granos flojos, e para o caráter lento da secagem solar quando a colheita coincide com as chuvas. Documentação técnica brasileira de classificação dos defeitos, para a descrição do preto-verde como defeito de queima de aspecto brilhante e do cristalizado como grão cinza-azulado quebradiço atribuído a uma secagem acima de 50 graus, e para a proibição de ultrapassar 30 graus de massa em um lote carregado de frutos verdes; fontes de divulgação profissional, não revisadas por pares. Norma ISO 6673 para o método de referência de medição da umidade do café verde, citada a partir dos artigos que a aplicam e não a partir de seu texto.
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