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    Camarões

    Ficha de país aprofundada: produção, variedades, classificação, história, situação atual e pontos ainda incertos. Região: África.

    África

    03Camarões

    690.000 sacas (OIC 2009)

    Ficha de país aprofundada: produção, variedades, classificação, história, situação atual e pontos ainda incertos. Região: África.

    O café camaronês se deve em grande parte ao canephora, que representa cerca de 85 % da produção. O arábica, por sua vez, refugiou-se nas montanhas do oeste e do norte, onde os solos vulcânicos, escuros e ricos, lhe convêm mais. As primeiras mudas remontam a 1905, mas a cadeia produtiva só decolou de verdade no fim dos anos 1920.

    Aqui, cultiva-se em família, em pequenas áreas, entre as árvores de sombra e as culturas alimentares. As produtividades continuam modestas, e esses cafés vão muitas vezes para blends, como muitos cafés da África Ocidental. A longa crise mundial do café deixou marcas; em resposta, os produtores foram aos poucos se reunindo em cooperativas.

    Características de produção
    Espécies botânicas
    Arábica (15 %), canephora (85 %)
    Variedades
    Arábica: Blue Mountain; canephora: Java
    Altitude
    1.000 a 2.200 m (arábica); 800 a 1.000 m (canephora)
    Sombreamento
    Árvores florestais e frutíferas
    Colheita
    Canephora: manual não seletiva (nov.-fev.); arábica: manual seletiva (set.-fev.)
    Processamento
    Canephora: via seca; arábica: via úmida (principalmente)
    Triagem
    Canephora: mecânica; arábica: manual e eletrônica
    Período de colheita
    Canephora: nov. a fev.; arábica: set. a jan.
    Acondicionamento
    Saca de 60 kg
    Classificação dos cafés

    Arábica: por grade

    O arábica camaronês se classifica em 6 grades, indicados por uma letra de A a F. Cada letra diz duas coisas ao mesmo tempo. Um calibre, detalhado na tabela abaixo. E uma classe de limpeza, que se conta em defeitos.

    A contagem de defeitos é sempre feita sobre uma amostra de 300 g, o que permite comparar um lote com outro. Os grades A, B, C e E pertencem à classificação Prima, limitada a 15 defeitos. O D é Superior, com 30 defeitos. O F é Corrente, com 60 defeitos.

    GradeDetalhe
    A70 % retido na peneira 18, 30 % na peneira 17
    B70 % peneira 17, 30 % peneira 16
    CSomente grãos moca (um único grão por cereja, forma arredondada)
    D70 % peneira 16, 30 % peneira 15
    ESomente grãos elefante (grãos grandes e deformados)
    F70 % peneira 15, 30 % peneira 14

    Canephora: número de defeitos

    ClassificaçãoDefeitos máx.
    Extra Prima15
    Prima30
    Superior60
    Corrente120
    Limite180

    Canephora: tamanho do grão

    GradePeneira
    Grãos grandes18/20 (peneira 18 e +, máx. 1 % retido na peneira 16)
    Grade 116/18 (30 % retido na peneira 18)
    Grade 214/16 (30 % retido na peneira 16)
    Grade 310 (30 % retido na peneira 14)

    Existem também lotes de baixa qualidade: “triagens” e “fragmentos”.

    História e hoje

    A história

    As primeiras mudas datariam de 1905, mas a cadeia produtiva só decola no fim dos anos 1920. Ukers, em 1922, não dá nenhuma linha para Camarões em sua tabela mundial das exportações: a produção ali ainda é desprezível na escala do comércio. O país deu, em contrapartida, seu nome a um episódio fitossanitário: em 1933, identifica-se ali uma segunda ferrugem do cafeeiro, distinta da Hemileia vastatrix.

    Fichas de países, Marco De Sousa Rosa, 2026; Ukers 1922, cap. XXII, p. 289-291 (exportações dos países produtores); LC cap. 13

    Camarões também desempenhou um papel na circulação das variedades, e esse papel se deve a uma única linhagem.

    Chama-se Java. É uma variedade crioula etíope, que passou pela ilha de Java nos anos 1920 antes de chegar a Camarões.

    A pesquisa francesa a seleciona ali em 1980, por uma razão precisa: sua tolerância à antracnose dos frutos. Um cafeeiro que resiste a esse fungo interessa a todos os países onde ele grassa. A Java é, portanto, difundida na Nicarágua, na Costa Rica e no Panamá.

    Apesar do nome, não tem nenhuma relação com o Typica de Java. O nome guarda o vestígio de uma etapa da viagem, não de um parentesco.

    World Coffee Research, Coffee Varieties Catalog 2025, ficha Java; LC cap. 8

    Hoje

    O volume do alto da ficha, 690.000 sacas, é o da ficha (OIC 2009). O canephora representa cerca de 85 % da produção, nas terras baixas, pela via seca e com colheita manual não seletiva de novembro a fevereiro; o arábica recuou para os solos vulcânicos do oeste e do norte, entre 1.000 e 2.200 metros, pela via úmida e com colheita seletiva de setembro a fevereiro. A cultura é familiar, em pequenas áreas, sob árvores de sombra e misturada às culturas alimentares, com produtividades modestas; grande parte do café vai para blends.

    Fichas de países, Marco De Sousa Rosa, 2026

    A longa crise de preços deixou marcas na cadeia produtiva camaronesa, e a resposta foi o agrupamento progressivo dos produtores em cooperativas. É o esquema comum à África Ocidental canephora depois do colapso das cotas de 1989.

    Fichas de países, Marco De Sousa Rosa, 2026; McCook, Coffee Is Not Forever (2019); OIC, preço indicativo 1997-2001; LC cap. 19

    Zonas de sombra

    • A data de 1905 vem da ficha; nenhuma fonte primária consultada aqui a confirma.
    • A ficha indica “canephora: Java” como variedade; o nome Java designa, porém, no catálogo de variedades, um arábica de origem etíope. A ambiguidade não foi resolvida.
    • Nenhum número de produção posterior a 2009 pôde ser documentado para Camarões.
    • As instituições atuais da cadeia produtiva camaronesa não são documentadas por nenhuma das fontes do corpus.
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